O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 15 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 11

5 DE DEZEMBRO DE 2012

No trabalho, no dia seguinte, Laura ligou para Ian Straszewski, o responsável técnico do laboratório do museu, para tentar agendar testes científicos para o crânio. Ian era conhecido por sua capacidade de descobrir a origem de tudo que lhe fosse dado, dando em troca informações precisas a respeito, mas também tinha a notória característica de dificilmente ser encontrado. Hoje não seria diferente, e percebeu isso assim que colocou o telefone de volta ao gancho.

Então, com um suspiro de desapontamento, continuou a mexer na papelada de Ron. No final da tarde, colocou de lado a última caixa de documentos que sobrara. Tudo o que sobrou para ser verificado eram os arquivos de computador.

Ela pegou o laptop de Ron, plugou-o na tomada e esperou alguns momentos até que ligasse. Felizmente, ainda funcionava após a pancada que Janice lhe dera no dia anterior.

Ela checou os e-mails de Ron e examinou rapidamente todos os seus documentos. Havia detalhes sobre suas viagens de campo; formulários para o financiamento de um projeto; um documento que ele escrevia, a respeito de um jogo com bola da antiga civilização maia, para ser apresentado em uma palestra no Texas. Tudo estava em ordem. Mas não havia nenhuma menção à caveira, cristal, ou algo parecido.

Isso era estranho, pois Ron Smith era um homem muito sistemático. Não era de seu feitio deixar de documentar a caveira de alguma forma. Deveria haver uma anotação em seu diário no dia em que a descobriu, ou algo para confirmar como ele tomara posse dela, mas aparentemente não havia nada.

“Então que raio ele estava fazendo com a caveira de cristal naquela noite? E por que ele não a mencionou em lugar algum, nem mesmo em sua papelada?”

Laura parou de trabalhar por um momento e sentou-se com a cabeça entre as mãos. O que faria? O que iria dizer ao Professor Lamb? O prazo para seu relatório sobre a caveira estava esgotando, e ela não fora capaz de descobrir absolutamente nada.

Sem documentos no computador ou em papel suficientes para prosseguir, todas as suas esperanças se depositavam agora nos testes científicos. Neste momento, eram a única fonte potencial de informação que havia a respeito da maldita caveira.

No final do dia, ainda incapaz de comunicar-se com Ian ao telefone, decidiu ir vê-lo. Ficou surpresa com a própria determinação enquanto andava, à procura do laboratório, pela ruela de escritórios no fundo do museu. Estava confiante de que Ian conseguiria surgir com algumas respostas.

Em busca do laboratório do museu, de aparência desorganizada, ela finalmente encontrou Ian, vestido com o jaleco que parecia permanentemente grudado a ele. Estava inclinado sobre uma múmia egípcia desenrolada, posicionada sobre o topo de uma mesa à sua frente, e parecia ocupado retirando uma amostra de tecido da cabeça.

— A caveira de cristal, não? — disse Ian levantando as sobrancelhas.

Ele continuou com o delicado trabalho que fazia.

— Aquela caveira torno-se o assunto do museu.

— Verdade? — Laura perguntou.

— Os rumores que circulam é que se trata de um objeto misterioso, utilizado em rituais mortais e secretos — disse sem olhar para cima. — Graças a Deus, alguns de nós somos suficientemente sensatos para não sermos

influenciados por essa bobagem. Embora possa dar um episódio decente de Arquivo-X, suponho.

Ele de repente olhou para cima e fitou Laura:

— Ainda estou pedindo ao canal Fox para trazer a série de volta.

— Eu esperava que você executasse alguns testes nela — disse ela, revelando certo desinteresse em relação ao

que Ian dizia, na esperança de evitar que fosse envolvida por uma dessas conversas nerd.

— Receio que eu esteja até o pescoço de trabalho neste momento.

Laura se perguntou por um segundo se ele estava falando literalmente, visto que puxou algo do crânio da múmia. Ele concluiu:

— Mas deixe-a aí, e eu tentarei trabalhar nela amanhã.

Já havia anoitecido quando retornou para sua sala, frustrada por não ter encontrado as respostas que buscava. Algo estava errado. Sentiu isso mesmo antes de chegar lá. Deve ter sido o tique-taque do relógio de seu escritório, tão alto que era possível escutar no corredor; ou as sombras pelas paredes, que pareciam mais escuras e compridas que o normal. O que quer que fosse, tinha uma horrível sensação de mau agouro. Ela abriu a porta de seu escritório e se deteve por um instante.

Alguém estava sentado em sua cadeira, de costas para ela. Não conseguia descobrir de quem era aquela silhueta próxima da janela de onde se observava o luar.

De repente, o intruso virou-se. Agora conseguia ver quem era. Ele segurava a caveira de cristal no colo. Era Ron Smith.

“Como isso era possível?”

Sua carne acinzentada parecia pendurada no esqueleto.

Lentamente, seus lábios arquearam em um sorriso forçado.

— Ah, Laura, estávamos esperando você — sua voz rouca, parecia mais um sussurro. — Venha, eu tenho algo para te mostrar.

Ele levantou-se e cambaleou na sua direção.

Ela tentou se virar e correr, mas não chegou a lugar algum. Sentia como se estivesse colada no chão na posição em que estava.

Ron agora segurava a caveira de cristal em frente ao rosto dela.

— Aqui, olhe você mesma — ele grasniu.

A caveira estava tão perto agora que mal conseguia se concentrar nela. Em vez disso, sentiu como se pudesse ver exatamente dentro do objeto. Ela pensou que podia ver imagens aparecendo de seu interior transparente e cristalino. Elas pareciam obscuras no começo, mas então surgiam quase como um pedaço de filme no cinema. Ela não sabia o que eram essas imagens, mas não gostava nem um pouco de sua aparência.

Jurou que pôde ver ali, dentro da caveira, imponentes falésias brancas de gelo rachando e dividindo-se, desabando no mar; enormes maremotos engolindo cidades inteiras ali, dentro da caveira, erupções vulcânicas; a terra elevando-se e partindo-se; ventos com a força de furacão soprando aviões pelo céu; viadutos de concreto ruindo, automóveis em chamas e queimando seus ocupantes; tanques industriais de armazenamento de combustível e prédios altos explodindo em chamas, à noite; pessoas pulando em meio a uma fumaça preta pungente.

Então uma terrível escuridão espalhou-se rapidamente pela Terra consumindo tudo em seu caminho, como a rajada de algum poderoso holocausto nuclear, sem deixar nada para trás, exceto tocos de árvore enegrecidos, corpos carbonizados e restos de esqueletos por entre os escombros e as cinzas.