Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Flávio Faloppa · Capítulo 45 de 98

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Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Capítulo 9: Fratura do rádio distal – tratamento com placa volar de ângulo fixo

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Fratura do rádio distal – tratamento com

placa volar de ângulo xo

 

Ricardo Kaempf de Oliveira, Rafael Pêgas

Praetzel, Paulo Henrique Ruschel

 

INTRODUÇÃO

 

A fratura do rádio distal foi descrita originalmente por Abraham Colles, no século XIX, como uma patologia benigna que não causava limitações funcionais, apenas estéticas. Análises críticas dos resultados das fraturas tratadas de forma conservadora por DePalma nos anos 50, Frykman nos anos 60 e Cooney nos anos 80, demonstraram uma alta taxa de resultados insatisfatórios. Foram encontrados maus resultados em mais de 30% dos pacientes dessas séries, a maioria relacionada com a consolidação viciosa. Na atualidade, vários autores têm demonstrado as sequelas que podem ocorrer quando a fratura não é tratada corretamente.

O tratamento conservador é ainda amplamente utilizado,

principalmente nas fraturas extra-articulares não deslocadas, nas deslocadas estáveis após redução e nas que não necessitam de imobilização em posições desconfortáveis de exão e desvio ulnar do punho. Entretanto, essas fraturas podem se deslocar secundariamente, perdendo gradativamente a redução obtida no tratamento de urgência. A consolidação viciosa é a complicação mais frequente pós-fratura do rádio distal e apresenta uma prevalência variável que oscila entre 5% e 70% dos casos.

Com o advento de novas técnicas cirúrgicas e de materiais de

osteossíntese mais con áveis, além da necessidade cada vez maior dos indivíduos retornarem as suas atividades pro ssionais precocemente, o tratamento conservador deixou de ser a preferência no tratamento das fraturas deslocadas e instáveis rádio distal.

A redução aberta e a xação interna das fraturas deslocadas

instáveis intra ou extra-articulares do rádio distal vem se tornando um método popular de tratamento. Este método possibilita uma reabilitação precoce do punho, impedindo que as articulações adjacentes sofram sequelas devido à imobilidade. A utilização do tratamento conservador ou de métodos de xação que não obtenham estabilidade rígida levam à necessidade da imobilização até se obter a consolidação, e estão frequentemente associados à rigidez articular e à perda da redução obtida inicialmente. Até recentemente, a xação interna estável e a mobilidade precoce eram objetivos difíceis de ser alcançados no tratamento das fraturas com deslocamento dorsal do rádio distal, principalmente devido a di culdade de xação rígida com os sistemas vigentes de osteossíntese.

Classicamente, a abordagem volar era apenas utilizada para o

manejo das fraturas com deslocamento volar do rádio distal. O princípio de que as fraturas volarmente deslocadas do rádio distal são abordadas pela face ventral e as com deslocamento dorsal são abordadas pela face dorsal surgiu da regra de que se deve colocar a placa de apoio (buttress plate) na superfície instável da fratura.

Apesar das vantagens anatômicas, com a xação volar se perde

o efeito de apoio por não haver contato ósseo entre os fragmentos dorsais da fratura. Com isso, a placa tende a sofrer maior força de deformação, havendo uma tendência à falência do material de síntese, angulando em extensão ou afrouxando os parafusos. Placas em forma de “T” com parafusos distais convencionais não conseguem estabilizar corretamente os fragmentos, levando a falência da xação e soltura dos parafusos. Quando isto não ocorre, pode haver a quebra da placa, pois esta não é rígida o su ciente para suportar as forças nela geradas. Para resolver esse problema foi desenvolvida uma placa de ângulo xo, em que os fragmentos distais são estabilizados por pinos de apoio subcondrais, que se

xam rigidamente à placa. Os fragmentos articulares são apoiados e

neutralizados, retirando a tendência de encurtamento do rádio. A placa é forte o su ciente para tolerar as forças deformantes do local.

Com o desenvolvimento dos materiais de osteossíntese, a

xação das fraturas dorsalmente desviadas do rádio distal começou

a ser feita por abordagem volar. A placa volar de ângulo xo foi desenhada anatomicamente para a xação volar das fraturas distais do rádio. Ela obtém a xação dos fragmentos distais por meio de pinos de apoio subcondral e xação proximal com parafusos corticais. Os pinos distais são inseridos individualmente e, ao serem

xados na placa, encorporam-se à estrutura desta. Por se

localizarem justaproximais ao osso subcondral, os pinos distais têm a função de dar apoio e neutralizar as forças exercidas sobre os fragmentos articulares, impedindo o seu deslocamento após a redução ser atingida. A placa é rigidamente xada ao fragmento proximal, neutralizando as forças deformantes. Além disso, essas características possibilitam a estabilização segura das fraturas em pacientes com osteoporose, sem que haja risco maior de perda de redução.

Com os métodos clássicos de osteossíntese, é necessária uma

cortical oposta estável e espessa, para se obter uma xação interfragmentar. Além disso, na tentativa de se realizar a perfuração e a passagem do parafuso interfragmentar, pode ocorrer a fratura dos fragmentos dorsais, provocando maior cominuição. Com o uso da placa volar de ângulo xo, a estabilização da fratura é dada por suporte subcondral dos pinos distais. Por isso não se aconselha perfurar ou trans xar os fragmentos dorsais com os pinos, o que evita o risco de maior fragmentação óssea e de possíveis complicações com os tendões extensores.