GPS: Clínica Médica

Fernanda Mazza · Capítulo 14 de 96

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Celulite

INTRODUÇÃO

 

É uma infecção dos tecidos moles, atingindo fundamentalmente a derme reticular e a hipoderme.

Clinicamente é difícil diferenciar da erisipela, a qual afeta principalmente a derme super cial, tem

limites bem de nidos e comprometimento do sistema linfático; já na celulite, não há limites bem

de nidos.

Não tem prevalência em nenhuma faixa etária.

Acomete principalmente membros inferiores, as pernas, podendo afetar, em alguns casos,

membros superiores, face, região periorbitária, região periauricular, entre outros.

Em crianças; é comum o acometimento na face; já em adultos; é mais comum nos membros

inferiores.

 

ETIOLOGIA

 

Causada principalmente por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A e Staphylococcus aureus.

Menos frequentes pelos estreptococos dos grupos B, C e G, pneumococos, Pseudomonas,

Haemophilus in uenzae (em crianças).

Em diabéticos e imunocomprometidos, a celulite é causada por anaeróbios e Gram-negativos.

 

FATORES PREDISPONENTES

 

Solução de continuidade da pele: ulcerações, feridas, mordeduras de animais; dermatite; trauma;

intertigo; tinea pedis; ulcerações por estase venosa; obesidade; usuários de droga intravenosa.

Doenças gerais (diabetes, câncer, insu ciência renal), imunocomprometidos, como pessoas

com vírus da imunode ciência humana – HIV, entre outros que facilitam o desenvolvimento da

infecção.

 

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

A celulite apresenta-se de forma abrupta com eritema, edema, calor, sensibilidade e dor, sem

limites de nidos. Pode, em alguns casos, surgir supuração, bolhas, petéquias. Em casos mais

graves, pode evoluir com sepse.

 

Celulite de mão.

 

Edema de mĕo com celulite.

 

Edema de antebraço.

Detalhe da celulite.

 

Fonte: cortesia do Dr. Pedro Paulo Galhardo de Castro.

 

DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR

 

O diagnóstico é predominantemente clínico.

Em casos de resistência ao tratamento, é indicada a identi cação da bactéria responsável pela

infecção através de cultura.

Distintas revisões bibliográ cas concluíram que, em casos de pacientes imunocomprometidos,

a hemocultura não é útil como método diagnóstico de rotina.

Outros métodos que ajudam a descartar diagnósticos diferenciais são: radiogra a, que é

importante para descartar fasciite necrotizante (visualizar gás); ecodoppler de membros

inferiores, para descartar trombose venosa profunda; ultrassonogra a, tomogra a

computadorizada e ressonância magnética, úteis na suspeita de coleções.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

 

Erisipela; trombo ebite super cial; angioedema; herpes-zóster (em face); trombose venosa

profunda; dermatite de contato; picadas de insetos com reação in amatória local; reações

adversas a drogas; celulite eosinofílica; síndrome de Sweet; gota; febre mediterrânea familiar;

carcinoma erisipeloide; linfedema; paniculite; fasciite necrotizante; miosite; fasciite; pioderma

gangrenoso.

TRATAMENTO

 

• Repouso com elevação dos membros. Compressas frias. Analgesia e antibioticoterapia

sistêmica para cobrir Staphylococcus aureus e estreptococos:

∘ Penicilina-procaína na dose de 600.000 U, IM, 12/12 horas.

∘ Cefalosporinas de primeira geração (cefazolina, cefalotina ou cefalexina), sulbactam –

ampicilina, amoxicilina-clavulanato VO ou IV

∘ Nos casos mais graves, penicilina cristalina de 3.000.000 U, EV, de 4/4 horas.

∘ Para alérgicos, clindamicina 300 mg, VO, 6/6 horas.

∘ Em casos de recidivas, penicilina G 250-500 mg, VO, de 12/12 horas. Para alérgicos,

eritromicina 250 mg, 12/12 horas ou 1 vez ao dia.