O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 39
12 DE DEZEMBRO DE 2012
Durante todo o tempo em que Laura estivera fora, na cerimônia de premiação em Boston, Michael realizara testes adicionais na caveira, no Laboratório de Cristal da Nanon Systems. Embora estivesse trabalhando nela por pouco mais de vinte e quatro horas, parecia que não dormia há dias.
Agora estava ocupado verificando a calibração de seu equipamento de medição, no escuro laboratório, enquanto aguardava ansiosamente pela chegada de seu chefe.
Caleb apareceu de repente à porta. Ele vociferou uma ordem para um de seus subalternos, que correu para executar seu comando antes de o grande homem-urso marchar laboratório adentro.
— Ok, Michael, então o que você conseguiu? — ele notou a caveira de cristal posicionada sobre a máquina de laser e teve uma tardia reação. — Que diabo é aquilo!?
— E aquele computador da próxima geração sobre o qual falava — respondeu.
— Não se parece muito com um computador para mim — Caleb disse enquanto observava a caveira com desconfiança. — Escute, eu não tenho muito tempo, então é melhor que seja bom.
— Não levará um minuto. Apenas observe isso! — Michael disse enquanto escurecia as luzes e dava uma leve pancada em uma chave para acionar a máquina.
Um feixe preciso de luz vermelha penetrou na base da caveira, refletindo-a nos arredores e saindo por seus olhos. Brilhou em uma folha de papel colocada em uma placa metálica que Michael havia posicionado na frente dela, no qual começaram a queimar os dígitos:
122120121221201212212012
122120121221201212212012
Exatamente como acontecera antes, quando Laura estava no laboratório.
Embora fosse difícil admitir, Caleb estava impressionado. Ficou encarando a caveira. Simplesmente não conseguia parar de admirá-la. Ele nunca tinha visto nada parecido. Não queria que Michael soubesse, mas havia algo nesse objeto que realmente o encantara.
O feixe de laser terminou de gravar seus dígitos e fez aparecer um buraco negro no meio da folha de papel à frente do rosto da caveira. O papel começou queimar, explodindo-se em chamas.
— Que troço é esse? — Caleb exclamou enquanto Michael desligava a máquina e corria para apagar o fogo.
Ele passou o pedaço de papel para Caleb, que o olhou intrigado.
— Num primeiro momento pensei que fosse um código terciário — Michael explicou — mas venho realizando esses testes e estou obtendo esta mesma impressão muitas e muitas vezes. Eu simplesmente não consigo passar desse código de operação básico.
Caleb era um homem que gostava de soluções, não de problemas.
— Então, por que você está desperdiçando meu tempo? — ele estourou.
— Bem… — Michael estava colocando alguns eletrodos na caveira — então eu tentei injetar força, e olha o que acontece!
Michael fez alguns ajustes finais nos eletrodos e mudou a voltagem para força máxima.
— Agora apenas olhe dentro da caveira, em vez de olhar para o que está gravando.
Caleb observou o interior do cristal transparente, onde pensou que pudesse ver algum movimento.
— Vê aquilo? — Michael perguntou. — E como se sua densidade interna mudasse, como se o centro do cristal estivesse sofrendo um tipo de plasmólise, quase como se mudasse para líquido, e seu centro está se movimentando em direção ao lado de fora.
Caleb estava profundamente intrigado enquanto observava uma pequena área escura surgindo do centro da caveira.
— E como se houvesse um buraco começando a se abrir dentro dela!
Os dois homens observavam admirados o que acontecia enquanto um pequeno buraco começava a surgir no interior do objeto. Ficaram hipnotizados quando testemunharam as mudanças de densidade acontecendo, o que antes havia sido matéria sólida se deslocava e se movia diante deles.
Caleb olhou para Michael, cujo rosto estava agitado por pisar em novo solo, de mover-se rumo ao desconhecido. Ele deveria ter adivinhado. Michael não era do tipo que jogava seu tempo fora. Era de uma raça rara, um homem de visão estrambólica.
Quando ele estava envolvido em algo, isso tinha que ser bom.
Caleb estava prestes a parabenizá-lo, quando Michael falou.
— Isso não é tudo. Eu observei um efeito ainda mais estranho quando acrescento a luz de laser. Veja isto!
Deu uma pancada em uma chave da máquina e um pulso de laser curto e preciso lançou-se através da base, o qual foi refletido pelos olhos e brilhou na placa metálica diante do rosto da caveira, como antes.
— Você vê o horário naquele relógio? — Michael perguntou apontando para um relógio digital na máquina situado embaixo da caveira, junto à trajetória do feixe de laser.
— Sim.
— Que horário ele marca?
— Está marcando 9 horas, 1 minuto e 100 nanosegundos — Caleb respondeu, inexpressivo. — Por quê?
— Bem, aquele relógio registra o horário exato de quando o feixe de laser foi lançado na máquina. Agora você vê o
horário naquele relógio? — Michael apontou para outro relógio digital, semelhante ao que ele havia anexado à placa de metal, posicionado diante da caveira.
— Claro — Caleb passeou próximo ao relógio. — Marca 9 horas, 1 minuto e 99 nanosegundos.
— Bem — Michael começou —, aquele relógio registra o momento exato em que aquele feixe de luz laser, tendo atravessado a caveira e refletido a partir de seus olhos, finalmente chegou a seu destino. Registra o nanosegundo exato em que o feixe de laser atingiu pela primeira vez aquela placa de metal.
— Mas está um nanosegundo adiantado! — Caleb exclamou. — Isso é impossível! — olhou para Michael, que simplesmente ergueu as sobrancelhas e espalmou as mãos.
— Você deve estar brincando, certo? — disse Caleb.
— Impossível, eu sei — Michael disse enquanto se aproximava e olhava o relógio —, mas eu testei dezenas de vezes. Eu até tentei utilizar todos esses relógios diferentes — ele abriu uma gaveta para mostrar a Caleb todos os relógios que havia fixado antes e que agora tinham sido descartados — porém é sempre o mesmo efeito, a luz sempre chega a seu destino pelo menos um nanosegundo ANTES de ser emitida!
— Isso é inacreditável! — Caleb coçou a cabeça, antes de começar a ficar quase enfurecido. — Einstein disse que nada no universo pode viajar mais rápido do que a velocidade da luz, então nada pode voltar no tempo!
— Eu sei! — disse calmante. — Isso foi o que eu pensei — fez uma pausa. Mas quem sabe Einstein estivesse errado?
Eles entreolharam-se.
Michael foi o primeiro a falar:
— Sei que é apenas uma minúscula fração de segundo, mas se aplicarmos sólidos volumes de eletricidade e laser…
Caleb estalou os dedos.
— Michael! Espere um pouco! Esqueça o código terciário — ele começou a ficar muito agitado. — Verifique este efeito! Multiplique-o! Quero saber quanto podemos amplificar este efeito e quanta pressão essa coisa pode suportar, mesmo quando sofre plasmólise total.
— Sem problema — disse Michael, sorrindo de orelha a orelha.
— Estamos no caminho certo — entusiasmou-se Caleb. — Se esta coisa funcionar, estou pensando em uma aplicação em que você não acreditaria, uma que poderia mudar todo o nosso futuro.
— Você acha? — Michael perguntou.
— Eu sei que sim! — respondeu Caleb, expressando em sua voz como estava animado. — Eu consigo ver agora, você e eu, vamos tentar o Prêmio Nobel.
Michael pareceu hesitante, até Caleb acrescentar:
— Eu quero total confidencialidade nisso, está bem?
— Claro — Michael disse, pensando por um momento. — O único problema é que a caveira, na verdade, pertence ao museu.
— Eu não vejo por que deveria ser um problema — Caleb deu a Michael um sorriso sagaz.