O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 5
- Isso tudo é terrível — murmurou o Professor Lamb, espanando a lapela de seu paletó de lã enquanto se juntava a Laura, e os dois entravam em um dos elevadores do museu. Depois, marcharam corredor abaixo, em direção ao escritório dela. O sotaque britânico de Lamb era ainda mais pronunciado do que o de Laura.
— Sim — ela concordou. — É triste pensar que Ron não está mais por aqui.
— Humm — disse Lamb, limpando a garganta. — Mas você não está curiosa em relação àquela caveira?
Ela estremeceu quando se lembrou da caveira de cristal rolando pela escrivaninha de Ron, seus traços grotescos parecendo sorrir enquanto lidava com a idéia de que o outro estava morto. O completo horror de encontrar aquele corpo inerte estava com ela de novo, tão vivido como havia sido no momento em que o achara. Ela ainda estava chocada. E seria mais do que feliz se nunca mais colocasse os olhos naquela caveira novamente.
Lamb ainda esperava resposta.
— Eu vi tudo o que precisava a respeito dessa coisa no escritório de Ron — respondeu enquanto abria a porta.
Assim que entrou em sua sala, sentiu-se aliviada por retornar para seus hieróglifos. Olhou ao redor do escritório: a mesa, com sua distinta fileira de artefatos devidamente catalogados; o artigo acadêmico escrevia; a planta dada por Michael, crescendo como uma trepadeira que subia até a estante. Era um mundo familiar, seguro, e o lugar em que gostaria de estar. Ela não queria ter de lidar com aquela morte. Porém estava por toda parte. Não havia mais nada que pudesse fazer. Neste momento, queria esquecer tudo. O trabalho a ajudaria com isso.
— Sabe de uma coisa, Laura? Você sempre gostou de um desafio — disse o Professor Lamb, com um falso ar de casualidade. Ela virou-se para constatar que ele a havia seguido até o escritório e que sua atenção agora se voltava para uma foto na parede. Era uma fotografia sua na qual emergia de dentro de uma caverna, em traje e equipamento de mergulho completos, erguendo de modo triunfante uma antiga urna funerária.
Laura se perguntava aonde ele queria chegar. Fazia muito tempo que explorara passagens submarinas em busca de artefatos ocultos e sentira o escaldante calor do sol tropical enquanto examinava cuidadosamente o lodo para recuperar tesouros perdidos de outras épocas. Seu entusiasmo agora vinha na forma do trabalho de decodificação.
— Bom, agora que eu tenho todos os desafios, preciso tentar traduzir esses hieróglifos — disse, indicando a enorme tábua de pedra sobre a escrivaninha. Enquanto se movia em círculos atrás da mesa, seus olhos caíram em algo mais que havia sido colocado exatamente no meio de seu espaço de trabalho. Era uma caixa de papelão identificada como “Departamento de Polícia de Nova Iorque — Propriedade do Dr. Robert Smith — Falecido”.
Ela olhou dentro da caixa e encontrou pastas e arquivos, tudo minuciosamente etiquetado por Ron Smith. Parecia que a polícia já havia devolvido alguns de seus pertences. Mas o que eles faziam em sua mesa?
— As coisas de Ron!? — ela exclamou.
— Sim, Laura — respondeu Lamb. — O Conselho de Curadores do Museu quer uma investigação completa. Eles querem respostas. E como a polícia falhou de forma tão lastimável a esse respeito, eu quero que você as forneça.
Confusa, olhou para ele.
— Nós apenas queremos que você examine cuidadosamente as coisas de Ron — ele continuou tranqüilamente. — Veja o que você consegue fazer, o que você consegue descobrir sobre aquela caveira.
Laura estava chocada. A idéia de encontrar qualquer informação adicional sobre a caveira e as circunstâncias envolvendo a morte de Ron a encheram de pavor. Não era apenas isso; ela estava convencida de estar perto de fragmentar o restante dos enigmáticos hieróglifos que andava traduzindo.
— Mas esta é a maior e mais elaborada pedra profética maia que eu já vi…
Ela tentou explicar, mas Lamb a interrompeu:
— Laura, precisaremos que você seja uma jogadora nesta situação. Nós não permitiremos que um dos nossos morra sem deixar nada para mostrar em relação a seus últimos anos conosco.
— Mas, Professor Lamb, eu já consegui decifrar o primeiro anel — ela suplicou. — Meu trabalho é encontrar e decodificar o restante.
Lamb estava perdendo a paciência.
— Com todo respeito, Laura, seu trabalho é fazer o que o Conselho de Curadores e eu lhe falarmos para fazer.
Ficou em silêncio enquanto ele falava.
— E tanto o Conselho como eu queremos saber do que se trata a caveira, de que buraco ela surgiu e que diabo Ron Smith fazia com ela quando morreu.
— Mas… — tentou protestar de novo, antes de Lamb acrescentar:
— Além disso, acho que nós devemos isso ao Ron, não acha?
Laura ficou sem palavras.
— Eu quero esse relatório, por completo, na minha mesa, até a próxima semana — ele vociferou, apertou a gravata e saiu da sala.