O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 13
6 DE DEZEMBRO DE 2012
Na noite seguinte, Laura encontrava-se sentada no consultório do Dr. Willis. Gostava dele. Embora agora estivesse próximo da aposentadoria, achava seu modo gentil reconfortante. Parecia sempre disponível para vê-la.
— Bem, não há nada errado com seus ouvidos — ele disse enquanto guardava a caneta-lanterna que havia utilizado para examiná-la. Assim que sentou à mesa do médico, Laura parecia ansiosa.
— E, me diga, como está seu sono?
— Não muito bem. Continuo tendo pesadelos — ela fez uma pausa. — Eu apenas tenho essa sensação de que algo não está muito bem, mas não sei o que é.
— Esses sintomas — disse Dr. Willis —, em geral ansiedade, pesadelos, ouvir coisas, não são incomuns. E, me diga, como está Michael?
— Você conhece o Michael — respondeu — trabalhando mais do que nunca, principalmente desde quando começou naquele emprego novo. Mas eu simplesmente não consigo explicar esses barulhos que continuo escutando, e eu comecei a ver coisas também.
— Que tipo de coisa? — Dr. Willis perguntou, parecendo preocupado.
— Ah, tenho certeza de que não é nada — de repente, sentiu necessidade de reafirmar sua sanidade a ele.
Dr. Willis uniu as mãos:
— Bem, você tem ficado muito estressada recentemente, por causa da morte de seu colega, sem mencionar sua própria perda.
Laura desviou o olhar.
“Não há como escapar das forças que dão forma à sua vida”, pensou consigo, “que a definem, que a deixam assustada, exaurida, mas ainda estão aqui, encarando outro dia. Mas o que quer que estivesse acontecendo, devia ser mais do que apenas estresse”, concluiu. “Afinal de contas, era uma velha amiga do estresse e da perda”.
— Eu sei que você é ocupada, mas, se pudesse, ficar algum tempo afastada poderia realmente ajudar — disse Dr. Willis.
Ele pôde ver pela expressão de Laura que essa não era uma boa opção.
— E se isso não for possível — começou a escrever sua receita — recomendo que tome uma destas todas as noites antes de dormir — entregou-lhe a receita com os remédios para dormir. — E volte para me ver se o problema persistir.
“Talvez Dr. Willis esteja certo”, Laura pensou, quando voltava para casa. Era de estresse que ela sofria, isso era tudo. Realmente não estava ficando louca. Simplesmente, precisava diminuir um pouco o ritmo e encarar as coisas sob outro ponto de vista.
O apartamento estava escuro quando Laura chegou em casa. Michael estava trabalhando até tarde novamente, como sempre, e ela mantinha uma opinião ruim a esse respeito.
Retirou o casaco e o pendurou próximo a sua cômoda, no hall de entrada, antes de instalar-se na sala de estar, aproveitando a oportunidade de tratar de assistir a seus programas de televisão favoritos.
Mas não demorou até notar uma súbita e inesperada sensação de medo e solidão. Ela percebeu que preferia assistir àqueles programas inúteis com Michael lá, mesmo se ele insistisse em falar durante todo o tempo.
Mais tarde naquela noite, Laura preparava-se para ir para cama, sozinha. Ela colocou sua camisola e se arriscou descalça pelo caminho até o quarto. Assim que passou pela porta do quarto extra, percebeu que estava levemente entreaberta, e um feixe de luar brilhava de dentro chegando a iluminar o carpete do corredor.
Ela empurrou a porta para abri-la e olhou dentro. As paredes cor-de-rosa eram decoradas com fadas sentadas no alto de flores, sorrindo lívida e delicadamente. A própria Laura as havia estampado. Um globo de gás hélio estava amarrado à cabeceira da cama, acima de lençóis habilmente dobrados, e uma fileira ordenada de fofos brinquedos estava ajeitada sobre os travesseiros.
Um urso de pelúcia solitário era a única coisa fora de lugar, de barriga para baixo em uma piscina de luar no meio do chão.
Entrou lentamente e apanhou o urso.
Olhou tristemente para ele durante um momento e o segurou com suavidade contra o peito antes de colocá-lo cuidadosamente de volta em seu lugar entre os demais brinquedos. Ela fez uma pausa e então deixou o cômodo, fechando suavemente a porta.