Mão e Punho: SBOT Série Ortopedia Cirúrgica
Diagnóstico
Ao exame, detectamos aumento de volume na inspeção no lado dorsorradial do punho, percebido principalmente quando a pseudoartrose tem longa evolução. Ocorre também limitação na amplitude de movimento, força de preensão e força da pinça. A palpação do estiloide radial e da tabaqueira anatômica é dolorosa, bem como o desvio radial forçado associado a exão do punho incita dor no aspecto radial do punho na pseudoartrose do terço médio e distal do escafoide. Nos pacientes com pseudoartrose do terço proximal, a dor é percebida no lado dorsal do punho. Nestes pacientes, o teste de Watson pode provocar dor e crepitação, mas a pressão axial no polegar raramente é dolorosa.
Exames complementares
Radiogra as do punho devem ser obtidas bilateralmente. Na incidência em per l, o ângulo escafolunar é aferido e a diferença igual ou maior de 10 graus em relação ao lado não afetado é considerada patológica. O ângulo radiolunar maior de 15 graus é consistente com dorsal intercalated segmental instability (DISI). O comprimento do escafoide é medido na incidência posteroanterior (PA) com desvio ulnar. Alterações nos ângulos carpais e DISI são encontradas em 60% das pseudoartroses que envolvem o terço médio e distal do escafoide. Alterações do ângulo escafolunar e do comprimento do escafoide não são observadas na pseudoartrose do polo proximal. Alterações da altura carpal não são achado comum na pseudoartrose do escafoide. A incidência anteroposterior (AP) com preensão do punho é obtida para excluir lesão escafolunar. Na incidência PA determinamos o local da pseudoartrose e a existência de degeneração articular. O estiloide a lado (com osteó to) e a diminuição do espaço articular são comuns, mas geralmente não contraindicam a cirurgia reconstrutiva. Entretanto, alterações degenerativas que envolvem a articulação mediocarpal podem impedir a reconstrução do escafoide e resultar em cirurgias de salvação. Raramente usamos tomogra a computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) quando avaliamos pseudoartrose do escafoide. Ocasionalmente, a TC pode ser usada para diferenciar pseudoartrose de consolidação brosa do escafoide. A RM é usada para estudar o estado vascular do polo proximal do escafoide, porém atualmente há controvérsia em relação a seus achados. O padrão-ouro para acessar a vascularização do polo proximal do escafoide é o sangramento dele durante a cirurgia. Como sempre tratamos a pseudoartrose do polo proximal com enxerto vascularizado, a RM não interfere no nosso processo de decisão cirúrgica.