Exame Neurológico Simplificado

Geraint Fuller · Capítulo 75 de 89

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Exame Neurológico Simplificado

5 Testes e sinais diversos

Teste de Tinel

Percussão de um nervo em local suspeito de compressão (geralmente usando um

martelo de reflexos). O teste é positivo quando são produzidas parestesias na distribuição do nervo em apreço. Comumente realizada para testar compressão do nervo mediano no punho.

 

Fenômeno de Lhermitte

A flexão para frente do pescoço produz uma sensação de choque elétrico, geralmente correndo para baixo na região dorsal. O paciente pode se queixar disso espontaneamente ou você pode pesquisar esse sinal fletindo o pescoço. Ocasionalmente, os pacientes têm a mesma sensação durante a extensão (sinal de Lhermitte invertido).

Esse sinal é indicativo de patologia cervical – geralmente desmielinizante. Ele ocorre

esporadicamente na mielopatia cervical espondilótica ou em tumores cervicais.

 

Elevação da perna estendida (Fig. 25.3)

É um teste de aprisionamento (entrapment) radicular lombossacro.

 

FIGURA 25.3 Elevação da perna estendida

Com o paciente deitado no leito, levante a perna, segurando o calcanhar. Observe o

ângulo e qualquer diferença entre os dois lados.

• Normal > 90 graus; menos em pacientes mais velhos. • Limitação com dor nas costas sugere aprisionamento de raiz nervosa.

 

Teste do impulso da cabeça

O reflexo vestíbulo-ocular (RVO) mantém os olhos estabilizados quando nos movemos. Caso esse reflexo não ocorra, nossa visão pula para cima e para baixo como um filme doméstico (isso é denominado oscilopsia). As principais aferências para esse reflexo provêm do sistema vestibular no ouvido interno e de receptores proprioceptivos nos músculos do pescoço. A informação é integrada no tronco cerebral e leva a movimentos oculares que compensam o efeito de quaisquer movimentos.

O teste do impulso da cabeça é usado para examinar o RVO rápido mediado pelos

canais semicirculares e avaliar a capacidade dos olhos de se manterem estáveis com movimentos rápidos. Ele é útil nos pacientes com vertigem.

O que fazer (Fig. 25.4)

Sente-se de frente para o paciente.

 

FIGURA 25.4 Teste do impulso da cabeça. A. A cabeça do paciente é girada rapidamente para a esquerda – observe que os olhos mantêm a fixação = normal. B. A cabeça do paciente é virada rapidamente para a direita – observe que o olho tem que fazer uma sacada para recuperar a fixação = anormalidade do sistema vestibular periférico direito.

Explique ao paciente que você irá mover a cabeça dele para examinar seu sistema de

equilíbrio e que, portanto, ele deverá relaxar o pescoço e permitir que você mova a cabeça dele.

Posicione suas mãos em ambos os lados da cabeça do paciente. Peça-lhe que olhe para um objeto distante, atrás do seu ombro, e que mantenha o

olhar naquele objeto.

Mova suavemente a cabeça 15 graus para a direita.

(Se o paciente resistir ou endurecer o pescoço, mova suavemente a cabeça dele para

outro lado, enfatizando a necessidade de que ele relaxe, e repita).

Vire, então, a cabeça tão rapidamente quanto possível para a esquerda, de modo a

atingir 15 graus para a esquerda.

Observe os olhos cuidadosamente.

Repita, começando em 15 graus para a esquerda e movendo a cabeça para a direita.

O que você encontra e o que significa

• Os olhos se mantêm estáveis olhando para o objeto distante (Fig. 25.4A): RVO

normal.

• Os olhos giram com a cabeça e depois têm que retroceder rapidamente à posição

correta para olhar o objeto distante (uma sacada corretiva; Fig. 25.4B): indica uma lesão vestibular periférica do lado em direção ao qual a cabeça havia sido movida.

O teste é altamente específico para lesões vestibulares periféricas. Causa comum de lesões vestibulares periféricas unilaterais: neurite vestibular.