O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 109 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 106

Mas estava tudo certo. Nada foi arrastado pelo vento.

O redemoinho cessou imediatamente. Todos os escombros que rodeavam a caveira se chocaram contra o chão, enquanto tudo e todos caíram, incluindo a caveira de cristal, agora com aparência normal. Ela havia derretido seus parafusos, os eletrodos que outrora a seguravam no lugar, e agora rolava para fora do giroscópio em direção a um pedaço de passarela quebrada adiante.

Muito aliviados, todos ficaram lentamente em pé, em meio ao interior devastado. Cientistas e técnicos sacudiram a poeira de si na Sala de Controle, enquanto Laura deslizava de volta pelos cabos da parede e escalava pelos escombros na câmara. — Michael, você está bem? — ela gritou. Dirigiu-se pelos destroços, através da confusão de passarelas caídas, os pedaços de metal e lâminas afiadas dos restos do giroscópio, e apanhou a caveira de cristal enquanto se dirigia a ele.

Ela chegou a Michael para descobrir que ele ainda estava preso sob a escadaria caída. Tentou movê-la, mas não foi capaz.

— Precisamos de ajuda aqui! — ela gritou pela câmara.

— Você conseguiu, querida! — Michael falou, seu rosto radiante de orgulho, enquanto ela se ajoelhava ao lado dele.

— Nós conseguimos, Michael — ela sorriu. — Eu não teria feito isso sem você.

Ela se esticou por entre as barras de metal da escadaria para afagar seu rosto. Porém, Michael estava olhando para trás dela, uma ruga profundamente gravada em sua testa.

— Meu Deus! — ele sussurrou. — O que é isso? — Laura virou-se para ver que um pequeno buraco negro ainda estava lá. Na verdade, ainda era em formato de caveira, mas agora pairava no ar, no centro do giroscópio em ruínas, exatamente no mesmo ponto em que a caveira de cristal havia estado.

Parecia ser algum tipo de “túnel no tempo-espaço” e, embora o turbilhão tivesse parado, ainda crescia em um ritmo acelerado.

— Eu não acredito! O buraco ainda está aí! — Michael falou consternado. — Apenas está fora da caveira.

Naquele momento, o xamã surgiu na janela estraçalhada da Sala de Controle, balançando suas chaves da limpeza para entrar na sala.

— Você apenas reverteu o processo — explicou. — Agora é um buraco no passado, em vez de no futuro.

— Mas ainda está crescendo! — Michael exclamou.

— Laura — prosseguiu o xamã — você deve jogar a caveira no buraco negro, de volta ao passado, de volta ao lugar de onde veio.

Laura levantou a caveira de cristal acima de sua cabeça e estava prestes a fazer como o xamã sugeria, quando teve o vislumbre de algo surgindo dentro dela. Era apenas o vislumbre mais fugaz, a olhadela mais momentânea, mas seu rosto era inconfundível.

Era Alice. Seu rostinho parecia exatamente como Laura tinha visto no interior da caveira de cristal, em seu escritório, semanas atrás. Laura hesitou enquanto fitava sua bela menininha.

— Mas, e quanto a Alice? Eu nunca mais a verei — ela protestou.

— Laura, você deve abrir mão disso — o xamã disse com firmeza. — Você não pode mudar o passado, mas ainda tem tempo de salvar o futuro.

Laura apenas permaneceu lá por um momento, congelada no tempo, sem saber o que fazer para o melhor. Ela oscilou o olhar entre a caveira em sua mão e o buraco negro que continuava a aumentar, começando a “deformar” mais e mais a câmara ao seu redor.

Michael berrou:

— Apenas faça, Laura! Rápido, antes que todos nós sejamos sugados!

Laura olhou novamente para a caveira para observar que a imagem da Alice agora se fora. Havia desaparecido tão rapidamente quanto aparecera. Girou a caveira em suas mãos para tentar vê-la novamente, mas foi em vão, quando pensou ter ouvido a vozinha de Alice em sua cabeça.

- Você me verá novamente, mamãe. Você me verá na primeira gota de orvalho que cai na primavera. Você me verá na borboleta quando abre suas asas.

Uma única lágrima brotou no canto do olho de Laura.

Ela segurou a caveira próxima a seu peito e sussurrou:

— Perdoe-me, Alice.

Pensou por um momento ter ouvido a resposta de Alice:

-Você deve perdoar a si mesma, mamãe. Você fez tudo o que pôde- mas se perguntou se haveria imaginado.

— Eu sempre te amarei — Laura falou suavemente.

Michael gritou novamente de seu lugar, ainda preso sob a escadaria quebrada:

— Pelo amor de Deus, Laura, apenas jogue-a, ou todos nós morreremos!

Outra lágrima escorreu solitária pela lateral da bochecha dela, enquanto segurava a caveira entre as palmas das mãos e a beijava com doçura na testa.

— Adeus, meu amor, adeus! — sussurrou.

Ela então levantou a caveira lentamente sobre o ombro e a jogou, em um tiro suave e comprido, diretamente para o centro do buraco negro.