O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 88
O xamã e ele observaram quando dois seguranças armados saíram da van, deram a volta até os fundos, abriram as portas traseiras e retiraram algo. Quando marchavam às portas giratórias do prédio, Michael conseguiu ver que eles carregavam uma caixa de transporte de cerca de 30 centímetros, feita de vidro e metal.
Um terceiro segurança aguardava no banco do motorista da van e a polícia permanecia em seus veículos enquanto os dois guardas uniformizados entravam no saguão. Através das portas cromadas de vidro, Michael conseguiu ver os guardas sendo revistados e tendo seus cartões de identificação verificados pelo segurança na recepção.
Caleb então apareceu no saguão, cercado por um grupo inteiro de agentes de segurança da Nanon. Ele embalava a caveira de cristal nos braços. Era típico Caleb querer fazer a entrega ele mesmo, Michael pensou, para se certificar que nada atrapalharia o andamento de seus planos. Os guardas da van permaneceram no saguão durante um período, sendo instruídos pelo chefe de segurança da Nanon.
Enquanto isso, fora do prédio, o motorista da van de segurança estava ocupado devorando uma rosquinha, quando, de repente, como se do nada, o xamã maia apareceu no estacionamento bem diante dele.
— Por favor, eu o imploro. Pelo amor a você e a todas as crianças do futuro, não leve a caveira! — o xamã gritou.
O motorista, que aproveitava silenciosamente seu lanche, estava atordoado em ver esse idoso da América Central censurando-o. Ele ficou ainda mais surpreso quando o velho apoiou-se sobre as mãos e os joelhos na pista bem em frente ao veículo e começou a clamar e rezar em maia.
Michael estava quase tão surpreso quanto o motorista da van. Ele havia estado tão ocupado se perguntando que diabo fazia que não tinha sequer notado o xamã deslizando silenciosamente para fora de seu carro.
O motorista começou a berrar para Hunab Ku:
— O que você pensa que está fazendo, velho! — e os policiais subiram em seus carros.
O oficial grande e obeso disse para seu colega:
— Vamos lá, vamos fazer esse velho bêbado se mexer — ao mesmo tempo em que se aproximava do xamã maia com cautela, os polegares nas armas em seus coldres, no caso de mais confusão.
Enquanto isso, os dois agentes de segurança no saguão apontaram para a caveira de cristal, e Caleb os ajudou a trancá-la cuidadosamente dentro de sua nova caixa de transporte futurista.
Mais afastados, fora do perímetro do local, os trabalhadores, que estavam ocupados unindo com solda as diferentes partes da nova cerca de segurança, pararam para assistir a toda comoção. Enquanto estavam temporariamente distraídos de sua tarefa, Michael, pensando rapidamente, furtou uma de suas bolsas de ferramenta, aquela que continha o mini-maçarico portátil. Ele a jogou sobre o ombro e em seguida caminhou furtivamente pelo estacionamento, escondido entre os vários carros estacionados enquanto andava.
Ele sabia que tinha alguns minutos até os trabalhadores darem o alerta, e, se fosse visto, estaria em grandes apuros. Percebeu que as instruções de segurança no saguão deveriam ter acabado, pois os dois agentes de segurança, acompanhados de quatro dos guardas da Nanon, estavam prestes a sair do prédio.
“Merda!”, ele pensou assim que se abaixou novamente entre os poucos carros que sobraram, e seguiu seu caminho o mais rápido possível em direção à van de segurança.
Enquanto isso, a polícia havia chegado à frente da van, onde eles estavam sendo enfrentados pelo xamã maia.
— Por favor! Você não deve deixá-los seguir adiante com esse experimento, ou o mundo acabará! — ele discursou.
— O que você está falando? — o tira obeso respondeu.
— As profecias de nosso povo, as antigas profecias afirmam que o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012. Esse dia é amanhã.
O mundo acabará amanhã. Tudo por causa do que vocês estão prestes a carregar nesta van.
— Suma daqui, seu velho maluco e tolo — disse o policial.
— Se vocês levarem a caveira, eles realizarão esse experimento, e o mundo será destruído, ao pôr do sol, amanhã! Por favor, está escrito nos ciclos do tempo!
— Vamos lá, velho, o mundo não vai terminar, pelo menos não no meu turno! — ele riu, virando-se para seu colega. — Além disso, vou dizer a você que horas são. É hora de se mexer agora. Essas pessoas têm um trabalho a fazer, então é melhor você se mover…
Enquanto o policial ainda rondava a frente da van de segurança, assim como o motorista, totalmente preocupados com o xamã maia, Michael, enquanto isso, era capaz de entrar embaixo da van sem ser notado — simplesmente.
Naquele momento, os outros dois agentes de segurança retornavam do saguão carregando a caveira de cristal em sua nova caixa de transporte hi-tech. Michael conseguiu ver suas botas quando eles começaram a carregar a caveira de cristal na traseira da van, acima dele. Ele ficou lá, deitado sobre as costas, segurando a respiração, imprensado entre a pista e a parte inferior do veículo.
Os quatro guardas da Nanon continuavam a vigiar. Seu chefe de segurança chamou pelos policiais:
— Precisam de alguma ajuda aqui?
— Não. É apenas um velho tolo inofensivo — o oficial menor gritou em resposta.
Mas a polícia rapidamente perdia a paciência com Hunab Ku.
— Veja, eu não me importo se o mundo acabará, mas eu realmente me importo se você não sair daqui. Vamos, mexa-se agora ou eu terei que prendê-lo.
Michael ouviu o policial grande ameaçando.
— Por favor, vocês não devem levar a caveira, ou eles destruirão a estrutura do universo! — o xamã clamou.
— OK, basta! Venha, Jake — o oficial falou para seu colega enquanto Michael observava os pés de Hunab Ku arrastando-se pela calçada.
O xamã ainda protestava, quando eles o retiraram forçadamente da frente do veículo.
— Por favor, vocês não compreendem o que estão fazendo… — insistiu.
Michael ouviu o baque pesado das portas quando os guardas terminaram de carregar a caveira de cristal para dentro da traseira da van acima dele. Eles trancaram as portas e subiram na parte dianteira do veículo. Ele tateou a parte inferior da van, procurando urgentemente algo para se pendurar.
O motor deu partida e começou a aumentar a velocidade. Rapidamente, Michael amarrou seu cinto em torno do escapamento e segurou firme no chassi, enquanto a van de segurança partiu do estacionamento acompanhada de sua escolta policial.
A van corria pelas cheias ruas do subúrbio, enquanto Michael agarrava sua vida à parte inferior do veículo. Água fria e suja da neve derretida espirrava nele dos grossos pneus, enquanto estava suspenso embaixo, à medida que a van começava a acelerar, ultrapassando outros carros.
Ele conseguia ver a superfície da estrada passando sob seu osso da maçã do rosto e sentir a fivela de seu cinto esticando-se com seu peso. Ele olhou para o cinto, rezando para que resistisse, quando, de repente, o couro rasgou de um orifício a outro, e ele sentiu todo o seu corpo despencar perigosamente para próximo do solo, enquanto a pista passava ainda mais rapidamente e agora mais perto de seu rosto.
Seu coração martelava no peito. Era isso, ele morreria nessa estrada congelante e úmida, arrastado com força sob a van e, sem dúvida, atropelado na pista seguinte. Seu corpo seria nada além do que uma pasta. Ele deveria ter ficado com Laura em vez de correr tamanho risco idiota. A qualquer momento tudo isso teria sido por nada, de qualquer forma.
Ele agarrou-se à parte inferior da van durante o que ele sentiu ser uma eternidade, rezando para que seu cinto não rasgasse mais e que os músculos de seus dedos e braços, em câimbra, não desistissem por completo, enquanto a van e sua escolta disparavam pela estrada.