Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Flávio Faloppa · Capítulo 32 de 98

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Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Capítulo 7: Pseudoartrose de escafoide: enxerto vascularizado volar

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Pseudoartrose de escafoide: enxerto

vascularizado volar

 

Luis Renato Nakachima, Fábio Augusto

Caporrino, Carlos Henrique Fernandes, João

Baptista Gomes dos Santos, Marcela Fernandes

 

INTRODUÇÃO

 

A pseudoartrose do escafoide é tema frequente de pesquisa na literatura mundial. Faz parte da evolução natural da fratura do escafoide não tratada, seja por omissão do próprio paciente que não procura auxílio médico devido à pobreza de sinais e sintomas, seja por falta dos diagnósticos clínico e radiográ co, bem como por tratamento com tipo ou tempo de imobilização inadequados. A importância da fratura do escafoide reside no fato de ser o osso do carpo mais frequentemente traumatizado, muitas vezes de difícil diagnóstico e por necessitar de períodos prolongados de imobilização gessada. As fraturas do escafoide apresentam índice de consolidação superior a 90% quando diagnosticadas precocemente e tratadas corretamente. Aquelas com desvio ou associadas a instabilidades cárpicas apresentam pior resposta ao tratamento clínico. As fraturas não consolidadas constituem as pseudoartroses, cujo tratamento ainda gera muitas discussões, variando desde a conduta expectante até o tratamento cirúrgico. O fato é que atualmente acredita-se que a evolução natural dessas pseudoartroses seja a artrose progressiva do punho, mesmo em indivíduos pouco sintomáticos, sem que se possa prever quando ela irá ocorrer. O objetivo do tratamento é restabelecer a consolidação, o formato e o comprimento do escafoide, promovendo mínima lesão às estruturas ligamentares, a m de evitar a progressão para o colapso do carpo. Apesar de diversos tipos de tratamento, com técnicas de enxertia e osteossíntese cada vez mais diferenciadas, observamos que os índices de consolidação, que giram em torno de 90%, não apresentam melhora signi cativa, bem como o tempo de imobilização pós-operatória, que permanece bastante elevado, levando a grandes períodos de afastamento do trabalho e consequentes implicações socioeconômicas. Algumas técnicas descritas com enxertos ósseos vascularizados vêm sendo estudadas ao longo dos últimos anos no tratamento da pseudoartrose do escafoide, com índices e tempo de consolidação promissores. Apesar de apresentarem di culdade técnica superior aos enxertos ósseos convencionais, podem ser úteis nas pseudoartroses associadas ou não a possíveis fatores de mau prognóstico, como necrose óssea, devido à sua vascularização peculiar, à cirurgia prévia e ao tempo prolongado de evolução da pseudoartrose.

Neste capítulo, abordaremos o tratamento cirúrgico da

pseudoartrose do escafoide, por meio de técnica proposta por

Mathoulin e Haerle (1998), utilizando enxerto vascularizado ventral

do rádio distal, baseado no arco palmar do carpo (Figura 7-1),

descrito por Kuhlmann e Surville (1980a).