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Verrugas
INTRODUÇÃO
As verrugas são proliferações epidérmicas benignas, causadas pelo papilomavírus humano (HPV).
São divididas em lesões cutâneas e mucosas:
• Lesões cutâneas: verruga vulgar, verruga plantar, verruga plana, verruga liforme e
papulose bowenoide.
• Lesões mucosas: condiloma acuminado, papilomatose bowenoide, hiperplasia epitelial focal
e epidermodisplasia verruciforme.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
O HPV é um vírus com distribuição universal. As verrugas cutâneas são muito frequentes, com
incidência estimada de 7% a 10% na população europeia e de 1% na população norte-americana.
A transmissão ocorre pelo contato direto pele a pele com indivíduo infectado, em regiões de
solução de continuidade, áreas de trauma e fenômeno de Köebner; por autoinoculação; ou de
forma indireta, como em exposição em piscinas e praias. O período de incubação varia de 1 a 6
meses para verruga vulgar e de 1 a 20 meses para verrugas genitais.
As verrugas podem evoluir para cura espontânea dentro de meses ou aumentar em
quantidade e tamanho das lesões, podendo persistir por anos.
Está bem estabelecido o potencial oncogênico do HPV nos pacientes com predisposições
genética e imunológica.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
As verrugas podem ter várias formas diferentes:
VERRUGA VULGAR
É o tipo mais comum. Correspondem a pequenas pápulas ceratósicas de consistência rme e
superfície áspera, em número variável, situadas em qualquer lugar do corpo, porém mais comuns
em áreas de exposição a atrito, dorso das mãos, dedos, joelhos e cotovelos de crianças e
adolescentes.
Verruga vulgar.
Verruga vulgar.
Verruga vulgar.
Os tipos de HPV detectados: 1, 2, 4, 26, 27, 29, 41, 57, 60, 63, 65, sendo os mais frequentes: 1, 2,
4.
VERRUGA PLANTAR
Apresenta-se como pápulas menos salientes, que crescem para dentro por causa da pressão do
corpo e têm a superfície ceratótica grosseira, com pontos negros (que correspondem à trombose
capilar das papilas). Em geral, são assimétricas, dolorosas e pouco numerosas.
Os tipos de HPV detectados: 1, 2, 4, 26, 27, 29, 41, 57, 60, 63, 65, sendo os tipos mais
frequentes: 1, 2, 4.
VERRUGA PLANA
Consiste em pápulas planas, com superfície lisa, de cor clara a castanho-escuro, geralmente
múltiplas e con uentes na face e dorso das mãos. Quando em regressão, tornam-se pruriginosas,
eritematosas e edematosas. Outra denominação que recebe é verruga plana juvenil, por ocorrer
principalmente em crianças e adolescentes.
Os tipos de HPV detectados: 3, 10, 28, 29, sendo os mais frequentes: 3, 10.
VERRUGA FILIFORME
Lesões liformes ceratóticas pouco numerosas. Ocorre com mais frequência na face de pessoas
adultas.
Verruga liforme.
VERRUGA GENITAL OU CONDILOMA ACUMINADO
Pápulas vegetantes, rosadas e úmidas, com aspecto em couve- or, isoladas ou agrupadas na
mucosa retal, vaginal e/ou uretral. Na maioria das vezes, ocorre por transmissão sexual. Na
gestação, o condiloma acuminado tende a aumentar de volume, podendo obstruir o canal do parto, e pode causar a morte por hemorragia ou sepse. Após o parto, as lesões podem regredir. É
bem estabelecida a relação entre HPV e carcinoma epidermoide.
Os tipos de HPV detectados: 6, 11, 42- 44, 54, 55, 70, sendo os mais frequentes: 6, 11.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
PAPULOSE BOWENOIDE
Múltiplas pápulas eritematoacastanhada que acometem a pele da região anogenital, como
mucosa prepucial, glande e vulva, de adultos jovens sexualmente ativos. A doença é benigna e
raramente evolui para carcinoma.
Os tipos de HPV detectados: 16, 18, 31, 33-35, 39, 40, 51-59, 61, 62, sendo o mais frequente:
16.
HIPERPLASIA EPITELIAL FOCAL OU DOENÇA DE HECK
Múltiplas pequenas pápulas que tendem à con uência, formando pequenas placas nas mucosas
oral e orofaringe, acometendo lábio, boca, gengiva e língua.
Os tipos de HPV detectados: 13, 32.
EPIDERMODISPLASIA VERRUCIFORME
Pápulas planas (lembram a verruga plana e, por vezes, a pitiríase versicolor) que se apresentam
linearmente ou em placas, com início na infância. Podem apresentar-se como máculas
hipocrômicas, hiperpigmentadas e/ou eritematosas. Doença genética rara, autossômica recessiva,
com alteração no cromossoma 17q25.
O tipo de HPV mais frequente é o 5, e mais de 23 tipos de HPV podem ser encontrados.
DIAGNÓSTICO
LABORATORIAL
Como o HPV não cresce em meio de cultura convencional, o diagnóstico é feito por meio da
histopatologia das lesões e/ou detecção do DNA viral nas células infectadas. Os métodos utilizados são:
TÉCNICAS DE
HIBRIDIZAÇÃO
• Southern blot: possui alta especi cidade e sensibilidade. Possibilita estimar a quantidade de
DNA na lesão.
• Dot blot e Reverse blot: apresentam boa acurácia e sensibilidade similar, porém são técnicas
trabalhosas.
• Hibridização in situ: possui sensibilidade limitada, entretanto é o melhor método para
avaliar a distribuição do HPV nas lesões e possibilita a localização viral com outros marcadores.
• Captura híbrida não radioativa: é uma técnica segura, de fácil realização e
reprodutibilidade. Ideal para lesões mucosas por ter precisão.
REAÇÃO DE POLIMERIZAÇÃO EM CADEIA (PCR)
É o método mais sensível e mais utilizado para detecção viral e encontra sua principal aplicação
em situações nos quais a quantidade de DNA disponível é reduzida. Após a ampli cação do DNA
viral pela PCR, o material precisa ser submetido a uma técnica que permita a identi cação do tipo
de HPV. As técnicas mais utilizadas são: Southern blot, dot blot; hibridização reversa; restrição
enzimática e sequenciamento.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Verruga vulgar: ceratose actínica hipertró ca, molusco contagioso e verruga seborreica.
• Verruga plana: líquen plano e molusco contagioso.
• Verruga liforme: corno cutâneo e carcinoma espinocelular.
• Papulose bowenoide: condiloma acuminado, líquen plano e verruga seborreica.
TRATAMENTO
O melhor tratamento é de escolha pessoal, visto que não há uma droga antiviral especí ca para os
tipos de HPV.
PODOFILINA
Resina vegetal e caz em lesões recentes em mucosa e semimucosa (condiloma). Não possui efeito
em lesões cutâneas (verruga). Contraindicada em gestantes pela associação com abortamento,
prematuridade e morte fetal.
Apresentação: solução a 10% a 30%, com índice de clareamento entre 60% e 70%.
Modo de uso: aplicar na lesão e remover 4 horas após, com intervalo de 5 dias entre cada
aplicação. Após o desaparecimento da lesão, repetir a aplicação pelo menos mais vez.
PODOFILOTOXINA
Por ser menos irritante que a podo lina, pode ser utilizada como tratamento domiciliar. Sua
segurança na gravidez não foi estabelecida.
Apresentação: solução alcoólica ou em creme a 0,5%, índice de clareamento de 80%.
Modo de uso: aplicar 2 vezes ao dia, 3 vezes por semana, por 4 semanas.
IMIQUIMODE
Apresenta efeitos colaterais (eritema, prurido e queimação) na maioria das vezes suportáveis, e
índice de recorrência em 13%. O preço é um fator limitante ao seu uso e não está estabelecida sua
segurança na gravidez.
Apresentação: creme a 5%.
Modo de uso: aplicar 3 vezes por semana, até no máximo 16 semanas. Remover com água
corrente após 6 a 10 horas.
ÁCIDO TRICLOROACÉTICO (TCA)
Utilizado principalmente para verrugas do pênis e lesões não responsivas à podo lina. Pode ser
usado em gestantes.
Apresentação: cáustico. Varia de 30% a 70%.
Modo de uso: aplicar na lesão a cada 5 a 7 dias.
CRIOTERAPIA COM NITROGÊNIO LÍQUIDO
Indicada para lesões genitais maiores, como em uretra, vagina e períneo. Consiste na destruição
das lesões por congelamento. Apresenta altos índices de clareamento e de recorrência.
LASER DE CO2
OU ND-YAG
Procedimento seguro, com mesma indicação da crioterapia. As desvantagens dessa técnica
dependem da perícia do cirurgião, da necessidade de anestesia e do alto custo.
CIRURGIA
Apenas indicada nos casos de lesões gigantes resistentes a terapêuticas prévias ou transformação
maligna.
ELETROCIRURGIA
Destruição das lesões utilizando calor. Método alternativo e e caz, porém anestesia prévia se faz
necessária.
5-FLUOROURACIL (5-FU)
Irritante tópico com potente ação antitumoral. Tem sido utilizado como nova opção nas verrugas
genitais.
INTERFERONS-α, β E γ
Pode ter administração sistêmica, em que se mostra menos efetivo do que os outros tratamentos
de rotina, ou via intralesional, apresentando índice de resposta menor que 50%. Contudo,
aplicado após laserterapia ou criocirurgia, previne recidivas em 50% dos casos.
VACINA
Encontram-se disponíveis 2 vacinas indicadas para prevenção dos cânceres cervical, vulvar e anal: • Quadrivalente (Gardasil, laboratório Merk Sharp & Dhome – HPV-6, 11, 16 e 18), disponível em
3 doses (0, 2 e 6 meses), com indicação atual para meninas a partir dos 9 anos, ou
preferencialmente antes do início da vida sexual, até os 26 anos (relação custo-benefício não
justi ca seu uso em homens).
• Bivalente (Cervarix, laboratório GSK – HPV-16 e 18), aprovada na comunidade europeia em
2007.
Ambas apresentam proteção de 90% contra essas cepas.
Não se recomenda a vacina em mulheres interessadas em engravidar ou gestantes.