O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 67
17 DE DEZEMBRO DE 2012
Os primeiros fios pálidos de aurora surgiram e a luz do sol dourada começou a iluminar os altos das árvores, sobre a cabeça de Laura. Ela teve que tentar mais uma vez, uma última tentativa. Colocando as mãos em concha e fechando os olhos, sentou-se imóvel. Quando abriu as palmas, duas horas depois, as delicadas pétalas da flor em sua mão haviam começado a se espreguiçar muito lentamente, quando o botão finalmente se abriu pela metade em sua mão.
— Eu estou pronta? — ela perguntou, mostrando ansiosamente a flor.
O xamã olhou para ela solenemente:
— Você não está mais pronta do que Ron Smith estava. Porém não temos mais tempo, é agora ou nunca — disse.
Ele a conduziu de volta para dentro da segurança da caverna, onde ela sentou-se com as pernas cruzadas sobre a pele de cabra em frente ao altar. Ele acendeu incenso e movimentou a massa latente ao redor de Laura.
— Há alguém que você gostaria que eu contatasse caso você não consiga retornar? — ele perguntou solenemente, enquanto remexia em sua mesa de ervas.
Suas palavras trouxeram Laura à realidade do risco que corria, a gravidade da situação em que se encontrava, tanto quanto sua tentativa de “projetar a consciência dentro da caveira”.
Finalmente localizando um lápis velho e desgastado e um pedaço de papel gasto, o xamã entregou-os para ela.
— Eu gostaria que você contatasse meu marido, Michael — ela rabiscou seu endereço e o número de telefone de Michael.
Hunab Ku substituiu por novas cada uma das velas queimadas no altar. Enquanto Laura o observava remover os reservatórios de parafina endurecida, estava quase tentada a dizer a ele que, pensando melhor, havia mudado de idéia. Tentar projetar sua consciência dentro da caveira era provavelmente uma má idéia. Ela não estava apropriadamente treinada e era melhor simplesmente esquecerem.
Ela não conseguia suportar a possibilidade de nunca mais ver Michael. O pensamento era intolerável.
Sua mão se esticou para tocar a medalhinha de prata em formato de coração que ela usava ao redor do pescoço. O que faria?
O xamã havia terminado de preparar o altar, brilhante com novas velas, e ele a estava encarando.
— Você está pronta? — ele perguntou.
A caveira de cristal lampejou sobre o altar diante de Laura. Assim que ela a olhou fixamente, percebeu que não era um objeto de temor como havia pensando em princípio, mas de esperança. Nessa caveira jazia nossa salvação, pois havia aparentemente sido ofertada a nossos ancestrais, a fim de nos ajudar em nosso momento de maior necessidade. A idéia era que a pessoa certa pudesse, de alguma maneira, “entrar nela” e conversar com os mortos para descobrir como salvar a humanidade da destruição iminente.
Reconhecidamente ela, Laura Shepherd, não era exatamente a pessoa certa. Era para ser Ron Smith quem entraria na caveira. Mas, não importava qual fosse a informação que Ron obteria, tinha de ser algo a respeito do qual ele pudesse de fato fazer algo. Caso contrário, qual seria o motivo para os maias protegerem a caveira de cristal durante todos esses anos? Então, Laura supôs que se Ron conseguiria obter a informação e prevenir um desastre iminente, por que ela não? Além do que, não parecia haver outras opções restantes. Era a única maneira de salvar o planeta. Ela sabia que devia fazê-lo, ainda que custasse sua vida.
— Estou esperando sua resposta — o xamã indagou, e ela percebeu que estava perdida em seus pensamentos.
Havia uma coisa que precisava fazer primeiro. Soltou o medalhão em formato de coração que usava em torno do pescoço:
— Se você um dia encontrar Michael — ela disse —, você pode dar isto e ele e dizer que eu sempre o amarei?
— Direi a ele — afirmou o xamã enquanto pegava o medalhão e o guardava dentro de sua pequena bolsa de couro. — E não esqueça, você deve se lembrar de sua ligação com todos os seres desta terra — ele acrescentou —, se você não fizer isso antes de entrar na caveira, nunca sairá viva.
Uma serpente de fumaça ergueu-se do incenso que queimava no chão e começou a espiralar ao redor de Laura.
— Se você entrar na caveira pensando que está separada do resto da criação, sua alma então será tragada diretamente para o outro lado, você entrará em um coma e morrerá em tempo.
— E lembre-se que não é seu corpo que, na verdade, estará viajando no interior da caveira, embora possa parecer que você inteira está entrando lá. De fato, apenas sua consciência, sua mente e sua alma que viajarão dentro da caveira.
— Agora é o momento — ele disse, enquanto Laura tentava ficar à vontade.
— Começaremos com o cântico, de modo que os espíritos saibam o que estamos solicitando deles e em qual data precisaremos de sua ajuda — Laura ouvia enquanto ele falava suavemente as palavras em maia e então as repetia tranqüilamente para si mesma.
O xamã levantou a caveira do altar, passando-a através do incenso fumegante e a entregando a Laura. Ela colocou a caveira no colo e repousou as mãos em sua superfície fria ao mesmo tempo em que repetia o cântico:
— Oxlahun baktun, mi katun, mi tun, mi kin.
Essas foram as mesmas palavras que ela ouvira no museu naquela noite terrível em que encontrara Ron morto, afundado sobre sua mesa enquanto a caveira de cristal rolava de suas mãos. Era um pensamento decepcionante. Ron havia partido para onde estava prestes a ir e não retornara.
No entanto, mesmo se estivesse prestes a encontrar o mesmo destino fatal de Ron, ela deveria prosseguir. Agora havia muito em jogo para voltar atrás.
Ela endireitou as costas, fechou os olhos e continuou a entoar o cântico.
Repetiu as palavras sagradas diversas vezes. Após um momento, sentiu-se começar a relaxar e a se perder no som do cântico. Aconteceu sem parar, até ela mal ter consciência da caverna, do altar ou do xamã.
Ele a tocou suavemente no ombro.
— Agora é o momento da tarefa mais difícil de todas. Para projetar sua consciência dentro da caveira, você deve agora se lembrar de seu amor por alguém do outro lado, enquanto ainda se recorda de seu amor por todos aqueles e tudo neste mundo.
A primeira parte da instrução foi fácil, pois como ela poderia esquecer Alice?
— Você precisa pensar em sua filha — o xamã disse. Ele viu a tristeza no rosto de Laura. — Sei que dói, mas você consegue superar a dor, você encontrará o amor que sentiu por ela, tanto amor, amor que você ainda sente. Não tenha pressa.
Ela pensou em Alice. Demandou algum esforço para afastar de sua mente a lembrança traumática dos últimos dias da menina. Então, ela começou a se recordar dos bons tempos. O passeio que fizeram ao zoológico no quarto aniversário dela. Alice tinha se encantado com os macacos. Laura lembrou-se do sorvete de morango que ela havia derrubado no chão e as lágrimas que vieram a seguir, e o abraço que ajudou a recuperar tudo novamente. Mais lembranças a invadiram e, com elas, um sentimento afetuoso, como um brilho interno.
— Agora você precisa se conectar ao interior da caveira — o xamã falou.
Com os olhos ainda fechados, Laura respirou profundamente. Ela então levantou a caveira lentamente e a posicionou contra sua testa, esforçando-se também para se lembrar de sua ligação com tudo ao redor.
De repente, foi como se sua cabeça estivesse se esmagando contra a caveira. Ela queria afastar de si a caveira, arrancá-la e jogá-la no chão, mas uma força enorme pareceu estar impulsionando-a contra ela, de maneira tão forte que foi completamente incapaz de resistir a seu puxão. Sua cabeça parecia estar se chocando contra uma parede sólida, e, ao mesmo tempo, houve um soar intenso em seus ouvidos, tão alto que parecia repercutir em todo o seu corpo.
O barulho era insuportável. Ela queria gritar. Parecia inacreditável que pudesse sobreviver. Percebeu que não conseguiria, não importava o que tivesse dado errado para Ron, estava dando errado para ela também. Talvez o xamã estivesse certo. Ela ainda não havia sido treinada apropriadamente e agora enfrentava uma morte- -pesadelo. A qualquer momento seu crânio explodiria com a força, a qualquer momento o osso seria esmagado e estilhaçado em milhões de pedaços.
“Eu cheguei ao fim. É isso. Eu devo estar morrendo”. Parecia como se seu crânio simplesmente não pudesse agüentar mais a pressão ao qual estava sendo submetido. Então, uma claridade inacreditável tomou conta de sua mente, como uma escuridão constante que eliminou todos os seus pensamentos.
De repente, veio a mais esquisita das sensações. Havia água em toda a sua volta. Como se ela tivesse desembarcado de um grande mergulho para dentro de uma enorme piscina de água escura. Há um minuto sua cabeça estava pressionada com força contra a caveira de cristal e, agora, de uma hora para outra, estava de braços abertos, com o rosto para baixo, no que ela sentia ser água morna.
“O que está acontecendo comigo? Eu ainda estou no canal que corre embaixo de Luvantum? Eu morri naquele sistema subterrâneo do rio? Eu estou morrendo agora?”
Ela prendeu a respiração. Precisava de ar, desesperadamente, urgentemente. Na tentativa de respirar, tentou nadar até a superfície, mas sua cabeça se chocou contra algo. Não havia maneiras de sair da água. Seus pulmões estavam explodindo. Ela não conseguia mais suportar, tinha que respirar. O fim ao qual temia estava sobre ela, não havia escolha a não ser respirar. Antes da sensação de queima que veio quando a água foi aspirada, ela respirou uma vez e esperou, esperou o momento em que seu coração pulsante não bateria mais.
No entanto, nunca veio. Não aconteceu. Ela estava sob a água, porém era totalmente capaz de respirar. O alívio era agradável, enquanto dava uma respiração atrás da outra.
Rindo, abriu os olhos novamente e, de repente, viu-se flutuando em um oceano de azul iridescente, nadando e respirando sob a água como um peixe. Era como se um minuto atrás Laura estivesse fora da caveira, olhando para seu interior vítreo e aparentemente aquoso e, no minuto seguinte, sabia que, na verdade, estava dentro dela, olhando para fora, como se de repente estivesse no interior de alguma piscina enorme de paredes de vidro. Era como se há um minuto ela fosse um gigante segurando a caveira nas mãos e, no momento seguinte, fosse minúscula, flutuando no interior da enorme caveira, quase como se estivesse subitamente flutuando dentro de algum tipo de aquário enorme.
Laura percebeu que havia finalmente obtido êxito em “projetar a consciência no interior da caveira”.
No lado de fora, apesar de suas paredes externas que pareciam vidro grosseiramente distorcido, tinha certeza de que podia ver seu corpo caindo amontoado no chão em frente ao altar. Ela podia ver, como em um sonho, o xamã apanhar a caveira e colocá-la de volta no altar, enquanto seu corpo permanecia lá, amontoado no chão. Mas não se importava.
Dentro da caveira era como outro mundo, um mundo belo, repleto de luz radiante, como algum tipo estranho de cruzamento entre um paraíso tropical subterrâneo e interplanetário. Milhares de belas bolhas de cristal a cercavam, emitindo luzes azuis, prateadas e douradas. Ela esticou a mão para tocá-las e as descobriu macias e flexíveis. Conseguia espremê-las, quase achatá-las, e então retomar seu formato. Agarrando diversas delas, conseguia moldá-las em uma bolha grande e depois separá-las novamente em bolhas individuais. Era fascinante e encantador, exatamente como ser criança outra vez e descobrir o mundo pela primeira vez; a alegria de não conhecer todas as regras com as quais as coisas funcionam e experimentar o ambiente.
Enquanto brincava com bolhas, colocando-as em fila e jogando-as, ela pensou no quanto Alice teria gostado de brincar com ela dessa maneira.
Laura apenas começava a se acostumar com este novo e estranho ambiente, aprendendo a “nadar” e brincar nele, quando notou um túnel comprido e escuro dentro da caveira. Ele se estendia ao longe. Ela estava surpresa por não tê-lo percebido antes. Era bastante assustador observar, como se visse algumas das bonitas fotos de aglomerados de estrelas e galáxias distantes tiradas do telescópio espacial Hubble. Era grande o suficiente para “nadar” nele e parecia como se pudesse se estender por todo o infinito. Parecia como se talvez fosse possível imaginar um túnel através do tempo e do espaço.
Nadou para dentro da entrada no túnel. Suas paredes tinham uma aparência macia e fluida, como se talvez tivessem sido pintadas com tinta d’água multicolorida. Laura queria tocar as paredes, mas quando “nadava” em direção a elas, era incapaz de alcançá- -las. Elas recuavam ao seu toque. Não importava o quanto tentasse, estavam constantemente além de seu alcance, como o final de um arco-íris.
Ela percebeu que o lado oposto do túnel estava iluminado por uma luz branda. “Ficou” durante um momento paralisada com o modo com que a luz brilhava através da escuridão, quase se ondulando pelas paredes do túnel em direção a ela. De alguma maneira que não conseguia definir, sentia como se a luz a chamasse em sua direção.
Laura começou a nadar túnel abaixo, enquanto a luz a chamava constantemente. À medida que se aproximava, a intensidade aumentava. E, enquanto se afastava dentro do túnel, parecia viajar mais rapidamente, acelerando em direção à luz, ao mesmo tempo em que esta brilhava diante de si. Então, quando se aproximou do final, começou a diminuir a velocidade à medida que se aproximava cada vez mais da luz, que era pura, brilhante e forte.
Quando fez uma pausa no final do túnel, percebeu que havia algo entre a claridade e ela, como algum tipo de passagem feita de vidro fosco, ou talvez fosse quartzo puro. Sua beleza era de tirar o fôlego. Havia camadas de cor suntuosa, luzes suaves na cor do arco-íris, atravessadas por finos fios de prata e ouro. As cores pareciam ocorrer naturalmente e estavam trançadas na própria estrutura do cristal, formando combinações de luz e textura tão magníficas que Laura sentiu como se pudesse permanecer lá para sempre, totalmente absorta, simplesmente observando-as.
Quando levantou os olhos novamente e olhou através da porta, sentiu como se seu coração arrebentasse com a beleza absoluta que jazia diante de si. Sentiu como se estivesse em pé na própria margem do infinito, com um espaço inconcebivelmente vasto imediatamente além. Havia escuridão e luz. Laura teve a sensação de flutuar além das nuvens, e conseguia ver mais nuvens de branco e todas as diferentes cores flutuando ao longe. Ela sentiu como se estivesse olhando para todo o universo, para uma centena de milhares de estrelas que haviam explodido, enviando para frente um esplendor de luz e cor em todas as direções.
Embora não soubesse, de fato olhava através da passagem entre as diferentes dimensões, em pé diante do fino véu que separa os mundos, localizada no limiar entre a vida e a morte.
E exatamente quando pensava que nada poderia ser mais incrível do que aquilo que observava agora, teve o vislumbre de algo que jazia à sua frente, além da passagem, algo que a fascinou, tirou sua respiração. Era a luz mais incrível que já vira, uma esfera cintilante de luz branco-dourada, magnetizando-a e encantando-a. Tão bela, tão assombrosa. Começou a se perguntar se estaria olhando fixamente para um Anjo.
Mas enquanto observava uma pequena figura surgir do centro dessa esfera dourada cintilante, seu coração parou de bater por um instante. Percebeu que estava equivocada, pois esse não era nenhum estranho angelical desconhecido. Era, na verdade, algo muito mais inacreditável. E desta vez ela sabia que não havia entendido errado, pois a figura que ela viu surgindo iluminada por aquela luz branco-dourada iridescente era, na verdade, Alice. Ela finalmente havia encontrado sua linda menininha.
Laura reconheceu seus grandes olhos azuis, seus cabelos loiro-palha, até a minúscula marca de nascença sobre seus alegres lábios sorridentes. Essa era seu bebê precioso, sua filha amada, a luz radiante, transcendente e gloriosa que era sua criança perdida.
Seu coração queria cantar de alegria enquanto olhava fixamente para essa mais bela de todas as imagens.
— Alice — sussurrou.
Lágrimas formaram-se nos seus olhos e uma delas caiu sobre a superfície de cristal abaixo dela. Quando isso aconteceu, música estranha e bela ecoou por todo espaço ao seu redor. Outra lágrima caiu, e outra, e com cada lágrima veio o mesmo som bonito.
Laura percebeu que estivera esperando por esse momento durante o que pareceu ser uma vida inteira. De modo inconsciente, havia esperado anos, horas, minutos e segundos se passarem até que o Tempo pudesse trazê-la para este lugar.
Percebeu que houvera um anseio constante dentro de si, enterrado profundamente como uma semente que jazia adormecida, torcida dentro de si como se dormisse, aguardando a primavera. Era uma semente que, agora regada, esticava-se e crescia para escuridão afora, desenvolvia-se e florescia. Fora uma ânsia desesperada que ela não conseguia mais negar, um desejo por estar mais uma vez com sua filha, abraçá-la, segurá-la ternamente nos braços. Ela queria se unir à luz e se perder na alegria de encontrá-la novamente.
Compelida a ir até ela, tentou se movimentar para frente, chamar em voz alta:
— Alice!
Desta vez Alice a ouviu e se virou em direção a ela com um grande sorriso. Esticou os braços, como se esperasse um abraço, e gritou:
— Mamãe!
Naquele momento, um estalo alto, dissonante e mecânico entrou na consciência de Laura; um som que não tinha espaço em tal beleza e magnificência. Um ruído feio e brutal que se espatifou, colidiu com tudo o que ela viu e sentiu, e ecoou numa intensidade terrível, de congelar a alma. Em um instante, antes que compreendesse o que acontecia, ela foi puxada para trás com uma velocidade tremenda. Foi arrastada, enrolada e contorcida de volta ao interior do túnel escuro como se puxada por um tornado poderoso. Até a carne em seu rosto contraiu-se em seu crânio com a potência da força que agora a sugava.
— Não! — ela gritou à força impiedosa, terrível e feroz, ao mesmo tempo em que era sacudida e lançada para baixo de volta ao túnel, como uma boneca de pano. Deslocada através da escuridão, era impotente para resistir à força que a tragava, que a arrancava de seu lugar divino. Seu coração sentiu como se estivesse sendo partido em dois, rompido pela metade como um ramo em um furacão. Sentiu-se débil com a agonia excruciante de ter deixado a luz para trás, de ser arrastada de tamanha glória.
Havia uma dor em sua testa, uma dor metálica maçante, como se algum objeto estivesse incomodando a superfície de seu crânio. Abriu os olhos para ver o cano de aço de uma arma, segurada contra sua têmpora. Laura estava deitada sobre a dura pedra do assoalho da caverna de Hunab Ku, em frente ao altar, exatamente onde havia estado antes de entrar na caveira de cristal. Um homem estava com o joelho contra seu ombro; ela conseguia sentir seu peso esmagador forçando-a para baixo, contra o solo.
Pequenos grânulos de incenso jaziam despedaçados pelo chão. As flores do altar estavam esparramadas por todo o lugar, pisadas e amassadas. E um antigo crânio humano estava quebrado como a casca de um ovo ao seu lado.
Ela tentou se levantar.
— No muevel (Não se mova) — gritou o soldado.
Laura tentou girar a cabeça, olhar para a caveira de cristal, para se assegurar de sua presença.
De repente, sentiu uma dor escaldante enquanto o cano da arma era esmagado contra sua bochecha.
— Mexa-se novamente e eu a matarei! — o homem gritou para ela em espanhol.
Os soldados, homens de Caleb, haviam finalmente a pegado.
Desesperadamente, seus olhos procuraram pelo altar. Ele havia sido saqueado. Não havia sinal de Hunab Ku em lugar algum, e a caveira de cristal tinha desaparecido.