Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Técnica de Ishiguro
Contraindicações
Nas lesões em que os fragmentos avulsionados são pequenos, em geral, menores que 1/3 da superfície articular, devem ser imobilizados com tala metálica em extensão. Fraturas com mais de 5 semanas de evolução e com subluxação do resto da falange distal, também não devem ser tratadas pela técnica de Ishiguro, nestes casos é necessária a redução aberta para restabelecer a congruência articular.
TÉCNICA DE ISHIGURO
Quando a articulação interfalangeana distal (IFD) é hiperextendida, o fragmento é empurrado e deslocado dorsalmente pela cabeça da falange média enquanto a falange distal pode subluxar volarmente. Ao contrário, a exão permite que o fragmento se encaixe no local aonde foi avulsionado, melhorando a congruência da superfície articular, além de reduzir a subluxação quando presente. Baseado nestas informações, Ishiguro e colaboradores desenvolveram uma nova técnica de redução fechada destas lesões, em 1987.
A técnica utiliza dois os de Kirschner (K) de 1,2 ou 1,5 mm
passados percutâneamente com auxílio de intensi cador de imagem e anestesia tipo bloqueio digital, acompanhado de sedação. O primeiro o de K é passado através do tendão extensor terminal, tangenciando o dorso do fragmento ósseo após exão passiva máxima da IFD ( o de bloqueio da extensão) e em seguida introduzido na falange média. Realiza-se então uma tração e extensão passiva da falange distal, que reduzirá o fragmento ao seu leito de origem, seguida da passagem do segundo o de K transarticular bloqueando a IFD, na maioria das vezes, em leve
exão; este o não deve passar no foco da fratura (Figuras 1-3 e 1-
4). Ishiguro a rma que não existe problema se permanecer algum pequeno degrau residual. Se a fratura tiver de 3 a 5 semanas de evolução, uma ponta de agulha inserida através do dorso deverá ser usada para reavivar a superfície entre o fragmento e o resto da falange.
FIGURA 1-3 Radiogra a mostrando a posição dos os tangenciando dorsalmente o fragmento ósseo e bloqueando a articulação interfalangeana distal.
FIGURA 1-4 Aspecto do dedo após a introdução dos os percutâneos.
Pós-operatório
Após o procedimento, os pacientes devem ser vistos semanalmente para troca de curativo e substituição da imobilização se necessário. Os os de K são removidos em ambulatório após 4 semanas quando então deverá ser orientado o início da movimentação ativa da articulação IFD. Um tempo adicional de imobilização com órtese noturna, pode ser indicado nos casos de dé cit residual da extensão.
Vantangens
É uma técnica simples, de baixo custo e que proporciona uma boa estabilidade do fragmento ósseo quando comparado à outros métodos. Com isto, o tempo de consolidação é de 4 a 6 semanas. Outra vantagem é que os os de K não são introduzidos diretamente no fragmento ósseo, o que evita a fragmentação do mesmo. Trabalhos comparativos mostram que o grau médio de exão e do dé cit de extensão foi melhor nos pacientes tratados pela técnica de Ishiguro em relação aos pacientes que se submeteram ao tratamento conservador.
Complicações
Retardo de consolidação, ulceração de pele, infecção no trajeto dos
os, incongruência articular por uma consolidação viciosa (com
consequente proeminência óssea dorsal residual), osteoartrose da IFD, deformidade ungueal e rigidez articular que podem estar associados a erros de indicação da técnica ou execução da mesma.
Casos clínicos
CASO 1 – 4º DEDO (Figura 1-5)
FIGURA 1-5 Fragmento avulsionado em dedo anular, tratado pela técnica de Ishiguro - resultado nal mostrando a consolidação óssea e boa amplitude articular.
CASO 2 – 5º DEDO (Figura 1-6)
FIGURA 1-6 Fragmento avulsionado em dedo mínimo evoluindo com consolidação óssea e boa exão e extensão do dedo.
CASO 3 – 4º DEDO (Figura 1-7)
FIGURA 1-7 Avulsão do fragmento ósseo, xado e consolidado após algumas semanas, sem limitação dos movimentos da articulação interfalangeana distal.
Referências
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