GPS: Clínica Médica

Fernanda Mazza · Capítulo 45 de 96

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Hepatite A

INTRODUÇÃO

 

A hepatite pelo vírus A (HAV) tem distribuição universal e estreita relação com precárias condições

sanitárias. A disseminação está relacionada com o nível socioeconômico (mais desfavorecidos),

baixo grau de educação sanitária e condições precárias de moradia e higiene da população. A

transmissão é basicamente pela via oral-fecal (contaminação de água e alimentos).

 

ETIOLOGIA

 

A infecção da HVA é causada por um vírus com genoma RNA da família Picornaviridae. Seu

período de incubação varia de 15 a 50 dias e de curso clínico autolimitado.

 

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

 

Os pacientes apresentam início abrupto de sintomas gerais e inespecí cos, como febre baixa, mal-

estar geral, artralgia, anorexia, náuseas e eventualmente vômitos, desconforto abdominal e

diarreia.

Icterícia e colúria podem surgir 1 a 2 semanas a partir do início dos sintomas prodrômicos.

Em crianças com menos de 6 anos, a maioria (70%) das infecções é assintomática e, quando

ocorre doença sintomática, a forma anictérica ocorre na maioria das vezes.

Entre as crianças mais velhas e os adultos, tende a ser sintomática, com icterícia aparecendo

em mais de 70% dos pacientes.

Hepatomegalia leve dolorosa pode ocorrer em 85% dos pacientes e eventualmente

esplenomegalia; linfadenopatia cervical posterior pode ocorrer em 15% dos pacientes.

 

A evolução clínica pode apresentar variantes atípicas:

• Forma colestática: os pacientes, geralmente adultos e idosos, apresentam-se com icterícia

(mais de 12 semanas), prurido intenso, cansaço e evolução mais prolongada, porém com

remissão espontânea e completa.

• Forma recidivante: recidivas são, ocasionalmente, documentadas. Após a fase inicial de

infecção aguda, segue-se período de remissão (com duração de 1 a 3 meses), com

subsequente recidiva.

 

Outra evolução possível é a forma fulminante da infecção, que pode ocorrer em 0,1% a 0,35% dos

casos de HVA, sendo a incidência maior em pacientes com menos de 20 anos ou mais de 50 anos.

A HVA não evolui para a forma crônica.

 

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

 

HEPATOGRAMA

 

As aminotransferases estão elevadas, frequentemente com valores acima de 500 U/L. As

bilirrubinas aumentam após a elevação das aminotransferases, cando geralmente abaixo de 10

mg/dL.

 

SOROLOGIA

 

O diagnóstico laboratorial da HAV aguda é estabelecido pela detecção de IgM anti-HAV (anticorpo

contra o vírus da hepatite A – HAV).

A IgG anti-HAV, que persiste talvez por toda vida, é responsável pela imunidade que se segue

à infecção natural e confere proteção contra a doença.

 

TRATAMENTO

 

Não há tratamento especí co para a HVA, mas algumas orientações devem ser prescritas aos

pacientes:

• Dieta conforme aceitação.

• Repouso relativo (até alanina transaminase – ALT ≤ 2 a 3 vezes o limite superior da

normalidade – LSN).

• Medicação sintomática (vômitos, febre etc.).

• Abstinência alcoólica por 6 meses.

• Não é necessário isolamento.

• Medidas de prevenção de transmissão oral-fecal (higiene pós-defecação).

 

O paciente deve ser submetido a consultas a cada 15 dias e realizar exames laboratoriais a cada

consulta (hepatograma e atividade da protrombina) e outros exames, se necessário.

Os pacientes recebem alta após normalização das aminotransferases.

 

PROFILAXIA CONTRA A HEPATITE A

 

• Modi cações comportamentais: por causa da contaminação oral-fecal, deve haver

incremento do saneamento básico (destino dos dejetos) e tratamento adequado da água.

Melhora dos hábitos de higiene pessoal (lavar as mãos após defecação e antes da

preparação de alimentos).

• Imunização: vacina de HAV inativado. A vacina é segura e e caz, devendo ser aplicada em

duas doses; 0 e 6 meses após a 1a dose, por via intramuscular (IM).