O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 83
- Não me diga. Essa é outra mensagem que você recebeu dos mortos — Caleb era tão sarcástico quanto indiferente.
— Não, é de um antigo maia — respondeu Michael. Ele começava a soar para todos os outros na sala como se estivesse ainda mais confuso do que nunca. — Foi quando eles disseram que o mundo acabaria.
— É mesmo? — falou Caleb, em um tom mais sarcástico do que antes.
— Laura não sabia como aconteceria, mas agora eu sei — prosseguiu Michael. — É por causa do experimento!
— Segurança! Temos um tumulto na 2B — Caleb havia pressionado seu rádio e agora se comunicava com os guardas.
— Não, espere! — Michael gritou em desespero, depois tentou soar um pouco mais calmo, assim que percebeu que corria o risco de perder sua platéia. — Você tem que entender, tudo está ligado com todo o resto. Como você, eu não era capaz de enxergar antes, mas agora eu consigo. O que essa equação mostra — ele levantou o pedaço de papel que havia caído da agenda telefônica de Laura —, é que as partículas não estão separadas umas das outras. Quando você enxerga, é tão óbvio. Mas até então você nunca compreenderá como o mundo, o universo, realmente funciona.
— O que ocorre é que quando uma partícula vai, as demais seguem, pois estão todas conectadas umas às outras, exatamente como você e eu, embora seja algo que todos nós tendemos a esquecer. E para onde as partículas vão, nós também vamos, porque nós, cada um e todos nós, estamos ligados àquelas minúsculas partículas também. O que isso significa é que se você enviar simplesmente uma minúscula partícula subatômica para outra dimensão, enviará cada pessoa nesta sala, nesta cidade, neste planeta, para um buraco negro, um vórtex do esquecimento.
Dois agentes de segurança da Nanon surgiram na porta atrás dele.
— Você consegue enxergar? — continuou Michael, alheio à presença deles. — Vocês estão prestes a abrir um buraco na estrutura que segura nosso planeta no lugar. Vocês destruirão a própria estrutura do universo!
Ele olhou ao redor do grupo Z. De repente, pareceu-lhe uma terrível ironia. Essas pessoas eram tão esclarecidas em suas áreas de conhecimento e ainda assim tão ignorantes quanto à verdade. Ele percebeu que as regras normais da física, pelas quais todos nós vivíamos, funcionávamos e respirávamos não era capaz de explicar a eles. As regras normais da física não haviam chegado lá ainda, elas simplesmente ainda não haviam decifrado. Algo que Michael agora considerava tão óbvio entrava por um ouvido e saía por outro, pois essas pessoas ainda compreendiam o mundo de acordo com um modelo dualístico da física, um modelo que considerava cada pessoa e cada objeto separados uns dos outros, um modelo, Michael pensou, que agora estava perigosamente ultrapassado.
Horrorizou-se por ali estarem aqueles homens, todos líderes em seus respectivos campos, e ainda assim completamente inconscientes de que estavam envolvidos no planejamento do que seria um erro grave e catastrófico, um experimento que inevitavelmente viria a ser uma terrível missão suicida para todos os envolvidos.
— Por favor, apenas me dê tempo para explicar a vocês, antes que vocês cometam esse erro desastroso — Michael implorou, mas os guardas o agarraram por trás com ambos os braços e começaram a arrastá-lo para fora da sala de reunião da diretoria.
— Não! Todos nós morreremos! Por favor! Vocês têm que me escutar…! — ele berrou enquanto os dois oficiais de segurança o empurravam para o corredor.
— Minhas desculpas, senhores — um Caleb constrangido tentou explicar para os chocados membros do grupo Z — Dr. Greenstone tem estado sob muita pressão ultimamente. Agora, se pudermos retomar nossos planos para o experimento.