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Hanseníase
INTRODUÇÃO E CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
A hanseníase ou mal de Hansen, é uma enfermidade crônica infectocontagiosa, causada pelo
Mycobacterium leprae, um bacilo ácido-álcool resistente que não pode ser cultivado em meios de
cultura. É uma bactéria citoplasmática do macrófago e com predileção pelo sistema nervoso
periférico, que, por via sanguínea, chega à célula de Schwann. Apresenta alta infectividade e
baixa patogenicidade. O M. leprae tem a nidade por zonas mais frias do corpo, especialmente
nariz, orelhas, testículos e nervos super ciais.
A principal forma de infecção é pelas secreções das vias aéreas superiores – perdigotos – do
paciente bacilífero. O único reservatório é o homem e 73% dos casos são multibacilares, sendo a
principal fonte de infecção.
Essa doença é endêmica em países em desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. No
Brasil, é um grande problema de saúde pública, sendo que a política de controle é voltada para
redução de prevalência e incidência, bem como para minimizar a gravidade, oferecendo
tratamento precoce para evitar incapacidades físicas.
FORMAS CLÍNICAS DA HANSENÍASE
As diferentes classi cações que existem para diferenciar as formas de hanseníase baseiam-se nos
sinais clínicos do diagnóstico, no comprometimento cutâneo-neural e na extensão da doença. E,
assim, aplicando essas classi cações, pode-se compreender melhor a doença e oferecer a
terapêutica mais adequada ao paciente. Muitas vezes, o acometimento neural pode ser a única
manifestação da doença.
CLASSIFICAÇÃO DE MADRI
Proposta em 1953, baseada nos critérios de polaridade, aspectos clínico, bacteriológico,
imunológico e histológico da doença.
HANSENÍASE INDETERMINADA (HI)
É a forma inicial da doença, ocorre frequentemente em crianças e surge após incubação de 1 a 5
anos, gerando uma a poucas máculas hipocrômicas de bordas mal de nidas, ou também pode-se
manifestar com alteração da sensibilidade (principalmente a térmica, que, às vezes, é a única
alterada), sudorese e alopecia em áreas delimitadas.
Esta forma da doença tem predileção pelas extremidades e glúteos, que são áreas frias. Não
acomete troncos nervosos e a sua evolução natural pode ser para cura ou para as formas
tuberculoide (HT) ou virchowiana (HV), dependendo das condições imunes do hospedeiro.
ANÁLISE LABORATORIAL DA HI
Baciloscopia Negativa
Teste de Mitsuda Positivo ou negativo
Exame histopatológico Inespecí co
HANSENÍASE TUBERCULOIDE (HT)
Geralmente surge a partir da forma indeterminada, por ausência de tratamento em pacientes
com boa resistência ao bacilo de Hansen. Caracteriza-se por lesão hipocrômica que desenvolve
pápulas ou lesões tuberosas, as quais depois aumentam e tendem a coalescer. Isso ocorre na
periferia da lesão inicial, que desaparece deixando placas roseoeritematosas ou acastanhadas no
local. Nesse tipo de hanseníase, as lesões tendem a ser anulares ou circinadas, mas não
ultrapassam 10 cm de diâmetro e o mais característico é alteração da sensibilidade, que está
sempre presente.
Hanseníase tuberculoide.
Fonte: cortesia da Dra. Lívia Pino.
ANÁLISE LABORATORIAL DA HT
Baciloscopia Negativa
Teste de Mitsuda Positivo
Exame histopatológico Granuloma rodeado por um manto linfocítico
HANSENÍASE VIRCHOWIANA OU LEPROMATOSA (HV)
Apresenta-se, na maioria das vezes, a partir de lesão indeterminada e é multibacilar. As lesões
cutâneas são eritematoin ltradas, com limites externos pouco nítidos. O aspecto da pele é luzidio
ou em casca de laranja, e as lesões podem ir desde pápulas até nódulos e tubérculos que se
superpõem na lesão inicial e são chamados “hansenomas”. No pavilhão auricular, tem aspecto de
rosário. Todas as lesões têm tendência a coalescer, e as mãos encontram-se in ltradas.
Acomete múltiplos troncos nervosos de forma simétrica, que se tornam espessados, rmes e
brosos, com signi cativas perdas sensitiva e motora progressiva, até chegar a perda funcional,
paralisia, atro a muscular, contraturas e deformidades das extremidades.
Hanseníase virchowiana.
Fonte: cortesia da Dra.
Lívia Pino.
As extremidades são cianóticas e apresentam livedo reticular. A região cefálica apresenta perda
dos cílios, supercílios e sobrancelhas, além de aumento dos sulcos da pele “face leonina”.
As regiões não acometidas são: axilar, inguinal, perineal e coluna. Por isso, quando
apresentam lesões, é sinal de recidiva ou resistência ao tratamento.
Dentre as variadas manifestações, temos algumas muito particulares, como conjuntivite por
lesão dos nervos trigêmeo e facial, que se repete com frequência, disfonia, linfadenopatia (ilíaca,
cervical, axilar e epitroclear) e glomerulonefrite por imunocomplexos, que é uma das principais
causas de óbito nos pacientes com hanseníase. Também podem apresentar osteomielite
secundária às úlceras crônicas, anemia normocítica normocrômica típica de doença de longa data,
orquite, ginecomastia, impotência sexual e atro a testicular, entre outras.
ANÁLISE LABORATORIAL DA HV
Baciloscopia Sempre positiva
Teste de Mitsuda Negativo
Exame histopatológico Epiderme separada da derme por uma faixa de colágeno
(faixa de Unna). Não apresenta in ltrado in amatório
Variedade da hanseníase virchowiana
Hanseníase difusa ou hanseníase de Lúcio: a pele encontra-se in ltrada e com perda difusa
dos pelos. Não há tubérculos, nódulos ou placas, e sim um aspecto luzidio, o que é chamado de
“lepra bonita de Latapi”. Os pacientes que apresentam esta forma de hanseníase são mais
suscetíveis ao fenômeno de Lúcio, que constitui lesões necróticas com aspecto geométrico
disseminadas nas extremidades.
HANSENÍASE DIMORFA OU BORDERLINE
As lesões cutâneas são placas eritematosas que podem assumir a coloração ferrugínea, com borda
interna nítida e externa apagada, denominadas em “queijo suíço”. Esta forma da doença
demonstra instabilidade imunológica do hospedeiro e pode coexistir característica das formas
tuberculoide e virchowiana.
CLASSIFICAÇÃO DE RIDLEY E JOPLING
Trata-se de uma classi cação mais complexa que foi adotada por especialistas e em instituições
de investigação em saúde. Baseia-se na imunidade e no nível de resistência do hospedeiro:
tuberculoide (TT), dimorfo-tuberculoide (DT), dimorfo-dimorfo (DD), dimorfo-virchowiano (DV),
virchowiano (VV).
HANSENÍASE DIMORFA TUBERCULOIDE OU BORDERLINE-TUBERCULOIDE
Caracteriza-se por numerosas lesões (5-25) com aspecto semelhante às tuberculoides, mas
tendem a ser delimitadas e hipocrômicas e são características lesões satélites próximas às placas
formadas pelas lesões iniciais. Há comprometimento nervoso importante, acometendo um ou
vários troncos nervosos, com padrão assimétrico, e as lesões podem atingir uma extremidade
inteira.
ANÁLISE LABORATORIAL (DT)
Baciloscopia Geralmente negativa
Teste de Mitsuda Geralmente positivo
HANSENÍASE DIMORFA VIRCHOWIANA OU BORDERLINE-VIRCHOWIANA
Apresenta lesões tipo placas ou nódulos pardos ou ferruginosos, com limites mal de nidos, e
menos polimorfas que na forma virchowiana, que tendem à disseminação, e o acometimento
neural é semelhante à forma virchowiana.
ANÁLISE LABORATORIAL (DV)
Baciloscopia Sempre positiva
Teste de Mitsuda Negativo
HANSENÍASE DIMORFA DIMORFA OU BORDERLINE-BORDERLINE
É a forma mais instável da doença e caracteriza-se por lesões bizarras eritematosas ou
ferruginosas, de tamanho variado, anulares ou placas in ltradas com área central hipocrômica e
borda inde nida. Nesta forma da hanseníase, os episódios reacionais são frequentes.
ANÁLISE LABORATORIAL (DD)
Baciloscopia Positiva
Teste de Mitsuda Quase sempre negativo
CLASSIFICAÇÃO OPERACIONAL
É uma classi cação proposta e usada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com ns de
escolha da terapêutica na hanseníase, que constitui um programa de controle mundial. É baseada
nas manifestações clínicas e na quantidade de bacilos presentes na baciloscopia.
HANSENÍASE PAUCIBACILAR
Nesta forma, observam-se lesões hipopigmentadas ou eritematosas secas e descamativas (de 1 a
5) com distribuição assimétrica. Também apresenta perda de sensibilidade e comprometimento
de um único tronco nervoso. Esta forma contém as formas indeterminada (I) e tuberculoide (T) da classi cação de Madri, bem como as formas indeterminada (I), tuberculoide-tuberculoide (TT) e
borderline-tuberculoide (BT) da classi cação de Ridley e Jopling.
ANÁLISE LABORATORIAL DA HANSENÍASE PAUCIBACILAR
Baciloscopia Negativa
Teste de Mitsuda Positivo
HANSENÍASE MULTIBACILAR
Caracteriza-se por lesões pequenas, brilhantes, com in ltração difusa e distribuição assimétrica
(mais de 5), perda da sensibilidade e pode acometer vários troncos nervosos. Dentro do grupo
multibacilar, encaixam-se as formas borderline e lepromatosa da classi cação de Madri e as
formas borderline-borderline (BB) e lepromatosa-lepromatosa (LL) e borderline-lepromatosa (BL)
da classi cação de Ridley e Jopling.
ANÁLISE LABORATORIAL DA HANSENÍASE MULTIBACILAR
Baciloscopia Positiva
Teste de Mitsuda Negativo
REAÇÕES HANSÊNICAS
Os episódios reacionais na hanseníase são eventos in amatórios de caráter agudo e inclusive
subagudo, bem como produto da hipersensibilidade aos antígenos do bacilo. Podem apresentar-
se antes, durante ou depois do tratamento em todas as formas de hanseníase, exceto na
indeterminada, e muitas vezes o acometimento neural é irreversível.
Esses episódios podem ser desencadeados por gravidez, traumas físicos, infecções, vacinação,
medicamentos hormonais e não hormonais ou até fatores emocionais. Frequentemente, são
interpretados pelos pacientes como reação medicamentosa adversa e constituem uma das
principais causas de abandono do tratamento, pelo qual todo paciente deverá ser orientado sobre a possibilidade de apresentá-los e a importância de acudirem para avaliação e tratamento
especí cos para o episódio reacional que apresenta.
TIPO 1 OU REAÇÃO REVERSA
Clinicamente, observam-se, nas lesões preexistentes, elevações, edemas, ulceração, descamação e
aparição de novas lesões, que se tornam eritematovioláceas, hiperestésicas e de limites
imprecisos. Edema de face, mãos e pés. Alterações sensitivas, motoras e neurite importante. O
estado geral do paciente é afetado com mal-estar e febre não elevada.
Pode ocorrer durante o tratamento ou após 6 meses, inclusive quando existe alta terapêutica.
Apresenta correlação com a imunidade celular, podendo ocorrer dentro do contexto da síndrome
in amatória da reconstituição imunológica na síndrome da imunode ciência adquirida (AIDS).
Este tipo de reação é comum nos pacientes com a forma borderline e deve-se diferenciar de
recidiva da doença, que tem um início insidioso e lento. Há surgimento de poucas lesões novas e
pobre resposta à corticoterapia.
TIPO 2 OU ERITEMA NODOSO
Reação hansêmica tipo 2.
Fonte: cortesia da Dra. Lívia Pino.
Reação hansêmica tipo 2.
Fonte: cortesia da Dra. Lívia Pino.
Reação hansênica em paciente multibacilar.
Fonte: cortesia da Dra. Andrea Suárez.
É uma reação mediada por imunidade humoral, formação de imunocomplexos e
hipersensibilidade tipo III. As lesões de tipo eritema nodoso são mais frequentes, ocorrem nos
lepromatosos e dimorfos (multibacilares) e podem ser o único sinal clínico.
Apresentam-se placas, pápulas, bolhas e nódulos eritematovioláceos e dolorosos que podem
evoluir para necrose e têm predileção pela face e superfície extensora dos membros, tudo isso
acompanhado de sintomas gerais como febre, anorexia e prostração. Também caracteriza-se pela
in ltração das extremidades e das partes moles, causando artrite, tendinossinovite, orquite, irite,
glomerulonefrite e linfadenomegalia. O comprometimento neural pode levar à dor e impotência
funcional.
FENÔMENO DE LÚCIO
Eritema necrotizante.
Fonte: cortesia da Dra. Lívia Pino.
Eritema necrotizante após 10 dias do uso de talidomida.
É considerado a terceira reação hansênica e pode ocorrer em pacientes com as formas virchowiana
e hanseníase de Lúcio. Caracteriza-se por lesões eritematopurpúricas geométricas (poligonais,
estrelares ou triangulares) muito dolorosas, que são episódicas e costumam deixar cicatrizes
atró cas do tipo “estrelares”. Este tipo de reação está ausente após o início da quimioterapia.
Apresenta trombose dos vasos super ciais e profundos, evoluindo para hemorragia e infarto
cutâneo.
DIAGNÓSTICO
O Ministério da Saúde usa como critérios de diagnóstico:
• Lesão de pele com alteração da sensibilidade.
• Espessamento do tronco nervoso.
• Baciloscopia positiva na pele ou em lesão suspeita.
No exame físico, deve-se avaliar as lesões dermatológicas e a sensibilidade com a prova de
sensibilidade super cial térmica (com tubos de água fria ou quente), dolorosa (com a ponta de
uma agulha) e tato (com o uso de algodão).
Pode ser complementada com a prova da histamina na área suspeita, que se baseia em
provocar um atrito local com a ponta de uma agulha. A resposta estará normal se ocorrer eritema
ou pápula e suspeita se houver ausência do eritema pseudopódico.
O teste da pilocarpina consiste em injetar 0,5% a 1% de pilocarpina e observa-se sudorese
re exa no local, de modo que estará alterado se ocorrer anidrose.
Nos exames laboratoriais é possível encontrar anemia, VHS elevada, VDRL falsamente positivo.
Reação em cadeia da polimerase (PCR), fator reumatoide (FR) e anticorpos antinucleares (ANA)
podem estar positivos, principalmente nas formas bacilíferas.
Complementam a investigação: biópsia de pele e exame histopatológico;
eletroneuromiogra a e PCR para o BAAR. A baciloscopia de Ziehl-Neelsen determina o índice
bacteriológico, em raspado de pele obtido de ao menos dois sítios: ambos lóbulos da orelha, ou
cotovelos, ou um lóbulo da orelha e uma lesão de pele.
A reação de Mitsuda avalia a sensibilidade intradérmica, sendo útil para classi cação e
prognóstico da doença, mas sem valor diagnóstico. É considerada negativa: 0 mm; duvidosa:
pápula de 1 mm a 3 mm; e positiva: pápula de 4 mm a 10 mm. O resultado positivo no doente
representa a forma benigna, não contagiosa, abacilífera. A negatividade orienta a forma
contagiosa bacilífera.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
As lesões de pele da hanseníase apresentam alteração de sensibilidade, o que a diferencia das
outras doenças dermatológicas.
INDETERMINADA
Pitiríase versicolor, eczemátide, dermatite seborreica, manchas hipocrômicas residuais, vitiligo,
nevo acrômico.
TUBERCULOIDE
Dermato tose, psoríase, dermatite seborreica, sí lis secundária e terciária, granuloma anular,
sarcoidose, sarcoma de Kaposi, tuberculose cutânea, cromomicose, paracoccidioidomicose,
esporotricose, doença de Jorge Lobo, farmacodermias.
DIMORFA E VIRCHOWIANA
Leishmaniose anérgica, sí lis secundária, farmacodermias, lúpus eritematoso sistêmico, linfomas
cutâneos, urticária, ictioses, lipomatose.
ACOMETIMENTO NEUROLÓGICO
Em caso de acometimento neurológico, fazer diagnóstico diferencial com síndrome do túnel do
carpo, neuralgia parestésica, neuropatia alcoólica, neuropatia diabética, lesões por esforços
repetitivos.
TRATAMENTO
O objetivo do tratamento é tornar o bacilo inviável, evitar a evolução da doença e prevenir
incapacidades ou deformidades e, consequentemente, a cura.
O esquema poliquimioterápico pauci ou multibacilar deverá ser administrado de acordo com a
classi cação operacional do doente.
O tratamento é fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde (ver guia para o controle da
Hanseníase, site <bvsms. saude.gov.br>).
ESQUEMA POLIQUIMIOTERÁPICO PAUCIBACILAR (PQT – PB) PARA AS FORMAS
INDETERMINADA E TUBERCULOIDE
A cartela contém rifampicina e dapsona, que devem ser administradas da seguinte maneira:
• Rifampicina 600 mg: 1 dose mensal com administração supervisionada.
• Dapsona 100 mg: 1 dose mensal supervisionada e as demais doses autoadministradas
diariamente.
Duração do tratamento: 6 doses mensais supervisionadas em até 9 meses.
ESQUEMA POLIQUIMIOTERÁPICO MULTIBACILAR (PQT – MB) PARA AS FORMAS DIMORFA
E VIRCHOWIANA
A cartela contém rifampicina, dapsona e clofazimina, que devem ser administradas da seguinte
maneira:
• Rifampicina 600 mg: 1 dose mensal com administração supervisionada.
• Dapsona 100 mg: 1 dose mensal supervisionada e as demais doses autoadministradas
diariamente.
• Clofazimina 300 mg: 1 dose mensal supervisionada e 1 dose diária de 50 mg
autoadministrada.
Duração do tratamento: 12 doses mensais supervisionadas em até 18 meses.
Há casos multibacilares que se apresentam com lesões exuberantes com extensas áreas de
in ltração cutânea, apresentando regressão mais lenta das lesões de pele, que podem continuar
melhorando após o término de 12 doses. Todavia, em alguns casos, observa-se pouca melhora e,
por isso, poderão necessitar de 12 doses adicionais de PQT – MB.
ESQUEMA ALTERNATIVO
• Paciente com lesão única sem acometimento de tronco nervoso:
∘ Rifampicina 600 mg + minociclina 100 mg + o oxacina 400 mg em dose única
supervisionada. Este esquema alternativo está contraindicado para gestantes e crianças
abaixo de 8 anos.
• Em casos de reação adversa à dapsona, substituí-la por clofazimina 50 mg/dia, mantendo a
rifampicina 600 mg mensais.
• Em casos de reação adversa à clofazimina, nos casos multibacilares, opta-se por o oxacina 400
mg/dia ou minociclina 100 mg/dia em doses autoadministradas, mantendo-se as doses
mensais de rifampicina e a diária de dapsona.
• Em casos de reação adversa à rifampicina, usar: nos paucibacilares: dapsona 100 mg, dose
mensal supervisionada, e 100 mg, dose diária autoadministrada + o oxacina 400 mg, dose
mensal supervisionada, e 100 mg, dose diária autoadministrada.
• Nos multibacilares: dapsona 100 mg, dose mensal supervisionada, e 100 mg, dose diária
autoadministrada + o oxacina 400 mg, dose mensal supervisionada, e 100 mg, dose diária
autoadministrada + clofazimina 300 mg, dose mensal supervisionada, e 50 mg, dose diária
autoadministrada.
TRATAMENTO DAS REAÇÕES HANSÊNICAS OU ESTADOS REACIONAIS
REAÇÃO TIPO 1
Prednisona 1-2 mg/kg/dia é indicada para casos graves com neurite. A retirada deverá ser gradual
após o desaparecimento dos sinais in amatórios.
Precauções na utilização de prednisona: registrar peso, pressão arterial, glicemia e fazer
tratamento anti-parasitário para Strongyloides stercoralis.
REAÇÃO TIPO 2
Talidomida 100-400 mg/dia, conforme gravidade do caso. Não usar este medicamento em
gestantes e mulheres em idade fértil. Em casos de acometimento neural, orquiepididimite,
nefrite, irite e artrite, optar pelo uso de corticosteroides.
HANSENÍASE E GRAVIDEZ
A gravidez e a lactação não contraindicam o uso do esquema poliquimioterápico padrão da
hanseníase. Está contraindicado na gravidez o uso de o oxacino e talidomida.
HANSENÍASE E TUBERCULOSE
Nestes casos, a rifampicina deverá ser usada no esquema de tratamento da tuberculose, ou seja,
na dose de 600 mg/dia.