GPS: Clínica Médica
Cardiologia – Coordenadora: Fernanda Ferreira
INTRODUÇÃO
Arritmias cardíacas é uma expressão que designa qualquer alteração da frequência cardíaca (FC)
(em adultos, considerada normal entre 60 e 100 bpm) ou regularidade. Também signi ca
qualquer variação da condução (como a presença de bloqueios intraventriculares) ou
automatismo (p. ex., ritmos ectópicos ventriculares ou atriais) normais do coração. Podemos
dividi-las, didaticamente, em bradiarritmias ou taquiarritmias.
O ciclo cardíaco normal está exempli cado na gura a seguir:
Ciclo cardíaco normal.
BRADIARRITMIAS E DISTÚRBIOS DA CONDUÇÃO
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Frequência cardíaca abaixo do normal (< 60 bpm). Considerada signi cativa, requer terapêutica
especí ca quando:
• Apresenta FC < 40 bpm ou pausas maiores que 3 segundos (em vigília).
• Sintomas correlacionados à bradicardia (astenia, tonturas, síncope).
• Necessidade de uso de droga que reduza a FC, de uso essencial.
• Risco de morte (bloqueio trifascicular com síncope, bloqueio atrioventricular [AV] de segundo
grau Mobitz II, bloqueio AV total ou avançado, bloqueio de ramo alternante ou bloqueio de
ramo acompanhado de síncope, distúrbio intra-hissiano – dentro do feixe de His – ou infra-
hissiano – abaixo do feixe de His).
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Os sintomas mais frequentes das bradicardias são:
• Síncope.
• Tonturas/pré-síncope (cuidado ao diferenciar de vertigem).
• Insu ciência cronotrópica (astenia durante esforço).
DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR
ELETROCARDIOGRAMA (ECG)
• Bradicardia sinusal: FC abaixo de 60 bpm. Toda onda P gera um complexo QRS. Intervalo PR
menor que 200 ms. Onda P positiva em D1, D2 e aVF. Intervalo R-R regular.
• Bloqueio AV de primeiro grau: qualquer FC. Toda onda P gera um complexo QRS. Intervalo
PR maior que 200 ms. Onda P positiva em D1, D2 e aVF. Intervalo RR regular.
• Bloqueio AV de segundo grau: qualquer FC. Nem todas as ondas P geram um complexo
QRS. Intervalo PR pode aumentar progressivamente até uma onda P não conduzida (Mobitz
tipo I ou Wenckebach) ou o intervalo PR é igual até uma onda P bloqueada (Mobitz tipo II).
Onda P positiva em D1, D2 e aVF. Intervalo RR irregular.
• Bloqueio AV 2:1: qualquer FC (geralmente bradicárdico). A cada duas ondas P aparece um
complexo QRS. Onda P positiva em D1, D2 e aVF. Intervalo RR regular.
• Bloqueio AV avançado: bradicárdico. A cada três ondas P ou mais aparece um complexo
QRS. Onda P positiva em D1, D2 e aVF. Intervalo RR irregular.
• Bloqueio AV de terceiro grau (bloqueio AV total): bradicárdico. Nenhuma onda P gera
complexo QRS. Intervalo PR variável (átrios e ventrículos não se comunicam). Onda P positiva
em D1, D2 e aVF. Intervalo RR regular.
• Bloqueio de ramo esquerdo: qualquer FC. Toda onda P gera um complexo QRS. Qualquer
intervalo PR. Onda P positiva em D1, D2 e aVF. QRS com duração maior que 120 ms negativo
na derivação V1.
• Bloqueio de ramo direito: qualquer FC. Toda onda P gera um complexo QRS. Qualquer
intervalo PR. Onda P positiva em D1, D2 e aVF. QRS com duração maior que 120 ms positivo na
derivação V1 e apresentando onda S prolongada em V6.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
LABORATÓRIO
Exames essenciais para afastar causas secundárias:
• Hipertireoidismo ou hipotireoidismo: hormônios tireoidianos
• Distúrbio hidreletrolítico e uremia: eletrólitos, ureia.
• Hipoxemia: gasometria arterial.
• Intoxicação exógena.
• Isquemia: enzimas cardíacas.
• Outros.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Lembrar que devemos buscar achados positivos. Se houver documentação de bradiarritmia com
indicação de tratamento, não é necessário solicitar outro exame subsidiário. Por exemplo, um
bloqueio AV total observado em ECG sem identi cação de causa reversível elimina a necessidade
de Holter, looper (monitor eletrocardiográ co de eventos) ou estudo eletro siológico invasivo.
ECOCARDIOGRAMA
Documentar a função ventricular e a disfunção segmentar. Apesar de a correção de isquemia
crônica e disfunção de ventrículo esquerdo (VE) não necessariamente corrigir a bradicardia, a identi cação de uma das duas pode levantar a necessidade de tratamento combinado com
cardiodes briladores implantáveis (CDI) ou terapia de ressincronização cardíaca (TRC), em vez do
implante de marca-passo.
HOLTER 24 HORAS
Avaliar se a bradicardia persiste ou agrava durante o período de gravação, se a suspeita não estiver
bem documentada até então. Importante observar que a bradicardia deve ser avaliada apenas no
período de vigília. Pausas ou até bloqueio AV total (BAVT) durante o sono não representam risco
de vida ao paciente e não geram indicação de marca-passo. Opções ao Holter 24 horas são o loop
recorder (monitoriza o paciente por 10 a 15 dias, com registro acionado por ele quando tem
sintomas) e o monitor de eventos implantável (que permite o registro de ECG por 18 meses,
possibilitando também o acionamento pelo paciente. Útil no caso de sintomas raros não
documentados nos exames anteriores).
ESTUDO ELETROFISIOLÓGICO INVASIVO
Avaliação invasiva do sistema His-Purkinje pode ser indicada quando não foi atingido diagnóstico
apesar de exaustiva investigação ou quando existe suspeita de taquicardia associada causando
sintomas (como síncope em paciente coronariopata).
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
INTOXICAÇÃO
Bradiarritmia medicamentosa
É muito frequente, em especial em idosos e pacientes polimedicados. Idealmente, deve-se
aguardar 5 meias-vidas sem a droga causadora para decidir conduta especí ca. Em paciente com
disfunção renal ou hepática, períodos mais prolongados de observação são recomendáveis.
EXTRASSÍSTOLES ATRIAIS BLOQUEADAS
Muito frequentes em Holter, em geral são erroneamente interpretadas como bloqueio AV. Ao
contrário de bloqueio AV, no qual a frequência das ondas P é regular mesmo quando existe o
bloqueio, a extrassístole atrial bloqueada é sempre mais precoce em relação ao ritmo do paciente.
BRADICARDIA NOTURNA
Causada por picos de atividade do sistema parassimpático. Não deve ser levada em consideração,
pois não incorre em risco ou sintomas.
SÍNCOPE VASOVAGAL/NEUROCARDIOGÊNICA
Causa mais comum de desmaios. Geralmente, o paciente refere ortostatismo prolongado,
desidratação, sintomas de baixo débito (sudorese, náuseas e tonturas) precedendo a síncope.
Pode estar associada à bradicardia no momento da perda de consciência. Responde bem à
orientação de hidratação oral e reconhecimento das crises.
HIPERSENSIBILIDADE DE SEIO CAROTÍDEO
Bradicardia extrema e síncope causadas por compressão do seio carotídeo (região anterior do
pescoço, próximo à mandíbula). Pode ser reproduzida com essa manobra, a ser realizada em
ambiente com suporte para parada cardiorrespiratória.
COMPLICAÇÕES
Astenia, incompetência cronotrópica durante esforço e piora de classe funcional são sintomas
limitantes da doença do nó sinusal. O não reconhecimento desta pode levar a quadros
neuropsiquiátricos (depressão, demência) e ocultar episódios de brilação atrial associada.
Bloqueio AV de segundo grau Mobitz II ou maiores incorrem no risco elevado de morte súbita.
TRATAMENTO
TRATAMENTO AGUDO (SALA DE EMERGÊNCIA)
Para pacientes cuja FC é sintomática ou inadequada ao quadro clínico do paciente:
Monitorizar paciente em ambiente com previsibilidade de intubação orotraqueal e suporte de
• parada cardiorrespiratória (PCR).
• Se houver sinais de má perfusão, solicitar e preparar posicionamento de marca-passo
transvenoso.
• Enquanto aguarda o marca-passo, é possível a administração de atropina 0,5 mg (dose
máxima 3 mg).
Após o implante e ao menos 1 vez por dia; é necessário testar os limiares do marca-passo
transvenoso:
• Ajustar o limiar de comando.
• Elevar a FC estimulada 20 bpm acima da FC do paciente.
• Elevar a energia para o máximo.
• Reduzir lentamente a amplitude do estímulo até o momento que a espícula do
marca-passo não comanda o ventrículo: o último batimento estimulado com sucesso é o
limiar de comando.
• Manter a amplitude do estímulo ao menos 2 vezes acima do limiar de comando.
• Ajustar o limiar de sensibilidade.
• Elevar a FC estimulada 20 bpm abaixo da FC do paciente (ou o mínimo).
• Elevar a energia para o máximo.
• Aumentar lentamente a amplitude da sensibilidade até o momento que a espícula
do marca-passo surge, ignorando a frequência basal do paciente: o último batimento
sem a interferência do marca-passo é o limiar de sensibilidade.
• Manter a sensibilidade do estímulo 2 vezes abaixo do limiar de sensibilidade.
TRATAMENTO CRÔNICO
O único tratamento disponível atualmente é o implante de marca-passo de nitivo. Pacientes
estáveis, mas em risco de morte, devem ser internados em ambiente de terapia intensiva e o
implante deve ser realizado tão logo possível.
TAQUIARRITMIAS
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
As taquicardias podem ser ventriculares (quando o ritmo nasce nos ventrículos e quando elas não
dependem dos átrios para perpetuação) ou supraventriculares (quando dependem dos átrios para
perpetuação).
Taquicardias com QRS estreito (< 120 ms) são supraventriculares.
Taquicardias com QRS largo (> 120 ms) podem ser ventriculares (mais frequentemente) ou
supraventriculares (com aberrância de condução por um dos ramos do feixe de His, com vigência
de bloqueio de ramo antigo ou na presença de síndrome de Wolff-Parkinson-White e condução
anterógrada pela via anômala).
Taquicardias que se manifestam como dor torácica, insu ciência cardíaca, síncope, confusão
mental ou outros sinais de baixo débito cardíaco são consideradas hemodinamicamente instáveis.
Estas devem ser revertidas a ritmo sinusal por cardioversão elétrica, independentemente de sua
origem ou etiologia.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Sintomas de taquicardia:
• Palpitações:
∘ Início e término súbito; duração desde 1 minuto a horas, com FC regular; palpitações na
fúrcula esternal; sem fatores desencadeantes evidentes; interrupção com tosse, vômito ou
deglutição; geralmente jovens sem cardiopatia. Exame físico quando em sinusal sem
alterações: sugerem taquicardia supraventricular por reentrada nodal ou presença de via
anômala.
∘ Sensação de “falhas” no coração, “pulos no peito”; sem início e término bem de nidos;
associada ou não a cardiopatias; ritmo cardíaco regular, com episódios de batimentos mais
precoces isolados ou aos pares. Sugerem extrassistolia supraventricular ou ventricular.
∘ Início e término graduais (comportamento “esquentaesfria”): sugerem taquicardia atrial.
∘ Palpitações irregulares, duração prolongada (horas ou dias); relato de acidente vascular,
taquicardia atrial, hipertensão, diabetes ou coronariopatia, ritmo cardíaco irregular:
sugere brilação atrial ou utter atrial.
∘ Taquicardia sustentada, com ou sem síncope ou présíncope, em paciente com cardiopatia
estrutural (coronariopatia, disfunção ventricular, morte súbita familiar em parentes
próximos em idade jovem, relato de morte súbita revertida): sugere taquicardia
ventricular.
• Síncope.
• Dor torácica.
DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR
ELETROCARDIOGRAMA (ECG)
Os algoritmos a seguir podem facilitar o diagnóstico:
• Taquicardia com QRS largo (> 120 ms).
Critérios de Brugada. Publicação original Brugada et al. Circulation; 1991.
Algoritmo para taquicardia com QRS estreito (< 120 ms) intervalo RR. Diagnóstico diferencial das
taquicardias supraventriculares. BAV: Bloqueio atrioventricular; TPSV: Taquicardia paroxística
supraventricular; TRN: Taquicardia por reentrada nodal; TRAV: Taquicardia por reentrada
atrioventricular.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Documentar a função ventricular e a disfunção segmentar. A identi cação de uma das duas pode
levantar a necessidade de tratamento combinado com CDI ou TRC. Também auxilia no
planejamento de ablação por cateter como terapia de nitiva para o tratamento de algumas
taquicardias.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Taquicardia sinusal: a mais frequente causa de taquicardia. Em crianças, que já possuem FC
mais elevada, pode ser erroneamente interpretada como patológica. Apresenta ondas P
positivas em D1, D2 e aVF. Complexo QRS idêntico ao qual o paciente apresenta FC mais lenta.
• Arritmia sinusal fásica (respiratória): variação normal da FC durante inspiração profunda
e expiração máxima. Ondas P sinusais. Pode ser reproduzida observando-se a variação
correlacionada à ventilação durante registro de ECG.
TRATAMENTO
As arritmias que geram instabilidade hemodinâmica podem levar à morte súbita e devem ser
tratadas agressivamente. As diversas arritmias podem ser tratadas de forma especí ca, e existem
três modalidades de tratamento para as arritmias: medicamentoso, ablação por cateter ou
implante de CDI.
TRATAMENTO AGUDO (SALA DE EMERGÊNCIA)
Monitorizar paciente em ambiente com previsibilidade de intubação orotraqueal e suporte de
PCR.
Taquicardias hemodinamicamente instáveis (angina, má perfusão, confusão mental,
insu ciência cardíaca, hipotensão)
• Sedação adequada (preferencialmente etomidato ou propofol, este último com a ressalva do
potencial de piora da função ventricular).
• Cardioversão elétrica.
• O tratamento não deve ser retardado pela busca do diagnóstico preciso.
• Seguir algoritmos de ACLS de reanimação cardiorrespiratória
Taquicardias hemodinamicamente estáveis
O algoritmo proposto para o tratamento também permite esclarecimento do diagnóstico.
Taquicardias regulares:
• Taquicardia com QRS estreito, taquicardia com QRS largo com suspeita de TPSV com
aberrância:
Adenosina IV. Observar resultado:
∘ Interrupção da taquicardia: provável TPSV ou taquicardia atrial sensível à adenosina:
iniciar betabloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio como tratamento preventivo
de recorrências.
∘ Redução da FC da taquicardia: observar linha de base e frequência atrial. Em geral utter
atrial ou taquicardia atrial podem ser desmascarados por essa manobra. Iniciar
betabloqueador IV, bloqueadores de canais de cálcio IV ou amiodarona IV para controle de
resposta ventricular.
Flutter atrial após adenosina exibindo ondas F (derivação D2).
• Taquicardia com QRS largo (existe possibilidade do diagnóstico de TV): amiodarona
IV. Em caso de insucesso, preparar cardioversão eletiva. Lidocaína é uma opção que precede a
cardioversão, em especial nos pacientes com função preservada.
TRATAMENTO AGUDO (SALA DE EMERGÊNCIA)
Taquicardias irregulares:
• QRS estreito: provável brilação atrial ou utter atrial com resposta ventricular elevada.
Avaliar betabloqueador IV (metoprolol ou esmolol IV), bloqueadores de canais de cálcio
(verapamil ou diltiazem) ou amiodarona para controle de resposta ventricular.
• QRS largo:
∘ Torsades de Pointes: iniciar sulfato de magnésio 1 a 2 g IV. Pode ser utilizada lidocaína,
em especial nos pacientes com diagnóstico de síndrome do QT longo.
∘ Fibrilação atrial com pré-excitação: amiodarona IV. Caso ocorra insucesso, preparar
cardioversão eletiva.
Doses
• Adenosina 6 mg (primeira tentativa) ou 12 mg (pode ser repetido).
• Metoprolol 5 mg IV a cada 5 minutos (dose máxima 15 mg).
• Esmolol 0,5 mg em 1 minuto seguido por 0,2 mg em 4 minutos. Pode ser repetido com
aumento da dose de manutenção para 0,3 mg em 4 minutos.
• Amiodarona 150 mg IV em 10 minutos. Repetir até dose máxima de 2,2 g em 24 horas.
• Sulfato de magnésio 1 a 2 g IV em 5 a 60 minutos.
• Lidocaína 0,5 a 0,75 mg/kg IV a cada 10 minutos. Repetir até dose máxima de 3 mg/kg. Dose
de manutenção de 1 a 4 mg por minuto.
TRATAMENTO CRÔNICO
Drogas
Quase todas as drogas utilizadas para tratamento agudo têm versões que permitem o uso via oral.
Os betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio são drogas excelentes para arritmias
que dependem do nó atrioventricular ou que têm como fator de agrador o tônus adrenérgico.
• Digoxina pode ser utilizada em pacientes com função renal preservada como adjuvante no
controle de resposta ventricular, em especial nos casos de brilação atrial permanente. Dose
0,125 a 0,25 mg/dia, dose única.
• Propafenona é um bloqueador de canais de sódio que tem excelente ação em arritmias
supraventriculares. Deve-se observar as contraindicações: disfunção ventricular ou distúrbio da
condução preexistente (ver bradiarritmias). Dose oral: 450 a 900 mg, dividido em 3 vezes ao
dia.
• Sotalol é uma droga classe III (principal efeito nos canais de potássio), com efeito antiarrítmico
inferior à propafenona em arritmias supraventriculares, mas ótimo efeito em arritmias
ventriculares. Os efeitos próarrítmicos desta droga (em especial, o prolongamento do intervalo
QT) requerem que a associação de outras medicações seja feita com cuidado. A reavaliação 7
dias após o início do tratamento e após qualquer aumento da dosagem deve ser feita em
vigência de novo ECG. Dose de 120 a 360 mg/dia, 2 vezes ao dia.
• Amiodarona é a droga classe III mais e caz para o tratamento de arritmias supraventriculares
e ventriculares. A posologia única diária permite maior adesão, e o baixo efeito pró-arrítmico
oferece maior segurança. Os efeitos colaterais incluem disfunção tireoidiana, depósitos em
córnea, neuropatia, pneumopatia, hepatopatia e pigmentação de pele. Dose: 100 a 600
mg/dia, 1 a 2 vezes ao dia.
Cardiodes brilador implantável
O CDI é um dispositivo de suporte para arritmias que promovem risco de morte. O CDI está
indicado como prevenção secundária de morte súbita (em pacientes que sofreram PCR por causa
não reversível).
Outra indicação é a prevenção primária de morte súbita. Estes são os pacientes que não
apresentaram eventos, mas têm risco elevado de manifestá-los. Pacientes com disfunção
ventricular esquerda grave (fração de ejeção de VE < 35%-40%), portadores de síndromes
eletrogenéticas com estrati cação de risco desfavorável (como alguns casos de síndrome do QT
longo, síndrome do QT curto, síndrome de Brugada), entre outros, podem se bene ciar do
implante pro lático do CDI.
Ablação por cateter
A ablação com radiofrequência permite o acesso ao foco ou circuito da arritmia pela abordagem
minimamente invasiva (punção venosa ou arterial). Quando o circuito é localizado inicia-se a
cauterização do foco/ circuito que inicia e perpetua a arritmia.
Não existe idade mínima para ablação, mas pacientes com peso inferior a 25 kg apresentam
risco mais elevado de complicações vasculares. A taxa de complicações no adulto é de cerca de
1%. A taxa de cura ao término de 1 ano varia com a taquicardia: cerca de 60% (taquicardias
ventriculares), 80% ( brilação atrial), 90%-97% (TPSV, utter atrial, extrassístoles atriais e
ventriculares).
A ablação é o procedimento de escolha em caso de refratariedade ao tratamento clínico ou em
pacientes que não desejam usar medicações de uso contínuo e têm probabilidade elevada de
recorrência da taquicardia.