Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Capítulo 17: Mini-incisão para liberação do túnel do carpo
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Mini-incisão para liberação do túnel do
carpo
Henrique Ayzemberg, Gabriel El Kouba, Valdir
Steglich, Tiago Salati Stangarlin
INTRODUÇÃO
Descrita inicialmente por Sir James Paget, em 1854, e nomeada por
Moersch, em 1938, a síndrome do túnel do carpo (STC) consiste na compressão do nervo mediano em um túnel inelástico existente na face volar do punho. Trata-se do local de compressão nervosa mais comum do nervo mediano.
A descrição da primeira série de pacientes ocorreu em 1946,
por Cannon e Love, mas Phalen, em 1950, publicou vários artigos sobre a doença, tornando-a conhecida.
Ditmars, em 1993, relatou que a invasão do pequeno espaço
existente no túnel do carpo causa compressão da vasculatura perineural, originando inicialmente congestão venosa e, posteriormente, obstrução arterial. As alterações metabólicas locais resultantes levam a um atraso na condução nervosa, com sintomas de parestesia e dor na distribuição sensorial do nervo mediano. Se a compressão persistir, ocorrerão degeneração walleriana e brose intraneural com bloqueio completo e irreversível.
Os tendões exores estão envoltos por tecido sinovial, que os
nutre e permite um perfeito deslizamento. Este tecido sinovial pode sofrer processo in amatório devido a várias patologias, aumentando o volume dentro do túnel inelástico e levando à compressão do nervo, como pode ser visto na artrite reumatoide, por exemplo. Além disso, outras patologias sistêmicas podem estar associadas à STC, como o diabetes melito, alterações hormonais relacionadas com a menopausa, gravidez, gota, amiloidose, mieloma múltiplo, acromegalia, alterações da tireoide, insu ciência renal, tumores (lipomas, cistos, neuro bromas), abscessos etc.
Alguns autores acreditam que 60% dos pacientes com fratura
do rádio distal têm, em algum momento durante o tratamento, sintomas de compressão do nervo mediano no túnel do carpo, fato con rmado em 20% dos pacientes submetidos a estudos neuro siológicos em série publicada por Bienek et al.
A STC é mais frequente nas mulheres (em aproximadamente
70%) entre a quarta e sexta décadas de vida, embora possa ser encontrada em homens e em todas as faixas etárias, inclusive tendo sido descrita em crianças e em jovens.
O quadro clínico pode ser vago como dor difusa,
adormecimento e fadiga muscular, evoluindo até alterações das funções sensitivas, motoras ou tró cas, porém sempre limitadas à distribuição e ao território do nervo mediano.
Inicialmente a compressão nervosa está associada a parestesia e
dor na distribuição sensorial do nervo mediano. Com a persistência da sintomatologia poderão ocorrer degeneração e brose com bloqueio irreversível do nervo. Caso as raízes motoras do nervo mediano sejam comprimidas, poderão ocorrer denervação e atro a muscular, sendo o abdutor curto do polegar o músculo mais frequentemente acometido.
O dedo indicador é o mais atingido. É comum o paciente referir
hipoestesia nas mãos à noite, sendo necessário levantar-se para friccioná-las, o que consiste na braquialgia parestésica. Em linhas gerais, parestesia nas mãos pela manhã é patognomônico da STC.