Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Flávio Faloppa · Capítulo 79 de 98

Páginas do PDF

Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Classificação

A dor ou a sensação de desconforto pode irradiar-se até o

ombro. Ela pode ser contínua, intermitente ou paroxística, sendo exacerbada por movimento, força ou uso excessivo da mão.

Transtornos de sensibilidade, tato super cial ou discriminação

tátil defeituosa são relatados. Os transtornos tró cos não são comuns. Em casos mais graves pode haver hipotro a tênar.

 

CLASSIFICAÇÃO

 

A STC é diagnosticada de acordo com o quadro clínico e pode ser classi cada por eletroneuromiogra a (ENMG), conforme proposto por Ditmars:

 

Classi cação Características

Leve Alteração sensorial somente

Moderada Alteração sensorial e motora

Grave Denervação do nervo mediano

 

DIAGNÓSTICO

 

A anamnese e o exame físico são a chave para o diagnóstico da compressão do canal do carpo, mas a con rmação ocorre mediante exames complementares.

O teste de Phalen consiste na exão volar do punho durante 1 a

2 minutos e, se positivo, leva à reprodução dos sintomas; o teste de Phalen invertido, com exão dorsal do punho, e também o teste de Phalen modi cado, com exão forçada do polegar, do indicador e do dedo médio com o punho etido, são de grande importância no diagnóstico, pois, quando positivos, também reproduzem as queixas do paciente.

O sinal de Tinel é, também, de grande valia para o diagnóstico

da STC, assim como o teste do torniquete de Guillat e Wilson (torniquete in ado no braço acima da pressão venosa por 1 minuto): os testes sensitivos com toque leve, toque com agulha, discriminação entre dois pontos, mono lamentos e o teste vibratório.

Dellon relata que a aplicação de 256 CPS de sintonia do

diapasão diretamente na polpa digital ajuda no diagnóstico de lesões compressivas recentes.

O teste do abdutor curto do polegar com abdução forçada dos

polegares, um de encontro ao outro, com a mão espalmada sobre uma mesa, poderá ser assimétrico, demonstrando fraqueza muscular.

O primeiro sinal de alteração motora é lentidão dos

movimentos tênares pela manhã, que pouco a pouco melhoram durante o dia. À medida que a hipotro a e a parestesia avançam, os movimentos de coordenação do polegar e do indicador vão se alterando, tornado-se débeis, rígidos e entorpecidos. A força de preensão vai se tornando cada vez menor e acaba acarretando hipotro a da região tênar, o que traduz compressão crônica do nervo mediano no túnel carpal.

 

Exames complementares

Existe muito questionamento quanto à utilização de exames complementares de alto custo no diagnóstico desta doença, sendo que a melhor de nição é demonstrada pelo quadro clínico do paciente.

Podemos realizar um estudo radiológico do punho e detectar

possíveis alterações ósseas no túnel do carpo. A incidência tunnel view é a mais indicada neste caso, além das convencionais anteroposterior, per l e oblíquas.

A ultrassonogra a (US) tem se mostrado um importante exame

não invasivo na con rmação diagnóstica da STC. Yesildag et al. encontraram especi cidade de 94,7% e sensibilidade de 89% na con rmação ecográ ca da doença em 148 punhos estudados.