Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Flávio Faloppa · Capítulo 72 de 98

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Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica

Amputações da Extremidade Distal dos Dedos

• Reação: o paciente começa a entender que há ainda esperança

de função e começa a aceitar a perda como passado inevitável. Nasce um período de pensamento positivo, que o médico deve aproveitar para criar um ambiente de otimismo e entusiasmo pelo tratamento realizado ou a se realizar. Quanto mais cedo o médico entrar em sintonia psicológica com o paciente, melhor.

 

AMPUTAÇÕES DA EXTREMIDADE DISTAL DOS DEDOS

 

São as amputações traumáticas mais comuns e seu tratamento é ainda muito controverso. A conduta dependerá do comprometimento das diversas estruturas, da experiência do cirurgião e da escolha do paciente, já que, normalmente, existe mais de uma opção. As mais frequentes são:

Amputações com perda de pele (polpa digital) sem

exposição óssea. O tratamento, de certo modo, depende da forma da lesão (transversa, oblíqua, comprometimento predominantemente volar ou dorsal etc.). A utilização da parte amputada como enxerto de pele total é o método mais popular de tratamento. Para aumentar a chance de sucesso é necessário remover, da parte amputada, todo o tecido gorduroso, deixando apenas o tegumento apoiado em um leito bem vascularizado. Em alguns casos, deixar a ferida aberta e aguardar a cicatrização por segunda intenção pode proporcionar bons resultados. A maior queixa dos pacientes tratados com enxerto é a falta de sensibilidade, mas eles devem ser esclarecidos que esta deve retornar gradativamente. Quando a parte amputada não pode ser aproveitada, é possível utilizar enxerto de pele convencional para fechar um ferimento;

Amputações com exposição óssea. Nesta situação a decisão

mais importante é determinar qual comprimento do dedo é possível manter, lembrando sempre do princípio de conservar o máximo de função. O tratamento deve basear-se na transformação de um ferimento com osso exposto em outro fechado e, para isso, regulariza-se a borda óssea com goivas delicadas, utilizando-se procedimentos de revestimento cutâneo (retalhos). Os retalhos realizados para este m podem ser locais, de vizinhança ou a distância. Os retalhos locais mais utilizados são o avanço tipo “V-Y” volar de Atasoy (1970), ou o “V-Y” lateral de Kutler (1947). Outros retalhos utilizados são: volar tipo “V-Y” de Atosy-Kleinert, retalho de avanço de Moberg, retalho cruzado entre os dedos (cross nger), retalho tenar, além de outros menos usados.

O retalho de Moberg é mais indicado para proporcionar

cobertura cutânea nas lesões da extremidade do polegar, que possui uma pele volar mais móvel. São realizadas duas incisões mediolaterais de cada lado do polegar e dissecção de um retalho volar incluindo os pedículos neurovasculares. Este retalho é avançado até cobrir a lesão da extremidade. A dissecção deste retalho provoca lesão dos vasos que nutrem os tendões exores, assim como os ramos arteriais dorsais. Outra complicação é a possibilidade de provocar uma retração articular em exão. Uma vantagem deste retalho no polegar é que este tolera melhor uma deformidade em exão sem haver comprometimento grave de sua função. Outra técnica de Moberg consiste no retalho em ilha neurovascular heterodigital.

Os objetivos maiores do tratamento da amputação digital, ou

parte do dedo, são a restauração da cobertura cutânea, etapa imprescindível no tratamento de traumatismos, tumores e infecções que evoluam com solução de continuidade do tegumento, e a manutenção da estética, da função e da sensibilidade. A decisão sobre a melhor técnica depende de vários fatores, como localização e extensão da lesão, exposição de estruturas nobres e a experiência do cirurgião com as técnicas de reconstrução. Neste nível, entre as opções já conhecidas, destacam-se os retalhos neurovasculares pediculados em ilha de uxo reverso 12-24 e os retalhos microcirúrgicos.