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Celulite
INTRODUÇÃO
É uma infecção dos tecidos moles, atingindo fundamentalmente a derme reticular e a hipoderme.
Clinicamente é difícil diferenciar da erisipela, a qual afeta principalmente a derme super cial, tem
limites bem de nidos e comprometimento do sistema linfático; já na celulite, não há limites bem
de nidos.
Não tem prevalência em nenhuma faixa etária.
Acomete principalmente membros inferiores, as pernas, podendo afetar, em alguns casos,
membros superiores, face, região periorbitária, região periauricular, entre outros.
Em crianças; é comum o acometimento na face; já em adultos; é mais comum nos membros
inferiores.
ETIOLOGIA
Causada principalmente por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A e Staphylococcus aureus.
Menos frequentes pelos estreptococos dos grupos B, C e G, pneumococos, Pseudomonas,
Haemophilus in uenzae (em crianças).
Em diabéticos e imunocomprometidos, a celulite é causada por anaeróbios e Gram-negativos.
FATORES PREDISPONENTES
Solução de continuidade da pele: ulcerações, feridas, mordeduras de animais; dermatite; trauma;
intertigo; tinea pedis; ulcerações por estase venosa; obesidade; usuários de droga intravenosa.
Doenças gerais (diabetes, câncer, insu ciência renal), imunocomprometidos, como pessoas
com vírus da imunode ciência humana – HIV, entre outros que facilitam o desenvolvimento da
infecção.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
A celulite apresenta-se de forma abrupta com eritema, edema, calor, sensibilidade e dor, sem
limites de nidos. Pode, em alguns casos, surgir supuração, bolhas, petéquias. Em casos mais
graves, pode evoluir com sepse.
Celulite de mão.
Edema de mĕo com celulite.
Edema de antebraço.
Detalhe da celulite.
Fonte: cortesia do Dr. Pedro Paulo Galhardo de Castro.
DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR
O diagnóstico é predominantemente clínico.
Em casos de resistência ao tratamento, é indicada a identi cação da bactéria responsável pela
infecção através de cultura.
Distintas revisões bibliográ cas concluíram que, em casos de pacientes imunocomprometidos,
a hemocultura não é útil como método diagnóstico de rotina.
Outros métodos que ajudam a descartar diagnósticos diferenciais são: radiogra a, que é
importante para descartar fasciite necrotizante (visualizar gás); ecodoppler de membros
inferiores, para descartar trombose venosa profunda; ultrassonogra a, tomogra a
computadorizada e ressonância magnética, úteis na suspeita de coleções.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Erisipela; trombo ebite super cial; angioedema; herpes-zóster (em face); trombose venosa
profunda; dermatite de contato; picadas de insetos com reação in amatória local; reações
adversas a drogas; celulite eosinofílica; síndrome de Sweet; gota; febre mediterrânea familiar;
carcinoma erisipeloide; linfedema; paniculite; fasciite necrotizante; miosite; fasciite; pioderma
gangrenoso.
TRATAMENTO
• Repouso com elevação dos membros. Compressas frias. Analgesia e antibioticoterapia
sistêmica para cobrir Staphylococcus aureus e estreptococos:
∘ Penicilina-procaína na dose de 600.000 U, IM, 12/12 horas.
∘ Cefalosporinas de primeira geração (cefazolina, cefalotina ou cefalexina), sulbactam –
ampicilina, amoxicilina-clavulanato VO ou IV
∘ Nos casos mais graves, penicilina cristalina de 3.000.000 U, EV, de 4/4 horas.
∘ Para alérgicos, clindamicina 300 mg, VO, 6/6 horas.
∘ Em casos de recidivas, penicilina G 250-500 mg, VO, de 12/12 horas. Para alérgicos,
eritromicina 250 mg, 12/12 horas ou 1 vez ao dia.