GPS: Clínica Médica

Fernanda Mazza · Capítulo 15 de 96

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Erisipela

INTRODUÇÃO E CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

 

A erisipela é uma infecção cutânea in amatória aguda causada geralmente por estreptococos

hemolíticos do grupo A e, menos comumente, pelo grupo C e G. Sthapylococcus aureus também

pode ser isolado, porém com menor frequência. A incidência estimada é entre 10 e 100 casos por

100 mil habitantes/ano, afetando, sobretudo, adultos dos 40 aos 60 anos, com predomínio no

sexo feminino.

 

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

 

O quadro clínico caracteriza-se por eritema, edema, calor e dor, associados a febre, calafrios, mal-

estar e, muitas vezes, podendo estar acompanhado de náuseas e vômitos. A localização

preferencial é, em 85% dos casos, nos membros inferiores, mas pode acometer a região facial,

principalmente em crianças. Pode originar-se de um ferimento traumático ou cirúrgico, mas, na

maioria dos casos, nenhuma porta de entrada é identi cada.

Geralmente, a lesão é única, elevada em relação ao restante da pele, com bordas nítidas,

podendo alcançar grandes extensões. Podem surgir bolhas, geralmente ácidas e translúcidas,

caracterizando a erisipela bolhosa.

 

A localização preferencial é, em 85% dos casos, nos membros inferiores.

Erisipela em membro inferior.

 

 

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

 

O hemograma pode apresentar leucocitose com desvio à esquerda e velocidade de

hemossedimentação aumentada. No entanto, não é necessário para diagnóstico ou

acompanhamento.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

 

Deve ser feito com a celulite, sendo a erisipela mais super cial e com bordas nítidas demarcando a

pele sã do tecido afetado.

 

DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR

 

A imuno uorescência pode identi car antígenos estreptocócicos à biópsia, mas não é

rotineiramente disponível, nem necessária.

 

COMPLICAÇÕES

 

Recorrência (em 20% dos casos), linfedema, abscesso, fascite necrotizante, glomerulonefrite

pósestreptocócica (GNPE) e, mais raramente, sepse e meningite.

Condições associadas às complicações são diabetes mellitus, insu ciência venosa crônica,

hipertensão arterial, intertrigo pododálico e obesidade.

 

TRATAMENTO

Elevação do membro afetado, antipiréticos em caso de febre, analgésicos e antibioticoterapia.

Em caso de doença leve ou moderada, usar penicilina via oral (VO) 250-500 mg, 6/6 horas, ou

penicilina G procaína 600 mil a 1 milhão U, intramuscular (IM), 1 vez ao dia, ou amoxicilina 500

mg, 8/8 horas.

Na doença grave, administrar penicilina G cristalina 2,4 milhões U, intravenosa (IV), a cada 4-6

horas, ou cefazolina 1-2 g, 8/8 horas.

Para os pacientes alérgicos à penicilina, indicar eritromicina 500 mg VO, 6/6 horas.

Considerar hospitalização em pacientes toxêmicos, crianças, idosos e pacientes

imunocomprometidos.