O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 80 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 77

Michael chegou ao lado da cama de Laura, na ala de tratamento intensivo, bem a tempo de ver a linha reta do batimento cardíaco na tela do monitor de eletrocardiograma. Era acompanhada de um desagradável barulho rouco de emergência. O médico gritou alto:

— Rápido! Ela está com a linha reta! — e a equipe médica correu para aplicar um desfibrilador cardíaco em seu peito.

Enquanto Michael olhava fixamente para o desfibrilador, sua mente começou a girar. Ele tinha visto esse equipamento antes. Eles usaram um desfibrilador idêntico no pequeno peito de Alice apenas dois anos antes. Seus pensamentos foram interrompidos por um som profundo de batida, assim que aplicaram o primeiro de uma série de choques elétricos, e o corpo de Laura convulsionou violentamente. Outra batida, e Michael foi transportado ao passado mais uma vez, para o lado do leito de Alice, enquanto tentavam fazer seu coraçãozinho funcionar eletronicamente, para que batesse novamente.

Outra batida, e Laura convulsionou de modo violento, antes que o médico exclamasse:

— Ela está estabilizando!

Michael observava aliviado enquanto o batimento cardíaco de Laura voltava ao normal.

“Sinto muito, Laura!”, ele se arrependeu amargamente por ter feito a viagem para ver o Detetive Dominguez. No que ele estava pensando, com Laura em tal estado crítico? “Estou aqui agora, querida, meu amor. Estou aqui ao seu lado”.

O médico responsável permaneceu em silêncio enquanto examinava o gráfico de Laura. Michael sabia da situação. Laura estava em um estado muito grave, e, mesmo assim, nenhum dos médicos conseguiu solucionar o que havia de errado com ela. Nenhum deles tinha qualquer noção do que a havia trazido a esse ponto. Não havia absolutamente qualquer histórico de problemas médicos em sua família, nenhum histórico de doenças cardíacas ou ataques, e nenhum dos testes apresentava qualquer problema oculto em seu cérebro, seus pulmões, coração ou peito, e ainda assim os médicos estavam em uma constante batalha apenas para mantê-la viva. Tudo era tão esquisito, tão inexplicável, e Michael ficava cada vez mais perturbado.

— O que está acontecendo? — ele perguntou.

— Não há qualquer alteração, creio eu — respondeu o médico.

Michael começava a sentir que simplesmente não agüentaria mais; a espera, a incerteza, a sensação terrível de que a estava perdendo. Ele implorou ao médico:

— Por favor! Vocês têm que trazê-la de volta!

— Sinto muito, Dr. Greenstone, mas fizemos tudo o que foi possível — a resposta veio. O médico segurava aberta uma das pálpebras de Laura, iluminando uma caneta-lanterna dentro de seu olho, mas sua pupila não contraiu.

— Não podemos simplesmente fazer com que ela responda. Receio que não haja mais nada que possamos fazer.

Tudo o que Michael poderia fazer era sentar-se ao seu lado e aguardar. Ele sentou-se ali, em silêncio estarrecedor, olhando para a esposa. Ela ainda respirava, mas isso era tudo. Ela estava deitada lá, cercada de equipamentos médicos, envolta em um silêncio mortal. O único barulho era o som das várias máquinas eletrônicas que suportavam e monitoravam seus sistemas vitais. Michael havia estado lá antes, e o assustava o que aconteceria em seguida. Laura e ele passaram por tudo isso com Alice.

As coisas tinham sido tão parecidas na época. O batimento cardíaco de Alice havia estabilizado. Tinha sido um alívio inimaginável. De volta a um batimento cardíaco normal, eles pensaram que estavam ganhando, que haviam superado uma parte, que sua bela filhinha ficaria bem. Eles haviam se sentado lá, sentindo que tudo ficaria bem, que tudo se resolveria e que logo retornariam para casa.

Michael mal conseguia se recordar de quando eles o informaram. Foi muitos dias depois, ou foi apenas algumas horas até que a médica explicasse? Antes, aquelas palavras os abatera como se um machado tivesse destruído tudo, exatamente como naquele momento, quando as coisas haviam começado a parecer tão boas, quando tudo ficaria bem.

Ele conseguiu se lembrar da pediatra. Ela havia sido amável, sim, e gentil em seus modos, mas as palavras que ela falara eram as mais cruéis que ele já ouvira. Palavras que ele havia esperado cegamente, como qualquer paciente, nunca ouvir.

— Removemos a obstrução e conseguimos assistir seus batimentos cardíacos e respiração, então Alice agora se estabilizou, mas sinto muito em dizer que… — houve uma preocupação em sua voz, quando ela fez uma pausa — ela está em coma, o oxigênio faltou durante tanto tempo que… Acredito que ela sofreu danos cerebrais irreparáveis. Alice nunca retornará à consciência plena. Ela pode apenas viver agora em um estado vegetativo, totalmente dependente da máquina de suporte à vida para suas funções mais básicas, completamente dependente da tecnologia do hospital para sobreviver.

Ela fez uma nova pausa e tossiu:

— É óbvio que vocês podem mantê-la viva indefinidamente, porém ela nunca se recuperará. Depende de vocês. O que vocês querem que façamos?

Foi a decisão mais difícil que já haviam tomado. A decisão mais dolorosa que qualquer ser humano jamais deveria tomar é decidir se seu precioso filho devia viver ou morrer. Era uma decisão que ia além do que os seres humanos eram capazes de decidir de maneira sensata. Foram muitas semanas agonizante até que tomassem uma decisão.

Então, eles assistiram em agonia, enquanto os médicos começaram a lentamente desconectar Alice de sua máquina de suporte à vida, uma parte de tecnologia de cada vez. Laura segurou a filha próxima a seu peito, enquanto Michael abraçou a ambas, com um braço delicadamente afagando as costas de Alice enquanto ela morria. Pela última vez, eles observaram o rosto dela, suas bochechas macias e rosadas, seus olhos já fechados tão silenciosamente, ah, tão silenciosamente ela deu os últimos suspiros em seus braços. Michael sentiu sua pequenina mão na dela, quando escorregou lentamente para fora de seu aperto delicado.