O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 85
Minutos depois, Michael foi levado à força de volta à sala de reunião da diretoria. Ele teria agradecido a Deus, se fosse religioso, pois havia outra chance de conversar com Caleb e a equipe, e tentar fazê-los ver sentido.
Porém, Caleb agora estava em pé, sozinho, no lado oposto da mesa. Ele havia pedido educadamente para seus estimados convidados o deixarem alguns minutos a sós com Michael.
Sua estrutura volumosa parecia maior do que nunca. Iluminado por trás pela tela de plasma em branco, uma sombra agourenta era lançada na sala diante de si.
— Agora, Michael, você sabe o quanto é importante para o sucesso deste experimento que tenhamos todo mundo totalmente a bordo — ele começou.
— Sim, claro — Michael concordou. — Todos nós precisamos observar bem e longamente o problema para então sermos capazes de confirmar que esse tipo de experimento realmente não é a resposta.
— Michael, eu não acho que você compreende.
— Mas Caleb, você não consegue ver que toda a nossa visão de mundo é perigosamente falha? Esse tipo de tecnologia não é a resposta. Como você, eu pensei que fosse, mas na verdade está apenas nos levando mais abaixo na estrada em direção à auto-destruição.
— Sinto muito, mas não podemos nos dar ao luxo de ter ninguém inconseqüente conosco.
— Por favor, Caleb, estou implorando a você, não siga adiante com esse experimento. É absoluta loucura…
— Eu odeio ter que fazer isso com você, Michael — Caleb prosseguiu — mas eu creio que iremos dispensá-lo de seu cargo — ele acenou com a cabeça para os guardas.
Antes que Michael sequer tivesse uma chance de contestar, foi arrastado novamente para fora da sala e corredor abaixo, em direção aos elevadores. Lá foram retirados seu cartão de identificação e passe antes de ser levado pelo saguão de entrada e sem cerimônias lançado pelas portas da frente em direção à calçada. Lá, ele tropeçou até cair no chão com a força da expulsão do prédio feita pelos guardas.
Permaneceu na guia durante um curto momento, examinando suas palmas arranhadas. Não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer. Ele havia ido até lá em boa-fé para tentar impedir o experimento, e agora ele não somente tinha sido jogado para fora do prédio, mas perdido seu emprego no processo. O emprego que ele amava, que era sua linha vital, o trabalho que dera forma e objetivo à sua vida, agora tinha acabado. E tudo porque ele havia descoberto um erro fatal na própria fórmula e compartilhado esse conhecimento com seu chefe. Tudo o que ele tentava fazer era salvar as pessoas. Poderia isso ser tão terrivelmente errado? Como ele poderia ter terminado ali, na calçada?
Ele fitou o prédio novamente. Funcionários que estavam ocupados com suas tarefas normais agora espiavam, observando o espetáculo do Dr. Greenstone, repousando na pista, alvo de uma retirada tão humilhante.
Recuperando-se, ele tentou telefonar para Caleb, mas estava na caixa postal, certamente prevendo suas ligações. A secretária também estava indisponível.
— Droga! — Michael resmungou para si.
Ele tentou retornar ao prédio, mas as portas estavam todas trancadas.
Começou a bater os punhos nas portas de vidro trancadas do saguão.
— Por favor, vocês têm que me deixar entrar — ele implorou para os guardas através do vidro. — Temos que impedir o experimento! — gritou.
Contudo, estavam impassíveis diante de sua súplica, incapazes de sequer ouvi-lo pelas paredes de vidro reforçadas que cercavam a área da recepção. Ao contrário, simplesmente sorriram embaraçosamente e fizeram piadas entre si a respeito de seu azar. Um dos guardas atrás do gabinete de segurança pegou o telefone e fez uma ligação séria.
Diversos outros membros da equipe agora se agrupavam no saguão e observavam, intrigados com a visão bizarra desse homem desesperado batendo nas portas, gritando de modo inaudível a plenos pulmões, quando um carro da polícia parou lentamente atrás dele.
E antes que tomasse conhecimento, Michael foi confrontado pela imagem de um policial gigante de quase 2 metros de altura e grotescamente obeso, com as mãos nos quadris, diante dele. Apesar de suas objeções, o oficial deu a ele um ultimato:
— Eu não dou a mínima para o que eles farão, se você não deixar este local imediatamente, eu o prenderei por obstrução.
O tira permaneceu lá encarando Michael, um olhar frio e duro: — Estou te avisando… Sr. Ex-cientista influente, eu disse para você ir embora agora. E se eu o pegar neste local mais uma vez, você será preso imediatamente por transgressão.
Michael fitou novamente a construção rígida, cromada e vítrea do prédio da Nanon Systems atrás de si. Ele tinha poucas escolhas, exceto ir embora. Não havia maneira de retornar para lá naquele momento. Ele pensou em todo o trabalho duro feito naquele prédio, toda sua pesquisa, até o trabalho que havia realizado com a caveira de cristal. Era história agora, não haveria volta.
Ele puxou a gola para se proteger do ar frio de inverno, retornou para seu carro, sob o olhar constante e atento do policial bruto, e dirigiu-se de volta ao hospital.