O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 81 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 78

Michael agora segurava a mão mole de Laura em sua própria, enquanto se sentava ao lado de seu leito, nas profundezas do desespero. Ele levantou a mão dela até seus lábios e a beijou ternamente.

— Laura, meu amor, você consegue me ouvir? — perguntou.

Em algum lugar ao longo do caminho ele havia escutado o quanto era importante conversar com uma pessoa que perdera sua consciência, tratá-la como se ainda estivesse plenamente ali, como se soubesse o que acontecia, apenas no caso de elas poderem, de fato, ouvir. Ele também tinha ouvido falar que você deveria lembrá-las de detalhes de suas vidas e seus planos para o futuro, e conversar com elas como se estivessem prestes a se recuperar, na esperança de que fosse realmente possível incentivá-las a fazê-lo.

Então, durante o que pareceram horas, Michael ficou sentado segurando a mão de Laura e conversando suavemente com ela sobre sua vida juntos e suas esperanças e sonhos para o futuro, como a idéia que eles compartilhavam de um dia se mudarem para uma

casa grande no campo, muito embora parecesse cada vez mais improvável que tivessem qualquer futuro juntos.

A certa altura, dominado de emoção, Michael precipitou-se à loja do hospital para comprar para si o café de que necessitava para acalmar seus nervos e permanecer alerta ao lado de Laura. Enquanto estava lá, notou um pequeno ramalhete de plumérias cor-de-rosa pálido, as preferidas de Laura. Ele as trouxe e retornou para seu lado, onde ele as dispôs muito ordenadamente em um pequeno vaso de vidro no armário ao lado do leito, ainda conversando amavelmente com ela.

Ainda enquanto Michael falava, viu-se perguntando a si mesmo se os benefícios aparentes de tal comunicação poderiam ter muito mais a ver com ajudar os membros que restaram da família a aceitar a perda gradual de seu ente querido do que ajudar a pessoa em coma a recuperar os sentidos.

Talvez fosse simplesmente a maneira de os médicos darem aos parentes angustiados algo a fazer, algo positivo em que se concentrar, em vez de efetivamente ajudarem o paciente. Se isso fizesse uma diferença verdadeira, se ela pudesse ouvi-lo. Se pudesse, certamente não havia sinal disso.

Michael implorou à sua esposa, sussurrando desesperadamente em seu ouvido:

— Volte, querida. Por favor! Eu te amo.

No entanto, ela não respondeu. Nem mesmo o tremeluzir de uma pálpebra ou a contração de um de seus dedos nos seus. Nada.

Ao contrário, ela simplesmente permaneceu lá, seu rosto em uma palidez fantasmagórica, e sua mão tão horrivelmente flácida, desprovida de toda a energia e vida.

E, mesmo assim, Michael não conseguiu notar que ela parecia surpreendentemente serena, contente até, quase como se tivesse um meio sorriso paralisado em seu rosto. Ele não compreendeu.

É óbvio que o que Michael não sabia, o que ele não notou, visto que sentara-se ao lado de sua cama no Hospital Eastside, com a esposa não diagnosticada e ainda em estado crítico, era o fato extraordinário de que a consciência de Laura, na verdade, não residia mais em seu corpo.