GPS: Clínica Médica
Parasitoses
INTRODUÇÃO
As infecções intestinais por helmintos e protozoários estão entre as doenças mais comuns, sendo
consideradas as patologias crônicas mais frequentes do mundo. De acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), existem 3,5 bilhões de infectados, dos quais 450 milhões apresentam
infecções clinicamente signi cativas (WHO, 2000). Mais de ¼ da população mundial é infectada
por áscaris, ancilostomídeos ou Trichirus trichiura, isolada ou simultaneamente; amebíase e
giardíase completam as doenças predominantes desse grupo. Baixo rendimento no trabalho e
menor produtividade são problemas importantes na população adulta acometida por anemia ou
nas apresentações mais graves de esquistossomose.
No Brasil, não existem estimativas recentes inteiramente con áveis, pois são baseadas em
inquéritos feitos em determinados grupos populacionais sem nalidade de calcular a real
prevalência no país. Fica-se com a impressão geral de que as parasitoses intestinais não têm
diminuído em seus números absolutos, porém houve uma redução dos casos mais graves,
possivelmente re etindo uma melhoria das condições sanitárias em muitas localidades e a
existência de anti-helmínticos mais potentes e baratos.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS PARASITOSES MAIS PREVALENTES DO BRASIL
HEMOGRAMA
A presença de eosino lia é um achado clássico na maioria das doenças causadas por helmintos.
Em geral, em sua fase crônica, as eosino lias são leves, ou seja, menores do que 1.500
eosinó los/mm3. As helmintoses, cujo ciclo envolve passagem das larvas pelos pulmões, podem
produzir, na fase aguda da doença, eosino lias moderadas (>1.500 a 5.000 eosinó los/mm3) ou
intensas (> 5.000 eosinó los/mm3), além de leucocitose. Eosino lias moderadas ou intensas são
mais descritas nas fases agudas da esquistossomose e mais raramente da ascaridíase, estrongiloidíase e da infecção por ancilostomídeos. Registre-se que cerca de 10% a 15% da
população geral é portadora de atopias que causam eosino lias leves e devem ser diferenciadas
das helmintoses e, não raro, estão juntas. As enteroprotozooses não produzem eosino lia, exceção
feita à dientamebíase e à isosporíase.
Em infecções graves por ancilostomídeos, em pacientes com dé cits nutricionais, pode-se
encontrar anemia de intensidade variável, devido à perda de sangue determinada pelos vermes,
em doentes sem reservas de ferro adequadas para permitir a reposição. Embora possa haver
carências múltiplas, principalmente de proteínas, vitamina B12 e de ácido fólico, a anemia é
essencialmente ferropênica, hipocrômica, microcítica, com ferro sérico e ferritina diminuídos e
capacidade de transporte do ferro aumentada. As plaquetas são normais, bem como os
reticulócitos. A anemia é referida raramente em casos de triquiuríase grave e em indivíduos com
síndrome disabsortiva causada por Strongyloides stercoralis ou Giardia lamblia. A infecção pelo
Diphyllobothrium latum pode causar anemia macrocítica, entretanto, é muito rara no Brasil.
EXAME DE FEZES
EXAME MACROSCÓPICO
Eventualmente, são trazidos para a identi cação vermes eliminados, quase sempre junto com as
fezes, fato que gera sempre grande ansiedade. O helminto mais referido é o áscaris,
principalmente durante episódios febris, em doentes com infecções mais intensas. É um verme
cilíndrico, branco ou branco-amarelado, tamanho médio entre 15 cm e 35 cm, movimentando-se
ativamente; às vezes eliminam-se pela boca ou pelo nariz. As proglotes de Taenia saginata
também são expelidas junto com as fezes ou ativamente fora das evacuações. As proglotes da T.
solium saem passivamente junto das fezes e então podem ser percebidas. O método mais
adequado para o diagnóstico dessas teníases é a tamisação das fezes, que consiste em peneirá-las
e separar as proglotes, com posterior identi cação da espécie, se o estado de conservação do
exemplar o permitir. As infecções mais intensas por Enterobius vermicularis podem acompanhar-
se da eliminação dos helmintos adultos, referidos como pedaços de linha branca de bordar, com
tamanho médio de 1 cm.
EXAME PARASITOLÓGICO
Coleta e transporte
A maioria das parasitoses intestinais na atualidade é de baixa intensidade. Dessa forma, a
sensibilidade de uma amostra do exame coprológico é relativamente pequena, sendo
aconselhável colher, para a maioria delas, até três amostras para se conseguir uma com bom
resultado. Deve-se colher cerca de 100 g de fezes e transportá-la dentro de 1 hora para o
laboratório. Recomenda-se colocar as amostras em recipiente plástico limpo e seco, sem
contaminação por urina ou água, que podem interferir no resultado do exame. As fezes moldadas
podem ser guardadas em refrigeração algumas horas para efeito de pesquisa de ovos e cistos. As
larvas dos ancilostomídeos, após algumas horas em temperatura ambiente, podem eclodir
criando eventuais erros diagnósticos com a estrongiloidíase, para os técnicos menos experientes.
Quando as fezes são diarreicas e se deseja pesquisar trofozoítos diretamente, o exame deve ser
feito em 30 minutos, após o que eles degeneram e o exame dará negativo. As fezes poderão ser
conservadas para transporte em soluções preservantes. As mais usadas são o álcool polivinílico
(PVA) e a formalina a 10%; no Brasil ainda se usa o MIF modi cado (originalmente mertiolate,
iodo e formaldeído) como conservante.
AMEBÍASE
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
No Brasil, as informações sobre amebíase são escassas, porém parece predominar na região
amazônica e no Nordeste. História de viagens a áreas endêmicas, bem como migrações dessas
áreas, podem estar presentes. A transmissão se faz principalmente por via fecal oral, pela ingestão
de água ou alimentos contaminados pelos cistos.
A amebíase costuma ser dividida em intestinal e extraintestinal. A amebíase intestinal é a
forma predominante e mais de 90% desses casos são assintomáticos; são considerados
eliminadores de cistos, como se fossem portadores; eles são importantes epidemiologicamente
para a transmissão e eventualmente, por fatores ainda não muito bem estabelecidos, podem
tornar-se sintomáticos. A forma intestinal sintomática (colite não disentérica) manifesta-se com
evolução insidiosa, em várias semanas ou meses, com diarreia em geral pouco especí ca, duas a
quatro evacuações diárias, podendo alternar-se com prisão de ventre e períodos de normalidade; dores abdominais em cólica, atulência, desconforto abdominal, às vezes emagrecimento, são as
manifestações mais relatadas.
A forma intestinal disentérica é mais aguda, incubação em geral entre uma e três semanas; a
diarreia é mais intensa, com cinco a dez evacuações diárias, comumente sanguinolentas, podendo
acompanhar-se de muco ou pus. Dor abdominal em cólica e manifestações de desidratação
costumam estar presentes. Febre e queixas gerais são comuns e o quadro clínico pode ser parecido
com a disenteria bacteriana. Existem casos mais subagudos, que podem confundir-se com a
doença in amatória intestinal. Embora incomuns, existem formas fulminantes, podendo
complicar-se com perfuração intestinal e megacólon tóxico.
A amebíase extraintestinal inclui o abscesso hepático e, menos comumente, o
pleuropulmonar, cardíaco e cerebral. O abscesso hepático amebiano predomina no sexo masculino
entre os 30 e os 60 anos; acomete mais o lobo direito e, em 70%, dos casos é único. A história em
geral é de 1 ou 2 semanas, com dor abdominal no hipocôndrio direito, de intensidade variável,
podendo ser referida no epigástrio, no hemitórax direito ou irradiada para o ombro, com
características pleuríticas. Podem ocorrer febre, queixas gerais e emagrecimento. Cerca de 1/3 dos
casos apresentam diarreia concomitante ou precedendo o quadro, algumas semanas ou meses
antes. A hepatomegalia com dor localizada à palpação é um achado comum, muito sugestivo.
Embora incomum, pode associar-se ao abscesso piogênico, que é o seu principal diagnóstico
diferencial, juntamente com as neoplasias. Discretas alterações da fosfatase alcalina e
aminotransferases são a regra. Leucocitose com desvio à esquerda costuma estar presente.
Eventualmente pode romper-se para a cavidade abdominal ou torácica.
DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR
Classicamente, o diagnóstico da amebíase é feito com a demonstração de cistos, geralmente com
os métodos de utuação, em fezes moldadas ou de trofozoítos, em material fecal diarreico, xado
em lâmina, seguido da coloração pelo tricromo ou pela hematoxilina férrica. Esses exames,
contudo, estão se tornando obsoletos para essa parasitose, pois mostram baixa sensibilidade,
além de falsa positividade. O padrão-ouro parasitológico para o diagnóstico da amebíase continua
sendo a cultura e análise isoenzimática, contudo, essa prática não é disponível habitualmente
para o uso rotineiro, a não ser em instituições de pesquisa, além de ser demorada, cerca de duas semanas, para a necessidade do clínico. Mais recentemente, o diagnóstico tem sido feito com a
pesquisa de antígenos fecais com anticorpos monoclonais, geralmente por técnica baseada no
teste ELISA ou imuno uorescência, que mostram boa especi cidade e sensibilidade, além de
poder diferenciar a ameba patogênica das sapró tas. A sua sensibilidade nos casos de colite é
maior que 95%. A detecção de antígenos também pode ser feita em material de abscesso
hepático, embora com rendimento menor. O exame é rápido e já existem kits comerciais, embora
o seu custo seja relativamente elevado em nosso meio. O diagnóstico por PCR é altamente e caz e
considerado por vários autores como o de escolha para a prática clínica; pena que seja menos
disponível entre nós e o seu custo elevado, além de um pouco mais demorado que a pesquisa de
antígenos fecais. Nos casos invasivos de amebíase, as reações sorológicas através das técnicas de
imuno uorescência, ELISA ou hemaglutinação indireta podem ser úteis no diagnóstico, pois
costumam ser negativas nos casos de amebíase intestinal não invasiva e elevam-se em cerca de
90% dos pacientes com doença invasiva.
Na colite amebiana aguda por vezes a retossigmoidoscopia ou a colonoscopia podem ajudar
no diagnóstico ao excluir várias doenças que com ela podem confundir-se; deve-se colher
material das ulcerações para pesquisa de trofozoítos de E. histolytica, além de material para
biópsia. Esses exames não são rotineiros, decidindo-se em cada caso, individualmente, pela
possibilidade de complicações durante sua execução, principalmente risco aumentando de
perfuração.
No abscesso hepático, a ultrassonogra a, a tomogra a computadorizada e a ressonância
magnética são exames excelentes para con rmar o diagnóstico anatômico, além de poderem
guiar punção aspirativa para diagnóstico ou drenagem terapêutica, quando indicada.
TRATAMENTO
O achado de Entamoeba histolytica é sempre indicativa de tratamento, independente da
existência ou não de sintomatologia. Entretanto, a maioria dos laboratórios de rotina
parasitológica não têm recursos para separar a E. histolytica da E. dispar. A amebíase
assintomática, não invasiva, deve tratar-se preferencialmente com os chamados amebicidas
intraluminais. Destacam-se os derivados da dicloroacetamida: a diloxanida, a etofamida e o
teclosan. A diloxanida, embora muito citada, não é disponível no Brasil, e, mesmo nos Estados Unidos, é difícil de ser encontrada. A etofamida é prescrita na dose total de 3 g, geralmente em 2
esquemas: 200 mg, 3 vezes ao dia, durante 5 dias, ou 500 mg, 2 vezes ao dia, durante 3 dias. O
teclosan é mais usado na dose total de 1,5 g em uma só tomada ou fracionada em 3 doses de 500
mg a cada 8 horas.
Para essa forma de amebíase também são citados o metronidazol, o tinidazol e o secnidazol;
todos são compostos nitroimidazólicos, com potente ação amebicida. Esses derivados, entretanto,
não atingem boa concentração na luz intestinal, pois são rapidamente absorvidos no duodeno e
por isso falham em erradicar os cistos em mais do que 40% dos casos, resultado inferior aos dos
medicamentos anteriores.
Os casos de amebíase sintomática, invasiva, intestinal (disenteria amebiana) ou
extraintestinal (abscesso hepático, pulmonar, cardíaco ou cerebral) devem ser tratados
preferencialmente com o metronidazol. Esse medicamento atinge ótimos níveis sistêmicos e atua
em todos os sítios que a ameba acomete. O medicamento é metabolizado no fígado, de modo que
os pacientes com cirrose ou insu ciência hepática devem ter a dose ajustada para evitar
toxicidade. A dose na amebíase invasiva é de 750 mg, via oral (VO), ou 500 mg a 750 mg,
endovenoso (EV), a cada 8 horas, durante 7 a 10 dias, dependendo da resposta e da gravidade de
cada caso. Os principais efeitos adversos são o gosto metálico e a intolerância digestiva;
neurotoxidade, tonteiras, vertigem são descritas mais em pacientes com doses elevadas,
principalmente em hepatopatas. Após o tratamento recomenda-se a prescrição de um amebicida
intraluminal para erradicar os cistos da luz intestinal. Seu uso na gravidez é ainda discutível e
parte dos autores, embora classi cada na categoria B da Food and Drug Administration (FDA),
sugere não usar a droga no primeiro trimestre, a não ser em casos especiais, avaliando-se o
potencial risco e o benefício.
O tinidazol tem características semelhantes às do metronidazol nessa indicação. Várias
publicações atestam os bons resultados com o seu uso e mesmo com menor experiência alguns
autores o recomendam como alternativa, principalmente para os casos não complicados de
amebíase invasiva. O esquema, na forma invasiva, é 800 mg VO, 3 vezes ao dia, durante 5 dias, ou
2 g por dia, fracionadas de 12 em 12 horas, durante 3 dias na amebíase intestinal e 5 dias na
extraintestinal. A nitazoxanida em adultos, 500 mg VO, 2 vezes ao dia, durante 10 dias, é citada como alternativa para a amebíase invasiva, com bons resultados, entretanto, a experiência ainda
é restrita nestas formas graves.
Mais de 90% dos enfermos com abscesso hepático amebiano evoluem bem com o
metronidazol; quando houver demora ou não resposta aos nitroimidazólicos, mormente quando
os abscessos são volumosos, maiores que 300 mL, ou dentro de outros critérios radiológicos e
cirúrgicos bem estabelecidos, deve ser considerada a drenagem por punção guiada por métodos
de imagem ou a drenagem cirúrgica. Nos casos de evolução menos favorável deve ser aventada
também a possibilidade de abscessos mistos, com a participação de bactérias, em geral
anaeróbias ou gram negativas aeróbias, o que indicaria a antibioticoterapia associada.
GIARDÍASE
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Distribuição cosmopolita, comum com surtos epidêmicos transmitidos por água, alimentos,
piscinas públicas, reservatórios de água eventualmente relatados. Os cistos são a forma infectante
do protozoário, resistem à cloração comum e à ltração da água, onde podem permanecer meses
viáveis. A transmissão via fecal oral diretamente também pode ocorrer em creches, orfanatos,
bem como por manipulação não higiênica de alimentos. Alguns animais, como o cão, podem
funcionar como fonte de infecção para o homem. Relata-se ainda a transmissão por práticas
sexuais oroanais. A doença é mais comum em crianças abaixo de 10 anos. A presença do
Helicobacter pylori parece facilitar a sua infecção.
Estima-se que em 30% a 70% dos casos a infecção é assintomática; 5% a 15% tornam-se
eliminadores de cistos sem sintomas e 25% a 50% apresentam a doença. A incubação média é de
1 a 2 semanas. Pode cursar com um quadro mais agudo com diarreia aquosa, predominantemente
alta, traduzindo o acometimento duodenal; não raro apresenta mau cheiro; dores abdominais
difusas, em cólica; náuseas e vômitos ocasionais, mal-estar geral, atulência e perda de peso; a
diarreia costuma ter evolução mais arrastada que a causada por bactérias ou vírus, cursando em
média de 7 a 14 dias. A maioria evolui para a cura, entretanto, o quadro pode croni car-se com
diarreia de menor intensidade, esteatorreia, cólicas abdominais, síndrome disabsortiva, distensão abdominal, mal-estar, fadiga, perda de peso, hiporexia, mais raramente febre e constipação; pode
haver intolerância à lactose após a doença, por várias semanas.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Os métodos parasitológicos convencionais para pesquisa de cistos em fezes moldadas (Faust ou
Willis ou Ritchie) e a pesquisa de trofozoítos em fezes diarreicas (hematoxilina férrica ou tricromo)
continuam sendo os de preferência para o diagnóstico da G. lamblia. Um exame de fezes tem a
sensibilidade de 50% a 70%; a repetição dos exames em 3 amostras de fezes colhidas com
intervalos de 3 dias costuma diagnosticar mais de 90% dos casos. A pesquisa da G. lamblia
eventualmente é feita em material duodenal ou colhido durante endoscopia digestiva, como
parte da investigação diagnóstica de doentes com diarreia crônica ou síndrome disabsortiva,
porém é um processo não habitual de diagnóstico.
A pesquisa de antígeno de G. lamblia em material fecal, pelo método ELISA, constitui
excelente alternativa para o diagnóstico, com sensibilidade de 91% a 98% e especi cidade de
100%, contudo, o interesse prático é menor do que na amebíase em função das boas sensibilidade
e especi cidade do exame parasitológico. Resultado semelhante é citado com a técnica de
imunocromatogra a e com a imuno uorescência direta. A sorologia para a giardíase não tem
interesse prático para o clínico.
Estudos com a ampli cação de ácidos nucleicos pela técnica do PCR têm revelado bons
resultados, entretanto não é disponível ainda para uso prático.
TRATAMENTO
Da mesma forma que na amebíase, a giardíase deve sempre ser tratada, mesmo quando
assintomática. Atualmente dáse prioridade aos compostos nitroimidazólicos. Deles o mais usado é
o tinidazol, 2 g, VO, dose única, e 50 mg/kg, dose única, em crianças, com o máximo de 2 g. Os
índices de cura desse esquema são maiores do que 90%, resultados no mínimo iguais aos do
metronidazol. O secnidazol em dose única de 2 g, VO, em adultos, ou 30 mg por kg, VO, dose
única, com 2 g de máxima, em crianças, também tem índices de cura acima de 90%. O nimorazol
e o ornidazol em esquemas com doses semelhantes dão resultados comparáveis ao secnidazol ou
tinidazol. Com o metronidazol usa-se 250 mg, 3 vezes ao dia, por 5 a 7 dias; em crianças 5 mg/kg, 3 vezes ao dia, por 5 a 7 dias. Como já foi visto, a tolerância é semelhante entre esses diversos
compostos.
O albendazol na dose de 400 mg por dia, durante 5 a 7 dias, ou 15 mg por kg por dia, VO,
durante 5 a 7 dias em crianças maiores do que 2 anos, é considerado uma boa alternativa para a
giardíase, principalmente quando associadas a outras parasitoses. Os índices de cura citados nos
trabalhos comumente são superiores a 90%.
A nitazoxanida na dose de 500 mg, 2 vezes ao dia, durante 3 dias em adultos ou em crianças,
7,5 mg por kg por dose, 2 vezes ao dia, durante 3 dias, constitui boa alternativa aos
nitroimidazólicos. Não apresenta resistência cruzada com o metronidazol e tinidazol e os índices
de cura, na maioria dos autores, está entre 70% e 85% dos casos, com boa tolerância.
A furazolidona, derivado nitrofurânico, é ainda citada como alternativa no tratamento da
giardíase, mormente em referências dos Estados Unidos; a dose utilizada é de 100 mg, 4 vezes ao
dia, durante 7 a 10 dias em adultos, e 2 mg/kg, 4 vezes ao dia, durante 10 dias em crianças. Os
índices de cura em geral são superiores a 90%, contudo os efeitos adversos são signi cativos,
incluindo uma série de interações, intolerância digestiva, efeito antabuse e hemólise em
de cientes da G6PHD. No Brasil, é pouco usada em virtude de existirem vários nitroimidazólicos
disponíveis. Há citações, sobretudo de fora do Brasil, considerando a paromomicina e a quinacrina
como alternativas para a giardíase, porém não são disponíveis para nós e os resultados são
inferiores. Em geral têm sido usados em situações especiais, como em infecções refratárias em
associação com outros medicamentos.
OUTRAS ENTEROPROTOZOOSES E MICROSPORÍDIOS
Além da amebíase e da giardíase, várias enteroprotozooses e microsporida têm sido valorizadas
nos últimos anos, principalmente pelo seu comportamento oportunista, como é o caso de
Cryptosporidium spp, Isospora (Cystoisospora) belli, Cyclospora cayatenensis, Enterocytozoon
bieneusi, Encephalitozoon intestinalis, Dientamoeba fragilis, Balantidium coli, Blastocystis spp
(hominis), entre outros.
TRATAMENTO
PROTOZOOSES E ESQUEMAS MAIS CITADOS
MICROSPORÍDIOS
Criptosporidiose A terapêutica básica na síndrome da imunode ciência adquirida
(AIDS) é reidratação oral ou EV, outras medidas de suporte e a
recuperação da imunidade com os antirretrovirais. Dos inúmeros
medicamentos e esquemas sugeridos, com resultados pouco
convincentes, há uma preferência pela Nitazoxanida, 500 a 1.000
mg, 2 vezes ao dia, durante 14 dias. Em crianças de 1 a 3 anos:
100 mg, 2 vezes ao dia; crianças de 4 a 11 anos: 200 mg, 2 vezes
ao dia, 14 dias; em imunocompetentes a doença é geralmente
autolimitada e não precisa de tratamento especí co
Paromomicina: 1 g, VO, 2 vezes ao dia, ou 500 mg 4 vezes ao dia,
durante 14 dias, lembrando que este medicamento não está
comercializado no Brasil
Isosporíase Trimetoprim + sulfametoxazol: é o tratamento mais sugerido,
(cistoisosporiase) 160/800 mg, 2 a 4 vezes ao dia, durante 10 dias. Na Aids, segue-
se o tratamento supressivo, com 1 a 2 comprimidos de 800/160
mg ao dia do TMP + SMZ, todos os dias, ou 3 vezes por semana,
semelhante à pro laxia secundária da pneumocistose, até a
recuperação imune com os antirretrovirais. Tratamento de
suporte. Cipro oxacino 500 mg, 2 vezes ao dia, por 10 dias, pode
ser alternativa para a alergia aos sulfamídicos
Microsporidioses Na Aids, o principal é a TARV, com a recuperação imune. O
Albendazol 400 mg, VO, 2 vezes ao dia, por um período mínimo
de 3 a 4 semanas, é razoável contra E. intestinalis spp. Para E.
bieneusi a fumagilina, 20 mg, 3 vezes ao dia, durante 14 dias.
Outros medicamentos têm deixado a desejar
Ciclosporíase Trimetoprim + sulfametoxazol: 800/160 mg, VO, 2 vezes ao dia,
por 7 a 10 dias; este tempo pode ser mais prolongado em
pacientes com Aids. Na Aids, após a primeiro curso, pode ser feito
o tratamento supressivo com SMZ + TMP, VO, 800/160 mg, 3
vezes por semana, por tempo não bem de nido. Cipro oxacino,
500 mg 2 vezes ao dia, durante 7 dias é uma alternativa para os
alérgicos à sulfa. Como outra alternativa cita-se a nitazoxanida,
500 mg, 2 vezes ao dia, durante 7 dias
Balantidíase Em princípio deve ser tratada. Tetraciclina: 30 a 50 mg/kg por dia,
dose máxima diária de 2 g, VO, fracionada de 6 em 6 horas
durante 10 dias. A segunda alternativa é o metronidazol, 750 mg,
VO, a cada 8 horas, durante 5 a 7 dias
Blastocistose Nos casos em que há sintomatologia deve ser tratada, em geral
em imunodeprimidos. Metronidazol: 500 a 750 mg, VO, 3 vezes ao
dia, durante 10 dias; como alternativas pode usar-se SMZ + TMP,
160/800 mg, 2 vezes ao dia, por 7 dias ou nitazoxanida, 500 mg, 2
vezes ao dia, por 3 dias
Dientamebíase Metronidazol: 500 a 750 mg, VO, 3 vezes ao dia, durante 10 dias.
Outra opção é a tetraciclina, 2 g ao dia, VO, dividida de 6 em 6
horas, 10 dias. São citados ainda o secnidazol 2 g, tinidazol 2 g e
ornidazol 2 g todos em dose única com resultados no mínimo
semelhantes ao metronidazol. Embora não existam no Brasil são
boas alternativas a paromomicina, 500 mg, VO, 3 vezes ao dia,
durante 7 dias e o iodoquinol, 650 mg, 3 vezes ao dia, por 20 dias
ENTEROPROTOZOÁRIOS SAPRÓFITAS OU COMENSAIS
Diversas outras espécies de protozoários, como Entamoeba coli, Endolimax nana, Iodamoeba
butschlii, Chilomastix mesnilli e Trichomonas hominis aparecem comumente quando se realizam
exames parasitológicos de fezes e por vezes criam dúvidas. Eles não precisam de terapêutica, em função de serem comensais e nunca se ter demonstrado patogenicidade. Esses protozoários
costumam aparecer em exames feitos por técnicos mais cuidadosos e com bom conhecimento
parasitológico e podem estar indicando que o exame está sendo bem executado, pois em
laboratórios de rotina de qualidade discutível eles raramente aparecem nos resultados. Além
disso, costumam estar associados a outras parasitoses intestinais, podendo ser uma pista para
presença de outros agentes.
ASCARIDÍASE
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
É a helmintose mais encontrada no Brasil e na maioria dos países; estima-se que acometa cerca de
1/4 da população mundial. É mais frequente em crianças e em locais sem saneamento básico,
associada a baixas condições sociais e econômicas, como a maioria das áreas rurais dos países
pobres. A infecção se faz habitualmente pela ingestão de ovos do geo-helminto contaminando
água ou alimentos. Estima-se que cada fêmea elimina em torno de 200 mil ovos por dia, que vão
contaminar o solo das áreas sem saneamento. São resistentes permanecendo viáveis por meses
ou anos no solo, particularmente em clima quente, úmido e em terreno arenoso. São resistentes à
cloração da água, embora destruídos pela fervura e pela ltração. A manipulação de alimentos
com as mãos sujas de terra contaminadas pelos ovos também é uma forma de aquisição comum.
Raramente é transmitida por inalação e deglutição de poeira contendo os ovos e por via
placentária.
A maioria das infecções é assintomática. A sintomatologia costuma ocorrer principalmente
nas infecções mais pesadas. As manifestações respiratórias ocorrem na fase aguda e são devidas à
passagem das larvas pelos pulmões; tosse, quadro gripal, síndrome de Loeffler, in ltrados
pulmonares, quadro asmatiforme, são as mais descritas. São consideradas raras nos pacientes que
vivem em áreas endêmicas; eosino lia intensa, in ltrados pulmonares e presença de larvas e
eosinó los no escarro são esperados nestes casos.
As queixas gastrointestinais são habitualmente discretas: cólicas abdominais, diarreia
inespecí ca, hiporexia, náuseas e vômitos são as mais citadas. São descritos episódios de
eliminação do helminto pela boca, nariz, ânus, canal lacrimal, atribuídas a febre elevada, certos alimentos e uso de alguns anti-helmínticos. Podem causar deiscência de suturas em cirurgias
gastrointestinais, levando à peritonite, devendo-se tratá-lo antes das cirurgias.
A migração para as vias biliares pode acompanhar-se de dor abdominal, colecistite, colangite,
icterícia obstrutiva e menos comumente abscessos do fígado; podem obstruir o canal de Wirsung
levando à pancreatite aguda.
Oclusão ou suboclusão intestinal por bolo de áscaris é referida com frequência, mormente em
crianças entre 1 e 5 anos. Localiza-se mais comumente na região ileocecal. Dor abdominal,
distensão, vômitos, presença de massa palpável são as alterações mais descritas. Se não resolvida
pode complicar-se com necrose da parede intestinal no local e peritonite, intussuscepção ou
vôlvulo. Pode haver história de vômitos com eliminação de áscaris, sugerindo a hipótese.
DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR
O diagnóstico é feito preferencialmente com o exame de fezes pelos métodos de Lutz
(sedimentação para ovos inférteis) ou de Faust ( utuação para ovos férteis). Nos raros casos da
fase aguda o exame de fezes positiva-se em média após 40 dias da ingestão dos ovos. Alguns
pacientes relatam episódio de eliminação de vermes adultos, geralmente junto com as fezes.
Eosino lia discreta entre 5% e 12% comumente é encontrada na fase crônica da helmintose;
eosino a moderada a intensa (até 30% a 50%) pode sugerir a fase aguda da ascaridíase, entre
outras hipóteses. A rotina de abdômen agudo pode evidenciar os vermes contrastados com o ar
ou demonstrar a oclusão intestinal; o bário também contrasta os vermes. A ultrassonogra a é
bastante útil na ascaridíase das vias biliares e pancreática, assim como a colangiorressonância. A
colangiogra a endoscópica não só faz o diagnóstico como também pode permitir a retirada do
parasita. A tomogra a computadorizada e a ressonância magnética do abdômen também são
utilizadas para diagnosticar a oclusão intestinal e as suas complicações, bem como no diagnóstico
da oclusão das vias biliares e suas complicações.
TRATAMENTO
Se a ascaridíase for a única parasitose presente, dá-se preferência ao levamisol, incluindo as
crianças menores do que 2 anos. É comum que o áscaris esteja associado a outras parasitoses que
ocorrem no mesmo contexto epidemiológico; neste caso, o albendazol em dose única ou o mebendazol, no esquema tradicional de 3 dias, são as melhores alternativas por serem de largo
espectro. Em infecções mais intensas alguns autores sugerem a repetição empírica do tratamento
7 a 10 dias depois. Nos casos em que há falhas terapêuticas com os esquemas citados, sempre há
uma redução acentuada da carga parasitária e a morbidade diminui mesmo quando não há a cura
parasitológica.
O mebendazol é um composto benzimidazólico, com ação anti-helmíntica de largo espectro,
englobando A. lumbricoides, A. duodenale, N. americanus, T. trichiura, E. vermicularis, T. solium, T.
saginata, além de outras. Sua tolerância é ótima, raramente causando náuseas, desconforto
abdominal, tonteiras e cefaleia. Toxicidade signi cativa só foi referida em doses elevadas
acidentalmente ingeridas, muito acima da recomendada em terapêutica. O mebendazol deve ser
evitado durante a gravidez por ter mostrado ação teratogênica e embriotóxica em animais de
laboratório. Essa restrição vem sendo revista, pois não se têm encontrado manifestações
importantes em grávidas humanas.
O mebendazol é usado na dose de 100 mg, 2 vezes ao dia, VO, durante 3 dias, tanto para
adultos como para crianças maiores que 2 anos. Estudos comparativos mostraram que o
mebendazol em dose única de 500 mg, VO, tem resultados semelhantes ao esquema tradicional
de 3 dias, com a mesma tolerância, entretanto, o esquema de 3 dias ainda é o mais utilizado. Os
índices de cura relatados oscilam entre 70% e 90% dos casos.
O albendazol também é um composto benzimidazólico. Seu espectro de ação é parecido com
o do mebendazol, incluindo o S. stercoralis, a G. lamblia, H. nana, a cisticercose e a hidatidose. A
sua tolerância é excelente, como a do mebendazol; as restrições do seu uso em crianças com
menos de 2 anos e em grávidas são idênticas às do mebendazol. Sua atuação não é modi cada
pelas refeições. O albendazol é prescrito em dose única de 400 mg, VO. Os seus índices de cura, na
maioria dos trabalhos, situam-se entre 90% e 95%.
O tetramisol e o seu isômero levogiro, o levamisol, são compostos fenilimidazólicos. Têm ação
basicamente no A. lumbricoides e algumas poucas helmintoses de pouca importância para nós.
Sua tolerância é também muito boa nas doses utilizadas para a ascaridíase; náuseas, vômitos,
tonteiras, cefaleia e insônia são os efeitos adversos mais relatados. Embora não sejam citados
efeitos teratogênicos, o seu uso é contraindicado nas grávidas pela maioria dos trabalhos; a
tendência é a de contraindicá-los basicamente no primeiro trimestre. Sua dose para o adulto e crianças maiores do que 7 anos é de 150 mg, VO, única; para crianças entre 1 e 7 anos, dose única
de 80 mg; em menores do que 1 ano a monodose utilizada é de 40 mg. O tetramisol pode ser
usado de forma igual à do levamisol. Os índices de cura com o levamisol estão entre 90% e 95%,
sendo um pouco superiores aos do tetramisol, além da sua tolerância ser considerada também um
pouco melhor.
O pamoato de pirantel é um derivado pirimidínico. Seu espectro compreende o A.
lumbricoides , o A. duodenale, o N. americanus e o E. vermicularis. Nas doses usadas em terapêutica
é bem tolerado, causando ocasionalmente diarreia, náuseas, vômitos e hiporexia. Sua segurança
de uso na gravidez ainda não foi de nitivamente estabelecida, contudo a restrição mais radical é
no primeiro trimestre. É usado em dose única de 10 a 20 mg por kg, VO, em qualquer horário.
Alguns autores xam a sua dose máxima em 1 g. Seus índices de cura estão em torno de 90%.
Não se encontra no comércio do Brasil na atualidade.
A piperazina ou dietilenodiamina é um anti-helmíntico bastante ativo contra A. lumbricoides e
E. vermicularis. Durante muito tempo foi o medicamento mais usado contra o áscaris, até o
surgimento dos ascaricidas mais modernos, de posologia mais simples. Sua tolerância é boa e os
efeitos adversos eventuais são queixas digestivas leves. Em doses elevadas e na insu ciência renal
pode surgir insônia, cefaleia, ataxia, distúrbios visuais que costumam regredir com a sua
suspensão. Os pacientes com epilepsia parecem ter mais sensibilidade aos efeitos neurotóxicos da
piperazina. Seu uso em gestantes é considerado seguro. É utilizada sob a forma de vários sais:
citrato, adipato, fosfato e hexa-hidrato. O seu esquema para tratar a ascaridíase não complicada é
50 a 100 mg por kg por dia, dose máxima de 4 g, VO, dose única diária, por 2 a 4 dias. Na
atualidade ela só é utilizada na suboclusão ou oclusão por áscaris, em esquema terapêutico que
será revisto mais adiante. Os seus índices de cura no áscaris variam de 70% a 100%.
A nitazoxanida pertence ao grupo dos nitrotiazois, similar aos imidazois. Bem absorvida por
via oral, metabolizada no fígado, a tizoxanida é o principal metabolito ativo e é eliminada pela
urina e pela bile. Tem um espectro amplo, com bom potencial clínico de atuação na giardíase,
criptosporidíase, amebíase, teníases, himenolepíase, ancilostomídeos, triquiuríase, enterobíase e
ascaridíase; parece atuar em rotavírus; estuda-se a atuação nas hepatites B e C, além de ação no
Clostridium difficile e no H. pylori. É um medicamento bem tolerado. Os efeitos adversos mais
citados são dor abdominal, náuseas, diarreia e cefaleia. Raramente o medicamento tem que ser parado. A nitazoxanida constitui-se em mais uma alternativa no tratamento da ascaridíase, com
bons resultados em vários trabalhos. Seu custo é maior que o do albendazol e do mebendazol. O
esquema é o mesmo já descrito na giardíase.
Na oclusão ou suboclusão intestinal por áscaris, o tratamento deve ser inicialmente clínico,
pois na maioria das vezes há reversão do quadro, embora seja o ideal a participação de um
cirurgião desde o início no caso. Sabe-se que a oclusão parcial é mais comum que a completa. As
principais medidas iniciais após o diagnóstico são: a dieta zero, até a resolução do processo; sonda
nasogástrica para aliviar a distensão abdominal, com aspiração contínua ou intermitente, porém
deve ser fechada pelo menos 1 hora, após a administração de medicamentos; uso de analgésicos
e antiespasmódicos quando for necessário; hidratação parenteral para a reposição e controle
hidroeletrolítico e do equilíbrio acidobásico. Deve ser iniciado um óleo mineral que funcionará
como laxativo leve e lubri cante e ajudará a eliminar os vermes. Em geral é feito o nujol®, na dose
de 15 mL a 30 mL, iniciado antes do ascaricida segundo alguns ou depois do ascaricida segundo
outros, com doses repetidas a cada 2 ou 4 horas, conforme o caso, até a resolução do processo
agudo. A piperazina é o ascaricida preferido para esta complicação em função dele causar
paralisia ácida e gradual dos vermes e pelo fato de ser disponível sob a forma de xarope e poder
ser administrado pela sonda nasogástrica. Há relatos da precipitação de oclusão completa pelo
uso de ascaricidas, principalmente com os que produzem paralisia espástica; os vermes cam
menos exíveis, assumindo comumente a forma de U e com o a uxo de inúmeros helmintos
mortos, trazidos pelo peristaltismo, acabam fechando completamente a região onde há a
suboclusão. A dose inicial da piperazina varia na literatura de 100 mg a 150 mg por kg,
considerando a dose máxima diária de 4 g. Devem ser feitas doses complementares de 50 mg a
100 mg por kg por dia, fracionada a cada 12 horas, sempre obedecendo ao limite máximo de 4 g
por dia, durante 4 a 5 dias, para a erradicação da parasitose, após a desobstrução. A maioria dos
pacientes responde bem a essas medidas em 24 a 30 horas. Uma parte pequena dos casos não se
resolve neste prazo e nestas circunstâncias deve-se considerar a possibilidade de novas
complicações superajuntadas. Isso é mais provável quando a massa de vermes não progride, os
pacientes tornam-se febris, toxêmicos, com agravamento do estado geral, da acidose e dos
distúrbios hidroeletrolíticos, da função renal e do hemograma. Devem avaliar-se o aparecimento
de sinais de peritonite e outras complicações, como a intussuscepção intestinal, geralmente ileocólica, perfuração com peritonite, apendicite desencadeada pelos áscaris, vôlvulo, sepse
abdominal e mais raramente sangramento. Antes de se indicar a cirurgia pode ser tentada a
desobstrução por via endoscópica. Se esta falhar, realiza-se a laparotomia, visualizam-se as
condições das alças intestinais acometidas e sempre que possível tenta-se a desobstrução pelo
processo da “ordenha”, sem enterotomia; caso não se consiga deve-se então fazer a retirada da
massa de vermes por enterotomia e, em casos mais graves, com complicações locais, a ressecção
do trecho acometido.
Na oclusão de vias biliares por áscaris o tratamento preferencial deve ser endoscópico, pelo
menos inicialmente, cando a cirurgia para um segundo momento, caso seja necessária. Nesses
casos, principalmente enquanto durar a obstrução, são comuns as infecções bacterianas
associadas, devendo-se utilizar a antibioticoterapia adequada para infecção de vias biliares.
Pancreatite, mais rara, também pode ocorrer geralmente secundária à obstrução do canal
comum. Os medicamentos mais citados no seu tratamento são: mebendazol, albendazol,
tetramisol, levamisol, pamoato de pirantel, piperazina, ivermectina e nitazoxanida.
ANCILOSTOMOSE E NECATOROSE
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
A infecção por ancilostomídeos é comum no Brasil, vindo logo abaixo da ascaridíase e da
triquiuríase. Para haver a transmissão da parasitose é necessária a contaminação do solo por fezes
humanas contendo ovos do geo-helminto. Os ovos, ao encontrar condições favoráveis de
sobrevivência e evolução, liberam as larvas que após um período de maturação de alguns dias
tornam-se infectantes. Solos arenosos, sem umidade excessiva ou muito diminuída, temperatura
entre 20ºC e 30ºC, altitude menor que 150 m, são as características ambientais mais citadas
facilitadoras da transmissão e sobrevivência das larvas infectantes. A transmissão habitual se faz
pela penetração das larvas no estágio 3 na pele do indivíduo suscetível. O hábito ou a necessidade
de andar descalço facilita o contato com larvas; em algumas pro ssões o risco é maior como nos
lavradores, mineração, tropas militares, trabalhadores de construção civil. Embora muito
raramente, admite-se a transmissão transplacentária e pelo colostro durante a amamentação. A
infecção pela ingestão de larvas no estágio L3, juntamente com alimentos ou água, é admitida como uma forma incomum de transmissão, embora nesses casos não haja passagem das larvas
pelos pulmões e elas se estabelecem diretamente no intestino delgado.
A fase inicial da doença em geral passa desapercebida. Prurido no local de penetração das larvas
na pele é citado por alguns autores, podendo-se encontrar no local eritema ou rash
maculopapular mais disseminado; manifestações respiratórias também são descritas, tais como
tosse, quadro gripal ou asmatiforme, focos de pneumonite ou síndrome de Loeffler; são menos
comuns que na ascaridíase; nesta etapa pode-se encontrar eosino lia marcante, que em seguida
vai diminuindo até atingir os níveis leves da fase crônica. A maioria dos enfermos na fase crônica
não apresenta sintomas signi cativos, pois a carga parasitária não costuma ser intensa. Como
resultado da sua instalação de nitiva no intestino, as queixas mais referidas são dores abdominais
vagas, cólicas, náuseas, eventualmente diarreia discreta e hiporexia. Nas infecções mais intensas,
principalmente se associadas à carência alimentar, pode haver a instalação progressiva de uma
anemia essencialmente ferropênica. O quadro clínico resultante é o de uma anemia crônica, na
qual o paciente vai se adaptando até se atingir níveis críticos quando podem surgir quadros mais
graves, com toda a síndrome anêmica instalada. A geofagia é comum, embora ocorra em outras
anemias ferropênicas. Casos de anemia extrema na atualidade são menos comuns que no
passado, como re exo de alguma melhoria social e da disponibilidade de antihelmínticos
potentes e de baixo custo. Esses enfermos costumam apresentar carências múltiplas, mormente
de proteínas, vitamina B12 e ácido fólico, fatos que também contribuem para a gênese da
anemia.
ANCILOSTOMOSE E NECATOROSE
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O diagnóstico é feito com o exame de fezes, preferencialmente usando métodos qualitativos de
utuação como os de Faust ou Willis. A visualização dos ovos não permite a diferenciação entre A.
duodenale e N. americanus. Nas infecções comuns, em função da baixa carga parasitária,
recomenda-se a repetição de até 3 exames para melhorar a sensibilidade. Nas infecções mais
graves a positividade costuma ocorrer logo no primeiro exame; nestes casos outros métodos,
como o de Lutz e o exame direto, costumam ser positivos. Os métodos quantitativos de Stoll e Kato-Katz podem ser utilizados; as infecções leves e as moderadas costumam produzir contagens
abaixo de 4 mil ovos por grama de fezes segundo alguns estudos e abaixo de 10 mil ovos por
grama de fezes, segundo outros. Outros exames não são disponíveis para a prática clínica,
somente para pesquisas. As alterações no hemograma foram comentadas na parte inicial deste
capítulo.
TRATAMENTO
O mebendazol, o albendazol e o pamoato de pirantel são as 3 drogas mais citadas na atualidade
para a terapêutica dos doentes com ovos de ancilostomídeos. O albendazol é o mais prescrito, em
dose única como na ascaridíase, curando entre 70% e 90%. A repetição da dose 7 a 10 dias após o
primeiro tratamento é indicada por alguns autores. A utilização do albendazol na mesma dose
diária durante 3 dias, aumenta a e cácia do fármaco, passando a erradicar os helmintos entre
90% e 100% dos casos, com tolerância semelhante à da monodose.
O mebendazol também é utilizado da mesma forma que na ascaridíase. Sua e ciência situa-
se entre 60% e 90%.
O pamoato de pirantel é utilizado na dosagem de 10 mg a 20 mg por kg por dia, VO, uma
única tomada diária, com dose máxima diária de 1 g, durante 3 dias. Com esse esquema os efeitos
adversos aumentam um pouco em relação ao usado no áscaris, bem como o custo. Os índices de
cura situam-se entre 50% e 80%; atualmente é difícil de encontrar este fármaco no Brasil.
O tratamento da anemia ancilostomótica, além da erradicação da parasitose, deve incluir,
idealmente, a correção dos dé cits nutricionais de proteínas, calorias e de microelementos,
sistematicamente associados, e principalmente a reposição do ferro. O tratamento deve ser feito
com sais ferrosos, como o sulfato ferroso, além da dieta rica em ferro. A dose recomendada em
ferro elementar é de 3 mg por kg por dia, VO, dividida em 3 tomadas diárias, de preferência fora
das refeições. Após a correção da anemia, o ferro deve ser mantido por 3 a 4 meses a m de
restabelecer as suas reservas; as doses de manutenção podem ser um pouco menores. A
terapêutica com os sais ferrosos pode causar diarreia e dor epigástrica. Recomenda-se que seja
iniciada a reposição junto das refeições e em doses menores; progressivamente vai-se deslocando
a administração do ferro para o intervalo das refeições, ao mesmo tempo em que se aumentam as
doses até atingir a quantidade planejada, de acordo com a tolerância do paciente.
ENTEROBÍASE OU OXIURÍASE
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
No mundo inteiro a parasitose é subestimada, em função de necessitar do método da ta gomada
para o seu diagnóstico e não aparecer nos exames de fezes comuns. A infecção é mais encontrada
em crianças entre 5 e 10 anos, mas acomete todas as idades. São comuns infecções em outros
membros da família. A fêmea vive no intestino grosso e migra para a região perianal para fazer a
postura dos ovos; contamina, dessa forma, o local, as roupas íntimas, os lençóis e os objetos. O
hábito de brincar no solo também é fator que favorece a infecção. O prurido anal ou vaginal
provoca a contaminação das mãos e a autoinfecção é considerada muito comum na parasitose.
A maioria das pessoas desenvolve infecções assintomáticas. As manifestações mais citadas são
náuseas, dores abdominais vagas e diarreia inespecí ca. A migração da fêmea para a região
perianal pode causar prurido anal ou vaginal, considerado o achado mais esperado na helmintose;
no local pode haver irritação da pele, lesões mecânicas do ato de coçar, infecções secundárias e
alterações semelhantes ao eczema. Prurido vulvar e corrimento podem ser encontrados.
Raramente se descrevem manifestações ectópicas da parasitose, principalmente levando a várias
síndromes ginecológicas. Discute-se se o helminto pode estar relacionado a alguns casos de
apendicite.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Como a fêmea não faz a postura de ovos no intestino, o seu encontro nos exames habituais não é
esperado. O método da ta gomada ou de Graham é o mais citado na literatura; recomenda-se
que a pesquisa seja feita pela manhã, ao acordar, antes da higiene matinal. Estima-se que nas
infecções mais leves a repetição do exame chega a diagnosticar quase 100% dos casos; nas
infecções mais intensas, sintomáticas, costuma aparecer no primeiro exame. Outros métodos com
resultados parecidos utilizam o papel celofane ou o swab perianal. O verme adulto pode ser
identi cado pois mede cerca de 1 cm e pode ser encontrado nas roupas íntimas do paciente.
TRATAMENTO
As principais alternativas terapêuticas da enterobíase são albendazol, mebendazol, pamoato de
pirvínio e pamoato de pirantel e nitazoxanida. O albendazol em dose única de 400 mg, em 27
trabalhos tratando 903 enfermos, proporcionou um índice médio de 97,8% de cura.
O mebendazol é usado no esquema tradicional de 3 dias e também na dose única de 100 mg.
A experiência com o esquema de 3 dias é maior e cura de 90% a 100% dos tratados. Muitos
autores recomendam repetir o tratamento após 2 a 4 semanas.
O pamoato de pirantel é usado nas mesmas doses da ascaridíase, com e ciência em torno de
95%, entretanto, não se encontra mais no comércio do Brasil. O pamoato de pirvínio é um corante
derivado das cianinas. Tem alguma atividade contra o S. stercoralis e principalmente contra o E.
vermicularis. É usado em dose única de 10 mg por kg, VO. É bem tolerado e o efeito colateral mais
importante é o de corar as fezes de vermelho, fato que deve ser avisado aos pacientes para que
não seja confundido com sangramento digestivo. Eventuais queixas de diarreia e dores
abdominais de leve intensidade são referidas. Sua e cácia tem sido entre 90% e 100%. A
nitazoxanida, no mesmo esquema da giardíase, também é citada como alternativa, com índices
de cura elevados, necessitando, entretanto, de mais trabalhos.
TRIQUIURÍASE
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
A triquiuríase é a helmintose mais comum no mundo depois da ascaridíase, estando comumente
juntas. A epidemiologia é semelhante à da ascaridíase, ocorrendo principalmente em áreas de
baixo padrão socioeconômico, sem saneamento básico e baixo nível educacional. Para haver a
transmissão é necessário que haja a contaminação do solo por fezes com ovos do parasita, que
após um período de cerca de 30 dias torna-se infectante. Os ovos são eliminados em grande
quantidade nas fezes e podem sobreviver durante anos em condições favoráveis no solo. A
transmissão se faz pela contaminação de água, alimentos ou diretamente pelas mãos
contaminadas pelos ovos; cita-se ainda como mecanismo de transmissão a ingestão de poeira
contendo ovos.
A maioria das infecções é de pequena intensidade (menos de 10 vermes) e assintomáticas. Os
doentes com infecções mais pesadas, mormente associadas a outras parasitoses e carência alimentar, costumam ter sintomas. Os mais citados são hiporexia, adinamia, sonolência; os
vermes adultos se localizam no cólon e sigmoide e queixas digestivas como dores abdominais
vagas, meteorismo, diarreia são bastante referidas; nas infecções maciças a diarreia pode ser mais
intensa, disenteriforme, com sangue e muco; nesses casos, anemia importante pode ser
encontrada, ferropênica; prolapso retal pode ocorrer nos casos graves. Casos de óbito são
raramente descritos.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O diagnóstico é preferencialmente realizado com exame de fezes qualitativo, pelo método de Lutz
ou sedimentação, pois são ovos pesados. O Kato-Katz pode fazer o diagnóstico e dar uma ideia
quantitativa da gravidade; admite-se que os casos graves em geral dão contagens maiores que 10
mil ovos por grama de fezes. Nas infecções intensas outros métodos podem ser positivos,
incluindo o exame direto. O hemograma pode mostrar anemia ferropênica e leve eosino lia.
Eventualmente os helmintos podem ser visualizados em procedimentos endoscópicos, bem como
nos casos de prolapso retal.
TRATAMENTO
Os fármacos mais importantes para o tratamento da triquiuríase são o albendazol, o mebendazol
e a nitazoxanida. O albendazol é usado geralmente em dose única de 400 mg. Os resultados
costumam ser inferiores aos obtidos na ascaridíase e na ancilostomose. Os índices de cura
relatados têm variado em uma ampla faixa, de 40% a 90% dos casos. A repetição desse
tratamento 7 a 10 dias depois aparece citada por vários autores, melhorando os índices. Existem
vários estudos mostrando que o aumento do esquema do albendazol para 3 dias, na mesma dose,
melhora signi cativamente a sua e ciência. O mebendazol, no seu esquema habitual de 3 dias,
como na ascaridíase, produz resultados entre 60% e 90% de cura.
Algumas referências citam a nitazoxanida, no seu esquema habitual de 3 dias visto na
giardíase, com bons índices de cura, entretanto, considera-se que as referências ainda são
limitadas, embora pareçam ser boa alternativa. A ivermectina também aparece em algumas
referências, porém com índices inferiores aos do albendazol.
ESTRONGILOIDÍASE
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Doença cosmopolita, embora predomine nas regiões tropicais e subtropicais, em temperaturas
médias de 20ºC e umidade relativa do ar média de 60%. A fonte de infecção é representada pelo
indivíduo infectado e que elimina larvas rabditoides nas fezes. No solo, essas larvas podem
transformar-se em larioides, infectantes para o homem ou sofrer diferenciação sexual e
estabelecer um ciclo de vida livre, no qual se formam também larvas larioides infectantes. A
transmissão habitual se faz pelo contato da pele com as larvas no solo. O hábito ou a necessidade
de andar descalço facilita a transmissão. A ingestão de larvas larioides com a água ou alimentos
pode ser infectante; nesses casos não há passagem de larvas pelos pulmões. Embora rara, já se
comprovou a transmissão transplacentária ou pelo colostro. A estrongiloidíase pode produzir
autoexoinfecção, na qual as larvas, ao serem eliminadas nas fezes, podem tornar-se infectantes e
penetrar na pele do mesmo indivíduo; esse parasita pode causar ainda autoendoinfecção, na qual
as larvas liberadas do ovo penetram na mucosa intestinal, mantendo a infecção por muito tempo
ou aumentando em número e produzindo as formas mais graves.
A maioria das infecções ocorre em imunocompetentes, é de baixa intensidade e
assintomática. Nos casos sintomáticos, as manifestações seguem o rastro das larvas que penetram
pela pele, chegando aos pulmões, duodeno e jejuno, onde transformam-se em fêmeas
partenogenéticas.
Em geral, os locais de penetração das larvas passam desapercebidos, a não ser em alguns
poucos pacientes, nos quais eritema, prurido, lesões urticariformes ou rash maculopapular podem
ocorrer. Eventualmente, na fase crônica, encontram-se lesões serpiginosas na pele, pruriginosas,
fugazes, por vezes purpúricas, denominadas “larva currens”, que correspondem, provavelmente, à
migração errática de larvas no subcutâneo, que se move alguns centímetros por hora e resultam
de autoendoinfecção; essas lesões são consideradas muito sugestivas da estrongiloidíase.
Nos pulmões a passagem das larvas na fase inicial da doença podem acompanhar-se de tosse,
dor de garganta, quadro gripal, síndrome asmatiforme, síndrome de Loeffler ou in ltrados
pneumônicos mais duradouros; em geral ocorre nessa etapa eosino lia signi cativa, no sangue e no escarro, além do possível encontro de larvas no escarro; na autoendoinfecção, na síndrome de
hiperinfecção, a frequente passagem de larvas pelos pulmões faz com que essas manifestações
sejam mais persistentes.
O de nitivo estabelecimento do helminto no intestino delgado acompanha-se de enterite
catarral, duodenite, nos casos mais intensos de enterite edematosa e nos casos mais graves e
avançados de enterite ulcerada. As queixas mais comuns são dor abdominal e diarreia.
Comumente a dor é na região epigástrica, inespecí ca ou podendo imitar a úlcera duodenal, a dor
de origem biliar ou pancreática em alguns casos; náuseas e vômitos também são comuns. A
diarreia é inespecí ca ou pode ter características de diarreia alta; em casos mais graves evolui com
síndrome disabsortiva e todas as suas manifestações. Mais raramente, nos casos graves, descreve-
se o aparecimento de icterícia obstrutiva, por edema do esfíncter de Oddi e sangramento
digestivo por formação de ulcerações. São encontradas também em casos graves quadros de íleo
paralítico, possivelmente por distúrbios hidroeletrolíticos ou lesões neuronais, pseudo-obstrução
intestinal e suboclusão intestinal de instalação subaguda.
A síndrome de hiperinfecção da estrongiloidíase tem como evento básico a autoendoinfecção
e aumento progressivo da carga parasitária; nessa síndrome encontra-se uma exacerbação clínica
das manifestações já referidas no trajeto habitual das larvas, mormente nos pulmões e no sistema
gastrointestinal. Na estrongiloidíase disseminada, resultante do mesmo processo, as larvas
migram para todo o organismo, com manifestações extradigestivas e extrapulmonares
associadas, incluindo derrame pleural, meningite, lesões cutâneas, articulares e sepse
habitualmente por enterobactérias, que parecem invadir por translocação bacteriana no tubo
digestivo, carreadas pelas larvas ou a partir da infecção secundária nas lesões da enterite
ulcerada. Essas duas formas têm em comum o fato de instalar-se em pacientes imunodeprimidos,
mormente da imunidade celular e em menor escala da imunidade humoral ou ambas. Considera-
se o uso de corticoides em doses imunossupressoras o grande fator favorecedor, em função de
causar eosinopenia, diminuir a imunidade celular induzindo à morte celular dos linfócitos T
imaturos, além de provavelmente estimular a fêmea diretamente a produzir mais ovos e provocar
a maturação rápida das larvas rabditoides; outras condições citadas são insu ciência renal crônica,
diabetes, neoplasias malignas sólidas ou hematológicas, Aids, infecção pelo vírus linfotrópico
humano do tipo 1 (HTLV1), pacientes pós-transplantes, uso de imunossupressores, alcoolismo pesado, desnutrição grave, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), idade avançada,
hipogamaglobulinemia associada à mieloma múltiplo ou síndrome nefrótica. A letalidade dessa
forma é elevada, principalmente quando o diagnóstico é tardio. Cerca de 10% dos enfermos não
apresentam fatores de risco aparentes; esses casos talvez resultem de um inóculo maciço da
parasitose.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O exame de fezes pelo método de Baerman-Moraes é considerado o de escolha. Nas formas
habituais e casos assintomáticos a sensibilidade é baixa; a repetição de até três exames melhora o
diagnóstico (75% a 90%). Na hiperinfecção costuma aparecer no primeiro exame, em função da
elevada carga parasitária. As larvas podem ser visualizadas em outros métodos de exame
parasitológico, porém com resultados inferiores. Nos casos graves ou aqueles com manifestações
respiratórias exuberantes as larvas podem ser pesquisadas no escarro, no líquido duodenal, em
material de biópsia, mormente duodenal, e em outros líquidos orgânicos na forma disseminada.
Existem várias reações sorológicas para a doença, através de imuno uorescência indireta, inibição
da aglutinação e o ELISA. As reações sorológicas podem dar resultados falso-positivos, dando
reação cruzada com outros nematódios e lárias; mais recentemente, o ELISA foi aperfeiçoado e
os modernos têm sensibilidade e especi cidade mais altas; esse exame, em nosso meio, é pouco
disponível. Tem-se referido bons resultados com o PCR nas fezes, entretanto, o exame não é
disponível na prática clínica.
Os métodos de imagem podem detectar os in ltrados pulmonares da síndrome de Loeffler ou
pneumonia por larvas; a endoscopia digestiva alta pode detectar aspecto sugestivo,
principalmente identi car o helminto em biópsias e edema de mucosa em casos de síndrome
disabsortiva, além de permitir a coleta de material intestinal para pesquisa de larvas. A eosino lia
pode ser intensa na fase inicial e mais moderada na fase crônica; na forma disseminada por vezes
a eosino lia pode faltar, possivelmente como expressão da queda imunitária contra o helminto.
TRATAMENTO
Os fármacos habitualmente citados para o tratamento da estrongiloidíase são cambendazol,
tiabendazol, albendazol e ivermectina.
O tiabendazol, assim como o cambendazol e o albendazol, são compostos benzimidazólicos.
Apesar de o tiabendazol possuir um espectro relativamente amplo, na atualidade ele só é usado
para a estrongiloidíase, pois para as outras indicações existem remédios mais ativos, baratos e
mais bem tolerados. O mecanismo de ação é semelhante em todo o grupo. Bem absorvido por via
oral e em cerca de uma hora já atingiu o pico máximo. Pode ser prescrito em dose única de 50 mg
por kg, VO, após o jantar, com dose máxima de 3 g. Um segundo esquema, bem mais usado, é 25
mg por kg por dose, VO, a cada 12 horas, com dose máxima diária de 3 g, durante 2 a 3 dias, após
as refeições. Um terceiro esquema usa a dosagem de 25 mg por kg por dia, 1 tomada diária,
durante 5 a 7 dias. Em quaisquer dessas alternativas o tratamento pode ser repetido 10 dias após.
Os índices de cura desses esquemas oscilam entre 90% e 95% dos casos, porém a intolerância
digestiva é maior com o de dose única. Na estrongiloidíase grave, com síndrome de hiperinfecção,
o tiabendazol pode ser usado na dose de 10 mg por kg de peso, por dia, VO, durante 30 dias; uma
alternativa para essa indicação é 25 mg por kg, VO, a cada 12 horas, dose máxima diária de 3 g,
por 7 a 21 dias. O tiabendazol causa efeitos adversos em 30% a 50% das pessoas. Eles são mais
intensos nas doses altas e quando a medicação é feita longe das refeições.
Os mais relatados são: náuseas, vômitos, hiporexia, cefaleia, tonteiras, distúrbios visuais,
diminuição da coordenação motora, zumbido e raramente reações alérgicas. Deve ser evitado nas
insu ciências hepática e renal. Não deve ser usado, como os demais benzimidazólicos, durante a
gestação, a não ser em casos extremos e mesmo assim depois do primeiro trimestre. A associação
com a teo lina aumenta a toxicidade das duas drogas.
O cambendazol tem ação considerada discreta contra os helmintos, porém é excelente contra
o S. stercoralis. Seu mecanismo é igual ao dos demais do seu grupo químico. É bem absorvido por
via oral, embora de forma incompleta; é metabolizado e eliminado por via urinária. O
cambendazol é utilizado na monodose de 5 mg por kg, VO, dose habitual para os adultos de 360
mg. A dose pode ser repetida após 10 dias. Os índices de cura dessa droga são semelhantes aos do
tiabendazol, entre 90% e 95%, porém a tolerância em dose única é muito melhor, em geral
manifestações digestivas leves.
Na síndrome de hiperinfecção a experiência acumulada é pequena com o cambendazol, que,
aliás, aparece pouco na literatura internacional, porém tem sido recomendado na mesma dose anteriormente citada, repetida a cada semana, por tempo indeterminado, até curar-se a
helmintose.
O albendazol é usado, na maioria das referências, na dosagem de 400 mg, VO, por dia, durante
3 a 7 dias. Os resultados citados têm variado muito, de acordo com o controle feito. Em uma
revisão de 19 trabalhos, Hotler encontrou uma média de cura com esse esquema de 62,7%.
A ivermectina é um antibiótico anti-helmíntico pertencente à classe das avermectinas. Seu
espectro de ação é muito amplo, incluindo muitos parasitas de animais. Age na oncocercose, W.
bancrofti, ascaridíase, triquiuríase, enterobíase, larva migrans cutis, pediculose humana,
escabiose, estrongiloidíase, entre outros. O mecanismo de ação mais aceito é a potencialização e
ativação direta dos canais de íons cloreto, sensíveis à ivermectina. Esses canais só existem nos
nervos e nas células musculares dos invertebrados, que uma vez potencializados, aumentam a
permeabilidade da membrana celular aos íons cloreto, levando à hiperpolarização dos nervos e
das células musculares, consequente paralisia e morte.
A ivermectina é usada na dose de 200 mg por kg por dia, VO, em monodose ou, segundo
alguns, a mesma dose diária durante 2 dias. O esquema pode ser repetido 10 dias após. Os índices
de cura em imunocompetentes giram em torno de 90% a 100% dos casos e a maioria dos autores
atualmente considera essa droga a de primeira escolha na estrongiloidíase, sendo usada também
como uma alternativa, sobretudo quando a resposta ao tiabendazol não ocorrer. A sua tolerância é
boa; náuseas, vômitos, sonolência, hiporexia e tonteiras são os efeitos adversos mais citados.
Pertence à classe C do FDA, devendo ser evitada na gravidez, pois não há segurança no uso,
principalmente no primeiro trimestre.
TENÍASES: TAENIA SOLIUM E TAENIA SAGINATA
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
A teníase é considerada endêmica em uma área pela OMS quando mais de 1% das pessoas têm
teníase, mais de 0,1% apresenta cisticercose e mais de 5% dos porcos e gado bovino têm
cisticercose. A maior parte do território brasileiro se enquadra nessas de nições. Prevalece onde
há baixos níveis socioeconômico e educacional, de cientes condições higiênicas e falta de
saneamento básico. Mais comum em áreas rurais onde existe convivência com criação de porcos e gado bovino. Ambas as tênias vivem no intestino humano, podem atingir alguns metros de
tamanho e possuem de mil a 2 mil proglotes, que são eliminados periodicamente junto com as
fezes (T. solium e T. saginata) ou fora das evacuações por movimento próprio (T. saginata); não há
abertura para saída dos ovos e os proglotes maduros são eliminados no exterior, rompem-se,
liberando até 200 mil ovos cada um, contaminando, dessa forma, o solo, caso não haja instalações
sanitárias adequadas. Os ovos podem resistir por vários meses e contaminar o porco ou o gado
bovino quando se alimentam em solo contaminado por proglotes eliminados nas fezes humanas.
Os animais, ao ingerir os ovos, apresentam cisticercose, principalmente em tecido muscular. Ao se
alimentar de carne mal cozida contendo cisticercos o homem pode infectar-se pela T. saginata
(gado bovino) ou pela T. solium (porco). A larva chega ao intestino e se transforma em tênia,
completando o ciclo.
Somente a T. solium causa cisticercose humana. O homem adquire a infecção ao ingerir
alimentos ou água contaminados por ovos do cestódio, que é o mecanismo considerado mais
comum. Pode haver autoinfecção externa, quando o paciente é infectado pela tênia e por maus
hábitos de higiene contamina os alimentos e os ingere com os ovos existentes em suas mãos.
Cerca de 25% dos enfermos com cisticercose têm história patológica de teníase; cerca de 15% dos
doentes com cisticercose têm concomitantemente a T. solium no momento do diagnóstico. Não é
incomum encontrar outros contactantes familiares com teníase, sendo de boa norma sempre
investigar essa possibilidade, demonstrando a importância desses mecanismos de aquisição, bem
como a da contaminação ambiental na epidemiologia da doença. Um terceiro mecanismo, muito
questionado, haveria com o tratamento liberação de ovos nos intestinos, resultantes da destruição
do parasita, que em casos de re uxo poderiam chegar ao duodeno e estômago e produzir
autoinfecção interna. Não há comprovação cientí ca dessa forma de aquisição de cisticercose.
A maioria dos enfermos é assintomática. Quando presentes as queixas são inespecí cas:
diarreia, náuseas, dor abdominal, cefaleia e tonteiras; por vezes é referido aumento do apetite
sem que o paciente ganhe peso; a queixa mais importante e diagnóstica é a eliminação dos
proglotes junto ou entre as evacuações, por vezes encontrados nas roupas íntimas. As
complicações, fora a cisticercose, são muito raras.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O exame parasitológico de fezes para identi car a Taenia spp tem baixa sensibilidade, pois o
cestódio não elimina ovos nas fezes, a não ser quando eventualmente uma proglote madura se
rompe no intestino. Nesses casos, o método de Lutz seria o mais indicado. Ocasionalmente pode
haver rompimento das proglotes na região perianal e nesses eventos o método da ta gomada ou
de Graham é o de primeira escolha. A sensibilidade também é baixa, embora melhor que o exame
de fezes. O método tradicional mais citado é o da tamisação das fezes, onde podem ser
caracterizados os proglotes; a T. saginata pode eliminar proglotes fora das evacuações. Como a
eliminação é intermitente, o paciente, devidamente orientado, deve selecionar as fezes suspeitas
para realizar o exame. O exame das proglotes, se estiverem em bom estado, permitem identi car
a espécie da tênia, visto que a T. solium em geral tem ovário com menos de 14 rami cações e a T.
saginata mais de 14. Quando o parasita é visualizado inteiro, após tratamento, é interessante
identi car o escólex, o qual se estiver presente caracteriza um ótimo critério de cura; além disso,
se o escólex tiver as 4 ventosas de xação e 2 leiras de ganchos identi ca a T. solium, pois a T.
saginata não possui os referidos ganchos. A pesquisa de coproantígenos de Taenia spp pela
técnica de ELISA é superior a todos os exames parasitológicos tradicionais somados; os trabalhos
mostram sensibilidade de 75% a 95% e especi cidade de 99%. É um método disponível em
muitos centros, rápido, pena que não identi que a espécie. Existe uma variante desse teste
usando tas cujo objetivo é o diagnóstico em condições de campo, ainda em estudo. O
diagnóstico utilizando PCR das fezes parece também boa alternativa, porém não disponível para o
diagnóstico clínico; o mesmo de algumas reações sorológicas, cuja aplicação maior parece ser na
cisticercose e não na teníase. Eosino lia discreta é citada por todos os autores.
TRATAMENTO
Os fármacos mais prescritos no tratamento dessas teníases são praziquantel, niclosamida (ou
clorossalicilamida), albendazol, mebendazol e a nitazoxanida.
O praziquantel, pertencente ao grupo químico das quinoleínas, é uma pirazino-isoquinoleína,
com um amplo espectro anti-helmíntico, destacando-se a sua atuação contra cestódios e
trematódios. Dentre eles as esquistossomoses, incluindo S. mansoni, T. solium, T saginata, H. nana,
Diphyllobothrium latum e larvas de cisticerco. É utilizado na dose única de 10 mg por kg, VO, por
quase todos os autores, embora alguns xem uma faixa de 5 mg a 10 mg por kg e uma dose máxima de 600 mg. Os índices de cura oscilam entre 90% e 100% para as duas teníases em foco.
Na cisticercose a maioria das séries publicadas indica a dose de 50 mg por kg por dia, divididas em
3 tomadas, durante 15 dias; esse esquema tem uma série de variações em relação à dose, de 30
mg a 75 mg por kg por dia, e à duração, de 7 a 30 dias. A tolerância ao praziquantel é excelente no
esquema usado nas teníases e boa, mesmo nas doses altas prescritas para a neurocisticercose. Os
mais citados são tonteiras, náuseas, vômitos e diarreia. O praziquantel não apresenta efeitos
teratogênicos em animais nem em grávidas humanas. Contudo, faltam estudos em pacientes
grávidas, nas quais a experiência é muito limitada com a droga. Na cisticercose o praziquantel é
usado junto com corticoides para diminuir a reação in amatória resultante da morte dos
cisticercos, que costuma ser mais intensa entre o segundo e o quinto dias de tratamento. Embora
a cisticercose ocular ocorra em 1% a 3% dos casos, a sua presença pode contraindicar o
tratamento em virtude de reações in amatórias graves que podem ocorrer, havendo até casos de
cegueira descritos; por isso deve ser afastada antes do início do tratamento.
A niclosamida (ou clorossalicilamida) pertence aos quimioterápicos derivados do fenol e é um
composto clorofenólico da salicilamida, medicamento usado no passado para tratar essas
helmintoses. Seu espectro de ação engloba as teníases deste tópico, além do D. caninum e D.
latum, entre outros. É utilizada da dose de 2 g, VO. Na véspera do uso da droga, recomenda-se
dieta pobre em resíduos, abstendo-se o paciente de jantar e de alimentação durante a noite. No
dia seguinte, em jejum, ingere-se os 2 g do medicamento, sob a forma de comprimidos
mastigáveis; após mastigá-los bem, são deglutidos com pouca água; alguns dividem os 2 g em 2
tomadas de 1 g, intercaladas de 1 hora; após 1 hora da niclosamida; segue-se um purgativo salino
ou hidróxido de magnésio ou polietilenoglicol, entre outros, para que o cestódio seja eliminado.
Alguns preconizam um laxativo também na véspera do tratamento para eliminar resíduos
intestinais que possam interferir com a ação do fármaco. É bem tolerado. Seus índices de cura em
geral cam entre 80% e 90% dos casos.
O albendazol é usado geralmente na dose de 400 mg, VO, por dia, durante 3 dias. A e cácia
desse esquema é de 70% a 85% dos casos. Na cisticercose é usado geralmente no esquema de 15
mg por kg por dia, VO, durante 7 dias, com excelente ação e boa tolerância, mesmo nessas doses
bem maiores que as habitualmente prescritas.
O mebendazol é usado na dose de 100 mg a 200 mg, 2 vezes ao dia, VO, durante 3 ou 4 dias;
consideram-se que os seus resultados são semelhantes aos do albendazol. A nitazoxanida é usada
no esquema já referido na giardíase, embora com experiência menor, os resultados são
considerados bons, com cura acima de 80%.
HYMENOLEPIS NANA E H. DIMINUTA
DIAGNÓSTICO
A maioria das infecções é assintomática e descrita em crianças. Naquelas mais intensas,
observam-se dor abdominal, diarreia, azia e leve eosino lia.
TRATAMENTO
Os principais medicamentos usados no seu tratamento são o praziquantel, a niclosamida, o
albendazol, o mebendazol e a nitazoxanida.
O praziquantel deve ser usado na monodose de 20 mg a 25 mg por kg, VO. Pode-se repeti-la
10 dias depois ou fazê-la durante 2 dias, ao invés de dose única. Os índices de cura desses
esquemas cam entre 80% e 95% dos casos. A niclosamina é usada em doses e forma
semelhantes às da teníase, entretanto, essa dose diária é repetida por 5 ou 6 dias, obviamente
sem uso de purgativo. O albendazol, 400 mg ao dia, VO, por 3 dias, é o esquema mais usado; em
revisão de 11 estudos, Horton encontrou um índice médio de cura de 69,5% dos casos. O esquema
de dose única mostra-se muito inferior, bem como o uso do mebendazol. A nitazoxanida nas
doses e esquema habituais tem referências de cura entre 75% e 85% dos casos.
O tratamento deve ser realizado sempre. Quando a infecção é isolada prefere-se o uso de
praziquantel em dose única. A repetição da dose 10 ou mais dias depois deveria ser decidida em
função do controle de cura laboratorial, feito através de exame de fezes, 7, 14 e 21 dias após o
tratamento ou da persistência dos sintomas atribuídos à parasitose. Em pacientes poliparasitados,
acima de 2 anos de idade, deve ser usado o albendazol no esquema de 3 dias. Se houver falha na
erradicação, completa-se o tratamento com o praziquantel.
A niclosamida, embora efetiva, é pouco usada na prática, pois tem um esquema mais
complicado em 5 ou 6 dias comparado ao praziquantel em monodose; efeitos adversos no esquema de 5 ou 6 dias são maiores que os da dose única de niclosamida usada na teníase, além
de não atuar nas parasitoses associadas. O mebendazol é pouco usado em virtude dos resultados
inferiores obtidos. A nitazoxanida é mais uma boa alternativa terapêutica que vem se somar às já
existentes.
O tratamento dos raros casos de H. diminuta é feito com o praziquantel na dose única de 5 mg
a 10 mg por kg, VO.