Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Tratamento
Os princípios de tratamento são baseados de acordo com a
estabilidade da fratura, conforme descrito na Tabela 2-1. Fraturas da base dorsal ou volar estáveis podem ser tratadas conservadoramente com imobilização por férulas estáticas ou
xação percutânea com os de Kirchner (3 a 4 semanas). Em casos
de fraturas instáveis, a redução aberta e a xação interna é uma opção viável de tratamento quando os fragmentos possibilitam acomodar a xação. Outra opção de tratamento é o princípio de redução e mobilidade protegida, que possibilita amplitude articular restrita a um arco de movimento no qual a articulação consegue ser concentricamente reduzida e estável até que se obtenha a consolidação. Alternativas desse método são as órteses de bloqueio da extensão ou o chamado procedimento de “olecranização articular” descrito por Viegas. Os casos de fraturas cominutivas e instáveis são aqueles que oferecem o maior desa o de tratamento devido a sua complexidade e a resultados insatisfatórios. Todavia não há uma técnica cirúrgica considerada a ideal. As alternativas recaem para as técnicas de tração ou então procedimentos de reconstrução. A artroplastia de interposição, proposta por Eaton e Malerich, consiste em avançar a placa volar ao defeito criado pela fratura xando no dorso da falange média com sutura tipo pull-out, tem produzido complicações a longo prazo, especialmente no tocante à estabilidade articular dos dedos indicador e médio.
Os transplantes vascularizados articulares dos dedos dos pés são
reservados a casos excepcionais e em articulações artríticas, a artrodese tem demonstrado ser um procedimento seguro e estável para o controle da dor, embora conduza a perda completa do movimento.
Com relação à técnica de tração da articulação IFP, o objetivo
é conseguir restabelecer a geometria articular e manter o arco de movimento com o deslizamento concêntrico. Assim, a mobilização precoce ganha destaque, considerada até mais importante do que a redução anatômica da fratura. Seguindo esse princípio, Robertson, em 1946, descreve um sistema estático de tração digital. Contudo, Schenck, em 1986, foi o primeiro na literatura a reportar o uso de tração longitudinal dinâmica e mobilidade ativa como método de tratamento dessas fraturas. Os efeitos favoráveis da distração sobre os ligamentos e a placa volar são signi cativos ao reduzir, primariamente, os fragmentos restabelecendo a superfície articular, e secundariamente prevenir o colapso e a contratura. A possibilidade de movimento precoce melhora a regeneração da cartilagem e da cicatrização.
Nas últimas décadas, diversos métodos terapêuticos
combinando sistemas de xação e tração longitudinal foram propostos a m de possibilitar a mobilidade digital ativa precoce e manter efetivamente a redução. Foram desenvolvidos diferentes protótipos: órteses dinâmicas de tração longitudinal transesqueléticas de Schenck, xadores externos dinâmicos de
Hastings e Ernst (1993), Inanami (1993), Suzuki (1994), Kasparyn e Hotchkiss (1997) e so sticados aparelhos de mobilidade passiva contínua, possibilitando a obtenção de melhores resultados clínicos, com mínima dor e bom arco de movimentos. No entanto, aparelhos de mobilidade passiva contínua nem sempre estão disponíveis, e a utilização de órteses dinâmicas de tração longitudinal transesquelética envolve a participação tanto do cirurgião da mão quanto do terapeuta no mesmo ato cirúrgico e materiais plásticos termomoldáveis, nem sempre disponíveis na maioria das nossas instituições.
A xação externa com redução por meio de distração e
ligamentotaxia apresenta vantagens biológicas em comparação à redução aberta e à xação interna. Múltiplas formas de xação externa dinâmica têm sido descritas, entre as quais a reportada por Suzuki é a mais popular, modi cada por Deshmukh a m de evitar a fricção entre o o, o osso e a osteólise secundária. Badia et al. modi caram este sistema para evitar o uso de ligas, postulando que assim ele seria mas reproduzível. Qualquer que seja o tratamento, os autores concordam na importância da mobilização precoce a m de nutrir os tecidos lesionados, reparar a cartilagem, evitar broses e rigidez articulares.
Estudos biomecânicos de Chinchalker determinam a força de
tração necessária para se contrabalançar ao efeito de translação dos movimentos de exão e extensão da articulação IFP. A distração da cápsula articular e dos ligamentos colaterais por 300 a 400 Gf, se mostraram su cientes para a obtenção da redução efetiva no tratamento dessas fraturas.
Segundo Hastings e Erns o xador externo ideal deve manter a
redução e a congruência articular; proporcionar potencial de distração su ciente para a redução das fraturas articulares por ligamentotaxia, proteger os fragmentos articulares de cargas e forças de compressão excessiva, possibilitar o movimento passivo e ativo imediato e apresentar um desenho que não possa interferir com movimento dos dedos adjacentes.
A articulação IFP possui três planos de movimentos simultâneos
sincrônicos nos diferentes graus de amplitude articular: