GPS: Clínica Médica
Furúnculo
INTRODUÇÃO
Furúnculo é o resultado da infecção esta locócica do folículo piloso e da glândula sebácea anexa,
a qual destrói os anexos da pele, deixando cicatriz.
AGENTE ETIOLÓGICO
O mais comum é o Staphylococcus aureus.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
O quadro inicia-se como um nódulo endurecido e eritematoso, doloroso e quente, que após 2 a 4
dias evolui para utuação. Após a ruptura do folículo, há eliminação de tecido necrótico, que
ocupa o centro do furúnculo, o carnicão. Pode haver um ou, menos comumente, múltiplos círculos
de descamação organizados de forma lamelar em torno do folículo piloso infectado. O tempo de
evolução é autolimitado, de 10 a 14 dias.
Furúnculo em membro inferior.
Acomete preferencialmente adultos jovens. O quadro é bastante típico, portanto, o diagnóstico é
essencialmente feito pelo aspecto da lesão.
Os locais mais frequentes são áreas pilosas sujeitas à fricção e com sudorese mais intensa,
como pescoço, face, axilas e nádegas. Também é frequente em locais de pequenos traumas, por
exemplo, abaixo do cinto.
Furunculose é a multiplicidade de lesões ou recidivas frequentes. Os pacientes idosos,
diabéticos, desnutridos, alcoólatras, imunodeprimidos são mais suscetíveis. A furunculose
recorrente geralmente está associada ao transporte de S. aureus nas narinas, nas axilas e no
períneo do paciente ou ao contato direto com algum portador, mesmo que assintomático.
Furunculose em membro inferior.
Fonte: cortesia do Dr. Matheus Pacheco dos Reis.
Antraz é uma con uência de vários furúnculos que se estendem profundamente no tecido celular
subcutâneo. O quadro é caracterizado por área de eritema, edema e múltiplos orifícios de
drenagem de pus. Habitualmente, ocorre em área de pele mais espessa, como nuca, dorso e
coxas.
Antraz em região dorsal em área de pequeno trauma (cinto).
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Pode ser feita a investigação pelo exame bacteriológico e antibiograma, com a nalidade de
orientar o tratamento.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Acne cística.
• Quérion.
• Hidradenite supurativa.
• Cisto de inclusão epidérmico roto.
• Miíase furunculoide.
• Abscesso dentário apical.
• Osteomielite.
COMPLICAÇÕES
Casos de furunculose por Staphylococcus aureus resistente à meticilina adquirido na comunidade
(CA-MRSA) podem levar a maior incidência de furunculose e furunculose recorrente, pelo fato de o
patógeno ser de maior virulência, e levar a um consequente aumento na taxa de complicações
graves, como a sepse.
TRATAMENTO
No início do quadro: compressas quentes até evolução para drenagem espontânea ou cirúrgica e
higiene corporal com sabonetes antissépticos.
Topicamente, pode-se usar mupirocina 2% e ácido fusídico 2%.
Para os casos recorrentes, de múltiplas lesões, presença de celulite secundária ou bacteremia, a
preferência recai sobre os antibióticos sistêmicos como:
• Betalactâmicos associados a inibidores da betalactamase.
• Clindamicina 150 mg/dia por até 3 meses.
• Rifampicina 600 mg/dia por 10 a 15 dias (casos resistentes por até 3 meses).
O melhor método de controle de furunculose recorrente é a erradicação da colonização pelo S.
aureus. O estado de portador pode ser transitório, intermitente ou persistente durante meses ou
anos. Os portadores persistentes são mais suscetíveis a serem colonizados em vários locais, a
transmitir para os outros e, por m, se infectar. O principal motivo para considerar a
descolonização esta locócica é a prevenção da infecção em um paciente colonizado e transmissão
do organismo (principalmente MRSA) para outras pessoas.
TRATAMENTO
Para esta descolonização, o ideal seria realizar o swab nasal dos pacientes e seus contactantes.
Após con rmação, recomenda-se o uso da pomada de mupirocina 2% em fossas nasais, axilas,
regiões umbilical e genital no paciente e seus contactantes íntimos 2 vezes ao dia, por 5 dias,
associado ou não a sabonetes antissépticos. Em vez de mupirocina, pode-se usar o ácido fusídico,
porém o tempo de tratamento não deve ser prolongado, por causa da possibilidade de indução de
resistência bacteriana. Outras medidas incluem:
• Banho com agentes bactericidas, como clorexidina.
• Desinfecção diária de artigos pessoais, banheiro e chão do chuveiro com antimicrobiano à base
de álcool.
• Lavagem diária (em água com uma temperatura de pelo menos 60°C) de toalhas, roupas de
cama e roupas de uso pessoal.
Os pacientes e seus contactantes são aconselhados a seguir as medidas de descontaminação
rigorosas (listadas anteriormente), pois a recorrência pode persistir, em razão de um ou mais
contatos serem portadores assintomáticos de S. aureus.