O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 100
Dentro do armazém, Laura ouviu o anúncio aterrorizante. Era isso. A contagem regressiva final havia começado. O fim tinha chegado, exatamente como previsto no antigo calendário maia. O futuro agora estava gravado em pedra.
Depois de tudo o que Laura havia feito, após todos os riscos que correra para decodificar a mensagem de sua filha, para tentar salvar as crianças do futuro antes que fosse tarde demais. Tudo isso em vão. Seus dias e os deles acabariam logo. Laura ali sozinha, no chão de um armazém de limpeza, a apenas alguns segundos da caveira de cristal.
A caveira agora estava prestes a abrir um buraco na estrutura do tempo-espaço, através do qual todo o planeta, todo o universo seria sugado para um vórtice de esquecimento.
Dentro da Sala de Controle, Michael se contorcia em sua cadeira contra as algemas e a mordaça, enquanto Caleb avistava a bagunça de óleo ainda rodeando o corredor de serviço no lado externo, vociferando para sua equipe:
— Agora, alguém limpe este lugar! — ele devia restaurar a ordem rapidamente. Ele não poderia deixar que o que havia acabado de acontecer com esses dois renegados estragasse seu grande dia.
Caleb estava realizado por ver aquilo. Dentro de minutos, uma dupla de faxineiros latino-americanos havia chegado ao corredor. Com seus carrinhos de equipamentos de limpeza, eles logo trabalharam arduamente para tentar limpar o óleo com um esfregão. Um deles começou a limpar perto da porta para o armazém em que Laura estava sendo mantida.
Dentro do armazém, ela se perguntou o que estava acontecendo. Conseguiu ouvir o som de espirro de um esfregão enquanto o faxineiro tentava remover o óleo que preenchia o corredor no lado externo da porta. Puxou desesperadamente a fita que a prendia e tentou gritar por ajuda, mas seus berros não podiam ser ouvidos acima do som de enormes geradores, quando eles começaram a funcionar, preparando-se para enviar sua carga eletrônica mortal à caveira de cristal.
“Sinto muito, Alice”, ela ouviu a si mesma dizer. “Eu realmente tentei impedir o experimento. Acredite em mim, eu tentei, eu dei o meu melhor”. Mas agora era inútil, tinha acabado. Não havia mais nada que ele pudesse fazer. Ela então desejou que Michael estivesse com ela, de modo que pudessem passar juntos seus últimos momentos que restavam na Terra.
No lado externo da porta, o faxineiro havia parado de trabalhar. Uma figura idosa e diminuta vestindo usual uniforme de macacão branco e boné da empresa combinando. Ele parecia despercebido pela equipe de técnicos que se apressava para assumir sua posição para a contagem regressiva final. Quando o faxineiro teve certeza de que ninguém estava olhando, sacou seu molho de chaves e começou a testá-las na fechadura.
A próxima coisa que Laura tomou conhecimento foi da porta escancarando-se, as luzes se acendendo e o faxineiro entrando na sala. Perguntou-se o que acontecia quando ele aproximou-se atrás dela e começou a soltá-la. Seu coração, porém, cantou de júbilo assim que a virou para que pudesse ser seu rosto.
— Hunab Ku! — ela chorou de alívio assim que reconheceu o xamã maia! — Mas como…? — Laura mal podia acreditar em seus olhos enquanto ele corria para desamarrá-la.
— Digamos que eu tenho amigos em lugares inferiores… — Laura fez uma careta intrigada — de uma vida passada — ele acrescentou, sorrindo de modo enigmático.
A verdade é que Hunab Ku havia usado grande parte do restante de suas economias de vida para voar de Nova Iorque a Albuquerque na noite anterior, imediatamente após o desaparecimento corajoso de Michael. Lá ele usara antigos contatos de seus dias de glória como faxineiro para conseguir para si um emprego de contrato no Lab-Z.
— Agora, corra! — ele sussurrou assim que finalmente conseguiu libertá-la de suas amarras.
Naquele momento, eles ouviram a voz de Caleb anunciando no sistema de som:
— Preparem-se para selar a câmara.
Agradecendo ao xamã maia profusamente, Laura tirou seus saltos altos e arrastou-se de volta ao corredor de serviços, no qual conseguiu ver os últimos poucos cientistas e técnicos que restavam saindo naquele instante da Câmara Central.
Assim que a equipe de comando, um grupo seleto de cientistas especialistas vestidos com aventais brancos, desapareceu na Sala de Controle, disparou corredor abaixo, em direção à porta da câmara em estilo submarino, que estava lentamente começando a fechar.
A equipe de técnicos não a notou, pois estava agora atrás da pesada porta, empurrando-a para ser fechada. Ela acabara de conseguir entrar antes de a porta bater com força atrás de si e os técnicos a lacrarem por pressão, girando sua grande fechadura metálica em formato de roda no lugar.
Assim que as luzes acima da porta começaram a brilhar vermelhas, a voz gerada por computador anunciou:
— Sistema de auto-travamento acionado. Iniciando a geração de energia e aquecendo os lasers. Todos os sistemas funcionando. Preparem-se para o disparo final em exatamente cinco minutos.