O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 107 de 112

Páginas do PDF

O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 104

- Mas, Michael — disse. Ela não queria abandoná-lo naquele estado arriscado.

— Vá, Laura! Vá agora! — ele gritou, e ela começou a disparar pela câmara.

No entanto, ao fazê-lo, a passarela central a qual tentava atravessar começou a se soltar lentamente de sua hidráulica, levando-a para mais longe de seu destino, visto que as diversas partes da passarela começaram a se separar umas das outras e a se recolher às paredes.

Precisaria agir antes que as passarelas se tornassem fatalmente impossíveis de atravessar. Ela correu o mais rapidamente que pôde, chegando ao fim de sua parte apenas para se deparar com uma fenda ainda maior. Ela se equilibrou e saltou no limite da abertura. Seu coração pulou quando um enorme arco de eletricidade se levantou, não a acertando por poucos centímetros.

Acabara de atravessar para o outro lado, apertando desesperadamente as grades, agora de aparência inconsistente, quando a parte da passarela que ela deixou para trás de repente ruiu no furacão e mergulhou no fogo do inferno abaixo.

Ela se arrastou e cambaleou até o final do próximo trecho. Mas assim que se preparava para fazer o próximo grande salto, o maior aro externo do giroscópio, que permanecera imóvel até as passarelas se recolherem para longe de seu caminho, de repente começou a rodar, passando à sua frente empinou-se para evitar que fosse acertada por ele.

Havia acabado de conseguir manter a passada e estava prestes a tentar saltar de novo, quando a parte da passarela diante de si, na qual estava prestes a pular, também caiu. Perdeu o equilíbrio e tombou na borda, conseguindo apenas se segurar com um braço enquanto encarava o abismo.

Ela agora bamboleava ao final de uma ilha solitária de passarelas desmoronando, quando os ventos com força de furacão ampliaram outro desfiladeiro, e de repente viu-se pendurada horizontalmente, enquanto o buraco negro dentro da caveira tentava puxá-la pelos pés.

Olhou para os parafusos que seguravam a passarela no lugar. Para seu horror, conseguiu ver que eles começavam a se afrouxar. Com todo o balanço e vibração, eles começaram a se soltar da parede por alguns centímetros. Então, de uma hora para outra, saíram por completo.

Embora fosse por menos de um segundo, pareceu como se fosse uma eternidade, quando Laura sentiu tanto ela quanto a passarela na qual estava se segurando sendo sugadas rapidamente em direção ao grande buraco negro e ao turbilhão de lâminas internas do giroscópio no centro da câmara.

Elas voaram pelo ar juntas, mas apenas por um instante Laura largou a passarela e agarrou-se no grande aro externo do giroscópio, enquanto virava, ao mesmo tempo em que a parte quebrada da passarela em que havia se agarrado voava em direção ao buraco negro.

Ela agora prendia sua vida ao aro externo do giroscópio, enquanto ele girava pela câmara.

Passou voando pelo Painel de Controle algumas vezes, ainda tentando planejar como chegar até lá.

A alguma distância abaixo do painel estava outra parte de passarela retratada, no lado oposto da câmara. Calculando com muito cuidado, ela esperou pelo aro externo girar. Então, logo que conseguiu ver a passarela se aproximando, prendeu a respiração, cerrou os dentes e soltou o giroscópio — utilizando sua força centrífuga para contrabalançar a força centrípeta da caveira.

Agarrou-se à passarela no tempo exato, apenas a alguns momentos de ver o pedaço que ela acabara de largar se atirar no aro externo do giroscópio, rompendo-se, criando um fio de navalha mortal que neste instante rodava na sala.

Enquanto isso, a parte de passarela à qual agora de segurava, começou a gradualmente se estender de seu soquete na parede em razão do peso extra. Como resultado, as pernas de Laura começaram a bambolear para as afiadas “lâminas de helicóptero” do aro externo quebrado do giroscópio, enquanto rodava repetidas vezes, ameaçando amputar suas pernas sempre que ela passava.

Utilizando cada músculo de seus braços, foi puxada ainda mais longe na passarela, aparentemente sem chegar a lugar algum, como em um pesadelo, no qual cada vez em que ela se puxava para frente, a passarela era puxada para mais longe do centro da sala, seu fim próximo sendo fatiado repetidas vezes pela lâmina giratória gigante até reduzir-se.

Então, assim que a lâmina externa do giroscópio passou de raspão na perna de Laura, arrancando sangue, a passarela finalmente atingiu sua extensão total e parou de se esticar.

Contorcendo-se em agonia, com uma perna pingando sangue, Laura enfrentou a dor lancinante e se arrastou. Acabara de conseguir esticar o braço e agarrar um dos cabos grossos que levavam ao Painel de Controle, percorrendo a parede na extremidade oposta da passarela, apenas um segundo antes de o restante dela também acertar diretamente a parede ruidosamente e voar, unindo-se aos demais escombros ainda orbitando no centro da câmara.

Neste momento, pendurada em seus braços, Laura começou a fazer seu caminho lentamente pelos cabos espessos, em direção ao Painel de Controle. Quando eles se dobravam e esticavam com seu peso, e seu pé bamboleava próximo à lâmina giratória do giroscópio de desintegração, ela ainda se deparava com o constante risco de objetos caindo e colidindo por todo o lado.

Ela finalmente chegou ao lado do Painel de Controle, quando a voz gerada por computador anunciou:

— Trinta segundos para zero hora.