O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 55
Lá embaixo, na passagem subterrânea comprida e escura, o tempo de Laura se esgotava rapidamente. Ela ficava desesperadamente sem fôlego. Tinha a esperança de encontrar algum lugar neste momento, um local para respirar, mas infelizmente esse não foi o caso.
Aprendera em seu treinamento que havia cavernas nas quais nunca se deveria praticar mergulho livre por mais da metade da capacidade de tempo que você sabe que seu pulmão possui e é capaz de resistir. Ela sabia que no auge de sua juventude conseguia permanecer apenas dois minutos embaixo da água, e agora estava se aproximando da marca de um minuto nessa condição!
Seu plano seria virar-se e começar a nadar de volta caso não encontrasse uma oportunidade para respirar àquela altura. No entanto, esse plano não era possível pelo fato de que ela estava agora sendo arrastada por uma corrente muito suave, porém firme e constante. Em virtude dessa corrente, começava a ficar extremamente assustada porque efetivamente calculara suas opções de modo equivocado e não restava muito tempo para voltar. Mesmo se ela virasse neste momento, provavelmente não conseguiria retornar à piscina cravada no cenote.
Parecia haver poucas opções além de prosseguir com a esperança de encontrar, mais adiante no túnel, uma oportunidade para respirar. Nadou o mais próximo que conseguiu do teto da passagem, procurando desesperadamente por algum lugar onde o ar pudesse ter ficado preso. Mas foi em vão.
Ela começou a entrar em pânico, agora absolutamente desesperada por oxigênio, pois os músculos das pernas começavam a ter câimbra e parecia que estava prestes a cair em colapso, a desmoronar em dor insuportável, quando finalmente encontrou o que tanto procurava.
Exatamente no último instante ela descobriu uma pequena fresta no teto do túnel, uma pequena bolsa de ar na rocha que havia acima do nível da água. É o que mergulhadores de caverna chamam de “brotamento”, um lugar onde alguns litros de ar velho ficaram presos quando o sistema da caverna foi originalmente enchido com água.
Não havia muito o que fazer. Não devia ser muito maior do que um capacete de motocicleta, mas Laura empurrou a cabeça para dentro daquele espaço e ofegou. Embora fosse ar velho e passado, para os pulmões inchados de Laura tinha o gosto mais doce do que o néctar mais agradável. Ela respirou o mais profundamente que conseguia, seu coração ainda martelando no peito.
Sua falta de senso a assustou. Ela não sabia no que estava pensando ao nadar para tão longe, presa no subterrâneo, sem qualquer idéia de onde poderia estar sua próxima oportunidade de respirar. Mas havia tido sorte. Tragou o precioso oxigênio, sabendo que precisaria se acalmar para atingir sua capacidade máxima de natação, habilidade da qual sua vida agora dependia.
Enquanto respirava de novo, de repente percebeu que o nível da água subia lentamente. No começo, conseguira apenas posicionar a cabeça e o pescoço na fenda, mas agora apenas sua cabeça estava acima do nível da água, e a água subia ainda mais a cada momento que passava. Havia se aproximado de seu pescoço e rapidamente chegava perto de sua boca. A qualquer momento, retornaria para baixo.
A pergunta era se deveria tentar nadar de volta ao cenote ou prosseguir. Mas, pensando bem, somente havia conseguido ir do cenote até ali com a ajuda de uma forte corrente que, caso tivesse que nadar de volta, agiria contra ela. Então, mesmo que tentasse nadar de volta, haveria chances muito pequenas de fazer todo o caminho viva.
Porém continuar…
Ela mergulhou de volta na água. A passagem escura à frente se estendia diante dela, muito além do que seu feixe de luz alcançava. Por todo o conhecimento que possuía, poderia se estender para sempre, sem qualquer oportunidade para respirar, sem mencionar a chance de reaparecer acima do nível do solo. Parecia que, de qualquer forma, havia pouquíssimas esperanças. Como ela poderia ter sido tão tola? Parecia que em sua pressa em encontrar a pedra profética havia perdido todo o bom senso.
No entanto, assim que virou o feixe de seu farolete, algo chamou sua atenção. Ela poderia não ter certeza absoluta, mas pensou que tivesse vislumbrado uma luzinha fraca à distância, vindo talvez do longínquo final do túnel.
Era difícil dizer. Poderia ser simplesmente algum reflexo estranho do próprio farolete. Ela já havia aprendido, tantos anos antes, quando fazia seu treinamento de mergulho em caverna, que às vezes efeitos óticos muito estranhos poderiam acontecer embaixo d’água, especialmente ao nadar livremente por cavernas subterrâneas, sob estresse. Parecia ser perfeitamente possível ver a luz nessas circunstâncias, quando de fato não havia nada lá. O que vira poderia ter sido, na verdade, nada mais do que uma miragem intensa, atraindo-a para frente, em direção à sua morte.
Ela, porém, não tinha tempo para conferir de novo. Com o nível da água subindo constantemente, esta era sua última chance de conseguir algum ar. Mas assim que ergueu a cabeça novamente dentro do “brotamento”, o topo de seu crânio tocou o limite da fresta antes mesmo que seu nariz estivesse livre da água. Agora, apenas com a cabeça inclinada para trás, e seu nariz e boca pressionados contra o teto da bolsa de ar, conseguiria respirar. Em alguns segundos não teria escolha, a não ser voltar para baixo ou tentar nadar de volta ao cenote, ou escolher o que era provavelmente a opção ainda mais perigosa: seguir adiante em busca da próxima oportunidade de respirar.
Sua posição no “brotamento” rapidamente se tornava insustentável. Então, após uma última respiração desesperada, ela mergulhou novamente e nadou. Se estava sendo atraída por uma fonte de luz completamente imaginária, Laura não conseguia ter certeza. “Talvez eu tenha acabado de ter um desejo realizado antes de morrer?”, ela se perguntou. No entanto, puro desespero a conduziu adiante. Ela queria sobreviver. Queria ver Michael novamente. Pensar nele a ajudou a nadar mais rapidamente. Ajudou-a a prosseguir.
Ela nadou sem parar. Procurava a luz ao final do túnel, mas parecia não existir nenhuma. A passagem escura parecia se estender eternamente, serpenteando primeiro para a esquerda e então para a direita, mas ainda sem sinal de qualquer fonte de luz ou alguma oportunidade para respirar. E não demorou muito até Laura perceber que ficava perigosamente sem ar.
Sentia um terrível e mortal cansaço em todos os músculos do corpo. A caveira de cristal em sua mochila, às costas, que ela mal notara antes, agora parecia pesar como chumbo. Cada bater de suas pernas, cada braçada que dava com os braços para tentar se impulsionar pela água gastava a energia que ela simplesmente não tinha mais. A terrível câimbra retornou a seus membros, enquanto o oxigênio rapidamente se esgotava em seu organismo, o que poderia provocar paralisia.
A dor se tornava quase insuportável à medida que a passagem serpenteava novamente para a esquerda. Laura sentiu que não conseguiria durar nem mais um momento, quando rapidamente viu uma luz brilhante à frente. Tinha certeza absoluta disso.
Enquanto flutuava para mais perto, contudo, ela percebeu que na verdade não era uma luz o que ela vira, mas a segunda melhor alternativa. O feixe de seu farolete refletia de volta em uma superfície plana acima. Era um teto de água vasto não muito distante. Podia significar apenas uma coisa. Nenhuma superfície rochosa poderia ser achatada, regular e prateada daquela forma. Tinha que ser a interface entre a água escura abaixo e o ar precioso e tonificante em cima!
Ainda não totalmente convencida de que o que via era real, e não apenas alguma ilusão surreal pré-morte, ela convocou suas últimas forças e se empurrou através da água, em direção àquela abertura. De repente, sua cabeça penetrou a superfície da água. Era real!
Em um momento de júbilo inimaginável, ela sufocou-se com o ar úmido e sombrio, tossindo e falando precipitadamente, chorando lágrimas de alívio. Sentou-se estática quando encheu os pulmões, absorvendo o oxigênio que sustenta a vida. Ela nunca tinha sido tão grata por ter oxigênio.
Utilizando toda sua força restante, ela se agarrou em uma rocha na margem da água e arrastou o corpo para fora, para a orla próxima, onde arfou e ofegou.
Assim que recuperou o fôlego, iluminou lentamente com seu farolete todo o local onde estava. Para sua surpresa, ela agora se via ao lado de um pequeno lago escondido dentro de uma caverna imensa e subterrânea, semelhante a uma catedral, na rocha.