Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Técnica Cirúrgica
FIGURA 8-1 Representação esquemática da anatomia da artéria dorsal do primeiro metacarpiano (ADPM).
TÉCNICA CIRÚRGICA
Abordagem palmar
Indicada para pseudoartrose do terço médio e distal do escafoide. A incisão é feita sobre o exor radial do carpo e ao longo da junção
palmar e dorsal da pele da eminência tenariana (Figura 8-2). Após identi cação do foco de pseudoartrose, os tecidos brosos e não viáveis são removidos. O punho é etido para corrigir o desvio dorsal do semilunar, e o semilunar é temporariamente pinado ao rádio. Então, o punho é estendido e desviado ulnarmente e o defeito
é mensurado (Figura 8-3). O enxerto vascularizado é então retirado
(Figuras 8-4 e 8-5). Um túnel de 2 cm de diâmetro abaixo da
inserção tendínea do abdutor longo do polegar é criado (Figura 8-6). O enxerto é então passado abaixo do ECP e do ALP, e tracionado em direção palmar para o defeito no escafoide. O enxerto ósseo é encaixado transversalmente ou longitudinalmente (depende do
tamanho da falha) no defeito ósseo (Figuras 8-7 e 8-8). O pedículo vascular corre radialmente (quando o enxerto ósseo é localizado transversalmente) ou distalmente (quando o enxerto ósseo é localizado longitudinalmente). O escafoide é xado com 2 os de
Kirschner (Figura 8-9). O pedículo vascular é então inspecionado para detectar torção, compressão ou tensão. Os retalhos capsulares, a pele e o subcutâneo são suturados.
FIGURA 8-2 Representação esquemática. A. Acesso para reconstrução de pseudoartrose do terço médio e distal do escafoide. A incisão se estende acima do exor radial do carpo, tubérculo do escafoide e cabeça do primeiro metacarpiano. B. Acesso para tratamento de pseudoartrose do polo proximal do escafoide. Primeira incisão acima do tubérculo de Lister para tratar a pseudoartrose e segunda incisão acima do primeiro metacarpiano para retirada do enxerto.
FIGURA 8-3 Visão intraoperatória da abordagem volar. Após reavivamento ósseo, o defeito do escafoide é aferido para planejamento do enxerto ósseo com medidas exatas.
FIGURA 8-4 Visão intraopeartória do desenho do pedículo vascular para retirada do enxerto do polegar.
FIGURA 8-5 Visão intraoperatória da retirada do enxerto vascularizado do polegar para o tratamento da pseudoartrose do terço médio do escafoide.
FIGURA 8-6 Visão intraoperatória do túnel abaixo do tendão abdutor longo do polegar (ALP). O extensor curto do polegar (ECP) foi dissecado e reparado.
FIGURA 8-7 Representação esquemática do enxerto vascularizado localizado transversamente na pseudoartrose do terço médio do escafoide abordado via volar. Fixação óssea é obtida com 2 os de Kirschner.
FIGURA 8-8 Representação esquemática do enxerto vascularizado localizado longitudinalmente na pseudoartrose do escafoide com grande perda óssea.
FIGURA 8-9 Visão intraoperatória da xação do enxerto no defeito ósseo.
Abordagem dorsal
Indicada para pseudoartrose do polo proximal. Uma incisão vertical ao longo do tubérculo de Lister acessa o foco da pseudoartrose, o qual é preparado. Uma cavidade é criada no polo proximal, proporcionando a formação de duas colunas, uma radial e outra ulnar, com espessura de 2 a 3 mm. A cavidade é então estendida ao longo da borda dorsal do escafoide, que é xado com dois os de Kirchner que passam da borda dorsal dentro das duas colunas ulnar e radial até o polo proximal do escafoide. Pela incisão separada no polegar, o enxerto vascularizado é retirado de acordo com as medidas exatas da cavidade criada no dorso do escafoide. O enxerto é retirado o mais distal possível na cabeça do primeiro metacarpiano para proporcionar o pedículo mais comprido. Um amplo túnel é dissecado abaixo dos extensores do punho. O enxerto é passado acima da artéria radial e abaixo do segundo compartimento extensor do punho em direção ao defeito no dorso do escafoide. Enxerto esponjoso obtido do rádio distal dorsal é usado para auxiliar no preenchimento do defeito. O enxerto ósseo vascularizado do polegar está impactado na cavidade do polo proximal e da borda dorsal do
escafoide (Figura 8-10). O enxerto ósseo baseado na ADPM é rodado 180 graus de distal para proximal e o pedículo não atravessa a articulação radiocárpica, possibilitando melhor localização no polo proximal. A compressão do pedículo vascular contra a borda dorsal do rádio é prevenida. Remoção de cartilagem do polo proximal não é necessária para criar o local de introdução do enxerto. O enxerto esponjoso moído é usado para preencher o defeito remanescente. Os retalhos capsulares, a pele e o tecido subcutâneo são suturados.
FIGURA 8-10 Representação esquemática do enxerto vascularizado localizado na pseudoartrose do polo proximal do escafoide, por abordagem dorsal. Fixação óssea é obtida com dois os de Kirschner, o qual não trans xa o enxerto ósseo.