GPS: Clínica Médica
Malária
INTRODUÇÃO
A malária é uma doença infecciosa, parasitária, caracterizada por acessos febris, precedidos por calafrios e seguidos por sudorese e
cefaleia.
Os agentes etiológicos são protozoários do gênero Plasmodium. As espécies associadas à malária humana são: P. falciparum, P.
vivax, P. malariae e P. ovale. É uma doença de noti cação compulsória.
A transmissão natural ocorre pela picada do mosquito fêmea da família Culicidae, do gênero Anopheles. No Brasil, o A. darlingi é
o transmissor de maior importância, embora existam outras espécies envolvidas na transmissão. A maioria dos casos de malária no
Brasil (99%) está na região amazônica.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
O diagnóstico clínico é amplamente utilizado em regiões onde há di culdades técnicas, operacionais e nanceiras para comprovação
laboratorial da doença, particularmente na África.
O diagnóstico clínico não é muito especí co pois outras doenças febris agudas podem apresentar sinais e sintomas semelhantes
aos da malária.
MALÁRIA NÃO COMPLICADA
O período de incubação da malária varia de 7 a 14 dias, podendo, contudo, chegar a vários meses em condições especiais, no caso de
P. vivax e P. malariae.
A crise aguda da malária caracteriza-se por episódios de calafrios, febre e sudorese. Têm duração variável de 6 a 12 horas e pode
cursar com temperatura igual ou superior a 40ºC. Em geral, esses paroxismos são acompanhados por cefaleia, mialgia, náuseas e
vômitos. Após os primeiros paroxismos, a febre pode passar a ser intermitente.
O quadro clínico da malária pode ser leve, moderado ou grave, na dependência da espécie do parasito, da quantidade de
parasitos circulantes, do tempo de doença e do nível de imunidade adquirida pelo paciente. As gestantes, as crianças e os
primoinfectados estão sujeitos a maior gravidade, principalmente por infecções pelo P. falciparum, que podem ser letais.
MALÁRIA GRAVE
Algumas características clínicas e laboratoriais devem ser observadas com atenção.
Sinais e sintomas da malária grave:
• Prostração.
• Alteração da consciência.
• Dispneia ou hiperventilação.
• Convulsões.
• Hipotensão arterial ou choque.
• Edema pulmonar ao Raio X de tórax.
• Hemorragias.
• Icterícia.
• Hemoglobinúria.
• Hiperpirexia (> 41°C).
• Oligúria.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
É baseado no encontro especí co do parasita no sangue de indivíduos com manifestações clínicas suspeitas da doença. O método
mais utilizado é a gota espessa: o sangue é coletado por punção digital, depositado em lâmina e corado pelo Giemsa. A gota é
examinada em microscópio óptico com uma lente objetiva de imersão de aumento de 100 vezes. Este é considerado o padrão ouro no
diagnóstico da malária.
A caracterização das espécies do Plasmodium é feita em esfregaços de sangue.
Existem disponíveis testes rápidos de malária que utilizam anticorpos monoclonais e policlonais dirigidos contra proteínas e
enzimas das quatro espécies de plasmódio. Possui alta sensibilidade e especi cidade, sendo úteis para a con rmação diagnóstica da
malária em locais onde não existem técnicos quali cados para o exame microscópico. A desvantagem é que não detectam infecções
mistas e têm custo elevado.
Além dos testes con rmatórios deve-se solicitar hemograma, glicose, escórias nitrogenadas e gasometria para avaliar alterações
laboratoriais que podem ocorrer na malária grave:
• Anemia grave.
• Hipoglicemia.
• Acidose metabólica.
• Insu ciência renal.
• Hiperlactatemia.
• Hiperparasitemia.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Não é feito diagnóstico de malária com exames de imagem. Estes podem auxiliar no acompanhamento de complicações dos
pacientes em tratamento.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Febre amarela.
• Dengue.
• Febre tifoide.
• Leptospirose.
• Sepse.
COMPLICAÇÕES
• Apresentam risco elevado de doença grave:
∘ Indivíduos de áreas onde a malária não é endêmica.
∘ Crianças menores de 5 anos de idade.
∘ Gestantes.
∘ Idosos.
∘ Esplenectomizados.
∘ Pessoas portadoras de síndrome da imunode ciência adquirida (AIDS).
∘ Neoplasias malignas em tratamento.
∘ Transplantados.
• Condições que indicam gravidade da doença e necessidade de hospitalização do paciente com malária:
∘ Crianças menores de 1 ano.
∘ Idosos com mais de 70 anos.
∘ Todas as gestantes.
∘ Pacientes imunodeprimidos.
∘ Pacientes com qualquer um dos sinais de perigo para malária grave:
– Hiperpirexia (temperatura > 41°C).
– Convulsão.
– Hiperparasitemia (> 200.000/mm3).
– Vômitos repetidos.
– Oligúria.
– Dispneia.
– Anemia intensa.
– Icterícia.
– Hemorragias.
– Hipotensão arterial.
TRATAMENTO
A decisão de como tratar o paciente com malária deve ser precedida de informações sobre os seguintes aspectos:
• Espécie de plasmódio infectante, pela especi cidade dos esquemas terapêuticos a serem utilizados.
• Idade do paciente, pela maior toxicidade para crianças e idosos.
• História de exposição anterior à infecção, uma vez que indivíduos primoinfectados tendem a apresentar formas mais graves da
doença.
• Condições associadas, tais como gravidez e/ou problemas de saúde.
• Gravidade da doença, pela necessidade de hospitalização e de tratamento com esquemas especiais de antimaláricos.
As possibilidades de tratamento da malária no Brasil são colocadas em forma de tabelas para facilitar o entendimento. Retiradas do
Guia Prático de tratamento da malária no Brasil (MS, 2010)
1. TRATAMENTO DAS INFECÇÕES PELO P. VIVAX OU P. OVALE COM CLOROQUINA EM 3 DIAS E PRIMAQUINA EM 7 DIAS
(ESQUEMA CURTO)
IDADE/PESO NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
DIA 1 DIA 2 DIA 3 DIAS 4 A 7
CLOROQUINA PRIMAQUINA CLOROQUINA PRIMAQUINA CLOROQUINA PRIMAQUINA PRIMAQUINA
INFANTIL INFANTIL INFANTIL INFANTIL
6-11 meses / um quarto de um quarto de
meio cp 1 cp 1 cp 1 cp meio cp
5-9kg cp cp
1-3 anos /
1 cp 2 cp meio cp 1 cp meio cp 1 cp 1 cp
10-14kg
4-8 anos /
1 cp 2 cp 1 cp 2 cp 1 cp 2 cp 2 cp
15-24kg
PRIMAQUINA PRIMAQUINA PRIMAQUINA PRIMAQUINA
IDADE/PESO CLOROQUINA ADULTO CLOROQUINA ADULTO CLOROQUINA ADULTO ADULTO
9-11 anos /
2 cp 1 cp 2 cp 1 cp 2 cp 1 cp 1 cp
25-34kg
12-14 anos /
3 cp 2 cp 2 cp 2 cp 2 cp 2 cp 1 cp
35-49kg
≥ 15 anos /
≥ 4 cp 2 cp 3 cp 2 cp 3 cp 2 cp 2 cp
50kg
• Cloroquina: comprimidos de 150 mg.
• Primaquina infantil: comprimidos de 5 mg; Primaquina adulto: comprimidos de 15 mg.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• Todos os medicamentos devem ser administrados em dose única diária.
• Administrar os medicamentos preferencialmente com as refeições.
• Não administrar primaquina em gestantes ou crianças menores de 6 meses (nesses casos, usar a Tabela 4).
• Se surgir icterícia, suspender a primaquina.
• Se o paciente tiver mais de 70 kg, ajustar a dose de primaquina.
2. TRATAMENTO DAS INFECÇÕES PELO P. VIVAX, OU P. OVALE COM CLOROQUINA EM 3 DIAS E PRIMAQUINA EM 14 DIAS
(ESQUEMA LONGO)
IDADE/PESO NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
DIA 1 DIA 2 DIA 3 DIAS 4 A 7
PRIMAQUINA PRIMAQUINA PRIMAQUINA PRIMAQUINA
CLOROQUINA INFANTIL CLOROQUINA INFANTIL CLOROQUINA INFANTIL INFANTIL
6-11 meses / um quarto de um quarto de um quarto de
meio cp meio cp meio cp meio cp
5-9kg cp cp cp
1-3 anos / 1 cp 1 cp meio cp meio cp meio cp meio cp meio cp
10-14kg
4-8 anos /
1 cp 1 cp 1 cp 1 cp 1 cp 1 cp 1 cp
15-24kg
PRIMAQUINA PRIMAQUINA PRIMAQUINA PRIMAQUINA
IDADE/PESO CLOROQUINA ADULTO CLOROQUINA ADULTO CLOROQUINA ADULTO ADULTO
9-11 anos /
2 cp meio cp 2 cp meio cp 2 cp meio cp meio cp
25-34kg
12-14 anos /
3 cp 1 cp 2 cp 1 cp 2 cp 1 cp meio cp
35-49kg
≥ 15 anos /
≥ 4 cp 1 cp 3 cp 1 cp 3 cp 1 cp 1 cp
50kg
• Cloroquina: comprimidos de 150 mg.
• Primaquina infantil: comprimidos de 5 mg.
• Primaquina adulto: comprimidos de 15 mg.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• Todos os medicamentos devem ser administrados em dose única diária.
• Administrar os medicamentos preferencialmente com as refeições.
• Não administrar primaquina em gestantes ou crianças menores de 6 meses (nesses casos, usar a Tabela 4).
• Se surgir icterícia, suspender a primaquina.
• Se o paciente tiver mais de 70 kg, ajustar a dose de primaquina (Tabela 3).
3. AJUSTE DA DOSE E TEMPO DE ADMINISTRAÇÃO DA PRIMAQUINA PARA PACIENTES COM PESO IGUAL OU SUPERIOR A 70
KG
TEMPO DE ADMINISTRAÇÃO (DIAS)
DOSE TOTAL DE ESQUEMA LONGO ESQUEMA CURTO
FAIXA DE PESO PRIMAQUINA (MG) (15MG/DIA) (30MG/DIA)
70-79 240 16 8
80-89 272 18 9
90-99 304 20 10
100-109 336 22 11
110-120 368 24 12
4. TRATAMENTO DAS INFECÇÕES PELO P. MALARIAE PARA TODAS AS IDADES E DAS INFECÇÕES POR P. VIVAX OU P. OVALE
EM GESTANTES E CRIANÇAS COM MENOS DE 6 MESES, COM CLOROQUINA EM 3 DIAS
NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
CLOROQUINA
IDADE/PESO DIA 1 DIA 2 DIA 3
6 meses / 1-4kg um quarto de cp um quarto de cp um quarto de cp
6-11 meses / 5-9kg maio cp um quarto de cp um quarto de cp
1-3 anos / 10-14kg 1 meio cp meio cp
4-8 anos / 15-24kg 1 1 1
9-11 anos / 25-34kg 2 2 2
12-14 anos / 35-49kg 3 2 2
≥ 15 anos / ≥ 50kg 4 3 3
• Cloroquina: comprimidos de 150 mg.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• Todos os medicamentos devem ser administrados em dose única diária.
• Administrar os medicamentos preferencialmente com as refeições.
• Não administrar primaquina em gestantes ou crianças menores de 6 meses.
5. ESQUEMA RECOMENDADO PARA PREVENÇÃO DAS RECAÍDAS FREQUENTES POR PLASMODIUM VIVAX OU P. OVALE COM
CLOROQUINA SEMANAL EM 12 SEMANAS
NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
IDADE/PESO CLOROQUINA
< 6 meses / 1-4kg um quarto de cp
6-11 meses / 5-9kg um quarto de cp
1-3 anos / 10-14kg meio cp
4-8 anos / 15-24kg três quartos de cp
9-11 anos / 25-34kg 1
12-14 anos / 35-49kg 1 + meio cp
≥ 15 anos / ≥ 50kg 2
• Cloroquina: comprimidos de 150 mg.
• Para utilizar esse esquema deve-se ter certeza que o paciente aderiu corretamente ao tratamento convencional. • Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• Recomendar ao paciente adesão.
6. TRATAMENTO DAS INFECÇÕES POR PLASMODIUM FALCIPARUM COM A COMBINAÇÃO FIXA DE ARTEMETER +
LUMEFANTRINA EM 3 DIAS
NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
IDADE/PESO DIA 1 DIA 2 DIA 3
6 meses-2 anos /
1 1 1 1 1 1
5-14kg
3-8 anos / 15-
2 2 2 2 2 2
24kg
9-14 anos / 25-
3 3 3 3 3 3
34kg
≥ 15 anos / ≥
4 4 4 4 4 4
35kg
• Comprimido: 20 mg de artemeter e 120 mg de lumefantrina.
• Cada tratamento vem em uma cartela individual, em quatro tipos de embalagem, de acordo com o peso ou a idade das pessoas.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• No primeiro dia, a segunda dose pode ser administrada em intervalo de 8 a 12 horas.
• Para crianças pequenas, esmagar o comprimido para facilitar a administração, podendo ingerir o comprimido com água ou leite.
• Recomenda-se administrar o comprimido junto com alimentos.
• Não administrar em gestantes durante o primeiro trimestre de gravidez, nem em crianças menores de 6 meses (nesses casos, usar
a Tabela 10).
7. TRATAMENTO DAS INFECÇÕES POR PLASMODIUM FALCIPARUM COM A COMBINAÇÃO FIXA DE ARTESUNATO +
MEFLOQUINA EM 3 DIAS
NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
DIA 1 DIA 2 DIA 3
IDADE/PESO INFANTIL INFANTIL INFANTIL
6-11 meses / 5-8kg 1 1 1
1-5 anos / 9-17kg 2 2 2
DIA 1 DIA 2 DIA 3
IDADE/PESO ADULTO ADULTO ADULTO
6-11 anos / 18-29kg 1 1 1
≥ 12 anos / ≥ 30kg 2 2 2
• Comprimido infantil: 25 mg de artesunato e 50 mg de me oquina; adulto: 100 mg de artesunato e 200 mg de me oquina. • Cada tratamento vem em uma cartela individual, em quatro tipos de embalagem, de acordo com o peso ou a idade das pessoas.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• Para crianças pequenas, esmagar o comprimido para facilitar a administração, podendo ingerir o comprimido com água ou leite.
• Recomenda-se administrar o comprimido junto com alimentos.
• Não administrar em gestantes durante o primeiro trimestre de gravidez, nem em crianças menores de 6 meses (nesses casos, usar
a Tabela 10).
8. ESQUEMA DE SEGUNDA ESCOLHA, RECOMENDADO PARA O TRATAMENTO DAS INFECÇÕES POR PLASMODIUM
FALCIPARUM COM QUININA EM 3 DIAS, DOXICICLINA EM 5 DIAS E PRIMAQUINA NO 6o DIA
NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
DIAS 1, 2 E 3 DIAS 4 E 5 DIA 6
IDADE/PESO QUININA DOXICICLINA DOXICICLINA DOXICICLINA
8-10 anos / 22-29kg 1 e 1/2 1 1 1
11-14 anos / 30-49kg 2 e 1/2 1 e 1/2 1 e 1/2 2 2
≥15 anos /≥50kg 4 2 2 3
• Sulfato de quinina: comprimidos de 500 mg do sal; Doxiciclina: comprimidos de 100 mg do sal e Primaquina: comprimidos de
15 mg.
• A dose diária de quinina e da doxiciclina deve ser dividida em duas tomadas de 12/12 horas.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• A doxiciclina não deve ser dada a gestantes ou crianças menores de 8 anos.
• A primaquina não deve ser dada a gestantes ou crianças menores de 6 meses.
• Não administrar em gestantes, nem em crianças menores de 6 meses (nesses casos, usar a Tabela 10).
9. TRATAMENTO DAS INFECÇÕES MISTAS POR PLASMODIUM FALCIPARUM E PLASMODIUM VIVAX OU PLASMODIUM OVALE
ESQUEMA PARA P. NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
FALCIPARUM PRIMAQUINA
DIAS 1 A 3 DIAS 7 A
DIA 4 DIA 5 DIA 6
10
IDADE/PESO INFANTIL INFANTIL INFANTIL INFANTIL
6-11 meses / 5-9kg Artemeter + 1 1 1 meio cp
1-3 anos / 10-14kg lumefantrina ou 2 1 1 1
4-8 anos / 15-24kg 2 2 2 2 me oquina Artesunato +
DIA 4 DIAS 7 A
DIA 5 DIA 6
10
IDADE/PESO INFANTIL INFANTIL INFANTIL INFANTIL
9-11 anos / 25-34kg 1 1 1 1
12-14 anos / 35-49kg 2 2 2 1
≥ 15anos / ≥ 50kg 2 2 2 2
* Se infecção mista com P. malariae, administrar apenas o esquema de P. falciparum.
• Primaquina infantil: comprimidos de 5 mg.
• Primaquina adulto: comprimidos de 15 mg.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
• Para crianças menores de 6 meses e gestantes no 1o trimestre, tratar apenas malária por P. falciparum, segundo a Tabela 10.
• Não administrar primaquina em gestantes.
• Administrar os medicamentos preferencialmente com as refeições.
• Se surgir icterícia, suspender a primaquina.
• Se o paciente tiver mais de 70 kg, ajustar a dose de primaquina (Tabela 3).
10. ESQUEMA RECOMENDADO PARA TRATAMENTO DAS INFECÇÕES NÃO COMPLICADAS POR PLASMODIUM FALCIPARUM
NO PRIMEIRO TRIMESTRE DA GESTAÇÃO E EM CRIANÇAS COM MENOS DE 6 MESES, COM QUININA EM 3 DIAS E
CLINDAMICINA EM 5 DIAS
NÚMERO DE COMPRIMIDOS POR DIA
DIAS 1, 2 E 3 DIAS 4 E 5
IDADE/PESO QUININA CLINDAMICINA CLINDAMICINA
< 6 meses / 1-4kg 1/4 de 12/12h 1/4 de 12/12h 1/4 de 12/12h
Gestantes e 12-14 anos / 30-
2 (manhã) e 1 (noite) 1/2 de 6/6h 1/2 de 6/6h
49kg
Gestantes e ≥ 15 anos / ≥
2 de 12/12h 1 de 6/6h 1 de 6/6h
50kg
* A clindamicina não deve ser usada para crianças com menos de 1 mês. Nesse caso, administrar quinina na dose de 10 mg de
sal/kg a cada 8 horas, até completar um tratamento de 7 dias.
• Sulfato de quinina: comprimidos de 500 mg do sal; Clindamicina: comprimidos de 300 mg.
• Sempre dar preferência ao peso para a escolha da dose.
11. ESQUEMAS RECOMENDADOS PARA O TRATAMENTO DA MALÁRIA GRAVE E COMPLICADA PELO PLASMODIUM
FALCIPARUM EM TODAS AS FAIXAS ETÁRIAS
Artesunato1: 2,4 mg/kg (dose de ataque) EV*, seguida de 1,2 Clindamicina: 20 mg/kg/dia EV, diluída em solução glicosada a
mg/kg administrados após 12 e 24 horas da dose de ataque. Em 5% (1,5 mL/kg de peso), infundida gota a gota em 1 hora,
seguida, manter uma dose diária de 1,2 mg/kg durante 6 dias. dividida em 3 doses ao dia, durante 7 dias. Se o paciente estiver
Se o paciente estiver em condições de deglutir, a dose diária em condições de deglutir, a dose diária pode ser administrada
pode ser administrada em comprimidos VO* em comprimidos VO de acordo com a tabela anterior
Não indicado para gestantes no 1o trimestre Não indicado para gestantes no 1o trimestre
OU OU
Artemeter: 3,2 mg/kg (dose de ataque) IM*. Após 24 horas, Clindamicina: 20 mg/kg/dia EV, diluída em solução glicosada a
aplicar 1,6 mg/kg por dia, durante mais 4 dias (totalizando 5 5% (1,5 mL/kg de peso), infundida gota a gota em 1 hora,
dias de tratamento). Se o paciente estiver em condições de durante 7 dias. Se o paciente estiver em condições de deglutir, a
deglutir, a dose diária pode ser administrada em comprimidos dose diária pode ser administrada em comprimidos VO, de
VO acordo com a tabela anterior
Não indicado para gestantes no 1o trimestre Não indicado para gestantes no 1o trimestre
OU OU
Quinina: administrar quinina EV na dose de 20 mg/kg de
dicloridrato de quinina (dose de ataque)2, diluída em 10 mL/ kg
de solução glicosada (SG) a 5% (máximo de 500 mL de SG 5%), Clindamicina: 20 mg/kg/dia EV, diluída em solução glicosada a
por infusão EV durante 4 horas. Após 8 horas do início da 5% (1,5 mL/kg de peso), infundida gota a gota em 1 hora,
administração da dose de ataque, administrar uma dose de durante 7 dias. Se o paciente estiver em condições de deglutir, a
manutenção de quinina de 10 mg de sal/kg, diluídos em 10 mL dose diária pode ser administrada em comprimidos VO, de
durante 4 horas. Essa dose de manutenção deve ser repetida a o Este esquema é indicado para gestantes do 1 trimestre e cada 8 horas, contadas a partir do início da infusão anterior, até crianças menores de 6 meses de SG 5%/kg, por infusão EV (máximo de 500 mL de SG 5%), acordo com a tabela anterior que o paciente possa deglutir; a partir desse momento, deve-se 3
administrar comprimidos de quinina na dose de 10 mg de
sal/kg a cada 8 horas, até completar um tratamento de 7 dias
*EV: via endovenosa; VO: via oral; IM: via intramuscular.
1Dissolver o pó de artesunato (60 mg por ampola) em diluente próprio ou em uma solução de 0,6 mL de bicarbonato de sódio 5%.
Esta solução deve ser diluída em 50 mL de SG 5% e administrada EV em uma hora.
2 Outra possibilidade é administrar quinina em infusão EV (ou bomba de infusão) em uma dose de ataque de 7 mg do sal/kg
durante 30 minutos, seguida imediatamente de 10 mg do sal/kg diluídos em 10 mL/kg de solução glicosada a 5% (máximo de 500
mL), em infusão EV durante 4 horas.
3 A clindamicina não deve ser usada em crianças com menos de 1 mês. Nesse caso, administrar apenas quinina.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A malária grave deve ser considerada uma emergência clínica. Portanto, a permeabilidade das vias aéreas deve estar garantida e os
parâmetros da respiração e circulação devem ser avaliados. Se possível, o peso do paciente deve ser aferido ou estimado, para facilitar
os cálculos dos medicamentos a serem administrados. Um acesso venoso adequado deve ser providenciado e as seguintes
determinações laboratoriais solicitadas: glicemia, hemograma, determinação da parasitemia, gasometria arterial e parâmetros de
funções renal e hepática. Exame clínico-neurológico minucioso deve ser realizado, com especial atenção para o estado de consciência
do paciente, registrando-se o escore da escala de coma (p. ex., a escala de Glasgow).
Não existe vacina contra malária.