Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Tratamento
A ENMG é o exame padrão ouro para STC e pode con rmar o
diagnóstico clínico. A latência motora distal acima de 4 ms e a latência sensitiva distal no estudo da velocidade sensitiva acima de 3,4 ms con rmarão a compressão do nervo mediano. Quando o estudo das latências sensoriais e motoras não é su ciente para o diagnóstico, empregam-se técnicas complementares, como o estudo da neurocondução sensorial do mediano no segmento transcarpiano, entre o punho e a região palmar, que não deve ser maior que 40 ms, assim como a diferença sensorial entre as respostas do mediano e do ulnar na mesma mão, captadas no quarto dedo, não deve ser maior que 0,5 ms. O sinal de Bactrian também é de grande valia na con rmação da STC. Na avaliação muscular, as alterações são encontradas nos casos mais crônicos e intensos. A ENMG possibilita o diagnóstico precoce e diferencial com radiculopatias cervicais, polineuropatias, mielopatias e neuropatias compressivas de outros nervos, além de poder quanti car a intensidade da compressão.
No entanto ainda existe uma variedade de opiniões entre
especialistas acerca da necessidade do teste para diagnóstico da síndrome e ainda não chegaram a um consenso quando existe um paciente com quadro clínico clássico e ENMG negativa para a doença. Conforme a American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), os estudos eletrodiagnósticos podem ser negativos em alguns pacientes com a doença, mas fornecem evidência quando positivos, não sendo necessários ao diagnóstico.
Outros exames de imagem, como tomogra a computadorizada
(TC), ressonância magnética (RM) e termogra a, têm seu valor como ferramentas investigativas, mas não são usados rotineiramente devido ao seu alto custo.
TRATAMENTO
O tratamento correto depende da identi cação da causa da compressão. Quando a STC é manifestação de alguma enfermidade sistêmica subjacente, deve ser identi cado e tratado o processo básico. Nesse caso, a regressão da síndrome não será rápida.
Quando a compressão é idiopática ou de origem ocupacional,
não se conseguirá alívio sem afastamento da causa que a desencadeou. O tratamento, portanto, é individualizado e pode ser dividido em conservador e cirúrgico.
O tratamento conservador é preconizado para pacientes com
quadro clínico leve, pouco tempo de evolução, sem alterações tró cas ou doenças sistêmicas de nidas. É realizado com imobilização do punho em posição neutra, podendo ser usado por três a quatro semanas, seguido por imobilização apenas durante à noite. O uso de anti-in amatórios não esteroidais (AINEs) pode ser bené co em muitos casos, mesmo não existindo processo in amatório agudo con rmado na maioria dos pacientes.
A in ltração com corticosteroide pode produzir alívio total ou
parcial dos sintomas, mas geralmente é temporário, apesar de alguns autores a indicarem em casos leves e iniciais e apresentarem resultados interessantes. Green et al. reportaram recorrência dos sintomas entre 65% e 90% dos pacientes após um in ltração de corticoide com bom resultado, ocorrendo principalmente entre dois e quatro meses. No entanto 11% dos casos desta mesma série não apresentaram recorrência por até 45 meses.
A sioterapia também faz parte do tratamento conservador e
pode trazer bons resultados quando realizada em casos recentes e com sintomatologia leve.
O tratamento cirúrgico está indicado quando não há resposta ao
tratamento conservador, nos casos de longa duração ou quando há atro a da musculatura tênar. Consiste na abertura do ligamento transverso do carpo ou retináculo exor, o qual pode ser feito por diferentes maneiras, dependendo da preferência do cirurgião: acesso amplo em zigue-zague do terço distal do antebraço até o meio da palma da mão; pequeno acesso transverso na base da palma da mão ou punho, na porção proximal do retináculo exor; acesso longitudinal entre as regiões tênar e hipotênar; liberação videoendoscópica com um ou dois portais; acesso mínimo com uso de reticulótomo.