Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Tratamento das Fraturas da Ifp com Fixador Externo Articulado de Tração Dinâmica – Trad-Fix®
exoextensão, rotação e adução-abdução. Portanto, o momento
biomecânico é alterado nos diferentes graus de amplitude articular assim como a demanda siológica de tração-distração
(ligamentotaxia). Dessa maneira, o sistema de xação externa “ideal” deveria acoplar um sistema dinâmico de tração-distração que atenda às exigências dessas variações.
Combinando a aplicação dos princípios de estabilidade, de
ligamentotaxia e de mobilidade ativa, os autores desenvolveram e utilizaram um xador externo articulado dinâmico que atende às variações da demanda siológica de tração-distração de acordo com o momento biomecânico nos diferentes graus de amplitude articular, como alternativa terapêutica para o tratamento desse tipo de fraturas.
TRATAMENTO DAS FRATURAS DA IFP COM FIXADOR EXTERNO ARTICULADO DE TRAÇÃO DINÂMICA – TRAD-
FIX®
Indicações
Fraturas articulares instáveis da articulação IFP: pode ser utilizado também em casos de fraturas da articulação MF, fraturas expostas associadas a perdas tegumentares.
Benefícios e vantagens
1. Fácil colocação.
2. Desenho exclusivo dotado de trava removível cujo articulador
possibilita movimentos de exoextensão.
3. Pode ser usado como xador externo convencional até a
regressão do edema, momento oportuno para o início da movimentação ativa.
4. Inovador sistema dotado de dispositivo tipo mola que provê
ligamentotaxia dentro de parâmetros funcionais e siológicos de segurança.
Técnica cirúrgica
Sob anestesia local ou regional, utiliza-se um perfurador pneumático de baixa rotação e pinos de Schanz autoperfurantes de 1,5 mm. Procede-se a instalação percutânea do primeiro pino de Schanz no colo da falange proximal seguido do segundo pino na base da falange média. Complementam-se os pinos e a seguir o xador externo. Veri ca-se a redução da fratura sob intensi cador de
imagem ou radiogra as convencionais (Figuras 2-2 A a C).
FIGURA 2-2 Fratura do pilão da IFP do 4º qd. de redução sob radioscopia.
Pós-operatório
Protocolo de reabilitação
Destaca a importância de combate ao edema.
Em repouso, manter as articulações IFP e IFD em extensão e as
MF em exão. Iniciar com mobilidade articular passiva antes da mobilidade ativa e realizar movimentos articulares ativos controlados somente depois do controle do edema.
Sequência do protocolo de reabilitação:
1° – 4° dia pós-operatório (PO): combate ao edema. Manter a mão sempre elevada para evitar o edema. Drenagem linfática digital.
5° – 6º dia sem PO: exercícios de movimentação passiva e ativa
controlada (15 repetições a cada hora). Dinamização do xador externo (retirar a trava do furo superior). O bloqueio do xador é mantido durante os intervalos dos exercícios e para dormir.
4ª – 6ª semana PO: retirada do xador externo. Exercícios
ativos com a mão livre.
7ª semana: exercícios com bloqueio.
8ª semana: exercícios de fortalecimento
14ª semana: retorno sem restrição às atividades.
Caso clínico
Utilizando este protótipo de xador externo associado a um programa de reabilitação com movimentos ativos precoces, os autores avaliaram os resultados funcionais e radiológicos obtidos em 20 pacientes tratados, portadores de 20 fraturas digitais articulares instáveis, 12 da IFP e 8 da MF. A idade variou de 22 a 62 anos (média de 32 anos). O tempo de seguimento variou de quatro a 16 meses (média de 7 meses). Lesões tendinosas associadas foram encontradas em seis dedos. Todos os pacientes apresentaram consolidação radiológica das fraturas e ao nal do tratamento se encontravam livres de dor. A porcentagem de recuperação funcional, quando comparado o arco de movimento (ROM) da articulação afetada com do dedo contralateral, apresentou 87,5% em 14 pacientes, 82% em 4 pacientes e 74% em 2 pacientes. Como complicações, citamos infecção super cial do trajeto dos pinos em 3 casos, todos resolvidos com antibioticoterapia oral e curativos locais. O método de tratamento preconizado possibilitou o movimento ativo imediato e a recuperação satisfatória da função
digital com baixa incidência de complicações (Figura 2-3 A a F).
FIGURA 2-3 Fratura marginal palmar 3º qd. Redução sob radioscopia. Resultado funcional.
Referências
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