O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 96 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 93

De volta ao mundo real, Michael recuperou os sentidos no armazém do Lab-Z. Demorou alguns momentos para registrar onde estava, deitado sobre as costas, olhando para um teto baixo e branco. Ele não tinha lembrança de como havia parado lá.

Alguns profissionais da saúde estavam absortos na conversa ao lado dele. Pareceram não ter notado que ele havia voltado a si. Ele tentou falar, perguntar onde Laura estava, mas uma máscara de oxigênio havia sido colocada sobre seu rosto.

Ele tentou se movimentar antes de sentir a compressão de metal em seus pulsos, como se um par de algemas apertasse sua carne. Ele percebeu que seus braços haviam sido algemados atrás das costas. Qualquer sensação duradoura de júbilo que tivera em sua reunião com Laura e Alice foi rapidamente substituída por ansiedade em relação a como sairia de lá.

A equipe médica, enquanto isso, estava quase tão iludida quanto Michael. Por que ele deveria ter recuperado de repente os sentidos agora, se eles haviam aplicado a máscara de oxigênio alguns minutos antes?

No entanto, os agentes de segurança tinham um conjunto diferente de perguntas em suas mentes.

— Agora! Você tem que prestar alguns esclarecimentos! — vociferou o chefe da segurança, enquanto seu colega e ele arrastavam Michael pelos pés e o guiavam rudemente para fora da sala.

Foi o murmúrio e o zunido do equipamento de monitoramento eletrônico que Laura percebeu primeiro, antes de abrir os olhos e se encontrar deitada em uma cama de hospital. Estava aturdida. “Onde estou? O que estou fazendo aqui?” Não tinha absolutamente nenhuma idéia de onde estava ou como havia chegado lá. Era um mistério total. Estava muito confusa.

Havia fios e eletrodos ligados em todo o seu corpo, e equipamentos de respiração forçando-a a inspirar e expirar. “Meu Deus, o que aconteceu comigo?”

Foi um choque enorme encontrar-se lá. Não tinha idéia de que havia algo errado consigo. Ela se perguntou se haveria se envolvido em algum acidente terrível e perdera sua memória em relação ao que havia acontecido.

Bem, isso certamente era verdade, havia esquecido o que acontecera, um tipo de amnésia temporária a havia afetado de fato. Ainda assim, quando levantou a cabeça do travesseiro e analisou seu corpo, não parecia haver nada de errado, nenhum braço ou perna faltando e nenhum dano físico aparente.

Então, que diabos estava fazendo ali?

Uma enfermeira de meia-idade, de rosto avermelhado e origem irlandesa apareceu, começou a dobrar ativamente os lençóis de volta à sua cama, certificando-se de que não sofria úlceras por pressão. Tomou um susto ao ver que os olhos de Laura estavam abertos, maravilhada por subitamente haver se recuperado de seu coma crônico, sem qualquer motivo aparente.

— Onde estou? — Laura perguntou à enfermeira aturdida.

— No Hospital East Side, em Nova Iorque, no qual está há algum tempo, minha querida — a enfermeira sorriu de modo radiante para ela, em deleite por ela ter finalmente recuperado os sentidos.

O que havia acontecido era que sua consciência de Laura agora se unira a seu corpo, e aquele corpo ainda estava no hospital, na ala de tratamento intensivo, de volta à Nova Iorque! Mas não fazia idéia do que estava acontecendo.

— Onde está Michael? — perguntou.

A enfermeira simplesmente deu de ombros. Não tinha noção do que Laura perguntava.

— Ah, você quer dizer o Dr. Michael Odajee. Ele está no consultório. Eu irei lá e o trarei a você — e saiu da ala antes que Laura tivesse a chance de corrigi-la.

Refletiu sobre quanto tempo ficara deitada ali. Olhou para o relógio digital em sua cabeceira, o qual registrava a hora e a data em dígitos vermelhos brilhantes.

A hora marcava “10:3o”. Porém, foi a data no relógio que enviou uma faísca de choque através do sistema de Laura e fez seu pulso se elevar, seu ritmo rápido ecoando pelas telas de monitoramento eletrônico.

Dizia “21.12.2012”.

“A data do final!”, Laura se deu conta, como se tudo viesse à tona.

“Ó, meu Deus, Michael! Ele ainda está no Lab-Z!”, de repente compreendeu o que devia ter acontecido com ambos, que Michael e ela haviam se unido outra vez a seus corpos, e que o corpo dele deveria estar ainda em algum lugar do Lab-Z. Ao mesmo tempo, teve a percepção gélida e assustadora de que o experimento que eles precisavam evitar estava prestes a acontecer naquele mesmo dia, em apenas seis horas, a mais de três mil quilômetros de distância, sob os desertos de Los Ammuno. Mas de que raio de maneira ela chegaria lá? Como ela salvaria Michael e impediria o experimento antes que fosse tarde demais?

Não havia nenhum momento a perder. Arrancando o sistema de respiração de seu rosto, ela retirou os eletrodos. Enquanto o equipamento de monitoramento emitia sons altos e piscava no modo de emergência, saltou para fora da cama e começou a vasculhar nas gavetas no armário de sua cabeceira, em busca de suas roupas e carteira.

Não havia quase nada lá, apenas um pequeno plástico etiquetado como “Unidade de Segurança Warnburton — Identificação do Paciente e Objetos de Uso Pessoal”. Ela o abriu e despejou seu conteúdo na palma da mão, recuperando seu passaporte e um punhado de notas de dólares. Fechou o pulso ao redor delas e se lançou porta fora.

A enfermeira estava surgindo no corredor, acompanhada de um médico alto e negro.

— Aqui está o Dr. Odajee! — ela disse, surpresa, quando Laura passou correndo por eles.

— Espere! Precisamos discutir seu… progresso — o médico parou quando Laura desapareceu corredor abaixo.

Assim que ela contornou a esquina, voando em direção à ala seguinte, seus olhos se lançaram à expressão boquiaberta de uma jovem sentada de forma ereta em sua cama, observando enquanto corria pela ala vestida de camisola de hospital.

Ocorreu a ela que ainda estava provavelmente sob jurisdição do Instituto Warnburton e que, tecnicamente, tendo saído do coma, provavelmente retornaria a seus cuidados. Então, era melhor manter o máximo de distância possível de profissionais da saúde, para que eles não a devolvessem àquela casa de doidos.

Mas de que raio de modo sairia daquele hospital sem ser formalmente liberada, especialmente quando tudo o que tinha para vestir era uma camisola comum de hospital?

Ela marchou em direção à jovem, abriu seu armário de cabeceira e disse:

— Veja, eles podem dar meus detalhes a você, mas eu apenas preciso de algumas coisas emprestadas.

Laura então começou a se servir de uma ótima mala de pernoite feita de couro.

— Essas são minhas coisas! — a mulher protestou.

— Sim, eu sei e sinto muito, mas eu não tenho tempo para explicar.

— O que você está fazendo?

— Obrigada! — Laura falou. — Muito obrigada! — em seguida saiu correndo rapidamente da ala com a bolsa, deixando a desconcertada jovem sem palavras.

Assim que desapareceu ao virar a esquina, conseguiu ouvir seu grito: “Enfermeira! Enfermeira! Aquela mulher acabou de roubar minhas coisas!”

Laura se enrubesceu furiosamente quando disparou corredor abaixo, em busca da oportunidade mais próxima para trocar de roupas e sair do hospital.