O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 12 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 8

A mente de Laura estava acelerada quando retornou para seu escritório pelo labirinto de corredores. Por que Ron Smith havia perguntado a respeito das origens da caveira de cristal? Nem ele sabia de onde tinha vindo?

Ela parou subitamente quando um pensamento ainda mais perturbador a atingiu. “O que estou fazendo ao seguir os passos de Ron? Ron andava estudando a caveira de cristal, perguntando sobre ela no arquivo, e então…”, ela estremeceu ao pensar até onde tudo isso poderia ir. Ela decidiu pegar um atalho por um dos corredores subterrâneos de armazenamento para acessar os elevadores, mas assim que dobrou a esquina percebeu que havia se esquecido do quão aterrorizante poderia ser aquela parte do museu. O corredor era forrado, por todos os lados até o teto, com caixotes de madeira dos quais se projetavam diversas esculturas antigas de partes do corpo.

Alguns metros à frente, de costas para Laura, um oficial uniformizado deslocava lenta e deliberadamente um velho carrinho no corredor abaixo, rumo aos elevadores. As rodas rangiam enquanto se movia, e um braço pálido e imóvel pendia por debaixo de um lençol branco que cobria um corpo de aspecto muito rígido no alto do carrinho. De repente, para Laura, deu a impressão de ser um cadáver, e todo o lugar parecia um necrotério.

De alguma forma surpresa com a força da própria reação, decidiu descer as escadas, e estava quase correndo no

momento em que alcançou o oficial no último andar. A iluminação do hall parecia não querer funcionar, e ela ainda atrapalhava-se para encaixar a chave na fechadura quando ouviu um som familiar de rangido.

Laura virou-se e viu que o carrinho e o funcionário que o empurrava haviam acabado de surgir do elevador na outra extremidade do corredor de serviço, exatamente oposto à porta perto de onde estava.

Ela conseguiu distinguir apenas a silhueta do corpo com as costas iluminadas somente pela lâmpada do elevador, que agora se deslocava corredor abaixo, em direção a ela.

Precipitou-se para seu escritório e se refugiou atrás da porta. Sentiu-se estranhamente assustada. “O que está acontecendo?”, perguntou a si mesma. Não conseguia entender por que as visões e ruídos comuns do museu, uma vez familiares, de repente pareciam ameaçadores. Seu coração, no entanto, martelava no peito enquanto o som de rodas rangendo e o eco vazio de pesados passos masculinos ficavam mais próximos.

Então ouviu uma batida na porta e pulou instantaneamente.

— Entre — ela entoou. Sua voz soava mais aguda do que esperava, e a porta sacudiu, abrindo-se.

Lá na porta estava um funcionário do museu. Era um afro-descendente alto, e magro, com um carrinho.

— O Professor Lamb me pediu para lhe entregar isso — disse, enquanto puxava o lençol branco para revelar uma antiga estátua romana, ao lado da qual havia uma maleta de couro preto de cerca de setenta centímetros.

— Ah, Jacob! — Laura ficou aliviada por reconhecer o porteiro, que fazia suas rondas habituais, buscando e entregando itens para os arqueólogos trabalharem. Não havia dúvida de que era somente uma estátua o que havia visto mais cedo no carrinho; sua mente simplesmente pregava peças nela.

— Apenas coloque-a lá — indicou.

— Sinto muito sobre Ron — Jacob disse assim que colocou a maleta de couro preto cuidadosamente na mesa lateral, o que fez Laura pensar que se tratava de uma cautela exagerada.

— Obrigada, Jacob — agradeceu a preocupação do porteiro, mas seu coração apertou assim que notou o que ele entregara.

Ela olhou para a maleta. Simplesmente sabia muito bem o que havia dentro dela. Sabia que aquilo viria, mas temia o momento de sua chegada.

Jacob parecia sentir sua tensão. Ele parou na porta e virou para olhá-la.

— Cuide-se agora, Dra. Shepherd.

A preocupação em sua voz deixou Laura perguntando-se o que exatamente ele ouvira a respeito da caveira. Estava desesperada para lhe indagar, mas pensou em sua reputação como arqueóloga profissional, e então nada perguntou.