GPS: Clínica Médica

Fernanda Mazza · Capítulo 89 de 96

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Espondilite Anquilosante

INTRODUÇÃO

Espondilite anquilosante (EA) é uma doença in amatória crônica de causa desconhecida associada ao antígeno

leucocitário humano (HLA)-B27, que geralmente acomete as articulações sacroilíacas e o esqueleto axial e

periférico. Manifestações extra-articulares podem acompanhar o quadro, como: uveíte anterior aguda recorrente,

insu ciência aórtica, distúrbios de condução cardíaca, brose de ápices pulmonares, acometimento neurológico

ou renal secundários à amiloidose.

 

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

 

EPIDEMIOLOGIA

 

• Homens jovens caucasianos.

• Idade < 40 anos, pico de prevalência na 3a e 4a décadas.

• Pode haver acometimento juvenil em pacientes com < 16 anos.

• Proporção de homens 3:1 mulheres.

 

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

 

• Dor lombar

∘ Início indicioso.

∘ Duração > 3 meses.

∘ Rigidez matinal > 30 min.

∘ Melhora com exercícios e não com repouso.

∘ Dor noturna.

• Oligoartrite em membros inferiores.

• Acometimento de enteses: epicôndilos mediais, articulações costocondrais, sín se púbica, espinhas e

cristas ilíacas, grande trocânter femural, platos tibiais femurais mediais, tuberosidade tibial, tendão aquileu e

fáscia plantar.

• Manifestações extra-articulares:

∘ Uveíte anterior aguda recorrente.

∘ Cardiovascular (aortite e insu ciência aórtica).

∘ Pulmonar (pneumonite em ápices pulmonares).

∘ Gastrointestinal (colite assintomática).

∘ Neurológica (síndrome da cauda equina).

 

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

A espondilite anquilosante é, por de nição, doença soronegativa (fator reumatoide [FR] e fator antinuclear

[FAN]). Entretanto, apresenta a pesquisa do HLA-B27 positiva e as provas de atividade in amatória também

elevadas (proteína C reativa [PCR], valor de hemossedimentação [VHS]).

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

• Radiogra a: a radiogra a simples é importante para identi car tanto sacroileíte quanto acometimento da

coluna. Todavia, essas alterações atrasam o diagnóstico por serem tardias.

• Ressonância magnética: a RM se tornou fundamental para o diagnóstico em razão da evidência de osteíte,

que é um sinal precoce da EA. Esta pode ser visualizada com técnicas de turbo spineco ponderada em T2 com

supressão de gordura ou a sequência por tempo de recuperação de inversão curto (STIR).

 

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

 

CRITÉRIOS DE NOVA YORK MODIFICADOS (1984)*

CRITÉRIOS CLÍNICOS

 

Lombalgia e rigidez articular por mais de 3 meses, que melhoram com exercício, mas não com repouso

Limitação de mobilidade da coluna lombar nos planos sagital e frontal

Limitação da expansibilidade torácica comparada ao normal, em relação à idade e ao sexo

 

CRITÉRIO RADIOLÓGICO

 

Sacroiliite grau > 2 bilateral ou grau 3-4 unilateral

 

*Diagnóstico: critério radiológico associado a pelo menos um critério clínico.

 

TRATAMENTO

O tratamento se baseia em 2 pilares, medidas não farmacológicas e farmacológicas, sendo os 2 de igual

importância. Ele visa a melhorar a qualidade de vida do paciente, controlar a in amação e a função.

 

TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO

 

Consiste em sioterapia, exercícios de alongamento e fortalecimento muscular.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO

 

Baseia-se no uso de anti-in amatórios não esteroides (AINE) de maneira contínua, tendo evidências de menor

progressão radiográ ca. Apesar desse benefício, muitas vezes o controle da rigidez, dor, mobilidade e qualidade

de vida não é alcançado.

O Metotrexato na dose de 7,5 a 25 mg por semana (MTX) ou a sulfassalazina na dose de 1 a 4 g/dia (SSZ)

pode ser associado ao AINE (naproxeno 500 mg 12/12h) em caso de não resposta terapêutica e quando há

doença periférica e manifestações extra-articulares, como uveíte. Seu uso em acometimento axial é limitado.

Nos casos refratários, as medicações biológicas são as drogas de escolha. Entre elas, os antagonistas do fator

de necrose tumoral alfa (antiTNF-α) têm excelentes resultados, tais como: in iximabe 5 mg/kg intravenoso (IV)

nas semanas 0, 2, 8 (dose de ataque) e 5 mg/kg de 8/8 semanas (dose manutenção); adalimumabe 40 mg sub-

cutâneo (SC) 14/14 dias; e etanercept 50 mg SC por semana. Caso não ocorra melhora após o uso de antiTNF,

outro medicamento da mesma classe pode ser utilizado.