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Tuberculose
INTRODUÇÃO
A tuberculose é uma doença infectocontagiosa de noti cação compulsória, causada por bactérias do
complexo Mycobacterium tuberculosis, sendo importante problema de saúde pública. Sua prevalência
é muito maior nos países subdesenvolvidos do que nos países ricos.
O Brasil ocupa o 17o lugar entre os 22 países responsáveis por 90% dos casos da doença no
mundo. A taxa de incidência varia de 30 casos por 100 mil habitantes nas regiões Sul e Centro-Oeste a
50 casos por 100 mil habitantes nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.
Pobreza, desorganização dos serviços de saúde e coinfecção pelo vírus da imunode ciência
humana (HIV) são os principais fatores responsáveis por essa situação preocupante em níveis mundial
e local.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
A doença pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas predomina em homens de 20 a 49 anos de
idade. O contágio ocorre por transmissão inter-humana por inalação dos bacilos eliminados pela
tosse, por espirros e pela fonação. Dos indivíduos infectados, 5% a 10% desenvolverão a doença,
geralmente nos primeiros anos após a infecção.
A tuberculose é uma doença sistêmica e pode comprometer qualquer órgão ou sistema.
Aproximadamente, 80% dos casos são de localização pulmonar e possuem maior importância
epidemiológica, já que, especialmente os indivíduos bacilíferos, mantêm a cadeia de transmissão da
doença.
A disseminação linfo-hemática do bacilo de Koch pode propiciar o surgimento de doença de
localização extrapulmonar. Nessa situação o diagnóstico é mais complicado, pela di culdade de se
obter amostras apropriadas de material e pela menor quantidade de bacilos presentes nessas lesões.
Em pacientes imunocompetentes a forma mais frequente é a pleural, e, nos pacientes com HIV positivo, é a ganglionar. Outras localizações são geniturinária, osteoarticular, intestinal, peritoneal,
pericárdica, meníngea e miliar.
O diagnóstico precoce das formas pulmonares bacilíferas e seu adequado tratamento são as
principais medidas que podem ter impacto positivo no controle da doença.
O Programa Nacional de Controle da Tuberculose, do Ministério da Saúde, tem como meta
diagnosticar 90% dos casos da doença e curar 85% desses casos. Na realidade, as taxas de diagnóstico
e de cura cam em torno de 75% dos casos.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Tosse, expectoração, hemoptise, febre vespertina, sudorese noturna, anorexia, astenia e
emagrecimento são as manifestações mais frequentes da tuberculose pulmonar, ocorrendo de forma
insidiosa e prolongada. Dor torácica e dispneia podem ocorrer, embora menos frequentes. Por vezes,
algumas dessas manifestações clínicas ocorrem de forma isolada.
Considera-se sintomático respiratório o indivíduo que apresenta tosse, acompanhada ou não de
outros sintomas, por mais de 2 ou 3 semanas. Nesses casos, deve-se sempre investigar a possibilidade
de tuberculose.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Os sintomas e sinais da tuberculose extrapulmonar dependem dos órgãos e sistemas afetados pela
doença.
EXAME DIRETO DE ESCARRO
Devido à alta prevalência de tuberculose, utiliza-se como rotina a pesquisa direta do bacilo no escarro,
o que pode diagnosticar 2/3 dos casos sintomáticos.
Deve-se coletar pelo menos 2 amostras de escarro, uma no momento da consulta e outra no dia
seguinte, em jejum, pela manhã. O material pode ser armazenado em geladeira por até uma semana.
A pesquisa direta é feita pelo método de Ziehl-Neelsen. Pode-se também utilizar coloração por
auramina para pesquisa em microscópio de uorescência. Entre 40% e 80% dos pacientes com
tuberculose pulmonar apresentam baciloscopia positiva e 30% não conseguem expectorar nas fases
iniciais da doença. Nos pacientes suspeitos e sem expectoração deve-se fazer coleta de escarro induzido por nebulização com solução hipertônica, que apresenta rendimento semelhante ao lavado
broncoalveolar coletado por broncoscopia.
A broncoscopia só deve ser realizada quando houver di culdade diagnóstica, como nos casos de
in ltrado pulmonar intersticial com suspeita de tuberculose miliar ou outra infecção oportunista,
como pneumocistose.
TESTES MOLECULARES NO ESCARRO
Está sendo implantado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na rede pública nas cidades com maior
incidência da doença, um teste molecular com ampli cação e detecção de sequências especí cas de
ácidos nucleicos do M. tuberculosis, por reação em cadeia de polimerase (PCR) em tempo real e
identi cação de mutações que conferem resistência à rifampicina. Chama-se Sistema GeneXpert
(Cepheid, Sunnyvale, Estados Unidos) e que, além de identi car o bacilo, detecta se há resistência à
rifampicina. O resultado pode ser fornecido em menos de 2 horas.
CULTURA DE ESCARRO
O diagnóstico de certeza é feito pelo crescimento das micobactérias em meio de cultura especí co. O
mais utilizado é o de Lowestein-Jensen, cujo resultado é obtido em 30 a 60 dias. A cultura em meio
Ogawa-Kudow pode ser realizada em laboratórios de menor complexidade. Os meios líquidos de
cultura como Bactec e MGIT têm resultados em duas semanas. A cultura aumenta o rendimento
diagnóstico em 20% a 40% em relação ao exame direto e permite a realização de teste de
sensibilidade aos tuberculostáticos.
BIÓPSIA
Utilizada principalmente nos casos de tuberculose extrapulmonar, que são paucibacilares e, por isso,
difíceis de serem con rmados bacteriologicamente. Parte do material biopsiado deve ser colocado em
solução de formol para exame histopatológico, cujo achado fundamental é de granuloma com necrose
caseosa. Fazse colorações para pesquisa de bacilo álcool-acidorresistente (BAAR) e fungos. Outra parte
desse material deve ser colocada em solução siológica e encaminhada para cultura para
micobactérias e fungos.
TESTE TUBERCULÍNICO - REAÇÃO DE MANTOUX
É um exame auxiliar para o diagnóstico e deve ser avaliado dentro do contexto clínico de cada caso.
Indica infecção e não doença ativa.
Deve ser interpretado com cautela em crianças imunizadas com BCG, especialmente nos
primeiros dois anos, porque geralmente dá resultado positivo pela própria vacinação.
Algumas situações de imunodepressão podem negativar o teste mesmo na vigência de
tuberculose ativa, tais como tuberculose avançada em pacientes em mau estado geral, desnutrição,
síndrome da imunode ciência adquirida (AIDS), sarcoidose, neoplasias malignas, uso de corticoide e
outras drogas imunossupressoras etc.
Aplica-se 0,1 mL de tuberculina (PPD Rt 23) na face anterior do antebraço esquerdo e após 48 a
72 horas faz-se a leitura medindo, com régua milimetrada, a área de enduração, com os seguintes
resultados: 0 a 4 mm: não reator; 5 a 9 mm: reator fraco; e acima de 10 mm: reator forte.
DOSAGEM DE INTERFERON-GAMA
Os linfócitos T de indivíduos com tuberculose secretam interferon-gama (IFN-γ), que pode ser
identi cado em exame de sangue total por ELISA (Quantiferon - TB Gold, Cellestis Inc., Estados
Unidos). Esse tipo de teste é chamado de IGRA (“interferon-gamma release assays”).
Da mesma forma que o teste tuberculínico, o resultado positivo não distingue tuberculose ativa
de tuberculose latente, mas não sofre interferência do BCG (bacilo Calmette-Guérin).
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
RADIOGRAFIA DE TÓRAX
As alterações radiológicas podem sugerir atividade ou não da doença e são úteis no diagnóstico
diferencial. Lesões nodulares e lineares de limites imprecisos e cavidades uni ou bilaterais localizadas
caracteristicamente nos segmentos apicais e posteriores dos lobos superiores e em segmentos
superiores dos lobos inferiores são sugestivas da doença. A presença de escavações sem nível
hidroaéreo e com focos de disseminação brônquica homo ou contralateral é típica de doença ativa.
Nesses casos, a baciloscopia de escarro praticamente sempre é positiva, em razão de grande presença
de micobactérias nessas lesões.
Pacientes imunodeprimidos, especialmente em casos de AIDS, podem apresentar manifestações
radiológicas atípicas, variadas e simultâneas, como consolidações alveoloductais em lobos inferiores,
in ltração intersticial, linfonodomegalias mediastinais e derrame pleural.
TC DE TÓRAX
Pode identi car lesões não vistas na radiogra a convencional. Um achado clássico é o padrão em
árvore em brotamento (“tree-in-bud”). Utilizada nos casos de difícil diagnóstico, como tuberculose
miliar, e no diagnóstico diferencial com outras patologias pulmonares.
DIAGNÓSTICO EM CRIANÇAS
O diagnóstico de certeza em crianças não é fácil de ser estabelecido pela di culdade de obtenção de
material para exame bacteriológico porque as formas de tuberculose primária são paucibacilares.
Valoriza-se muito a história de contato com pacientes tuberculosos, existência de sinais e sintomas,
teste tuberculínico positivo, aspectos radiológicos e estado nutricional. Os sinais e sintomas mais
frequentes são tosse, febre vespertina, irritabilidade, sudorese noturna e emagrecimento. O padrão
radiológico da tuberculose primária é de opacidades focais preferencialmente em pulmão direito e
linfonodomegalias hilares ou paratraqueais homolaterais que caracterizam o complexo primário.
Frequentemente só se visualizam os gânglios mediastinais sem se identi car a lesão parenquimatosa.
COINFECÇÃO TUBERCULOSE/VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
No Brasil, a infecção associada ocorre em aproximadamente 15% dos casos, embora a testagem para
HIV seja feita em menos da metade dos casos de tuberculose. Esse percentual varia conforme a região
geográ ca. Por essa razão, o exame sorológico anti-HIV deve ser realizado em todos os casos de
tuberculose.
Nos pacientes soropositivos para HIV deve ser solicitado o teste tuberculínico. Em caso de
positividade e, após afastar-se o diagnóstico de tuberculose ativa, está indicado o tratamento
preventivo com isoniazida por 6 a 9 meses, já que esses casos têm aproximadamente 50% de chance
de adoecerem.
Os pacientes com HIV apresentam menor rendimento diagnóstico no exame de escarro, maior
incidência de tuberculose extrapulmonar, maior incidência de micobacterioses não tuberculosas e maior mortalidade por tuberculose. Na investigação diagnóstica deve sempre ser solicitada cultura e
teste de sensibilidade no escarro, escarro induzido ou lavado broncoalveolar coletado por
broncoscopia.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
O diagnóstico diferencial deve ser feito especialmente com doenças granulomatosas infecciosas, como
micoses (paracoccidioidomicose, histoplasmose, nocardiose), doenças granulomatosas não
infecciosas, como sarcoidose e granulomatose de Wegenner, além de pneumonia e câncer de pulmão.
TUBERCULOSE EXTRAPULMONAR
A tuberculose deve ser considerada uma doença sistêmica, pois após a primoinfecção existe
disseminação linfo-hemática que pode levar o bacilo a qualquer tecido ou órgão. A doença de
localização extrapulmonar corresponde aproximadamente a 20% dos casos nos pacientes HIV
negativos. O diagnóstico é, em geral, difícil de ser estabelecido devido a di culdade de serem obtidas
amostras apropriadas de material e pela menor quantidade de bacilos presentes nessas lesões.
Nos indivíduos imunocompetentes, a tuberculose extrapulmonar geralmente ocorre sem lesões
pulmonares evolutivas. Os pacientes com AIDS, entretanto, podem apresentar comprometimento
simultâneo de pulmões, gânglios mediastinais, abdominais e periféricos, pleura, intestino e outros
órgãos.
Os sintomas e sinais dependem dos órgãos ou sistemas afetados pela doença. Geralmente o
diagnóstico é feito baseado em dados epidemiológicos, clínicos, laboratoriais e histológicos. É
infrequente a con rmação bacteriológica nesses casos já que as lesões são paucibacilares.
O teste tuberculínico é um exame fundamental e deve ser sempre solicitado; costuma ser
positivo, com exceção dos casos em imunode cientes.
A biópsia é utilizada principalmente nos casos de tuberculose extrapulmonar que são paucibacilares e,
por isso, são difíceis de serem con rmados bacteriologicamente. Parte do material biopsiado deve ser
colocado em solução de formol para exame histopatológico cujo achado fundamental é de granuloma
com necrose caseosa. Faz-se colorações para pesquisa de BAAR e fungos. Outra parte desse material
deve ser colocada em solução siológica e encaminhada para cultura para micobactérias e fungos.
O diagnóstico de certeza é dado pelo crescimento do M. tuberculosis em cultura.
As localizações mais frequentes são pleural, ganglionar periférica, osteoarticular, geniturinária,
meningoencefalite, miliar, peritoneal, pericárdica, cutânea, suprarrenais, laringe e oftálmica. Nos
pacientes imunocompetentes a forma mais frequente é a pleural e nos pacientes HIV positivos é a
ganglionar. As formas mais graves e de maior mortalidade são a tuberculose miliar e a
meningoencefalite.
TUBERCULOSE PLEURAL
A tuberculose pleural muitas vezes é confundida com pneumonia comunitária porque o paciente
apresenta febre, dor torácica e tosse. A radiogra a de tórax mostra derrame pleural geralmente
unilateral e de volume moderado sem identi car lesões parenquimatosas. O teste tuberculínico pode
ser negativo em 30% dos casos na fase inicial da doença, voltando a positivar em 2 a 3 meses. A
toracocentese mostra líquido amarelo-citrino, exsudato com alta concentração de proteínas,
geralmente, mais de 4,5 g, predominância de linfócitos (acima de 85%) e poucas células mesoteliais
(abaixo de 5%). A enzima adenosina desaminase (ADA) é sugestiva do diagnóstico quando acima de
40 U/l. É rara a identi cação de bacilo no líquido pleural. A biópsia da pleura parietal com agulha de
Cope identi ca granuloma em 60% a 80% dos casos.
TUBERCULOSE GANGLIONAR
A apresentação clínica da tuberculose ganglionar periférica caracteriza-se pelo surgimento de
linfonodomegalias indolores principalmente nas regiões cervicais e supraclaviculares. Esses
linfonodos podem formar massas fusionadas e amolecidas pela necrose com stulização para a pele. É
a chamada escrófula com abscesso frio. A Reação de Mantoux caracteristicamente é positiva, exceto
nos pacientes com AIDS. A biópsia identi ca granuloma com necrose caseosa. A baciloscopia é
positiva em 15% a 25% dos casos e a cultura identi ca a micobactéria em até 50% a 90 % dos casos.
MENINGOENCEFALITE TUBERCULOSA
Geralmente de evolução mais arrastada no adulto e com quadro clínico agudo na criança, a
tuberculose meníngea é acompanhada de elevada taxa de mortalidade. Por esta razão, o diagnóstico
e o tratamento precoces podem ter impacto positivo sobre o prognóstico. Em cerca de 50% dos casos
há lesão pulmonar em atividade simultaneamente e as radiogra as de tórax pode auxiliar muito no
diagnóstico. A TC e a RM de crânio demonstram hidrocefalia, espessamento meníngeo basal e infartos do parênquima cerebral. O liquor, em geral hipertenso, costuma ser claro e límpido com pleocitose em
torno de 500 células/mL e predomínio de células mononucleares. A concentração de proteína é alta e
glicose baixa. O BAAR pode ser encontrado, mas com a cultura o diagnóstico pode ser feito em cerca
de 60% dos casos.
TUBERCULOSE MILIAR
Ocorre por disseminação hematogênica do bacilo sendo caracterizada por opacidades difusas com
nódulos que medem de 1 a 3 mm, vistos as radiogra as de tórax. Clinicamente pode apresentar-se de
forma aguda com evolução insidiosa entre 7 e 16 semanas, com febre, anorexia e fraqueza e tosse. A
hepatomegalia ocorre em cerca de 30% dos casos, bem como as manifestações neurológicas. Pode
apresentar também por febre de origem obscura e in ltrado pulmonar miliar tardio ou ainda como
uma forma não reativa, mais grave com evolução para sepse e síndrome in amatória.
O exame de escarro é positivo para BAAR em apenas 20% dos casos e brobroncoscopia deve ser
realizada, tendo rendimento de 70%. A biópsia hepática tem rendimento de até 100%.
PREVENÇÃO
VACINA BCG
A vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin) é feita com bacilos vivos provenientes de culturas de M.
bovis atenuados. No Brasil é obrigatória para crianças menores de um ano de idade. Deve ser aplicada
preferencialmente nos recémnascidos ainda na maternidade. Aplica-se 0,1 mL da vacina por via
intradérmica na região deltoide do braço direito. Protege contra formas graves, como tuberculose
miliar e meningoencefalite e é responsável pela diminuição signi cativa de casos de tuberculose
infantil no Brasil.
TRATAMENTO DA TUBERCULOSE LATENTE
O tratamento da tuberculose latente ou quimiopro laxia secundária é o tratamento da tuberculose-
infecção para evitar a evolução para tuberculose-doença. É realizada com isoniazida na dose de 5 a 10
mg/kg de peso, na dose máxima de 300 mg/dia durante 6 a 9 meses.
As principais indicações são indivíduos com teste tuberculínico positivo infectados por HIV,
imunossupressão pós-transplante, uso de prednisona por tempo prolongado, uso de medicação
antiTNF-a, diabete insulinodependente, silicose, linfomas, neoplasias malignas de cabeça e pescoço,
câncer de pulmão, hemodiálise, gastrectomia, populações indígenas e viragem tuberculínica recente.
A quimiopro laxia primária é feita com uso de isoniazida em recém-nascidos de mulheres com
tuberculose bacilífera, para evitar a infecção primária.
TRATAMENTO
O tratamento para a tuberculose é padronizado e fornecido gratuitamente no Brasil. Embora seja
muito e caz, com índice de cura de 95% a 99%, a efetividade ca em torno de 75%, principalmente
pela falta de adesão ao mesmo. Por essa razão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que
seja feito de forma supervisionada: tratamento diretamente observado (TDO - estratégia DOTS).
O regime recomendado é ambulatorial e supervisionado em serviço de saúde próximo à residência
do paciente.
A resistência aos tuberculostáticos é variável dependendo da região geográ ca do planeta. No
Brasil, a resistência à isoniazida é de 6% e à rifampicina é de 1,5 % (monorresistência) e a resistência a
esses dois medicamentos associados é de 1,4% (multirresistência).
ESQUEMA BÁSICO
Utiliza-se no esquema RHZE, quatro tuberculostáticos administrados por via oral: rifampicina (R),
isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E) nos primeiros 2 meses, seguidos por 4 meses de
esquema duplo com rifampicina e isoniazida, perfazendo 6 meses de tratamento.
A apresentação farmacológica é de comprimidos com doses xas para a fase de ataque: R: 150 mg,
H: 75 mg, Z: 400 mg e E: 275 mg. Na segunda fase a apresentação é de R: 300 mg e H: 200 mg, ou R:
150 mg e H: 100 mg, ou R: 150 mg e H: 75 mg.
As doses preconizadas são de R: 10 mg/kg/dia - dose máxima: 600 mg/dia, H: 10 mg/kg/dia - dose
máxima: 300 mg/dia, Z: 35 mg/kg/dia - dose máxima: 2.000 mg/dia e E: 25 mg/kg/dia - dose
máxima: 1.200 mg/dia.
ESQUEMA PARA MENINGOENCEFALITE
Nos casos de tuberculose meningoencefálica, prolonga-se o tratamento com uso de RH por mais 3
meses, perfazendo 9 meses, e associa-se prednisona ou dexametasona nos 2 primeiros meses.
ESQUEMA PARA CRIANÇAS
Em crianças com menos de 10 anos de idade não se utiliza o etambutol pela di culdade que esses
pacientes têm de identi car a neurite óptica que é um efeito adverso grave desse medicamento. O
esquema utilizado é o RHZ por 6 meses - R: 10 mg/kg peso, H: 10 mg/kg peso e Z: 35 mg/kg peso nos
primeiros dois meses, seguidos de RH nas mesmas dosagens por mais 4 meses.
ESQUEMA PARA TUBERCULOSE MULTIRRESISTENTE
Nos casos de falência terapêutica do esquema básico, com resistência comprovada pelo menos à
rifampicina e à isoniazida (tuberculose multirresistente – TBMR), o esquema preconizado é o uso de 5
medicamentos na fase inicial, por 2 meses – estreptomicina, etambutol, levo oxacina, pirazinamida e
terizidona – e 3 medicamentos – etambutol, levo oxacina e terizidona – por mais 16 meses,
completando 18 meses de tratamento.
COMPLICAÇÕES DO TRATAMENTO
Rifampicina, isoniazida e, especialmente, a pirazinamida podem causar hepatotoxicidade. Em casos
de hepatite medicamentosa, deve-se suspender imediatamente o tratamento e, após a melhora da
função hepática, iniciar esquema alternativo com estreptomicina, etambutol e isoniazida ou
o oxacina. Outra possibilidade é a reintrodução do esquema RHZE, reiniciando sequencialmente os
tuberculostáticos, um a um, na seguinte ordem: rifampicina, isoniazida e pirazinamida.