GPS: Clínica Médica

Fernanda Mazza · Capítulo 20 de 96

Páginas do PDF

GPS: Clínica Médica

Herpes-Zóster

INTRODUÇÃO

 

O herpes-zóster ocorre pela reativação do vírus da varicela (catapora), o herpes-vírus tipo 3 (vírus

varicela-zóster), que ca latente em gânglios dorsais.

A reativação do vírus pode ocorrer de forma espontânea ou por imunossupressão, estresse,

febre, radioterapia, entre outras causas.

 

CARACTERÍSTICAS GERAIS

 

O herpes-zóster é uma doença da idade adulta, sendo mais grave em indivíduos acima de 50

anos. Também pode surgir em indivíduos jovens que tiveram varicela no primeiro ano de vida. A

incidência e a gravidade da doença aumentam com a idade.

Um indivíduo com herpes-zóster pode infectar outra pessoa causando varicela através do

contato direto com o uido vesicular. Entretanto, pessoas com varicela e herpes-zóster não podem

causar diretamente herpes-zóster.

 

A incidência e a gravidade da doença aumentam com a idade.

 

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

 

O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico.

A maioria dos doentes inicia o quadro com pródromo de dor intensa, prurido ou hiperestesia.

Ocorre aparecimento de erupção vesiculosa agrupada em base eritematosa seguindo um

dermátomo, geralmente intercostal. Pode acometer face, pescoço, couro cabeludo e

extremidades.

Raramente, o quadro cutâneo não ocorre e o paciente apresenta apenas dor local. Esse quadro

é denominado zóster sine herpete (zóster sem lesão).

Em imunodeprimidos, a doença pode ocorrer de forma exuberante, apresentando maior

número de lesões e acometimento de mais de um dermátomo.

 

Herpes-zóster inicial.

 

Herpes-zóster com acometimento do dimídio.

 

Detalhe das lesões agrupadas.

Herpes-zóster em regressão.

 

DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR

 

Exames complementares podem auxiliar no diagnóstico.

O citodiagnóstico de Tzanck visualiza células epiteliais gigantes multinucleadas na microscopia

óptica.

A imuno uorescência direta ajuda na diferenciação entre os tipos de herpes-vírus.

A cultura viral é um teste especí co e pouco sensível, e o resultado demora pelo menos 1

semana.

Os testes sorológicos são diagnósticos quando a titulação do soro convalescente possuir

aumento de pelo menos 4 vezes ao do soro agudo, sendo útil apenas retrospectivamente.

PCR é uma técnica molecular e possui alta sensibilidade, sendo seu uso cada vez mais

frequente.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

 

• Dermatite de contato localizada.

• Infecções bacterianas, como impetigo bolhoso e celulite.

• Infarto agudo do miocárdio.

• Dor pleurítica.

• Abdome agudo.

 

COMPLICAÇÕES

 

• Neuralgia pós-herpética: intensidade e gravidade aumentam com a idade. • Infecção bacteriana secundária.

• Cicatrizes.

• Herpes-zóster oftálmico: presença de vesícula na ponta nasal, conhecida como sinal de

Hutchinson, indica envolvimento do ramo nasociliar e possível acometimento ocular, podendo

levar à cegueira.

• Síndrome de Ramsay-Hunt: ocorre pela reativação do vírus no gânglio geniculado e possui

a tríade de lesões em canal auditivo externo, paralisia ipsilateral de face e perda do paladar nos

dois terços anteriores da língua.

• Meningoencefalite.

• Paralisia motora.

• Pneumonia.

• Hepatite.

 

TRATAMENTO

 

O tratamento do herpes-zóster deve ser iniciado precocemente com agentes antivirais, para evitar

possíveis complicações.

Pode ser feito com aciclovir (800 mg, 4/4 horas, por 7 a 10 dias, suprimindo dose noturna),

fanciclovir (1,5 g por dia, por 7 dias) ou valaciclovir (1 g por dia, por 7 dias), promovendo a

diminuição da dor e da duração da doença.

O aciclovir intravenoso é indicado para imunossuprimidos e para complicações graves.

A neuralgia pós-herpética pode ser tratada com analgésicos, anestésicos locais,

antidepressivos tricíclicos, bloqueio nervoso e gabapentina.

A combinação de aciclovir e prednisona pode prevenir a neuralgia pós-herpética.