O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 56
A caverna era magnífica, como uma enorme cúpula subterrânea, onde Laura viu milhares de pequenas e cintilantes estalactites de quartzo. Mas enquanto Laura deitou-se lá, agradecendo a Deus por sua sorte e admirando a beleza de seu novo ambiente, pôde perceber que sua sensação de alívio rapidamente se tornava pânico. “De que raio de modo eu vou sair daqui?”
Ela não conseguiria lutar contra as correntes, agora fortes, em seu caminho de volta, e só Deus sabia se havia alguma outra maneira de sair. Laura se perguntou se haveria outras pequenas fissuras na rocha embaixo do nível da água, mas pelo jeito toda a água no rio subterrâneo estava simplesmente se acumulando no interior desta bonita caverna. A superfície do lago aparentemente tinha subido alguns centímetros no tempo em que levara para constatar onde estava. O que ela faria?
Não conseguia suportar a idéia de retornar para baixo d’água, então iluminou com sua lanterna o teto, na esperança de que pudesse haver algum pequeno retiro ou fenda, alguma possível rota para fora daquela tumba molhada. Forçando os olhos para ver, pensou ter podido distinguir algo que parecia uma pequena abertura exatamente no cume do amplo teto em cúpula da caverna. Porém, não conseguia ter absoluta certeza disso, porque no ponto onde estava isso não era possível. Tinha que chegar mais perto.
Então escalou de volta à fria água e, bem abaixo do teto, resplandeceu seu farolete em direção a ele. A partir desse ângulo parecia distintamente algum tipo de abertura vertical, talvez feita por humanos, cravada na pedra no ponto mais elevado da caverna. Imediatamente ao lado dela estava uma rocha de formato incomum, ou talvez também se tratasse um traço feito por humano, como uma pequena estalagmite projetando-se para a abertura, dentro da entrada do furo.
Parecia ser apenas um transcurso de ação.
Segurando sua lanterna entre os dentes e dominando a água, Laura desamarrou a extensão de corda de seu cinto. Lembrando-se de seu treinamento de mergulho em cavernas, enrolou a corda e a amarrou com um laço o melhor que sabia e lançou a extremidade dele em direção ao ápice do teto. Foram várias tentativas, mas finalmente conseguiu enganchar a corda na estalagmite de formato irregular.
Ela a puxou para testar sua força e em seguida iniciou a tarefa extremamente difícil de puxar para ela a corda acima. Graças a seu treinamento, sabia como “amarrar suas coxas” à medida que subia, mas mesmo assim consumia cada grama de energia que lhe restara, enquanto se puxava, a cada doloroso centímetro, em direção ao teto.
Ela em breve se esgotaria perigosamente. Sua traiçoeira jornada subterrânea já havia consumido sua força, e a escalada árdua esgotava ainda mais suas energias. Ela se arrastou lentamente para o alto, consciente de que em seu estado de exaustão poderia muito facilmente ser levada e cair de volta nas águas abaixo. Ela diminuiu até quase parar. Seus músculos e tendões cansados repuxavam de exaustão. “Tenho que fazer isto por Alice”, disse para si, impelindo seu corpo cansado para frente.
Finalmente atingiu o ápice do teto gigante, onde conseguiu se agarrar à estalagmite de formato incomum e se puxar para cima. Ela conseguiu apoiar os pés dentro da entrada para a passagem estreita e vertical.
Mas assim que se empurrou mais para dentro da abertura, sua mochila se prendeu na entrada e percebeu que não caberia dentro dela com a mochila nas costas. Prendendo um cotovelo em volta da estalagmite, conseguiu retirar a mochila, amarrá-la a uma extremidade da corda e atar a outra ponta em seu pulso. Então pôde delimitar sua trajetória, subindo lentamente a estreita abertura vertical no único caminho possível, empurrando seus braços e pernas adiante contra as paredes regulares, com a pesada mochila agora balançando no cordão umbilical de corda embaixo de si.
No entanto, não foi muito longe, até descobrir uma grande placa de pedra bloqueando a passagem. Usando toda a força que sobrara em suas pernas para se forçar dentro da abertura estreita, ela a empurrou com toda a força, mas não se moveu. “É isso”, pensou, “eu vim de tão longe para nada, simplesmente para morrer dentro desta tumba subterrânea”.
Ela se posicionou de modo precário dentro da abertura e rangeu os dentes. “Você não pode se render agora”, disse para si mesma. “Vamos tentar só mais uma vez”. Ela redobrou as forças, e, para sua surpresa, o pedaço de pedra desta vez começou a se mover, muito facilmente, e ela conseguiu empurrá-la para um lado, para longe de seu caminho!
Quando se impulsionou, deixando-a para trás, Laura não se restringia mais às paredes da abertura estreita; em vez disso, viu um espaço escuro e cavernoso. A tábua era claramente algum tipo de cobertura de pedra feita pelo homem, sobre uma abertura no chão.
Ela puxou o corpo, livrando-se da abertura, e caiu no solo ao seu lado, onde deitou, exausta por seus esforços. Ela poderia ficar ali a noite inteira, não fosse seu desejo ardente de saber onde estava e se conseguiria ou não sair de lá.
Recuperando o fôlego, conseguiu manobrar-se para uma posição sentada, com as pernas ainda bamboleando na abertura. Ela permanecia desorientada, tentando constatar onde estava. Agarrou seu farolete entre os dentes e o reluziu em meio à escuridão. Ela mal podia acreditar no que via iluminado pelo forte facho de luz da sua lanterna.
Não era apenas um espaço escuro e vazio. Certamente se tratava de algum tipo de câmara ou tumba feita pelo homem. Laura brilhou sua lanterna no mosaico perfeitamente formado por pedras de calçamento que enfeitavam o chão para ver que as paredes eram enfileiradas delicadamente com imagens de crânios humanos encravadas em pedra, fileiras após fileiras delas.
Este tinha que ser o lugar, mas precisava ter certeza. Ela então reluziu o feixe de sua lanterna para baixo, ao final da câmara, e sem dúvida era ela, exatamente como Anna havia descrito. Um altar de pedra belamente esculpido, suas paredes decoradas com a imagem de um crânio. Laura estava atordoada, pois ficou claro para ela que, de algum modo, contra todas as probabilidades, havia conseguido.
Era isso. Naquele exato lugar, um tempo de vida atrás, em um mundo muito diferente, uma mulher jovem e inocente, filha de um explorador, havia desafiado o desmoronamento do exterior da pirâmide para descobrir escondido dentro de seu esconderijo escuro um objeto de beleza transcendente, uma joia à qual nenhum preço poderia ser atribuído, a caveira de cristal de quartzo sólido.
Aqui estava ela, finalmente, dentro da câmara da caveira sagrada, no interior do coração da grande pirâmide de Luvantum, exatamente o local onde Anna Crockett-Burrows havia originalmente descoberto a caveira de cristal.
Ela mal podia acreditar. Carlos estava certo. O sistema subterrâneo do rio realmente levava ao coração da pirâmide principal, o lugar exato onde ela tentava com tanto esforço, chegar. Quase chorou. Sentiu um grande alívio e muita alegria.