Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Flávio Faloppa · Capítulo 17 de 98

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Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Classificação

Independente do tratamento escolhido, os objetivos são a

recuperação rápida e a completa da função da mão. Com a melhora da qualidade dos materiais usados na confecção dos implantes, bem como de seus desenhos e de instrumental auxiliar, o tratamento cirúrgico obteve grande popularidade nos últimos anos. Atualmente, os princípios biomecânicos da xação interna são mais claros; temos à disposição, além dos implantes de aço, os de titânio, que têm um módulo de elasticidade mais próximo ao do osso e grande número de con gurações de placas de baixo per l para cada tipo de fratura.

 

CLASSIFICAÇÃO

 

As fraturas dos metacarpianos, excluindo as do primeiro raio, são divididas em fraturas da cabeça, fraturas do colo, fraturas da diá se e fraturas da base.

As fraturas da cabeça são pouco frequentes e geralmente intra-

articulares. Acometem mais o segundo raio, muito provavelmente pelo fato de estar posicionado na borda da mão e por sua base estar

xada no carpo. Podem se apresentar como fraturas osteocondrais,

avulsões ósseas com lesões ligamentares, fraturas em duas partes

ocorrendo em diferentes planos (Figura 3-1A e B), fraturas

cominuídas (Figura 3-2A e B), fraturas com perda de substância e fraturas por compressão; associadas ou não a luxações metacarpofalangeanas. Estas fraturas podem levar a defeitos articulares que, eventualmente, remodelam com o tempo; ao contrário das articulações que suportam carga, uma articulação metacarpofalageana incongruente pode funcionar satisfatoriamente sem dor.

FIGURA 3-1 A. Fratura em 2 partes da cabeça do 3° metacarpiano (AP). B. Fratura em 2 partes da cabeça do 3° metacarpiano (P).

FIGURA 3-2 A. Fratura cominutiva da cabeça do 5° metacarpiano por projétil de arma de fogo (AP). B. Fratura cominutiva da cabeça do 5° metacarpiano por projétil de arma de fogo (oblíqua).

As fraturas do colo, também conhecidas como fraturas do boxer,

são muito comuns e geralmente acometem o quarto e o quinto metacarpianos. São raramente observadas em boxeadores pro ssionais, e muito mais comuns em pessoas que socam um objeto sólido com o punho cerrado, ou seja, com impacto frontal e exão completa da articulação metacarpofalageana e interfalangeanas proximal e distal. Contudo, o termo fratura do boxer já está profundamente integrado na literatura ortopédica. Frequentemente as fraturas do colo apresentam o ápice da deformidade paradorsal em função da cominuição volar do colo promovida pelo impacto dorsal na cabeça do metacarpiano e pela ação da musculatura intrínseca, que atravessa volarmente o eixo de rotação da articulação mantendo a cabeça etida.

As fraturas da diá se são separadas em três tipos: transversas,

oblíquas (espirais) e cominuídas (Figura 3-3). As transversas são causadas por trauma direto ou por carga axial promovida por meio da cabeça do metacarpiano. Elas geralmente angulam com seu ápice paradorsal e a musculatura intrínseca é a principal força deformante. As oblíquas e as espirais são usualmente resultantes de forças torcionais e podem levar a desvios rotacionais. As cominuídas são normalmente produzidas por trauma direto e podem estar associadas a variados graus de lesão de partes moles.