O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 106 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 103

Dentro da câmara, Laura berrava desesperadamente.

— Michael, o que eu faço?

Michael, no entanto, que podia apenas ouvi-la pelo interfone, simplesmente balançou a cabeça em negativa e sussurrou para si em desespero silencioso:

— Eu não sei, Laura. Eu não sei.

Naquele momento, o extintor que ricocheteava de repente explodiu através da janela da Sala de Controle. Fez um buraco perfeito antes de se chocar com a cadeira de Michael, enviando-o vacilante pela sala assim que o derrubou ao chão.

Ao ver isso, Laura gritou:

— Michael! — e correu a seu socorro. Porém, teve que lutar contra a força do vento que sugava cada vez mais, enquanto tentava se dirigir a uma das plataformas metálicas elevadas ao redor da caveira.

Ela teve que passar entre o giroscópio e uma das máquinas de disparo de laser para chegar à Sala de Controle, calculando com muito cuidado antes de disparar entre os pulsos de seu feixe.

Mas, ao fazê-lo, um enorme arco de eletricidade zumbindo alto de repente se ergueu através da grade da passarela a partir do piso inferior eletricamente carregado, como uma faísca sólida proveniente de algum gerador de Van Der Graaf.

Ela desviou de seu caminho, mas não antes da lateral da parte superior de seu braço ser gravemente chamuscada pelo poderoso feixe de laser.

Cambaleou por outro caminho, tremendo de dor e quase perdendo a pegada nas grades, antes de prosseguir, agora com grande cuidado, para evitar os arcos gigantes de eletricidade que começavam a se elevar aleatoriamente a partir do cristal líquido abaixo.

Ela olhava ansiosamente para seu destino.

No interior da Sala de Controle, Michael estava deitado no chão com o rosto para baixo, ainda preso à sua cadeira. À medida que se recuperou gradualmente do choque de ter sido lançado pela sala, ele começou a se esforçar para se libertar de seu assento. E, ao fazê-lo, algo caiu de seu bolso.

Era o pequeno medalhão de prata em formato de coração de Laura. Arrastado ao chão pelo vento, sua corrente prendeu-se no braço da cadeira e permaneceu lá, brilhando à luz, bem em frente a seu rosto. Michael parou para observá-la. Ele conseguia claramente distinguir o nome gravado nele. Dizia simplesmente “Alice”.

Michael teve um momento de percepção, antes de se esforçar para se mover. Com toda sua força, ele contorceu-se para libertar-se da cadeira de escritório danificada, e seus braços finalmente saíram com suas mãos algemadas.

Agarrando o medalhão, ele cambaleou até o sistema de som antes que alguém pudesse impedi-lo e gritou para Laura na Câmara Central:

— Já sei. Nós precisamos…

Porém, naquele momento, o sistema de som foi interrompido, e seu alto-falante foi arrancado da parede da câmara pelo tornado giratório.

— De quê? — Laura berrou. Mas não conseguiu ouvir sua resposta detrás da janela sobre o zumbido de eletricidade e os ventos ferozes.

Ela cambaleou pela passarela, que agora começava a balançar e vibrar em resposta aos ventos giratórios e o sólido volume de força gerado embaixo dela.

Finalmente se aproximava da janela da Sala de Controle, quase próximo o suficiente para ler os lábios de Michael, quando o alto-falante ricocheteou no giroscópio e bateu com força na janela bem em frente a ela.

A janela rachou-se em um padrão de minúsculos pedaços, de modo que não conseguia mais enxergar através dela. No entanto, a força do vento agora estava tão forte que a janela se despedaçou e milhares de cacos brilhantes de vidro vieram voando diretamente em sua direção, quando foram sugados para o centro da câmara.

Laura agarrou o alto-falante voador e o usou como um escudo, bem a tempo! Ele ficou incrustado com centenas de cacos de vidro, alguns deles se projetando diretamente para o seu lado do escudo.

E agora todos, mesmo aqueles dentro da Sala de Controle, precisavam se pendurar em qualquer objeto sólido que pudessem encontrar para evitar serem sugados para a câmara.

Contudo, com a janela agora quebrada, Michael, segurando firme, conseguiu escalar diretamente à galeria que contemplava a câmara central por cima. Ele continuou a se agarrar às grades, quando cambaleou a escadaria de metal abaixo até o nível de Laura.

Mas assim que alcançou o degrau mais baixo, a parte superior da escadaria começou a se soltar de seus parafusos com ventos que naquele momento tinham a força de furacões. Essa parte superior da escada em seguida caiu sobre ele, prendendo-o por baixo, ao mesmo tempo em que o fixava ao chão.

Finalmente chegando até ele, Laura tentou sem sucesso libertá-lo.

— Lembre-se do que Alice disse — Michael falou entre dentes cerrados, enquanto fazia caretas de dor. — Devemos reverter o experimento! — Laura pareceu perplexa. — Temos que reverter o circuito que conduz aos eletrodos!

— Mas como? — Laura indagou.

— O Painel de Controle, lá! — Incapaz de apontar, Michael gesticulou com os ombros para indicar algo do outro lado.

Laura olhou desesperadamente pela câmara, na direção geral indicada, quando percebeu alguns cabos grossos que conduziam a uma caixa metálica de distribuição, posicionada no alto da parede.

Ela conseguiu apenas distinguir as letras na caixa, que diziam:

— Painel de Controle.

De repente, pareceu-lhe como se estivesse a centenas de quilômetros de distância, quando a voz gerada por computador anunciou:

— Atenção, 75% de geração de força. Um minuto para força total.