GPS: Clínica Médica
Hepatite A
INTRODUÇÃO
A hepatite pelo vírus A (HAV) tem distribuição universal e estreita relação com precárias condições
sanitárias. A disseminação está relacionada com o nível socioeconômico (mais desfavorecidos),
baixo grau de educação sanitária e condições precárias de moradia e higiene da população. A
transmissão é basicamente pela via oral-fecal (contaminação de água e alimentos).
ETIOLOGIA
A infecção da HVA é causada por um vírus com genoma RNA da família Picornaviridae. Seu
período de incubação varia de 15 a 50 dias e de curso clínico autolimitado.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Os pacientes apresentam início abrupto de sintomas gerais e inespecí cos, como febre baixa, mal-
estar geral, artralgia, anorexia, náuseas e eventualmente vômitos, desconforto abdominal e
diarreia.
Icterícia e colúria podem surgir 1 a 2 semanas a partir do início dos sintomas prodrômicos.
Em crianças com menos de 6 anos, a maioria (70%) das infecções é assintomática e, quando
ocorre doença sintomática, a forma anictérica ocorre na maioria das vezes.
Entre as crianças mais velhas e os adultos, tende a ser sintomática, com icterícia aparecendo
em mais de 70% dos pacientes.
Hepatomegalia leve dolorosa pode ocorrer em 85% dos pacientes e eventualmente
esplenomegalia; linfadenopatia cervical posterior pode ocorrer em 15% dos pacientes.
A evolução clínica pode apresentar variantes atípicas:
• Forma colestática: os pacientes, geralmente adultos e idosos, apresentam-se com icterícia
(mais de 12 semanas), prurido intenso, cansaço e evolução mais prolongada, porém com
remissão espontânea e completa.
• Forma recidivante: recidivas são, ocasionalmente, documentadas. Após a fase inicial de
infecção aguda, segue-se período de remissão (com duração de 1 a 3 meses), com
subsequente recidiva.
Outra evolução possível é a forma fulminante da infecção, que pode ocorrer em 0,1% a 0,35% dos
casos de HVA, sendo a incidência maior em pacientes com menos de 20 anos ou mais de 50 anos.
A HVA não evolui para a forma crônica.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
HEPATOGRAMA
As aminotransferases estão elevadas, frequentemente com valores acima de 500 U/L. As
bilirrubinas aumentam após a elevação das aminotransferases, cando geralmente abaixo de 10
mg/dL.
SOROLOGIA
O diagnóstico laboratorial da HAV aguda é estabelecido pela detecção de IgM anti-HAV (anticorpo
contra o vírus da hepatite A – HAV).
A IgG anti-HAV, que persiste talvez por toda vida, é responsável pela imunidade que se segue
à infecção natural e confere proteção contra a doença.
TRATAMENTO
Não há tratamento especí co para a HVA, mas algumas orientações devem ser prescritas aos
pacientes:
• Dieta conforme aceitação.
• Repouso relativo (até alanina transaminase – ALT ≤ 2 a 3 vezes o limite superior da
normalidade – LSN).
• Medicação sintomática (vômitos, febre etc.).
• Abstinência alcoólica por 6 meses.
• Não é necessário isolamento.
• Medidas de prevenção de transmissão oral-fecal (higiene pós-defecação).
O paciente deve ser submetido a consultas a cada 15 dias e realizar exames laboratoriais a cada
consulta (hepatograma e atividade da protrombina) e outros exames, se necessário.
Os pacientes recebem alta após normalização das aminotransferases.
PROFILAXIA CONTRA A HEPATITE A
• Modi cações comportamentais: por causa da contaminação oral-fecal, deve haver
incremento do saneamento básico (destino dos dejetos) e tratamento adequado da água.
Melhora dos hábitos de higiene pessoal (lavar as mãos após defecação e antes da
preparação de alimentos).
• Imunização: vacina de HAV inativado. A vacina é segura e e caz, devendo ser aplicada em
duas doses; 0 e 6 meses após a 1a dose, por via intramuscular (IM).