O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 14
7 DE DEZEMBRO DE 2012
Na noite seguinte, Laura estava a caminho de casa após o trabalho quando recebeu um telefonema de Ian, o técnico de laboratório.
— Laura, é sobre a caveira — disse ele, parecendo meio agitado. — Realizamos todos os testes possíveis, mas não conseguimos explicar.
— Explicar o quê? — ela cruzava uma rua movimentada, esforçando-se para ouvi-lo de forma que o barulho do trânsito não atrapalhasse.
- Não faz nenhum sentido.
— O quê? Veja, eu não consigo ouvi-lo, mas posso estar com você daqui a mais ou menos dez minutos — sugeriu.
— Ótimo! — ele disse, e desligou o telefone.
Quando chegou ao laboratório, Ian ajustava os óculos quando observou a imagem da caveira de cristal no monitor de um microscópio eletrônico.
— Incrível! — sussurrou para si mesmo, coçando a cabeça careca.
- O que é tão maravilhoso? — perguntou Laura.
— Bem, essa coisa é cristal, certo?
Ela olhou-o como se fosse dizer “e daí?”
— Então não há carbono nela. Portanto, não podemos datá-la com carbono — disse intrigado. — Ou seja, não há como saber a idade dessa coisa. Pode ter sido feita ontem ou poderia ser tão antiga quanto andar para trás, literalmente. Quer dizer, um pedaço de pedra de cristal como essa geralmente leva milhares, quando não milhões de anos para se formar, sob intenso calor e pressão, nas profundezas da crosta terrestre. Então, o cristal em si provavelmente tem muitos milhões de anos.
Ian abriu uma lata de refrigerante diet e bebeu um grande gole.
— A verdadeira questão é quem a esculpiu, como e quando — ele largou a lata. — O fato é — continuou — que este tipo de cristal é incrivelmente difícil de ser esculpido. Quer dizer, na escala de dureza de Mohs esta coisa é apenas levemente mais maleável que o diamante. Portanto, deve ter levado uma verdadeira eternidade para esculpi-la. E não é apenas feito de cristal rígido, mas também é muito quebradiço, então possui tendência a fraturar — Fez uma pausa e perguntou:
— Importa-se se eu jantar?
— Não — Laura disse enquanto Ian abria um pacote de confeitos de chocolate.
— O fato é que — ele resmungou saboreando seu doce — quem quer tenha feito essa coisa deve ter começado com um pedaço realmente enorme de cristal, assim como eu ou qualquer um que eu suspeite jamais viu — e eles devem tê-la entalhado por anos e anos, ou seja, por uma vida inteira, talvez mais. E uma coisa sobre o cristal é que mesmo quando eles a estavam concluindo, se cometessem apenas um pequenino erro e a entalhassem em um ângulo errado contra a estrutura, então POFT!
No meio de sua agitação, espalhou confeitos de chocolate esmigalhados por todo o lugar.
— A coisa de repente se estilhaçaria em milhares de pedacinhos! Totalmente desintegrada! Já era.
Ele acalmou-se um pouco e olhou para Laura:
- Então, só Deus sabe como foi feita.
Ian levantou-se e caminhou pelo laboratório com seu jaleco branco.
Laura ouvia atentamente, preparando-se para evitar outro banho de doce comido pela metade enquanto Ian prosseguia.
— Toda a equipe a examinou e consideramos que teria sido impossível fazer esta coisa utilizando ferramentas modernas com ponta de diamante. O calor e a fricção gerados por essas coisas, especialmente aqui na delicada área de sua mandíbula inferior — indicou — faria com que se rachasse por completo — deu um suspiro.
— Então avaliamos que deve ter sido esculpida por meio de métodos mais tradicionais, primitivos. Por exemplo, utilizando areia e água separadamente para desgastar o material. O fato é, fizemos os cálculos, e minha equipe estima que deve ter levado pelo menos 300 homem-anos de esforço!
Ele girou e observou Laura atentamente.
— Trata-se de homens-ano, Dra. Shepherd, e não horas — ele pareceu desinflar novamente. — Em outras palavras, deve ter sido feita por pessoas de muitas gerações, todas trabalhando contra o relógio durante todos os dias de suas vidas para finalmente esculpi-la.
— Sem dúvida que não! — concordou.
— É por isso que decidimos procurar por marcas de ferramentas para verificar como foi feita. Aqui, dê uma olhada você mesma.
Ele virou o microscópio na direção dela.
— Não vejo nada — disse Laura.
— Justamente! — Ian respondeu agitado. — Sem marcas de ferramentas! Nem antiga, nem moderna! Mesmo sob nosso microscópio eletrônico mais novo — ele afagou o enorme equipamento com o orgulho de alguém que tivera uma grande vitória sobre o comitê de apropriações.
Olhou para ele intrigada.
— Então, o que isso quer dizer exatamente?
— Significa que não temos absolutamente nenhuma idéia de como esta caveira foi feita — Ian sacudiu a cabeça, como se fosse incapaz de acreditar ao ouvir o que ele mesmo dissera. — Quer dizer que, de acordo com todas as razões lógicas, esta caveira não deveria sequer existir! A menos que, obviamente, tenha sido feita com o uso de algum tipo de tecnologia com a qual nunca nos deparamos — acrescentou, quase que para si mesmo.
— Mas isso é impossível, certo? — Laura interpôs.
— Acho que não — ele deu de ombros. — De qualquer forma, como você tem se saído? Teve alguma sorte com a papelada de Ron?
— Não, estou exatamente nela, mas até agora, nada.
— Nesse caso, é um mistério completo — Ian disse, sacudindo a cabeça, descrente.