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Esclerose Sistêmica
INTRODUÇÃO
A esclerose sistêmica, ou esclerodermia, é uma doença in amatória crônica do tecido conjuntivo, autoimune, que
se caracteriza pelo espessamento e pela perda da elasticidade cutânea, resultante da brose do tecido
conjuntivo. Além do efeito marcante sobre a pele, pode afetar o sistema osteoarticular, os pulmões, os rins, o
coração e o trato gastrointestinal. A prevalência estimada é de 28 a 253 casos por 1 milhão de habitantes. A
doença é mais comum em mulheres do que em homens (3-5:1), principalmente entre 30 e 50 anos de idade,
sendo mais rara após a menopausa.
Fatores ambientais parecem contribuir na patogenia da esclerose sistêmica: agentes infecciosos (infecção por
citomegalovírus), toxinas ocupacionais (sílica, cloreto de vinil, L-triptofano) e iatrogenias.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
CLASSIFICAÇÃO
A esclerodermia pode ser classi cada em:
LOCALIZADA
Caracteriza-se por lesões restritas à pele, não afetando órgãos internos. Não está associada ao fenômeno de
Raynaud e não apresenta dano vascular estrutural. A esclerodermia localizada é classi cada de acordo com os
tipos de lesões cutâneas em: morféa, linear e golpe de sabre. Não é considerada dentro do espectro da esclerose
sistêmica.
SISTÊMICA
Subdividida em limitada, difusa ou sem escleroderma.
Limitada
Espessamento cutâneo limitado e alterações simétricas nas partes distais dos braços, nas pernas, na face e no
pescoço. Apresenta telangectasias limitadas em mãos e face, além de calcinose. O acometimento visceral
costuma ser menos intenso, exceto pela hipertensão pulmonar, complicação mais frequente na forma limitada
da doença. É também denominada pela sigla CREST (C = calcinose; R = Raynaud; E = esofagopatia; S =
esclerodactilia; T= telangectasia).
Difusa
Espessamento difuso da pele, envolvendo a face, o pescoço, o tronco e simetricamente as articulações das mãos,
os braços e as pernas. Normalmente há acometimento visceral (pulmões, coração e rins).
Sem escleroderma
Não há espessamento cutâneo, mas há alterações vasculares, sorológicas ou de órgãos internos.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
Os critérios diagnósticos do American College of Rheumatology para esclerodermia incluem a esclerodermia
proximal às articulações metacarpofalangeanas como critério maior e pelo menos um dos critérios menores,
dentre eles: esclerodactilia, úlceras digitais ou perda residual de tecido nas polpas digitais e brose pulmonar em
ambas bases.
ACOMETIMENTO DE ÓRGÃO ESPECÍFICO
Úlcera digital
Telangiectasias
Pele Leucomelanodermia
Esclerodactilia
Calcinose
Alveolite in amatória
Pulmão Doença pulmonar intersticial
Hipertensão na artéria pulmonar
Arritmias
Coração
Miocardiopatia
Re uxo gastresofágico
Trato gastrointestinal Disfunção da motilidade esofágica
Pseudo-obstrução intestinal
Rim Crise renal
Musculoesquelético Artrite não erosiva
Miopatia
Fenômeno de Raynaud
Vascular
Úlcera digital
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Não existe exame laboratorial ou teste isolado que con rme o diagnóstico de esclerose sistêmica. Entretanto, são
encontrados autoanticorpos em cerca de 95% dos pacientes.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
ANTICORPOS ENCONTRADOS NO EXAME LABORATORIAL
AUTOANTICORPOS PREVALÊNCIA ACHADOS CLÍNICOS ASSOCIADOS
Anticorpo antinuclear > 95% Títulos altos: doença autoimune
Anti-Scl 70 20%-40% Doença pulmonar, forma cutânea difusa
Anticentrômero 20%-40% Úlceras digitais, forma cutânea limitada
Anti-RNA polimerase 4%-20% Crise renal esclerodérmica, doença
cardíaca
Anti-B23 10% Hipertensão pulmonar
Anti-Pm-Scl 2%-10% Forma cutânea limitada
Anti-U3-RNP 8% Doença pulmonar, forma cutânea difusa
Anti-U1-RNP 5% Doença mista do tecido conjuntivo
Anti-Th/To 1%-5% Doença pulmonar, forma cutânea limitada
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
A utilização de exames diagnósticos especializados depende do sistema a ser investigado. Todos os pacientes
devem ser rotineiramente avaliados no início e posteriormente monitorados quanto ao desenvolvimento de doença pulmonar (espirometria, tomogra a computadorizada [TC] de tórax de alta resolução), cardíaca
(ecocardiograma) e gastrointestinal (manometria, pHmetria, endoscopia, colonoscopia).
A capilaroscopia periungueal é útil para avaliar o estado da microvasculatura do paciente.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Lúpus eritematoso sistêmico
Vasculite sistêmica
Síndrome do des ladeiro torácico
Fenômeno de Raynaud
Crioglobulinemia
Medicamentos: cisplatina ou bleomicina
Simpaticomiméticos
Escleromixedema
Síndrome POEMS
Fascite esosinofílica
Espessamento cutâneo
Quiroartropatia diabética
Síndrome eosino lia-mialgia
Dermopatia brosante nefrogênica
Síndrome de Sjogren
Miopatias in amatórias
Superposição de manifestações clínicas
Artrite reumatoide
Lúpus eritematoso sistêmico
TRATAMENTO
Não existe ainda um tratamento de nitivo para a doença, devendo este ser dirigido contra as diferentes formas
de acometimento e suas complicações. Geralmente o tratamento medicamentos requer uso contínuo de
medicações de diversas classes terapêuticas.
• Medidas gerais: educação e orientação do paciente, cuidados gerais, nutrição, exposição a temperaturas
adequadas, aquecimento central e de extremidades, atividades físicas e suporte emocional.
• Fenômeno de Raynaud: bloqueadores de canais de cálcio (nifedipina 20 mg/dia), bloqueadores de
receptores para angiotensina (losartan 25 a 100 mg/dia), inibidores da fosfodiesterase-5 (Sidena l 20
mg/dia), antagonista do receptor de endotelina-1 (Bosentana 125 mg 12/12h).
• Osteoarticular: anti-in amatórios não esteroides (AINE) (inibidores seletivos ou não seletivos da COX-2, por
período máximo de 7 dias), corticoterapia em doses baixas (prednisona ou equivalente em dose anti-
in amatória 0,5 mg/kg/dia).
• Crise renal esclerodérmica: inibidores da enzima de conversão da angiotensina (Captopril 50 mg 8/8h, ou
dose máxima tolerada pelo paciente).
• Hipertensão pulmonar: antagonista do receptor de endotelina-1 (Bosentana 125 mg 12/12h), inibidores
da fosfodiesterase-5 (Sidena l 20 mg/dia).
• Pneumopatia intersticial: ciclofosfamida em pulsoterapia na dose de 10 a 15 mg/kg, mensal, no total de 6
a 8 pulsos.
• Gastrointestinal: inibidores da bomba de prótons (omeprazol 20 mg/dia), bloqueadores H2 (Ranitidina 150
mg 12/12h), procinéticos (Bromoprida 10 mg 8/8h).