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Gastrite
INTRODUÇÃO
Gastrite aguda é um termo genérico que envolve várias condições nas quais há lesão aguda do
epitélio gástrico, sendo denominada “gastropatia” quando não há evidência histológica de
in amação e “gastrite” quando o processo in amatório é observado.
Na prática, o termo “gastrite aguda” é aplicado para três categorias: “gastrite” erosiva aguda
(gastropatia reativa), gastrite não erosiva (histológica) e, mais raramente, gastrite de etiologia
especí ca (quando há achados histológicos típicos de uma patologia especí ca).
A “gastrite erosiva” aguda, geralmente, é resultante da exposição a drogas como anti-
in amatórios não hormonais (principalmente ácido acetilsalicílico, ibuprofeno e naproxeno) e ao
álcool, enquanto a gastrite não erosiva, na quase totalidade dos casos, é secundária à infecção por
Helicobacter pylori (H. pylori).
Já a gastrite crônica é uma condição caracterizada pela in amação crônica da mucosa gástrica
secundária a uma variedade de patologias infecciosas e não infecciosas, sendo as causas mais
comuns a infecção crônica por H. pylori e a autoimunidade.
ETIOLOGIA
GASTRITE AGUDA
• Gastrite erosiva aguda (“gastropatia reativa”): anti-in amatórios não hormonais,
outras medicações (corticosteroides, bifosfonatos), álcool, cocaína, estresse, radiação,
re uxo biliar duodenogástrico, isquemia, gastropatia hipertensiva portal.
• Gastrite não erosiva: H. pylori.
• Gastrite de etiologia especí ca: bactérias, vírus, fungos, alergia alimentar, gastrite
eosinofílica, doença de Crohn.
GASTRITE CRÔNICA
• Origem infecciosa: H. pylori, Helicobacter heilmannii, sí lis, blastomicose, histoplasmose,
micobacterioses, parasistoses, vírus.
• Origem não infecciosa: autoimune, uremia, doença de Crohn, sarcoidose, linfocítica,
eosinofílica, radiação, isquemia, medicamentos.
• Origem idiopática: nas últimas duas décadas, tem se demonstrado uma estreita
correlação entre H. pylori e autoimunidade, sendo fortemente sugerido que a infecção
bacteriana crônica é responsável pelo desenvolvimento da maioria dos casos de gastrite
autoimune.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
GASTRITE AGUDA
Não há correlação entre os achados histológicos ou endoscópicos e a presença de sintomas, sendo,
portanto, assintomática na maioria dos pacientes com achados endoscópicos ou histológicos de
“gastrite aguda” em exame endoscópico realizado por outro motivo.
Quando presentes, vários sinais e sintomas inespecí cos são descritos: epigastralgia, náuseas,
vômitos, anorexia, eructação, distensão abdominal.
GASTRITE CRÔNICA
A gastrite crônica por H. pylori é, geralmente, assintomática, mas pode se manifestar com
epigastralgia, náuseas, vômitos, anorexia e perda ponderal.
A gastrite autoimune, nos estágios avançados, apresenta-se com manifestações
hematológicas (anemia ferropriva e, posteriormente, com anemia por de ciência de vitamina
B12) e neurológicas (alterações cognitivas, alucinações, anormalidades da marcha, parestesia,
espasticidade). Raramente há sintomas dispépticos.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
GASTRITE AGUDA
Raramente são necessários exames laboratoriais nos casos de “gastrite aguda”, exceto pela
realização do hematócrito em casos de hemorragia digestiva alta signi cativa ou para diagnóstico
nos raros casos de gastrite de etiologia especí ca.
GASTRITE CRÔNICA
A dosagem de autoanticorpos (antifator intrínseco e anticélula parietal) é utilizada para
diagnóstico de gastrite autoimune, com avaliação da cinética do ferro e dosagem de vitamina
B12. Entretanto, pela menor sensibilidade e especi cidade do método utilizado atualmente nesta
última, a dosagem dos níveis de homocisteína ou do ácido metilmalônico são mais sensíveis na
avaliação da de ciência da vitamina B12.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
GASTRITE AGUDA
O diagnóstico é estabelecido, basicamente, pela endoscopia digestiva alta (podendo ser
observados hiperemia, edema e espessamento da mucosa gástrica, além de erosões) e realização
de biópsias da mucosa gástrica. No caso de pesquisa por H. pylori, além do exame histopatológico,
utiliza-se, também, o teste da urease.
GASTRITE CRÔNICA
A endoscopia digestiva alta permite a avaliação de áreas de nodularidade em antro, sugestivo de
infecção pelo H. pylori, bem como de áreas de atro a e metaplasia.
Na gastrite autoimune estabelecida, a endoscopia, com realização de múltiplas biópsias em antro,
incisura angulari e corpo, permite a avaliação do grau de atro a, da presença e do tipo de
metaplasia intestinal, e, nalmente, de displasia na vigilância endoscópica para adenocarcinoma
gástrico, sobretudo com utilização de novas tecnologias, como narrow band imaging (NBI).
COMPLICAÇÕES
GASTRITE AGUDA
Na gastrite não erosiva, a infecção por H. pylori torna-se crônica na maioria dos casos, podendo
evoluir para doença ulcerosa péptica, gastrite atró ca, linfoma MALT e adenocarcinoma gástrico.
Raramente observa-se anemia ferropriva na “gastrite erosiva aguda”, podendo haver associação
com lesões ulceradas gástricas e perfuração.
GASTRITE CRÔNICA
A gastrite crônica por H. pylori pode evoluir, como descrito antes, para gastrite autoimune, além
da possibilidade de evolução para linfoma MALT e adenocarcinoma gástrico.
Em relação às complicações da gastrite autoimune, são descritas sequelas neurológicas,
complicações tromboembólicas e desenvolvimento de adenocarcinoma e tumores carcinoides
(tipo 1) gástricos.
TRATAMENTO
GASTRITE AGUDA
• “Gastrite erosiva aguda”: inibidores de bomba de prótons por 2-4 semanas (omeprazol e
rabeprazol 20 mg/dia, lansoprazol 30 mg/dia, pantoprazol ou esomeprazol 40 mg/dia). Nos
casos de gastropatia hipertensiva portal, o uso de beta-bloqueadores não seletivos, como
propranolol ou nadolol, reduz a recorrência de hemorragia digestiva alta ao diminuir a
pressão portal.
• Gastrite não erosiva por H. pylori: tratamento por 7 a 10 dias. Há várias opções
disponíveis, sendo a mais utilizada: inibidores de bomba de prótons (omeprazol e
rabeprazol 20 mg, lansoprazol 30 mg, pantoprazol ou esomeprazol 40 mg) 2x/dia +
amoxicilina 1 g 2x/d + claritromicina 500 mg 2x/dia.
Deve-se realizar controle de cura por meio de biópsias via endoscopia digestiva alta, teste
respiratório da urease ou pesquisa de antígenos fecais do H. pylori após, pelo menos, 4 semanas
do m do tratamento e de 2 semanas sem uso de inibidores de bomba de prótons. Caso haja falha
na erradicação do H. pylori, emprega-se novo regime terapêutico, sendo comumente usado: inibidores de bomba de prótons 2x/d + amoxicilina 1 g 2x/d + levo oxacino 500 mg/d por 10
dias.
GASTRITE CRÔNICA
• Gastrite crônica pelo H. pylori: tratamento por 7 a 10 dias. Há várias opções disponíveis,
sendo a mais utilizada: inibidores de bomba de prótons (omeprazol e rabeprazol 20 mg,
lansoprazol 30 mg, pantoprazol ou esomeprazol 40 mg) 2x/dia + amoxicilina 1 g 2x/dia +
claritromicina 500 mg 2x/dia. Deve-se realizar controle de cura por meio de biópsias via
endoscopia digestiva alta, teste respiratório da urease ou pesquisa de antígenos fecais do H.
pylori após, pelo menos, 4 semanas do m do tratamento e de 2 semanas sem uso de
inibidores de bomba de prótons.
Caso haja falha na erradicação do H. pylori, emprega-se novo regime terapêutico, sendo
comumente usado: inibidores de bomba de prótons 2x/dia + amoxicilina 1 g 2x/dia +
levo oxacino 500 mg/dia por 10 dias.
• Gastrite autoimune: reposição de cobalamina – administração intramuscular diária de
5.000 mcg durante 5 dias, seguida de manutenção de novas injeções intramusculares de
5.000 mcg a cada 3 meses, além da avaliação da necessidade de reposição de ferro.
Como descrito acima, pela forte correlação que vem sendo estabelecida entre infecção crônica por
H. pylori e o desenvolvimento de autoimunidade, a presença daquela bactéria determina a sua
erradicação, que pode permitir a reversão completa do processo em sua fase inicial ou bloqueio da
evolução para estágios mais avançados, além da diminuição do risco de progressão da metaplasia
intestinal para neoplasia.