GPS: Clínica Médica

Fernanda Mazza · Capítulo 17 de 96

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Furúnculo

INTRODUÇÃO

 

Furúnculo é o resultado da infecção esta locócica do folículo piloso e da glândula sebácea anexa,

a qual destrói os anexos da pele, deixando cicatriz.

 

AGENTE ETIOLÓGICO

 

O mais comum é o Staphylococcus aureus.

 

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

 

O quadro inicia-se como um nódulo endurecido e eritematoso, doloroso e quente, que após 2 a 4

dias evolui para utuação. Após a ruptura do folículo, há eliminação de tecido necrótico, que

ocupa o centro do furúnculo, o carnicão. Pode haver um ou, menos comumente, múltiplos círculos

de descamação organizados de forma lamelar em torno do folículo piloso infectado. O tempo de

evolução é autolimitado, de 10 a 14 dias.

 

Furúnculo em membro inferior.

Acomete preferencialmente adultos jovens. O quadro é bastante típico, portanto, o diagnóstico é

essencialmente feito pelo aspecto da lesão.

Os locais mais frequentes são áreas pilosas sujeitas à fricção e com sudorese mais intensa,

como pescoço, face, axilas e nádegas. Também é frequente em locais de pequenos traumas, por

exemplo, abaixo do cinto.

Furunculose é a multiplicidade de lesões ou recidivas frequentes. Os pacientes idosos,

diabéticos, desnutridos, alcoólatras, imunodeprimidos são mais suscetíveis. A furunculose

recorrente geralmente está associada ao transporte de S. aureus nas narinas, nas axilas e no

períneo do paciente ou ao contato direto com algum portador, mesmo que assintomático.

 

Furunculose em membro inferior.

Fonte: cortesia do Dr. Matheus Pacheco dos Reis.

 

Antraz é uma con uência de vários furúnculos que se estendem profundamente no tecido celular

subcutâneo. O quadro é caracterizado por área de eritema, edema e múltiplos orifícios de

drenagem de pus. Habitualmente, ocorre em área de pele mais espessa, como nuca, dorso e

coxas.

Antraz em região dorsal em área de pequeno trauma (cinto).

 

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

 

Pode ser feita a investigação pelo exame bacteriológico e antibiograma, com a nalidade de

orientar o tratamento.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

 

• Acne cística.

• Quérion.

• Hidradenite supurativa.

• Cisto de inclusão epidérmico roto.

• Miíase furunculoide.

• Abscesso dentário apical.

• Osteomielite.

 

COMPLICAÇÕES

 

Casos de furunculose por Staphylococcus aureus resistente à meticilina adquirido na comunidade

(CA-MRSA) podem levar a maior incidência de furunculose e furunculose recorrente, pelo fato de o

patógeno ser de maior virulência, e levar a um consequente aumento na taxa de complicações

graves, como a sepse.

 

TRATAMENTO

No início do quadro: compressas quentes até evolução para drenagem espontânea ou cirúrgica e

higiene corporal com sabonetes antissépticos.

Topicamente, pode-se usar mupirocina 2% e ácido fusídico 2%.

 

Para os casos recorrentes, de múltiplas lesões, presença de celulite secundária ou bacteremia, a

preferência recai sobre os antibióticos sistêmicos como:

• Betalactâmicos associados a inibidores da betalactamase.

• Clindamicina 150 mg/dia por até 3 meses.

• Rifampicina 600 mg/dia por 10 a 15 dias (casos resistentes por até 3 meses).

 

O melhor método de controle de furunculose recorrente é a erradicação da colonização pelo S.

aureus. O estado de portador pode ser transitório, intermitente ou persistente durante meses ou

anos. Os portadores persistentes são mais suscetíveis a serem colonizados em vários locais, a

transmitir para os outros e, por m, se infectar. O principal motivo para considerar a

descolonização esta locócica é a prevenção da infecção em um paciente colonizado e transmissão

do organismo (principalmente MRSA) para outras pessoas.

 

TRATAMENTO

 

Para esta descolonização, o ideal seria realizar o swab nasal dos pacientes e seus contactantes.

Após con rmação, recomenda-se o uso da pomada de mupirocina 2% em fossas nasais, axilas,

regiões umbilical e genital no paciente e seus contactantes íntimos 2 vezes ao dia, por 5 dias,

associado ou não a sabonetes antissépticos. Em vez de mupirocina, pode-se usar o ácido fusídico,

porém o tempo de tratamento não deve ser prolongado, por causa da possibilidade de indução de

resistência bacteriana. Outras medidas incluem:

• Banho com agentes bactericidas, como clorexidina.

• Desinfecção diária de artigos pessoais, banheiro e chão do chuveiro com antimicrobiano à base

de álcool.

• Lavagem diária (em água com uma temperatura de pelo menos 60°C) de toalhas, roupas de

cama e roupas de uso pessoal.

Os pacientes e seus contactantes são aconselhados a seguir as medidas de descontaminação

rigorosas (listadas anteriormente), pois a recorrência pode persistir, em razão de um ou mais

contatos serem portadores assintomáticos de S. aureus.