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Febre Amarela
INTRODUÇÃO
É uma doença viral sistêmica, febril, aguda, de curta duração (no máximo 10 dias) e de gravidade variável. Existem dois contextos de
transmissão: o silvestre, em que o homem é acometido acidentalmente, e a forma urbana, em que o homem é o reservatório.
Apesar de não haver mais registros de febre amarela urbana no Brasil, a forma silvestre persiste em seu ciclo enzoótico,
determinando casos humanos em quase todo o território nacional.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Causada por um vírus da família Flaviviridae.
O vetor na forma urbana é o mosquito Aedes aegypti e na forma silvestre é variável, mas, no Brasil, o Haemagogus janthinomys e
o H. leucocelaneous são as espécies mais associadas à transmissão. Esta é feita pela picada do mosquito fêmea nos mamíferos.
Período de incubação: 3 a 6 dias.
O vírus da febre amarela pode causar febres hemorrágicas, encefalite ou meningoencefalite e uma doença febril indiferenciada.
A doença confere imunidade duradoura, não se conhecendo segunda infecção.
É uma doença de noti cação compulsória imediata às autoridades sanitárias.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
O quadro clínico caracteriza-se por início abrupto, com febre alta, cefaleia, calafrio, dor lombar, náuseas, vômitos, mialgia, prostração,
congestão conjuntival, artralgia e fotofobia, com duração em torno de 3 dias. Após esse período, a doença pode evoluir para a cura ou
agravamento do caso.
Nos quadros graves aparece novo acesso febril, icterícia progressiva, fenômenos hemorrágicos (epistaxe, hemorragias bucais e
cutâneas, hematêmese e melena), hipotensão, bradicardia (dissociação pulso-temperatura – sinal de Faget), prostração acentuada,
oligúria ou anúria.
O comprometimento do Sistema Nervoso Central (SNC) manifesta-se, em geral, por delirium, convulsão e coma. Este quadro, que
caracteriza uma síndrome hepatonefrotóxica, termina entre o 7o e o 10o dia de doença. Dentre os casos graves noti cados, a
letalidade é superior a 40%.
Apresentação clínica segundo a OMS
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
A con rmação laboratorial é realizada por isolamento do vírus, demonstração de anticorpos especí cos IgM por técnica de ELISA (do
inglês Enzyme-Linked Immunosorbent Assay – ensaio imunoenzimático), ou aumento signi cativo de anticorpos especí cos em
amostras pareadas de soro, pelas técnicas de xação de complemento, inibição de hemaglutinação e neutralização. Pode ser
realizada também por imuno-histoquímica e pela Reação em Cadeia de Polimerase (PCR).
Em caso de óbito é importante realizar a necropsia para isolamento viral e anatomopatológico.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Não é feito diagnóstico de febre amarela com exames de imagem. Estes podem auxiliar no acompanhamento de complicações de
pacientes internados.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Os principais são: hepatite aguda fulminante, malária por Plasmodium falciparum, leptospirose e septicemias bacterianas com
icterícia.
COMPLICAÇÕES
• Hepatite aguda fulminante.
• Hemorragias.
• Encefalite ou meningoencefalite.
• Óbito.
TRATAMENTO
Não existe tratamento especí co. Pacientes que desenvolvem icterícia devem ser internados e receber suporte clínico para as
complicações, principalmente a coagulação intravascular disseminada, insu ciência hepática e insu ciência renal aguda.
Deve ser feito um rigoroso acompanhamento com exames laboratoriais pelo menos uma vez ao dia: coagulograma, enzimas
hepáticas, bilirrubinas, função renal, função hepática, hemograma completo.
A vacina da febre amarela é a principal forma de prevenção. Está indicada a partir dos 9 meses de idade a todos que residem ou
viajam para áreas endêmicas. Confere imunidade em cerca de 95% dos imunizados após o décimo dia de aplicação da vacina. O
Regulamento Sanitário Internacional preconiza a revacinação a cada dez anos, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha
feito uma nota, em 2013, recomendando dose única sem necessidade de reforços.
Contraindicações gerais da vacina de febre amarela:
• Crianças menores de 6 meses de idade: são susceptíveis a eventos adversos graves (encefalite).
• Portadores de imunode ciência congênita ou adquirida ou neoplasia maligna: leucemias, linfomas e síndrome da
imunode ciência adquirida – AIDS.
• Pacientes em tratamentos com imunossupressores: corticoide, quimioterapia antineoplásica, radioterapia etc.
• Gestantes: como regra geral, nenhuma vacina viral atenuada deve ser administrada na gravidez. Caso não haja possibilidade de
adiar o deslocamento para áreas endêmicas, e considerando-se o alto risco de exposição, recomenda-se, neste caso, a vacinação.
• Pessoas com história de reação ana lática após ingestão de ovo.
Situações em que se recomenda o adiamento da vacinação:
• Vigência de doenças febris graves, sobretudo para que seus sinais e sintomas não sejam atribuídos ou mesmo confundidos com os
possíveis eventos adversos da vacina.
• Tratamento com imunossupressor (até 3 meses após a suspensão de seu uso).
Vacinação simultânea e intervalo entre as vacinas virais:
• Não há contraindicação em relação à vacinação simultânea com outras vacinas do Programa Nacional de Imunização (PNI), como
também não se observa maior incidência de eventos adversos nessas situações.
• Recomenda-se agendar um intervalo de pelo menos 2 semanas entre as vacinas virais atenuadas (sarampo, rubéola, caxumba),
exceto em situações especiais (p. ex., vacinação de bloqueio contra o sarampo). Não há necessidade de suspensão da vacina
contra a febre amarela antes ou após as Campanhas Nacionais de Vacinação contra a Poliomielite.
EVENTOS ADVERSOS DA VACINA DE FEBRE AMARELA
• Cerca de 2% a 5 % dos vacinados poderão apresentar, após o 6o dia, febre e mialgia.
• Reações imediatas de hipersensibilidade são raras (incidência < 1/1.000.000).
• A encefalite é raríssima, dados da OMS (1994) referem mais de 200 milhões de vacinas aplicadas com a descrição de 17 casos de
encefalites temporalmente associadas (4 casos em crianças menores de 4 meses).