Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Tratamento
Os exames de imagem raramente são necessários para o diagnóstico. As radiogra as simples podem evidenciar ligeira osteopenia localizada na estiloide radial ou mesmo pequeno osteó to. São usadas também no diagnóstico diferencial com osteoartrite envolvendo as articulações radiocarpal, intercarpal e trapézio-metacarpal (rizartrose), embora as condições possam coexistir num mesmo paciente. O exame ultrassonográ co pode demonstrar a presença de septo e alterações tendíneas, mas é pouco útil na prática clínica, bem como outras modalidades de imagem mais avançadas,
cando estas geralmente reservadas para pesquisas.
TRATAMENTO
Tratamento conservador
O tratamento conservador está indicado como tratamento inicial a todos os pacientes, sendo a primeira escolha nos casos agudos e acometendo pacientes gestantes e lactantes. Os métodos tradicionais de tratamento conservador incluem imobilização, analgésicos comuns e anti-in amatórios não esteroidais (AINEs), in ltração com corticosteroides e sioterapia (ou qualquer combinação destes), além de sempre orientar o paciente a evitar o carregamento do punho com desvio ulnar.
A in ltração com corticosteroides é e caz em relação ao
placebo, embora os estudos comparativos com outros tratamentos sejam escassos. A associação de AINEs orais não melhora os resultados da in ltração e está associada a aumento dos efeitos colaterais. Comumente utilizam-se triancinolona (10 mg a 20 mg), metilprednisolona (40 mg), dexametasona (2 mg a 4 mg) ou betametasona (6 mg) associada a um anestésico local, preferencialmente a bupivacaína (1 ml a 0,5% sem adrenalina). É importante a in ltração de ambas as bainhas dos músculos abdutor longo e extensor curto do polegar (caso separadas), especialmente no paciente portador de septo. O paciente é liberado para movimentação ativa imediatamente. Não existem estudos mostrando efetividade da in ltração a longo prazo (maior que 12 meses) nem comparação direta de custo/benefício com o tratamento cirúrgico, porém as taxas de sucesso a curto prazo reportadas são de 67%-86%. Recidivas, entretanto, são comuns, e uma segunda in ltração pode ser realizada. A principal complicação relacionada com a in ltração é o aumento transitório da dor (após cessar o efeito do anestésico local), e esta pode ser minimizada com o uso de anestésico de longa duração (bupivacaína). Mais raramente podem ocorrer despigmentação da pele, necrose ou atro a subcutânea. O paciente deve ser orientado previamente sobre essas possíveis complicações.
Os AINEs e analgésicos comuns podem ser empregados nos
casos mais leves associados ou não a métodos sioterápicos. Os efeitos da imobilização isolada são similares aos do placebo, e a associação da imobilização com outros métodos (p. ex., in ltração) não produz melhores resultados, portanto não a recomendamos.
Tratamento cirúrgico
O tratamento cirúrgico apresenta resultados previsíveis e consistentes. O objetivo primário da cirurgia é a descompressão do túnel estenosado, o que pode ser alcançado pela abertura do retináculo por via aberta ou endoscópica, ou pela diminuição do conteúdo do túnel por meio da excisão de tendões extranumerários. A liberação endoscópica apresenta menor chance de lesão nervosa e formação de cicatriz dolorosa ou antiestética, porém não há evidência de melhores resultados clínicos em comparação com o método aberto. Outras alterações como espessamento sinovial e anomalias anatômicas encontradas no intraoperatório devem ser abordadas apropriadamente.