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Obesidade
INTRODUÇÃO
A obesidade pode ser de nida como o acúmulo de tecido gorduroso localizado ou generalizado, provocado por desequilíbrio
nutricional associado ou não a distúrbios genéticos ou endocrinometabólicos. De 1980 para cá, a obesidade mundial dobrou; em
2008, mais de 1,4 milhão de adultos acima dos 20 anos estava na faixa do sobrepeso, sendo cerca de 200 milhões de homens e
300 milhões de mulheres com obesidade. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estimase que cerca de
44% dos gastos com diabetes, 23% dos gastos com infarto agudo do miocárdio (IAM) e entre 7% e 41% dos gastos com câncer
estão relacionados com a obesidade.
ETIOLOGIA
A etiologia da obesidade é complexa e multifatorial, resultando da interação de genes, ambiente, estilos de vida e fatores
emocionais. Existem três componentes primários no sistema neuroendócrino envolvidos com a obesidade: o sistema aferente, que
envolve a leptina e outros sinais de saciedade e de apetite de curto prazo; a unidade de processamento do sistema nervoso Central
(SNC); e o sistema eferente, um complexo de apetite, saciedade, efetores autonômicos e termogênicos, que leva ao estoque
energético. Inúmeros hormônios estão relacionados com as vias orexígenas e anorexígenas, sendo os principais grelina, insulina,
colecistocinina, peptídeo semelhante ao glucagon (GLP-1), amilina, leptina, adiponectina, oxintomodulina, peptídeo YY, entre
outros. A desregulação dessas vias pode levar ao excesso de peso.
Inicialmente, devemos sempre excluir causas primárias relacionadas com o ganho de peso, como síndrome de Cushing,
hipoglicemia, distúrbios hipotalâmicos, hipotireoidismo, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e uso de medicações que podem
levar ao ganho de peso por in uenciar tanto a ingesta alimentar quanto o próprio gasto calórico. Medicações como
corticosteroides, algumas classes de antipsicóticos, antiepiléticos e antidepressivos podem levar ao ganho de peso, além de outras
medicações não citadas.
As síndromes genéticas também devem ser lembradas, principalmente nas crianças com obesidade importante. Como
exemplo, podemos citar: síndrome de Prader-Willi, síndrome de Bardel-Biedl, osteodistro a de Albright, síndrome de Alstrom e
síndrome do X Frágil. O exame físico deve ser realizado de forma cuidadosa, visando identi car sinais e sintomas sugestivos de
alterações genéticas, como atraso no desenvolvimento, hipogonadismo, retardo mental, polidactilia, fácies arredondada,
macrocefalia, entre outros.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Durante a anamnese, questões importantes devem ser realizadas, como peso ao nascer, idade do início da obesidade e possíveis
fatores desencadeantes, hábitos de vida, (p. ex., tabagismo, sedentarismo e etilismo) e história de obesidade familiar. O padrão
alimentar do paciente e os tratamentos prévios realizados para a obesidade também devem ser questionados ao mesmo.
Durante o exame físico, a avaliação do peso, altura, índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal, observação das
extremidades, avaliação de pulso e pressão arterial são fundamentais para uma boa avaliação. A presença de alguns sinais, como
xantomas e xantelasmas, pode evidenciar um quadro de dislipidemia, assim como a presença de acantose nigricans e acrocórdons está relacionada com a resistência insulínica. Vale lembrar que essa avaliação deve sempre ser feita com equipamentos adequados
para o obeso, como o mobiliário, o manguito para avaliação da pressão arterial e uma balança que suporte pacientes com peso
maior que 150 kg.
A melhor classi cação de obesidade e sobrepeso é feita a partir do IMC, calculado pela divisão entre o peso, em quilogramas,
pela altura ao quadrado, levando a faixas que variam entre baixo peso a obesidade grau III, conforme podemos demonstrar na
Tabela a seguir. Notamos que o sobrepeso é de nido como IMC de 25 a 29,9 e obesidade quando o IMC é maior que 30.
ÍNDICE DE MASSA CORPORAL
IMC CLASSIFICAÇÃO
< 18,5 Baixo peso
18,5-24,9 Peso adequado
25-29,9 Sobrepeso
30-34,9 Obesidade grau I
35-39,9 Obesidade grau II
> 40 Obesidade grau III
De acordo com as recomendações do Third Report of the National cholesterol Education Program Expert Panel on Detection,
Evaluation and Treatment of high Blood Cholesterol in aduts (NCEP-ATP III), valores da cintura de 102 cm para homens e 88 cm
para mulheres servem como ponto de corte para determinar o aumento do risco cardiovascular. Segundo a International Diabetes
Federation (IDF), estima-se que níveis menores, como 94 cm e 80 cm, respectivamente, para homens e mulheres, são bons
preditores do risco de doenças metabólicas. Vale lembrar que não existe nenhum estudo que estime de forma adequada o ponto
de corte ideal da circunferência abdominal para a população brasileira, em razão de sua grande miscigenação.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Os principais exames que devem ser solicitados durante uma primeira avaliação do paciente obeso são: glicemia, hemoglobina
glicada, insulina, triglicérides, colesterol total e frações, ureia, creatinina, ácido úrico, proteína C reativa, enzimas hepáticas e TSH.
Exames de imagem, como DEXA e a bioimpedância para avaliação corporal de gordura e massa magra, assim como a tomogra a
computadorizada e a ressonância magnética para avaliação de gordura abdominal, podem ser usados, mas são onerosos, em
alguns casos os aparelhos não suportam o peso do paciente e têm baixa aplicabilidade na prática clínica.
COMPLICAÇÕES
O sobrepeso e a obesidade estão relacionados com o aumento do risco de IAM, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes mellitus,
doença pulmonar obstrutiva crônica e algumas apresentações de câncer, como o pulmonar, de mama, de cólon, entre outros. A
obesidade também pode causar esteatose hepática, hiperplasia prostática benigna, tromboembolismo pulmonar, hiperuricemia,
osteoartrite, síndrome metabólica, SOP, cálculos biliares, infertilidade, síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), doenças
psiquiátricas e complicações cirúrgicas e na gestação. Inúmeros estudos também já demonstraram que a obesidade abdominal
(obesidade androide), medida no ponto médio entre o rebordo costal inferior e a crista ilíaca, está mais associada ao risco de doenças graves e também à maior mortalidade do que a obesidade gluteofemoral (obesidade ginoide), independentemente da
gordura corporal total.
TRATAMENTO
OBJETIVOS
O tratamento da obesidade está fundamentado na modi cação do estilo de vida, no aumento da atividade física, nas orientações
dietéticas e nas mudanças comportamentais. Sabemos que um grande percentual de pacientes não apresenta um bom resultado
apenas com essas mudanças, o que nos leva à introdução de medidas farmacológicas para auxílio na perda ponderal. Podemos
de nir como uma intervenção terapêutica e caz uma redução maior ou igual a 1% ao mês do peso corporal, atingindo pelo
menos 5% de perda no período de 3 a 6 meses de acompanhamento. A diminuição de 5% a 10% de peso reduz signi cativamente
os fatores de risco para diabetes e doenças cardiovasculares.
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
RECOMENDAÇÕES
As recomendações do uso de medicamentos para o tratamento da obesidade e do sobrepeso quando houver falha no tratamento
não farmacológico são: IMC maior ou igual a 30 kg/m2; IMC maior ou igual a 25 kg/m2 associado a fatores de risco como diabetes
mellitus 2 (DM2), hipertensão arterial sistêmica (HAS), apneia do sono, dislipidemia, dentre outras; e circunferência abdominal no
homem ≥ 102 cm e, na mulher, com ≥ 88 cm.
FÁRMACOS DISPONÍVEIS NO MERCADO BRASILEIRO PARA TRATAR OBESIDADE
As drogas antiobesidade liberadas atualmente no Brasil são a sibutramina e o orlistate. Drogas usadas anteriormente, como a
anfepramona, o femproporex e o mazindol, foram retiradas do mercado após a resolução da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), em 2011.
A sibutramina, um inibidor da recaptação de noradrenalina e serotonina, foi suspensa em 2010 pela European Medicines
Agency (EMA) após os resultados iniciais do estudo SCOUT, no qual foi avaliado seu uso em pacientes com alto risco cardiovascular.
Após a declaração do EMA, a medicação foi suspensa em todo o mundo. Apenas no Brasil seu uso ainda é permitido, porém exige
que o paciente e o médico assinem um termo de responsabilidade e que a prescrição seja realizada em um receituário especial do
tipo B2. A dose atualmente preconizada é de 10 a 15 mg/ dia, iniciando com 10 mg e estando atento aos possíveis efeitos adversos
de aumento da pressão arterial e aumento da frequência cardíaca.
O orlistate é uma medicação responsável pela inibição de lipases pancreáticas, reduzindo a absorção de gordura pelo intestino
em aproximadamente 30%. A perda de peso com esta medicação é modesta, mas em virtude do ao seu mecanismo de ação,
benefícios nos fatores de risco cardiovasculares ocorrem, como a redução do LDL, da glicemia e da pressão arterial. A posologia
usada é de 120 mg, 3 vezes ao dia.
FÁRMACOS DISPONÍVEIS NO MERCADO BRASILEIRO PARA TRATAR OBESIDADE ASSOCIADA AOS TRANSTORNOS
ALIMENTARES
A bupropiona é um antidepressivo inibidor da recaptação de noradrenalina e dopamina e apresenta um efeito dose-dependente
na redução da ingestão alimentar e da perda de peso. O topiramato aumenta a atividade do ácido gamaaminobutírico (GABA),
bloqueando canais de sódio voltagem-dependentes, antagonizando receptores de glutamato e inibindo a anidrase carbônica.
Usado para epilepsia, estabilizador do humor e na prevenção de enxaqueca, apresenta um efeito indutor da perda de peso por um mecanismo suposto atribuído à ação antiglutamatérgica. Essas duas medicações não apresentam indicação em bula para
tratamento da obesidade, mas são usadas no tratamento de transtornos alimentares.
Também para uso em pacientes com transtorno alimentar temos a uoxetina e a sertralina, antidepressivos inibidores de
recaptação de serotonina. A dose inicial recomendada para uoxetina é de 20 mg/dia, podendo ser aumentada até 80 mg/dia. Já a
sertralina pode variar a dose de 50 a 200 mg/dia.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES SOBRE FÁRMACOS INDISPONÍVEIS NO MERCADO BRASILEIRO
O rimonabanto, um antagonista do receptor canabinoide CB1, foi desenvolvido na década de 1990, atuando em receptores CB1
centrais e periféricos. Em razão de sérios problemas psiquiátricos, como ansiedade, depressão e suicídio, a droga foi retirada do
mercado em outubro de 2008, após decisão do EMA, não chegando a ser lançada nos Estados Unidos. No Brasil também foi
proibido pela ANVISA em 2008. Vários estudos com medicações da mesma classe foram suspensos após esta decisão. Atualmente
existem estudos visando ao uso do antagonista CB1 apenas periférico, sem ultrapassar a barreira hematoencefálica, o que pode
diminuir os efeitos colaterais que levaram à suspensão do rimonabanto previamente.
Algumas novas drogas e associações estão em fase de aprovação pela Food and Drug Administration (FDA) e lançamento no
mercado mundial.
A lorcaserina (Belviq®) é uma molécula pequena com agonismo seletivo sobre o receptor serotoninérgico 5-HT2c. Essa
substância possui seletividade funcional da ordem de 15 e 100 vezes mais pelo receptor 5-HT2c que pelos receptores 5-HT2a e 5-
HT2b, respectivamente, aumentando a atividade serotoninérgica no SNC e modulando o balanço calórico. Inicialmente esta droga
foi rejeitada, em 2010, mas ao ser reapresentada ao FDA, foi aprovada em junho de 2012 para comercialização nos Estados Unidos.
Inicialmente anunciada como Qnexa® e atualmente com o nome comercial de Qsymia®, a associação de fentermina com
topiramato foi aprovada para comercialização nos Estados Unidos em julho de 2012. A medicação visa associar os efeitos
catecolaminérgicos da fentermina no SNC com os efeitos de perda ponderal ainda desconhecidos do topiramato. O efeito
estimulante leve da fentermina pode diminuir os efeitos negativos do topiramato na memória e cognição. No Brasil é proibida a
comercialização destes fármacos.
FUTURO DO TRATAMENTO DA OBESIDADE
Uma droga promissora para o tratamento da obesidade é o liraglutide. Atualmente liberado apenas para o uso em pacientes com
DM2, o liraglutide é um análogo do GLP-1, com 97% de homologia ao GLP-1 humano. O GLP-1 ativo inibe o apetite e o aporte
energético, assim como retarda o esvaziamento gástrico. Doses maiores que as recomendadas para o tratamento do diabetes estão
sendo avaliadas por estudos fase III para o tratamento da obesidade.
O cetilistate é a segunda droga da classe dos inibidores das lipases pancreáticas e intestinais. A diferença entre as estruturas
das moléculas do cetilistate e do orlistate em termos de componentes hidrofílicos e lipofílicos pode in uenciar o modo como as
moléculas interagem com as micelas de gordura no intestino. É sugerido que o orlistate, ao contrário do cetilistate, pode promover
a coalescência das micelas, formando óleos e aumentando o número de efeitos adversos gastrointestinais. Sua submissão ao FDA
ainda não foi realizada até a presente data.
A tesofensina, inicialmente desenvolvida para o tratamento da doença de Parkinson e Alzheimer, é um inibidor da recaptação
de pré-sináptica de noradrenalina, dopamina e serotonina. Sua ação durante os estudos provocou perda de peso não intencional
de 4% em 14 semanas, em relação ao placebo. Já existem estudos em fase III, mas sua submissão ao FDA também ainda não
ocorreu até a presente data.
Outra associação que vinha sendo estudada era o pramlintide com a metreleptina, na qual o primeiro, sendo um análogo da
amilina, aumenta a saciedade e diminui a ingestão alimentar, e o segundo, uma metil-leptina humana, reverteria os efeitos da
perda de peso na redução do gasto energético. Os estudos entraram na fase II, mas foram interrompidos em 2011 devido à
geração de anticorpos e reações na pele.
O Contrave®, associação entre bupropiona com naltrexona, com suas ações de inibição da recaptação de noradrenalina e
dopamina e antagonista do receptor opioide, respectivamente, não foi aprovado pelo FDA para comercialização por causa do seu
potencial risco de doença cardiovascular, mas esta droga deverá ser reavaliada futuramente pelo FDA. Outra associação produzida
pelo mesmo laboratório, ainda em fase III, é a associação da bupropiona com zonisamida (Empatic®). Esta última aumenta os
níveis de serotonina e dopamina, estimulando receptores dopaminérgicos tipo D2, bloqueia canais de sódio e cálcio voltagem
dependentes e ainda inibe a anidrase carbônica, levando a alterações gustativas e, portanto, a um efeito anorético.
OUTRAS OBSERVAÇÕES SOBRE O TRATAMENTO DA OBESIDADE
O uso de toterápicos e suplementos nutricionais não apresenta nenhuma comprovação cientí ca em relação à perda efetiva de
peso, podendo inclusive causar efeitos colaterais importantes, com piora da resistência insulínica e arritmias cardíacas.
A microbiota intestinal emerge como uma nova e importante contribuição para a obesidade. Apesar de a obesidade estar
associada a mudanças substanciais na composição e no metabolismo da microbiota intestinal, este processo siopatológico
continua parcialmente compreendido. Após o nascimento, a colonização do intestino é feita por bactérias da mãe e do meio
ambiente; com o passar dos anos, mudanças podem ocorrer de forma temporária neste meio, como alterações na dieta, infecções
bacterianas e uso de agentes que modulem esta microbiota, como os antibióticos.
Existem algumas hipóteses de como isso pode ocorrer. Alguns microrganismos podem aumentar a recuperação de energia a
partir da dieta pela desagregação de bras que permaneceram mal digeridas no intestino delgado, sendo chamada de “energy
harvest hypothesis”. Os microrganismos também podem alterar o uxo intestinal. Seus metabólitos também podem controlar
alguns sinais, regulando a ingestão de energia e a deposição de gordura no organismo. Estudos com prebióticos, que são
ingredientes alimentares não digeríveis mas fermentáveis e que podem estimular seletivamente o crescimento e/ou a atividade
de microrganismos no intestino, assim como os probióticos, suplementos alimentares que contêm bactérias vivas e não
patogênicas, estão sendo desenvolvidos para o melhor funcionamento da microbiota intestinal em indivíduos obesos.
TRATAMENTO CIRÚRGICO DA OBESIDADE
CIRURGIA BARIÁTRICA
A cirurgia bariátrica (CB) é um recurso consistente nos casos de obesidade grave com falha de tratamento clínico, proporcionando
aos pacientes redução nos índices de mortalidade e melhora de comorbidades clínicas.
Com relação à idade, quando indicada, a cirurgia bariátrica é liberada para pacientes entre 18 e 65 anos. Adolescentes abaixo
de 16 anos, com exceção de síndromes genéticas, devem ser avaliados por uma equipe multidisciplinar e ter o consentimento do
responsável legal. Com relação a pessoas acima de 65 anos, essa avaliação deve ser feita de forma individual, dependendo do risco
cirúrgico, comorbidades e expectativa de vida.
As indicações clínicas para a CB são: adultos com IMC ≥ 40 kg/m2 sem comorbidades; adultos com IMC 35 ≥ kg/m2 com 1 ou
mais comorbidades associadas, resistência na perda de peso a tratamentos conservadores realizados regularmente por 2 anos;
motivação, aceitação e conhecimento sobre os riscos da cirurgia e ausência de contraindicações.
Com relação às contraindicações, devemos sempre excluir causas endócrinas tratáveis; dependência de álcool ou drogas
ilícitas; doenças psiquiátricas graves, sem controle; doença arterial coronariana instável ou cardiopatias graves; síndrome de
apneia do sono não controlada e pneumopatias graves; coagulopatias graves; insu cências renal crônica ou hepática; pacientes
com risco cirúrgico ASA-IV e pacientes que tenham di culdade para compreender os riscos cirúrgicos, outras alternativas de
tratamento e as mudanças que deverão ocorrer após a cirurgia.
BALÃO INTRAGÁSTRICO (BIG)
Indicado para pacientes com IMC ≥ 45 kg/m2 como terapia adjuvante no pré-operatório, em pacientes com o IMC ≥ 35 kg/m2 com
comorbidades, refratários ao tratamento clínico e com contraindicações para o tratamento cirúrgico e naqueles com falha de
tratamento após 3 anos ou mais, com risco ou presença de doenças associadas.
A técnica consiste na introdução endoscópica de um balão de silicone, que atinge volumes intragástricos que variam de 400
mL a 700 mL. Apesar de ser um método não invasivo, é temporário, não podendo ultrapassar 6 meses após sua introdução. A
perda do excesso de peso varia de 23% a 50 %, e a recuperação do mesmo ocorre na maioria dos casos.
TÉCNICAS DE CIRURGIA BARIÁTRICA
BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL
Não apresenta contraindicação. A terapia consiste na colocação de um anel siliconizado com um balonete insu ável, conectado a
um portal implantável que permite a graduação do seu volume. Apesar de ser outro procedimento pouco invasivo, apresenta
resposta muito variável, principalmente para o sexo masculino.
GASTROPLASTIA VERTICAL COM BANDAGEM/CIRURGIA DE MASON
Técnica cirúrgica que visa ao fechamento de uma porção do estômago de 20 mL na região do cárdia e à restrição da saída do
compartimento, ocorrendo retardo do esvaziamento gástrico e saciedade. A média da perda do excesso de peso ao longo dos anos
é de 20%.
GASTROPLASTIA COM DERIVAÇÃO GASTROJEJUNAL EM “Y-DE-ROUX”/CIRURGIA DE FOBI-CAPELLA
Consiste no fechamento de uma porção do estômago através de uma sutura formando um pequeno compartimento de 30 mL, o
intestino é dividido em 2 porções, criando-se uma alça biliopancreática, e a alça de Roux é formada e anastomosada com o
reservatório gástrico que drena os alimentos até a porção da alça biliopancreática. É responsável pela maior perda de peso em
longo prazo, com melhora das comorbidades. A perda do excesso de peso pode variar entre 65% a 80%, com média de 35%.
DERIVAÇÃO BILIOPANCREÁTICA COM GASTRECTOMIA DISTAL/CIRURGIA DE SCOPINARO
Gastrectomia distal com Y-de-Roux e entero-entero anastomose realizada a 50 cm da válvula ileocecal. Isso leva a um rápido
esvaziamento gástrico, aceleração do trânsito intestinal e diminuição da absorção intestinal. Esse procedimento tem as maiores
taxas de incidência de desnutrição e de ciência de vitaminas lipossolúveis, e a perda de peso varia em torno de 50%.
DERIVAÇÃO BILIOPANCREÁTICA COM GASTRECTOMIA VERTICAL E PRESERVAÇÃO DO PILORO DISTAL/DUODENAL SWITCH
Durante o procedimento cirúrgico, é realizada uma gastrectomia vertical, com remanescente de cerca de 100 mL, divisão do
duodeno e do intestino delgado gerando 3 segmentos, uma alça biliopancreática, uma alça comum e uma alimentar. Possibilita
maior ingestão alimentar e também apresenta uma boa resolução das comorbidades. A perda do excesso de peso pode chegar até
75%, porém é dependente do tamanho da alça comum.
Um estudo recente publicado na New England Journal of Medicine evidenciou que, após 15 anos da realização da CB, a incidência
de diabetes nos obesos sem diabetes prévio em relação aos pacientes obesos tratados com tratamento conservador foi 78%
menor. Contudo, sabemos que é impraticável e injusti cável a realização de CB em milhões de adultos obesos.