O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 107
De repente, houve um enorme flash de luz branca ofuscante, um sibilo de vento, como uma explosão nuclear quase silenciosa. Todos foram lançados de volta ao chão pela força do vento e demorou algum tempo para sua visão se recuperar do clarão. No entanto, à medida que o borrão de suas retinas gradualmente desvanecia e sua visão voltava ao normal, eles puderam ver que o buraco negro finalmente se fora.
— Obrigada, Deus, tudo acabou! — Michael suspirou.
Lentamente recuperando-se do choque, todos se levantaram novamente. Uma broca soou atrás da porta trancada da câmara, até ser aberta à força por um grupo de engenheiros. Laura olhou para cima. Estava tão grata por eles terem finalmente vindo libertar Michael, que esperava cumprimentá-los quase que com os braços abertos, mas, ao contrário, seus olhos foram imediatamente lançados para mais longe, para o corredor de serviço atrás deles.
— Ah, não! — ela sussurrou horrorizada.
— O quê? — Michael virou-se, esticando o pescoço para ver algo terrível pendurado no teto suspenso e avariado do corredor de serviço, além da porta da câmara.
Era um grande cabo elétrico que havia se esticado pela força dos ventos de furacão, os quais o sugaram por uma extremidade em direção à Câmara Central, e então foi ceifado, completamente rompido quando os engenheiros forçaram a abertura da porta. Como resultado, agora oscilava para baixo, reluzindo furiosamente e agitando-se como uma cobra gigante, acima da grande poça de óleo que ainda se encontrava no chão do corredor de serviço.
O enorme peso do cabo gigante estava gradualmente puxando-se cada vez mais para baixo no teto suspenso, o qual começava a derrubar um suporte de cada vez, enquanto o cabo caía em etapas, ficando firmemente mais próximo do espesso e escuro óleo abaixo.
Seria uma questão de minutos antes que o cabo tocasse e incendiasse o óleo.
— Socorro! Alguém, por favor, precisamos de ajuda aqui! — Laura gritou em desespero.
— Rápido! Todos para fora antes que estoure! — Michael berrou, e todos os cientistas e técnicos começaram a correr, esquivando-se ao passar pelo cabo destruído, a fim de pegar os elevadores acolá.
— Por favor, Laura, vá! — ele vociferou, enquanto o cabo puxava para baixo outro pedaço de teto.
— Não, Michael, não posso deixá-lo aqui.
— Por favor, Laura. Dê o fora daqui enquanto você ainda consegue! — ele insistiu.
— Eu não o deixarei.
— Você deve ir! — advertiu-a furiosamente. No entanto, ela balançou cabeça em negativa.
— Por favor, alguém nos ajude! — ela gritou.
Eles observaram assustados enquanto outra parte do suporte caía.
— Socorro! — Laura gritou a plenos pulmões.
Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto quando o cabo caiu firmemente próximo ao óleo. Ela esticou o braço pelas barras e segurou a mão de Michael.
— Ficarei com você até o fim — afirmou.
Ambos sabiam que seria apenas uma questão de instantes até que o cabo tocasse e incendiasse óleo.
De repente, dois pares de botas surgiram na passarela ao lado deles. O xamã maia e seu colega faxineiro estavam ali para ajudá-los. Laura saltou sobre seus pés, e os três colocaram a mão na massa. Com toda a força que puderam reunir, finalmente conseguiram erguer a parte quebrada da escadaria, livrando-a e libertando Michael de sua armadilha.
Eles o arrastaram pelos pés.
— Agora corram, antes que exploda! — ele falou, enquanto todos se arrastavam para fora da câmara, desviando-se do cabo danificado e corredor abaixo.
Foram as últimas pessoas a entrar no elevador já lotado, apertando-se como sardinhas em uma lata.
Michael pressionou o botão para subir, mas o elevador estava cheio além da capacidade e houve um ruído de sobrecarga nos cabos quando começou a descer arduamente. Assustados com a possibilidade de que o elevador não conseguisse, todos mal se atreviam a respirar. Laura segurou a mão de Michael, consumida de arrependimento com o pensamento de que encher o complexo de óleo havia sido um erro terrível e mortal.
Todos os ouvidos estavam sintonizados com o som inevitável que esperavam ouvir de baixo. Todos esperavam por aquele momento fatal, quando o cabo, agora serpenteando para baixo do teto do corredor de serviço, finalmente pousou no óleo, para o inferno mortal que resultaria, para o forno terrível que correria no poço do elevador e engoliria a todos. Houve um silêncio ensurdecedor enquanto todos os passageiros aguardavam e rezavam que a cabine atingisse o topo. Você conseguiria ouvir um alfinete cair enquanto todos escutavam o terrível som sibilante que indicaria que o óleo abaixo tinha pegado fogo. Poderia ser em alguns momentos.
Mas, ao contrário, ouviram apenas o som constante do ranger os cabos do elevador, e então a cabine tremeu e parou. Havia parado na metade do caminho para o poço. Todos respiraram profundamente, tomados de terror pela possibilidade das repercussões vindouras do que acontecia abaixo. E, então, houve um grande suspiro de alívio assim que a cabine começou a se mover lentamente para o poço outra vez, mas ainda viajando tortuosamente devagar. Cada momento que passava parecia uma eternidade, enquanto ele prosseguia o lento avanço poço acima, em direção ao destino final.
Estavam quase no topo, quando as luzes de repente se apagaram e o elevador sacudiu violentamente e parou de novo. Demorou alguns momentos para as complicações abaterem Michael. Uma falta de energia poderia significar apenas uma coisa: um curto-circuito no fornecimento de energia. O cabo deveria ter alcançado o óleo. E então todos ouviram o estouro explosivo e tudo virou chamas abaixo deles.